Entrevista: Ir. Irani Rupolo, reitora da UFN


Por Eduardo Biscayno

 

Irmã Irani Rupolo, reitora da agora UFN. Crédito: Mariana Olhaberriet/LABFEM

Uma sala ampla e iluminada,  papeis organizados, obras de arte evocando figuras religiosas e passagens da bíblia, coleções de troféus nas paredes e, em cima das mesas, alguns buquês de flores. Foi neste ambiente que a Irmã Irani Rupolo, a  reitora da agora Universidade Franciscana (UFN), recebeu parte da equipe da Agência Central Sul e do LABFEM para uma entrevista exclusiva.Durante a conversa, falou sobre a transição do Centro Universitário Franciscano para a Universidade Franciscana (UFN), além de perspectivas para o presente e futuro da instituição.

ACS: Há algum tempo a instituição vem se preparando para se tornar universidade. Quando foi encaminhado o processo?

Irmã Irani Rupolo: Nós o depositamos dia 6 de maio de 2016 no Ministério da Educação. Vê que já faz tempo, né? Naquele momento, já tínhamos todas as condições para se tornar universidade, plenamente atendidas. Aliás, nós só encaminhamos o processo porque estávamos com essas condições atendidas. O que quero dizer, e é importante que vocês também avaliem isso, de fato, como funcionamento, nós já temos um perfil de universidade. O que precisávamos era legitimar a nomenclatura, a avaliação do MEC.

ACS: Uma das características da Universidade é trabalhar com a curricularização da Extensão. E isso a Unifra já vinha fazendo mesmo não sendo obrigatório.

IR: Sim, há bastante tempo temos investido na curricularização da extensão, na investigação científica e nos cursos de pós-graduação. Por exemplo: quando nós encaminhamos o processo, não precisavam existir cursos de mestrado e doutorado. Grande parte das universidades brasileiras não tem esses cursos e nós já atendíamos plenamente a todos esses requisitos. Vamos encaminhar mais seis cursos de mestrado, dois de doutorado. Enfim, a área da pesquisa também já estava bem organizada há uns dez anos. Faz um tempo que estamos dando conta do que é ser uma universidade.

ACS: Percebe-se que é um processo que já vem sendo trabalhado há algum tempo. Entretanto, houve algum momento de dificuldade no percurso?

IR: Foi um processo bastante natural. Claro, não vou negar, que tivemos alguns momentos tensos. Porque a elaboração de todos os documentos é trabalhosa. Mas, sobretudo as avaliações externas. Quando uma instituição recebe avaliadores externos, que tem outros olhares, outras percepções, não se tem plena certeza de que tudo esteja bem. Mas eles ficaram plenamente satisfeitos. Tanto que o nosso conceito foi cinco.

ACS: Dá um certo orgulho, não é?

IR: Dá sim, com certeza. Por exemplo, se o nosso conceito tivesse sido quatro: nós continuaríamos com essa classificação por mais cinco anos. Como foi cinco, a creditação foi para dez anos. Você vê, que ganho! Só de saber que nos próximos dez anos não precisamos ser avaliados, ficamos bem mais tranquilos, num processo de construção seguro, mais leve, sem correrias. Assim como nós sempre trabalhamos.

ACS: Seria importante para os alunos saberem: o que muda nos cursos de graduação e pós-graduação se formar em uma universidade e não em um centro universitário?

IR: Interessante colocação. Nós agora estamos trabalhando, como você mesmo lembrou, toda a curricularização da extensão. No que isso vai mudar? Vai mudar que os nossos currículos, a forma de ensinar e de aprender, vão ter metodologias mais ativas e participativas por parte do aluno. Isso é fundamental. Outro aspecto para um estudante é, por exemplo, ter um diploma de universidade trará um olhar de mais credibilidade nos próprios diplomas. Então, acredito que este é um ganho para todos.

