Unifra: a diversidade como pauta de pesquisa e extensão


Por Mariama Granez

 

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Turmas do 3º ano do Olavo Bilac com acadêmicos da medicina (Fotos: Mariama Granez)

Todas as quartas-feiras  são dias de reunião do grupo que discute temas ligados à vulnerabilidade, gênero, violência e saúde da mulher no Centro Universitário Franciscano. Os encontros são semanais e vão das 18h às 20h, sempre com uma atividade diferente para discutir tais temáticas. E na última quarta de cada mês ocorrem reuniões com mulheres da comunidade e alunos de diferentes cursos, abordando aspectos relacionados a saúde das mulheres.

Esses alunos/as e professores (as) fazem parte do Grupo de Estudos e Pesquisa em Empreendedorismo Social da Enfermagem e Saúde (GEPESES), que possui algumas linhas de pesquisa. Dentre elas a linha do empreendedorismo social, onde se encaixa o projeto que tem como coordenadora a professora e enfermeira Martha Souza. Questionada sobre como surgiu a ideia de criar o projeto, ela, que é também doutora em Ciências pela UNIFESP, conta: “A ideia (de criar o projeto) vem em cima da nossa prática como profissional de saúde e também das pesquisas que confirmam a dificuldade que as pessoas e, no caso específico, os profissionais de saúde tem em lidar com os pontos que envolvem a complexidade das questões sociais que interferem, direta ou indiretamente, na saúde da população”.

A proposta teve início na enfermagem e aos poucos foi se popularizando entre os alunos, até se tornar interdisciplinar. Hoje, participam alunos jornalismo, do direito, da fisioterapia, da psicologia, da odontologia, da medicina e do mestrado materno-infantil. Os(as) participantes se reúnem todas as quartas-feiras, com uma programação pré-definida. “Na primeira semana do mês fizemos a leitura e debate de alguns textos científicos. Na segunda semana do mês organizamos trabalhos que serão apresentados em eventos/congressos. Na terceira semana assistimos filmes/documentários acerca dos temas que estudamos/pesquisamos. E, na quarta e última semana do mês, acontece a reunião com mulheres, sendo que esta é aberta para mulheres da comunidade. O objetivo maior desse grupo de mulheres é o empoderamento das questões de gênero feminino, as quais sabemos que ainda apresentam uma vulnerabilidade maior”, revela Martha.

Além das reuniões semanais, o projeto tem vários ramos, devido à diversidade de alunos. O grupo possui um projeto aprovado junto ao Ministério da Saúde para executar ações de extensão na comunidade. Há, também, um grupo de acadêmicos da medicina que realizam debates sobre diversas questões como gravidez na adolescência, sexualidade, drogas e questões de gênero. Estas atividades ocorrem nas quintas-feiras na parte da manhã.

O projeto na escola

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Alunos do 3º ano do Olavo Bilac em cena.

Na manhã desta quinta-feira (23), os alunos do terceiro ano no Instituto Estadual de Educação Olavo Bilac, tiveram a missão de mostrar aos seus mentores, alunos da medicina, o quanto aprenderam com as suas aulas. Com esse compromisso, uma das turmas resolveu apresentar um teatro abordando os temas discutidos nas últimas três semanas. O resultado foi um sucesso. “Me sinto muito gratificado e agora, com esse resultado, emocionado com essa turma”, conta o professor de história, Luís Carlos Kunrath.

Para a estudante de 16 anos, Jéssica Mayer, o projeto trouxe uma amplitude de ideias. ”Eu pensava uma coisa e a partir do projeto eu consegui pensar outras coisas diferentes, que acarretaram um conhecimento bem legal para a minha vida”.

Rafaela Flores, 16, também estudante, ressalta a importância do projeto: “Foi muito importante esse trabalho porque eles fizeram um trabalho preventivo na nossa escola e tem muita gente que não tem oportunidade de conversar em casa sobre determinados temas e eles trouxeram isso para nós e nos ensinaram bastante coisa”.

Para a aluna Ariane Sisti, 16, foram tratados vários temas relevantes para aprender e a saber lidar com as situações cotidianas.

Já o acadêmico do 5º semestre de medicina, Victório Del Fabro, conta que “a gente se deparou com uma realidade que é bem diferente, porque quando a gente chegou para fazer os primeiros trabalhos nessas quintas-feiras, eles foram extremamente engajados e essa apresentação hoje, teatral ização deles em relação aos temas abordados foi muito importante. Eles tiveram um conhecimento muito amplo em relação aos temas abordados. Até comentamos que na nossa época não existia esse tipo de pensamento ou não era tão difundido, e não se tinha acesso tão fácil. Eles sempre foram muito bem informados, foram participativos e foi realmente muito impactante. Ficamos muito surpresos com todo esse feedback que eles nos trouxeram em relação ao que eles entenderam e espero que seja útil para todos nós que participamos desse processo”.

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Alunos do Olavo Bilac e acadêmicos da medicina debatendo.

A turma busca, agora, uma forma de chegar até o Ney Matogrosso, visto que uma música do cantor foi usada para trabalhar algumas questões. O grupo segue com os debates sobre diversidade na Unifra e fica aberto o convite para as mulheres que quiserem participar da reunião na última quarta-feira de cada mês.

O quê? Grupo de mulheres

Onde? Centro Universitário Franciscano, Sala 407, Prédio 16 (Unifra da Silva Jardim)

Quando? Última quarta-feira do mês

Participantes: Acadêmicos da Instituição

Tema Central: Saúde da Mulher

Convidados: Mulheres de todas as comunidades de Santa Maria

Coordenação: Profª Enf. Dra. Martha Souza

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