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Santa Maria, RS, Brazil

Esportes

O futebol ocupa um espaço importante na vida de milhões de pessoas, seja pela paixão por um clube, pela admiração por um jogador ou pela emoção de acompanhar uma competição. Mas a influência do esporte nem sempre termina quando o árbitro apita o fim da partida. Em diferentes momentos da história, jogadores utilizaram a visibilidade conquistada dentro de campo para participar de debates sobre política, desigualdade social, racismo e direitos humanos.

Em uma geração conectada às redes sociais, na qual atletas podem alcançar milhões de seguidores diretamente, suas manifestações também podem despertar o interesse por assuntos que ultrapassam o mundo esportivo. Uma declaração sobre uma eleição, uma campanha contra a desigualdade ou até mesmo a recomendação de um livro pode levar torcedores a pesquisar temas que antes pareciam distantes de sua realidade.

Camping World Stadium lotado para o amistoso entre Estados Unidos e Brasil antes da Copa América de 2024. Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Essa relação, entretanto, levanta uma questão: quando um jovem passa a admirar um jogador pelo que ele faz com a bola, essa admiração também pode despertar nele a vontade de compreender melhor o mundo fora do campo?

A resposta não é necessariamente simples. A admiração por um atleta não significa que o torcedor adotará suas opiniões, mas pode funcionar como um ponto de partida para novas perguntas, pesquisas e conversas. Para compreender como isso acontece, é preciso olhar tanto para a história do futebol quanto para as diferentes formas de influência exercidas pelos jogadores da atualidade.

Sócrates e a política dentro de campo

No Brasil, um dos exemplos mais emblemáticos da relação entre futebol e participação política é Sócrates. No início da década de 1980, o ex-jogador se destacou por sua atuação na Democracia Corinthiana, movimento que defendia a participação coletiva nas decisões do clube em um período marcado pela ditadura militar e pela luta pela redemocratização do país.

Sócrates comemorando gol pela seleção brasileira, em 1985. Foto:  Anibal Philot / Agência O Globo

Além de sua atuação no esporte, Sócrates tornou-se uma figura associada à defesa da democracia e da participação cidadã. Sua trajetória demonstra que o futebol já funcionava como espaço de debate público muito antes do surgimento das redes sociais.

Décadas depois, os meios de comunicação mudaram, mas permanece uma questão semelhante: qual é o papel de um jogador quando sua popularidade permite que ele alcance pessoas que talvez não acompanhem habitualmente o debate político?

Da política francesa à mobilização social: os jogadores de hoje

Em junho de 2024, durante a Eurocopa, os franceses Kylian Mbappé e Marcus Thuram utilizaram sua visibilidade para se manifestar sobre o cenário político do país, às vésperas das eleições legislativas. Ambos demonstraram preocupação com o avanço do Reunião Nacional, partido de direita radical, e incentivaram a participação dos eleitores, principalmente dos jovens.

Marcus Thuram e Kylian Mbappe no treino da seleção Francesa. Foto: AFP

As manifestações evidenciaram como jogadores de futebol podem levar debates políticos a públicos que nem sempre acompanham o noticiário. Mais do que expressar opiniões, atletas com grande alcance nas mídias podem despertar a curiosidade dos torcedores sobre questões que ultrapassam o esporte.

Entretanto, o posicionamento de um ídolo não significa necessariamente uma mudança de opinião entre seus seguidores. O que se evidencia é a busca pelo conhecimento, de ir atrás e pesquisar acerca de assuntos importantes, refletir e construir suas próprias perspectivas e opiniões.

Outra forma de participação aparece na trajetória de Marcus Rashford. Na Inglaterra, o atacante ganhou destaque por sua campanha em defesa de refeições gratuitas para crianças em situação de vulnerabilidade durante as férias escolares. Sua mobilização ajudou a pressionar o governo britânico a rever sua política sobre o tema.

Marcus Rashford recebendo título do Império Britânico em campanha de alimentação para crianças. Foto: Andrew Matthews/Pool via REUTERS

Diferentemente dos posicionamentos eleitorais de Mbappé e Thuram, a iniciativa de Rashford concentrou-se na defesa de uma questão social e na cobrança por uma resposta das autoridades. Seu exemplo demonstra que a atuação pública de um jogador também pode envolver campanhas de mobilização e a defesa de políticas públicas.

Já Lamine Yamal, jovem estrela da seleção espanhola e do Barcelona, ajuda a ampliar a discussão para questões de identidade, diversidade e pertencimento. Filho de pai marroquino e mãe de origem guinéu-equatorial, o atacante tornou-se uma figura de grande visibilidade para jovens de diferentes origens.

