Um dente siso e uma lição


Por Agência CentralSul de Notícias

 

Reimund Bertrams por Pixabay

Sempre quando alguém fala sobre o dente do siso, mais conhecido como terceiro molar ou “o dente do juízo”, uma pergunta sempre surge no ar. Para quê ele serve? A resposta quase unânime das pessoas é a de que ele não serve para nada.
Depois de passar uma noite infernal, sentindo uma dor excruciante, eu descobri que ele serve para algo: nos mostrar o quanto somos insignificantes.
Entendi o papel daquele dente que, para muitos, devido à nossa “evolução” como seres humanos mudamos fisicamente, ele ficou obsoleto, sem uma função. Mas o siso tem o papel de nos mostrar nosso real tamanho, nosso lugar no universo. Acreditamos ser maiores do que realmente somos. Temos que ter humildade e reconhecer o quanto somos frágeis. Sejamos humildes e gentis gentileza faz bem, apesar de ser algo raro nos dias de hoje.
Temos que olhar para o meio em que vivemos, não o mundo que criamos atrás de uma tela. Esse não é real, não podemos tocar, não podemos sentir, como a dor de um siso, que é real e incomoda.
Devemos nos incomodar sempre, com tudo, com a dor, nosso momento atual, a violência, fome, intolerância, e o que estamos nos tornando enquanto humanidade. Também com esse lugar onde pessoas tiram fotos transparecendo felicidade plena mas que, na verdade, por trás daquele momento, são vazias e infelizes.
Não é necessário mostrar as 24 horas do nosso dia. Melhor aproveitar aquele momento estando presente de corpo e alma, curtir cada segundo, guardar na memória, no coração e não em um ambiente virtual. Precisamos do toque, do cheiro, do beijo, precisamos de tudo isso, precisamos nos sentir vivos, não ser apenas um algoritmo ou um like.
Necessitamos sentir o frio na barriga que só um grande amor pode nos proporcionar. Bater na porta da casa de um amigo, para perguntar como ele está, olhando nos seus olhos. Tomar banho de chuva e caminhar na rua de pés descalços. Talvez, depois dessa lição, arranque esse dente, ou deixe aqui na minha boca para, às vezes, me causar incômodo, lembrando que estou vivo e posso sair caminhando por aí.

Por Fabian Lisboa, acadêmico de jornalismo na UFN. 

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