Realidade virtual do Brasil e do mundo é discutida no XXII SEPE


Por Caroline Comassetto

 

O avanço da tecnologia é um processo evidente nos dias de hoje e, por consequência, o mercado da tecnologia também. Pensando numa proposta inovadora, a Universidade Franciscana incorporou a sua matriz o curso de graduação em Tecnologia em Jogos Digitais em 2017.

Orlando Fonseca Júnior, da Imgnation Studios.  Foto: arquivo pessoal

Na tarde desta sexta-feira, 5, esteve presente no XXII Simpósio de Ensino, Pesquisa e Extensão (SEPE), o desenhista industrial Orlando Fonseca Júnior, ministrando a palestra Desenvolvimento da realidade virtual no Brasil. Júnior, é diretor criativo da Imgnation Studios – um estúdio de desenvolvimento de jogos, com foco na realidade virtual.

Júnior conta que sempre gostou de desenhar e queria trabalhar com algo relacionado aos desenhos, assim, graduou-se em Desenho Industrial pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). “Ao contrário de muitos dos meus colegas, e de muitos de vocês que estão na graduação, eu saí da faculdade sabendo o que queria fazer: trabalhar com desenhos, só não sabia como”, lembra Júnior. Na ânsia de trabalhar com animação, quadrinhos e ilustração, Júnior, com alguns colegas conheceu a Incubadora Tecnológica da UFSM, criou uma pequena empresa e com isso, descobriu como aplicar sua formação na programação de jogos. Assim, nasceu a primeira versão do que é hoje o seu estúdio.

Após muitos altos e baixos no mercado da tecnologia e saindo da Incubadora Tecnológica, Júnior, encontrou nas feiras de jogos eletrônicos o mercado internacional. Com base nesta experiência, criou, então com outro sócio, jogos para aplicativos, ainda em 2009.

“Adquirir novos conhecimentos nestas feiras de jogos, foi fundamental para o meu trabalho, para entender o mercado de jogos fora do Brasil e para dar visibilidade e reconhecimento para a minha empresa”, ressalta o diretor criativo da Imgnation Studios.

O desenhista relembra que este momento foi importante também para conhecer pessoas do ramo, e isso, o levou a com grandes empresas que ele admirava e desenvolver uma parceria de um projeto de realidade virtual, quando o grande mercado ainda nem pensava nisso. “O projeto de um jogo para o óculos de realidade virtual – hoje muito mais popularizado do que em 2014 – fez o jogo do Imgnation Studios ser o 3º do mundo e o 1º da América Latina”, conta. Um destes jogos, foi desenvolvido em especial para o festival de música, Rock in Rio Las Vegas, de 2015.

“E tudo que a empresa fez foi incentivar novos projetos numa tecnologia, de certa forma antiga, pois, a realidade virtual é um fenômeno de 40, 50, anos atrás. Só precisava se tornar acessível ao usuário comum”, comenta Júnior.  

Júnior mostra que é possível viver da tecnologia virtual no Brasil, e que exige muito trabalho, dedicação e foco dos profissionais e estudantes da área. “Há uma principal diferença entre os jogos normais, que estamos acostumados a desenhar e jogo de realidade virtual: a interface. Há uma padronização nos jogos normais, em a vida do jogador fica no canto superior esquerdo e a pontuação no canto superior direito da tela. Nos jogos de realidade virtual, não existe mais a tela, não tem mais o limite quadrado de uma televisão,  notebook, ou um celular por exemplo”, explica.

Após uma análise da previsão do mercado de jogos nos próximos anos, Júnior reafirma que é sim, viável viver da criação de jogos no Brasil. “É preciso achar alternativas, criar caminhos para isso, o que não é fácil, mas também não é impossível”, salienta.

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