O Povo Negro e a luta diária pela igualdade


Por Gabriela Gabbi

 

Carolina Ferreira dos Santos., aluna do curso de Psicologia. Crédito: Juliana Gonçalves/LABFEM

Pare um pouquinho o que você está fazendo agora, e pense: ao longo de toda a sua vida escolar e acadêmica, quantos colegas e professores negros você teve? Mesmo que a gente não se conheça, eu sei que a sua resposta não virá com muitos números. Essa é a realidade exposta diariamente por aqui.

Hoje, dia 20 de novembro, é o Dia Nacional da Consciência Negra e de um longo caminho à percorrer na luta pela igualdade racial. Apesar de conquistas importantes nos últimos anos, a população afrodescendente no Brasil ainda é discriminada e o racismo, uma realidade.

Após um ataque grotesco ocorrido dentro da UFN , um sentimento de revolta tomou conta de muitas pessoas, pois é inacreditável que atos tão desumanos ainda aconteçam.

É evidente a barreira que o negro enfrenta para conseguir empregos com remuneração maior. Isso é facilmente constatado quando se observa postos de trabalho considerados da elite.  Quando se vai ao shopping, banco ou grandes empresas, se percebe que só existem negros trabalhando na limpeza ou na segurança. Não é por falta de qualificação. É sim fruto de grande preconceito, com raízes históricas profundas.

Os últimos números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelaram que a taxa de desemprego permanece maior entre negros e pardos, que também têm salários mais baixos. Na ocasião, a renda média real recebida pelas pessoas ocupadas no país foi estimada em R$ 2.043. O rendimento dos brancos era de R$ 2.660 (acima da média nacional), enquanto o dos pardos ficou em apenas R$ 1.480  e o dos trabalhadores que se declaram pretos esteve em R$ 1.461.

É importante ter consciência que nós, brancos, já fomos protagonistas e donos das nossas falas por muito tempo. Com a quantidade de ataques raciais em todo mundo, precisamos ser coadjuvantes e ouvir quem grita, muitas vezes, por dignidade e respeito.

Projeto Alma Não Tem Cor 

Making Of do projeto. Crédito: Laura Fabrício/LABFEM

Para aguçar sobre o Mês da Consciência Negra na Instituição, o Laboratório de Foto e Memória (LABFEM), realizou uma série fotográfica ” Alma Não Tem Cor”.

A ideia surgiu de uma conversa sobre atos de racismo, de acordo com a aluna Juliana Gonçalves, da Publicidade e Propaganda,  ”como eu sou do núcleo de fotos, não encontrei forma melhor de mostrar a humanidade dessas pessoas que são discriminadas, pois elas tem um rosto e uma voz.  A fotografia pode falar por si só, tanto na expressão do rosto delas, como nas frases das placas. É muito importante humanizar essas pessoas, ressaltando suas vozes, sensibilizando o público”, afirmou a estudante.

Na técnica das fotos em preto e branco, Juliana explicou que essa escolha foi feita para dar um padrão e, nesse caso, deu um ar dramaticidade com verdade para o público notar a exposição e ver a fala dessas pessoas. O projeto foi coordenado pela professora Laura Fabrício.

Clarissa Carvalho, estudante de psicologia, participante do projeto. Crédito: Mariana Olhaberriet/LABFEM

”O que é a cor da pele? Todo mundo é igual”, afirmou a aluna da psicologia Clarissa Carvalho, de 21 anos. Ela contou que, após o ataque racista, sentiu um misto de raiva com tristeza.  ”É inadmissível que pessoas venham em um local de estudos, onde se adquire conhecimento, para fazer declarações de ódio tão chulas. Me dá um sentimento de impotência por eu estar sempre lutando pelo meu lugar na sociedade. Já fui xingada de negrinha, macaca, suja, pobre, tudo isso pela cor da minha pele. Depois que eu conheci gente igual a mim,  consegui me empoderar mais. Já denunciei para a polícia, mas é muito triste passar por coisas assim. Dói, é ruim, é horrível, mas hoje em dia eu não consigo mais ficar quieta. Ninguém vai me calar”, exclamou a estudante, que relatou também ter se sentido representada pela postura que a instituição teve no ato e no posicionamento contra o racismo.

 

Dianypher Émillin, acadêmica de Odontologia e Caroline Ferreira dos Santos, acadêmica de Psicologia. Crédito: Laura Fabrício/LABFEM

As alunas Dianypher Émillin, 19 anos e Caroline Ferreira dos Santos, 21 anos, relataram que micro violências já foram feitas à elas dentro da instituição. Elas já foram insultadas por seus cabelos e pela cor de suas peles, ”esse é teu tipo de cabelo cacheado, mas pelo menos não é daquele jeito né?” contou Dianypher. Sobre a incitativa do Laboratório, Caroline afirmou que é um momento importante da Instituição e dos cursos se posicionarem. ”Precisamos lutar com os recursos que temos. Como seres humanos, todo apoio que recebemos da instituição é válido” relatou a aluna.

Caroline Pena, acadêmica de Direito. Crédito: Mariana Olhaberriet/LABFEM

A acadêmica de Direito, Caroline Pena, disse ter ficado chocada quando abriu suas redes sociais e se deparou com a imagem do ataque feito dentro da instituição.”Na hora, enchi meus olhos d’água; não acreditei no que vi, tantos ataques em poucos intervalos de dias. Não imaginei que isso fosse acontecer aqui. Nunca estamos preparados para quando acontecer com a gente. Foi um dia bem triste, e fiquei bem abalada. Nós temos que falar sobre racismo. Racismo não é ”mimimi”, precisamos discutir isso em todos os lugares, tem de haver políticas que discutam sobre isso. Todos os projetos relacionados à questão são válidos.

 

Confira a galeria completa no site da UFN. 

 

 

Deixe um comentário

Adicione o seu comentário abaixo, ou trackback de seu próprio site. Você também pode acompanhar estes comentários (assinar) via RSS.

Seu e-mail nunca será divulgado, nem compartilhado. Os campos obrigatórios estão marcados com *