Mesa-redonda debate empoderamento feminino para além dos negócios


Por Caroline Comassetto

 

Debate coloca em pauta o empoderamento feminino. Foto:Thayane Rodrigues

O que é empoderamento feminino? Para a presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul, Ana Tercia Lopes Rodrigues, empoderar é a capacidade de influenciar e liderar, principalmente, através das palavras; para a influenciadora digital, Michelli Torrico é se conhecer, realizar sonhos e projetos; para a professora doutora em Ciências, Martha Helena Teixeira de Souza, é a busca da igualdade e condições para as mulheres.

Este foi o assunto que balizou a mesa-redonda Empoderamento feminino nos negócios, no II Fórum Integrado de Negócios da Universidade Franciscana, mediado pela jornalista e doutora em Ciências da Comunicação, Sibila Rocha. Durante sua fala, Ana Tercia Lopes Rodrigues contou que sua vida foi dividida em antes e depois do Conselho Regional de Contabilidade, pois, é a primeira mulher a ser presidente do conselho em 70 anos. Ela reforça a importância de ocupar este cargo.

Martha Helena Teixeira de Souza relembra o início da carreira no Paraná onde trabalhou o empoderamento com mulheres em situação de vulnerabilidade e violência. Já em Santa Maria trabalha com o empoderamento de mulheres trans e com mulheres infectadas pelos vírus HIV, causador da AIDS. Por isso, Martha destaca em sua fala ser essencial o empoderamento desta população, por conta da dificuldade do acesso dessas mulheres ao serviço de saúde, devido ao preconceito. “Luto para que as mulheres tenham visibilidade e não sofram com a violência, para que um dia possam chegar ao mundo dos negócios”, afirma Martha. A  enfermeira e pesquisadora trouxe resultados de uma pesquisa realizada em Santa Maria sobre a violência contra a mulher, e que destes dados nasceu um projeto de capacitação e empoderamento das lideranças femininas dos bairros mais citados. Ela acredita que o resultado mais positivo deste projeto foi a união e o suporte entre as mulheres.

“Elas foram percebendo que podiam contar umas com as outras e retomar suas próprias vidas, até mesmo na decisão de se separar do parceiro”, explica. Em relação a posição dos homens em relação às mulheres, as três participantes argumentam que é preciso mudar a visão da sociedade quanto as mulheres, inclusive das crianças. “É muito importante o debate em família, sobre o lugar da mulher, na criação dos filhos e divisão de tarefas”, conclui Michelli Torrico que também contou a sua experiência sobre moda, redes sociais, mídia e mulheres.  Com isso, a influenciadora salienta que a sua participação na internet também diz respeito a incentivar as mulheres a trocarem experiências e a aproveitar a liberdade proporcionada pelas redes sociais para reconhecer o seu próprio papel. “A gente tem que estar no lugar que quiser”, diz.

Quanto ao tópico mulheres nos negócios, as participantes da mesa-redonda julgam que é preciso ampliar os espaços e modificar a visão da sociedade sobre a mulher ocupar este espaço no mercado de trabalho, nas universidades e, mais ainda, na política. Um exemplo citado no bate-papo foi o documentário Eu sou, Eu posso, Eu quero produzido em Santa Maria, pelo grupo Mulheres Donas de Si, com depoimentos de 12 mulheres que atuam em diferentes áreas, por exemplo no esporte, como árbitra de futebol.

Michelli Torrico, afirma que neste processo de ocupação de espaços é importante que a sociedade aprenda a julgar menos o outro, sobretudo quando se trata da imagem da mulher, o que cria barreiras para atingir o Eu posso. “Por isso, a aparência interfere no ambiente corporativo”, crê Ana Tercia. Lopes Rodrigues. Sobre aceitação e respeito, Martha encerra dizendo que “as pessoas não nascem no corpo errado, nascem em uma sociedade errada, que está doente, que espalha o ódio e que acha que armas são melhores que livros, mas, nós é que estamos doentes, por isso, precisamos de mais amor”.

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