ACS: Existe uma hierarquia, digamos, entre um Centro Universitário e uma Universidade? Isso é algo que, por mais que não ateste competência, importa na hora de ser avaliado em um concurso ou numa entrevista de emprego.

IR: Importa sim. Por isso, gostaria de dizer uma coisa: a partir de junho, depois que a gente conseguir instalar a Universidade, todos os nossos formados que quiserem pegar uma segunda via do diploma como Universidade Franciscana, poderão fazê-lo. Iremos anunciar isso devidamente depois de organizado, mas já estou viralizando. (risos) Iremos anunciar a data correta, mas todos os nossos alunos, mesmo os que se formaram nas décadas de 1960 e 1970, poderão pegar uma segunda via. Queremos prestigiar quem fez parte dessa história.

ACS: Até porque a estrutura da UFN é praticamente idêntica de alguns anos atrás para cá.

IR: Isso mesmo. De 2013 para cá, mudamos apenas com a criação de alguns cursos como os de Medicina e Jogos Digitais. Talvez não tenhamos tido mudanças de grandes impactos, mas o que eu quero dizer é que nós nunca paramos de mudar, de investir. E nesse período também criamos três cursos de mestrado e mais um de doutorado. Estamos com mais um curso de doutorado para ser aprovado. Todos os semestres procuramos oferecer algo novo.

ACS: E sobre os cursos de graduação e especialização, tem alguma previsão de algum curso novo?

IR: Temos sim. Já abrimos Gestão Hospitalar, que é nova em especialização. Aprovamos recentemente outra em Gestão Ambiental. Recebi agora alguns projetos em EAD que vão para o conselho universitário. Mas temos sim, vários cursos previstos de especialização. Posso pegar aqui os planos.
Esses planos foram feitos quando nós encaminhamos o processo. Olhe, isso tudo aqui são cursos previstos. Agora estamos atualizando Gestão em Saúde, foi o que coloquei aqui na reunião que tivemos semana passada. Nós temos aqui Farmácia Clínica e Hospitalar, Saúde Pública. Esses aqui são cursos que permanentemente nós organizamos o processo e oferecemos alguns.

Os que tiveram um número suficiente de alunos, funcionaram. Os outros fomos ofertando no semestre seguinte. Então, a especialização é de um fluxo mais contínuo. Já um curso de graduação é mais complicado. Olhe aqui, tínhamos previsto o de Radiologia para antes, mas ele teve que passar para 2017 e começou em 2018. Ou seja, não conseguimos começar no momento previsto, mas não desistimos e organizamos para começar assim que possível. Às vezes, conseguimos começar antes, como o curso de Jogos Digitais, que estava previsto no plano para começar em 2018 e conseguimos abri-lo em 2017. Gostamos de trabalhar assim, planejando e providenciando o que for necessário. Mas, principalmente, fazemos um estudo meticuloso para tomarmos uma decisão e só depois anunciarmos. Temos uma previsão, mas decidimos quando está pronto e podemos assim adiar o adiantar o lançamento. Essa mobilidade temos na gestão. Ano que vem teremos um curso novo de graduação, que será lançado no edital. Agora não iremos divulgar.

ACS: No que a UFN pretende investir em termos de estrutura física e pessoal?

IR: Como funcionamento, a nossa organização já é de universidade. No que estamos investindo agora é no Hospital Universitário, até a metade de 2019, na pós-graduação e depois pretendemos trabalhar mais o Conjunto II, para atividades complementares e maior enriquecimento deste campus.

ACS: E que perspectivas a UFN tem em relação a EAD?

IR: A EAD… os nossos polos instalados são nas escolas da rede: em Brasília, Paraná, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Nós iremos oferecer cursos de especialização e de extensão, por enquanto. Tudo está acertado e já estamos com todos os materiais prontos. Será lançado a partir de maio. Já fizemos como teste alguns cursos de extensão, que funcionaram bem. Tivemos uma reunião ainda nesta semana, na terça-feira, com todas as direções das escolas. Está tudo pronto para a EAD, logo começará a andar, também.

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