A falta de interesse e a corrida dos alunos para o esporte


Por Wander Schlottfeldt

 

Foto: Gabriela Agertt/Labfem

Os Jogos Escolares de Santa Maria (Jesma), promovidos pela Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, tiverem, em 2017, a participação de 63 escolas estaduais, federais, municipais e particulares, com muitas modalidades nas categorias masculinas e femininas.

Na teoria, o Jesma tem por objetivo “incentivar a participação da comunidade escolar santa-mariense nas atividades propostas contextualizando o desporto como meio de educação”. Na prática, não é ocorre.

As mesmas condições que os 6 mil estudantes recebem para jogar são desiguais. Durante o torneio, muitas escolas enfrentam greves, originadas pela falta de pagamento dos professores. No período sem aulas, os estudantes correm para conseguir uniformes e, sem professor que os treine, contam apenas com a liberação dos diretores. Alguns, ainda, são barrados pela falta de interesse.

A vice-diretora da Escola Estadual Cilon Rosa, Fernanda Goldschmidt, conta que para os jogos serem produtivos durante a greve, precisa ter o interesse do professor em ajudar os alunos, o que nem sempre acontece. “O governo estava propondo uma reforma para o ensino médio, onde a educação física, no primeiro momento, teria sido excluída. Agora, após manifestações, voltaram atrás, mas a carga horária é muito reduzida”, explica.

O Instituto de Educação Olavo Bilac conseguiu sair vice-campeão do campeonato na categoria juvenil, mesmo com dificuldades para treinar diante das condições de quadra e a greve docente. Os alunos buscaram locais para treinar e organizaram a equipe com os novos colegas, que ingressaram neste ano.

Segundo uma fonte que pediu para não ser identificada, já houve situações em a escola não autorizava jogar em período de greve, mas os alunos compraram equipamentos e realizaram jogos ocultos para não serem descobertos pela direção.

Para a vice-diretora do Cilon, além da greve, as condições das quadras também atrapalham a prática esportiva. “As quadras das escolas públicas carecem de manutenção e acabam se tornando perigosas para prática da educação física. Temos que sair e buscar lugares alternativos”, comenta.

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