Bandeiras nas ruas, mas campanha não empolga


Por Amanda Souza

 

As eleições do 2º turno são dia 30 de outubro. Foto: Caroline Costa/laboratório de Fotografia e Memória

As eleições do 2º turno são dia 30 de outubro. Fotos: Caroline Costa/Laboratório de Fotografia e Memória

Com a proximidade das eleições do segundo turno, a paisagem das ruas centrais de Santa Maria foi modificada. Quem passa pela Avenida Rio Branco  ou pela rua do Acampamento, a qualquer hora do dia, se depara com bandeiras coloridas a misturarem-se em meio aos carros e ônibus. As bandeiras verdes e vermelhas se movimentam em todas as esquinas, pelo Calçadão, pelas praças e quase cobrem a visão dos motoristas no túnel Evandro Behr.  PSDB e PT disputam a gestão da Prefeitura de Santa Maria que, pela primeira vez, tem um segundo turno.  E ao contrário do que a movimentação sugere – pessoas com os braços erguidos, ativos, erguendo a marca do partido -, as faces revelam pessoas cansadas, apáticas, algumas mais do que outras. A repetição do ritual das bandeiras tremulantes, presentes em campanhas anteriores, já não parece ter a mesma empolgação. Nem para quem as carrega, nem para quem transita pelas ruas. A equipe da ACS foi conversar com os militantes para saber como eles percebem e estão envolvidos na campanha. De modo inesperado, a maior parte das pessoas entrevistadas recusaram-se a revelar o próprio sobrenome.

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Militantes disputam as ruas de Santa Maria.

Duas moças com bandeiras do candidato Jorge Pozzobon não quiseram ser identificadas, mas acreditam que as propostas do candidato são boas para a cidade. Quando perguntadas sobre quais são as propostas do partido, elas argumentaram que não acompanham muito a política do candidato e que estão trabalhando ali porque não têm outra renda. Uma delas diz que não consegue trabalhar na cidade já há algum tempo, e precisava do dinheiro.  Ela foi até o comitê de propaganda do PSDB e se cadastrou recentemente para trabalhar nesse segundo turno.  Ao seu lado estava outra  militante que não quis se identificar e diz ter 17 anos. Ela também  afirma não saber muito sobre as propostas de Pozzobon  e diz que nunca conversou com ele.

Há militantes menos temerosos que seguem o partido desde cedo, como Joel Barcellos , de 49 anos. Ele afirma sempre ter estado ao lado do candidato durante as campanhas e atua como fiscal de rua. Diz participar das reuniões entre o comitê político e o grupo que faz o rodízio das bandeiras. Segundo o fiscal, os porta-bandeiras ganham em média 30 reais por dia, independente de quando começaram, vale-refeição, vale-transporte, e que o candidato vai até a praça conversar com eles, de vez em quando.

Já na campanha do candidato Valdeci Oliveira, o movimento de rua é feito pelos militantes mais antigos do PT. Eles levantam as bandeiras vermelhas e têm domínio das propostas do candidato. Duas petistas filiadas foram contratadas pelo comitê de propaganda do partido. Elas participarão da caminhada com Helen Cabral, candidata à vice-prefeita, pelo fim da violência contra mulher, amanhã, 22, na Praça Saldanha Marinho. Uma delas afirma acompanhar o partido fielmente, e conta que há conversas frequentes com Valdeci. A outra militante ouvida tem 39 anos, também apoia o partido e diz precisar da renda extra. Ela entrou em contato com o Comitê e, como tem outro emprego, trabalha na rua a partir das 14h.

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Militância ocupa as ruas da cidade.

Todas as pessoas com quem a equipe de reportagem falou, trabalham na praça desde o primeiro turno. Elas ganham em média 40 reais por dia (preço calculado a partir do salário total). Todos os militantes trabalham das 9h às 19h, com pequenas exceções. Ainda que alguns aleguem precisar do trabalho, outros dizem gostar de levantar as bandeiras porque acreditam nos partidos, e o fariam mesmo que não ganhassem nada.

Já para  os universitários da cidade, ouvidos pela reportagem, as campanhas de rua perturbam, tanto nos horários de aula, quantos no de lazer. Raquel Menezes e Luzia Lemos, acadêmicas de Medicina, consideram as campanhas uma “poluição sonora e visual”.

Ariel Dalla Vecchia, também estudante da Medicina, acredita que a propaganda musicada e veiculadas pelos carros de som podem funcionar, pois as músicas são ‘pegajosas’ e tocam muitas vezes durante o dia.  A mesma opinião é compartilhada pelos amigos e estudantes de Arquitetura e Urbanismo, Renan Cadó e Bernardo Escobar. Eles concordam que a propaganda sonora possa funcionar devido às repetições durante o dia, mas acreditam que os panfletos e bandeiras não tem utilidade alguma.

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