O Homem de Aço (2013)


Por Fernando Rodrigues

 

Foto:divulgação

 

Criado pela dupla Jerry Siegel e Joseph Shuster, o Superman apareceu inicialmente em uma revista chamada Action Comics, em 1938. A partir de então, gradativamente esse personagem angariou status de mito e, ainda no século XX, se tornou um dos maiores ícones não apenas das histórias em quadrinhos de super heróis, mas também da cultura pop. Até porque o “S” que o personagem carrega no peito é um símbolo que hoje pode ser facilmente reconhecido por qualquer terráqueo. Não importa se a pessoa mora em um apartamento de uma conturbada metrópole ou habite um iglú isolado no pólo norte, o fato é que a fama do Superman ultrapassa fronteiras, ainda mais no mundo de hoje, regido pela velocidade da informação.

Diante disso, havia uma certa expectativa em relação a essa nova empreitada do personagem nos cinemas, já que algumas experiências cinematográficas anteriores foram massacradas por crítica e público com requintes de crueldade. Além disso, o próprio Superman, com o seu estilo de bom moço politicamente correto, já soava obsoleto para boa parte da atual geração, que está acostumada com (anti) heróis que não hesitam em mandar o bom senso às favas.

Como então tornar relevante um personagem que, apesar da sua fama na mitologia da cultura pop, ainda usa uma cueca vermelha por cima de uma calça azul?

Pois bem. A Warner, empresa detentora dos direitos do personagem, viu com bons olhos a receptividade do público diante dos filmes do Batman, dirigidos por Christopher Nolan. Sendo assim, Nolan teve sinal verde do estúdio para trazer o kryptoniano de volta para as telas de cinema. A direção do longa-metragem, nesse caso, ficou a cargo de Zack Snyder (Sucker Punch e Watchmen).

O resultado é O Homem de Aço, filme que mostra aquele Superman boa praça, mas que ao mesmo tempo não mede esforços na hora de partir para a agressão física contra o vilão Zod, vivido por Michael Shannon.

Com roteiro assinado por Christopher Nolan e David S. Goyer, o longa-metragem possui uma trama com boas elipses. Há cenas que denotam momentos mais emotivos intercalados por uns flashbacks aqui e ali, mas também há momentos de ação filmados com esmero, para não deixar ninguém sentindo falta das explosões e pancadas típicas de um filme do gênero.

Apesar disso, é possível notar que o roteiro em vários momentos é apressado e deixa escapar alguns furos que não são exatamente do tamanho de uma cratera lunar, mas podem incomodar os espectadores mais exigentes.

Vale também destacar que é possível notar na história uma camada mais interna, que mostra o Superman (bem interpretado por Henry Cavill) um sujeito em busca da própria identidade. O elenco de apoio se vira bem e conta com nomes veteranos como Russel Crowe (Jor-El), Kevin Costner e (Jonathan Kent), Diane Lane (Martha Kent).

De uma forma geral, O Homem de Aço é um produto que cumpre com o seu intento de trazer um personagem ícone para o século XXI, ele já não usa uma capa que pode ser confundida com um tecido de toalha de mesa. Até a sunga vermelha tiraram dele.

Se o Superman dos quadrinhos é mostrado como a esperança para os habitantes da Terra, dentro dessa enxurrada de filmes de super heróis, o Homem de Aço é esperança para os fãs que aguardam mais bons filmes para a franquia.

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