“Aqui” para viver e ser arte


Por Bibiana Campos

 

Foto: Mariana Olhabarriet/Laboratório de Fotografia e Memória

Ainda é possível vivenciar a experiência proposta nessa exposição. Em uma das paredes é projetada uma imagem pixelada em preto e branco, resultado da captação pela webcam dos movimentos dos espectadores no espaço delimitado pelo artista. Na parede oposta, o resultado de boa parte das imagens captadas e registros do público compartilhados com a hashtag #AQUIn1, projetados em cima de uma imagem pixelada colorida.

Talvez a ambientação cause um pouco de estranheza por não se tratar de uma exibição de arte do modo como estamos acostumados – principalmente porque o visitante é avisado desde a entrada:  a partir do momento em que se chega “Aqui”, o visitante está consentindo com a liberação do uso de sua imagem na obra. “Se o espectador não está ‘aqui’ [no espaço delimitado no chão que corresponde às coordenadas geográficas 29°41’05.9″S 53°48’52.8″W], a obra não acontece”, diz Ciria Moro, professora do curso de Design e também coordenadora da Sala Angelita Stefani. “Aqui” é uma vídeo-instalação de linguagem contemporânea que mistura um pouco de tudo. Para esta obra funcionar, ela necessita da interação do público. O espaço que compõe, faz parte da obra e é onde ela acontece.

A obra faz parte da pesquisa de mestrado de Calixto Bento, artista responsável pela vídeo-instalação, é graduado em Design de Produto pelo Centro Universitário Franciscano, mestrando do Programa de Pós-Graduação em Artes Visual da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) na linha de Arte e Tecnologia e integrante do duo de vídeo dança Cinelante.

É a primeira vez que uma vídeo-instalação como esta é recebida na sala de exposições. Círia aponta que, mesmo fugindo do convencional, é importante que o público tenha acesso a obras contemporâneas deste tipo. “A arte erudita e a contemporânea convivem muito bem entre si e nós, enquanto espectadores, precisamos conviver com estas linguagens e observar como funciona para nos questionarmos”, diz a coordenadora. Ela também afirma que visitar instalações de arte contemporânea faz parte de se abrir ao que não é usual em busca da aquisição de novas percepções, desprendendo-se de amarras já que exposições não se resumem à forma de arte tradicional, com quadros e esculturas. A entrada da tecnologia nas artes visuais modifica profundamente o patamar do que é produzido, sem delimitar o que é e o que não é arte ao comparar os estilos.

Calixto trouxe à Sala de Exposições Angelita Stefani uma mescla disso: a arte contemporânea, carregada com tecnologia, permite tanto que a obra exista em seu espaço físico quanto seja criada e recriada em tempo real com participação dos espectadores. Por ser algo novo e fora do comum de maneira positiva, é normal  causar uma certa resistência. E essa resistência só pode ser quebrada estando “Aqui”, ao vivenciar e participar da obra.

Foto: Mariana Olhabarriet/Laboratório de Fotografia e Memória

 

“Aqui”, por Calixto Bento

Exposição individual com curadoria de Reinilda Minuzzi

Data: de 27 de março a 14 de abril de 2017
Local: Sala de Exposições Angelita Stefani (Rua Silva Jardim, 1175 – Conjunto III – Hall do Prédio 14)
Horários: Segunda à sexta-feira, das 14h às 18h | Terças e quintas-feiras, das 9 às 12h

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