Lamine Yamal durante partida contra Portugal pelas oitavas de final de Copa do Mundo de 2026. Foto: Stefan Koops/NurPhoto via AFP

Sua trajetória ganhou significado social em um contexto no qual o racismo e a xenofobia continuam presentes no futebol e na sociedade europeia. A própria representatividade de um atleta pode, entretanto, estimular conversas sobre preconceito, inclusão e convivência entre diferentes culturas.

Embora atuem de maneiras distintas, esses jogadores mostram como a presença pública de um atleta pode ultrapassar os resultados esportivos. Seja por meio de manifestações eleitorais, campanhas sociais ou questões relacionadas à identidade, suas trajetórias ajudam a compreender como o futebol pode se conectar a debates que fazem parte da vida dos torcedores.

De volta ao Brasil: quando a influência passa pela leitura

No cenário brasileiro, a influência de um jogador sobre o público pode assumir uma forma diferente do ativismo eleitoral ou da mobilização por políticas sociais. O caso de Gustavo Scarpa ajuda a discutir como o interesse de um atleta por atividades extracampo também pode aproximar os torcedores de assuntos que vão além do esporte.

O jogador chamou atenção ao compartilhar seu interesse por literatura e comentar obras em vídeos nas mídias digitais, aproximando livros e discussões literárias de um público que acompanha seu trabalho principalmente dentro de campo. Após a divulgação do livro A morte Ivan Ilitch de Lev Tolstói, a obra alcançou o topo dos livros mais vendidos da Amazon Brasil.

Gustavo Scarpa segurando um exemplar da obra A morte de Ivan Ilitch de Lev Tolstói. Foto: Reprodução/Youtube

A iniciativa se diferencia dos posicionamentos eleitorais de Mbappé e Thuram, assim como da mobilização social de Rashford. Sua relevância para esta discussão está no potencial de uma figura pública despertar curiosidade por atividades que nem sempre estão associadas ao universo esportivo.

A leitura pode ampliar o contato com diferentes perspectivas, estimular o pensamento crítico e incentivar o questionamento de ideias estabelecidas. Nesse sentido, o interesse de um atleta por livros pode contribuir para colocar a literatura em evidência entre seus seguidores, inclusive entre aqueles que não têm o hábito de procurar esse tipo de conteúdo.

Se um jogador pode despertar o interesse por uma obra literária, também pode levar seus seguidores a pesquisar sobre um autor, conhecer um contexto histórico ou entrar em contato com ideias diferentes das que já conheciam. A relação entre futebol e formação cidadã, portanto, não precisa se limitar às manifestações políticas explícitas. Ela também pode passar por iniciativas culturais e pela curiosidade intelectual, desde que não se presuma que a visibilidade de um atleta produza automaticamente mudanças duradouras no comportamento do público.

O que fica para quem assiste?

Entre a atuação democrática de Sócrates, os posicionamentos eleitorais de Mbappé e Thuram, a mobilização social de Rashford, a representatividade de Yamal e o interesse pela literatura associado a Scarpa, existem diferentes formas de um atleta ultrapassar os limites do campo.

Essas trajetórias mostram que o futebol pode se relacionar com questões muito mais amplas do que os resultados de uma partida. Entretanto, compreender o impacto dessa relação exige ouvir também quem está do outro lado: os torcedores, especialmente os jovens que acompanham esses jogadores e constroem suas próprias opiniões em meio a uma grande quantidade de informações.

Será que um jovem que acompanha futebol diariamente passa a prestar mais atenção à política quando seu ídolo se manifesta? Uma declaração pode levá-lo a pesquisar sobre uma eleição, compreender melhor uma questão social ou procurar um livro que nunca havia considerado ler? E até que ponto essa influência estimula a autonomia de pensamento, em vez de simplesmente transferir a opinião de uma celebridade para seu público?

Mais do que defender que jogadores devem ou não se posicionar, essas perguntas convidam a refletir sobre a dimensão social do esporte e sobre a responsabilidade que acompanha a visibilidade pública.

O futebol não precisa se transformar em um palanque partidário para contribuir com a formação cidadã. Quando estimula perguntas, aproxima pessoas de diferentes realidades e desperta o interesse por assuntos que ultrapassam as quatro linhas, ele também pode abrir caminhos para o conhecimento e a participação social.

Afinal, talvez a influência mais importante de um ídolo não esteja em convencer um torcedor a pensar como ele, mas em despertar nesse torcedor a vontade de adquirir um pensamento crítico por conta própria.

Foto: Leo Piva

O Grêmio vive uma crise há anos e parece que ninguém consegue encontrar uma solução. Depois dos anos de glória, com a conquista da Copa do Brasil em 2016 e da Libertadores em 2017, o clube nunca mais foi o mesmo.

Em 2021, começou o declínio de uma geração tão vitoriosa. Com um elenco problemático e uma série de erros dentro e fora de campo, o Grêmio foi rebaixado pela terceira vez em sua história e, em 2022, precisou disputar a Série B do Campeonato Brasileiro.

No ano seguinte, em 2023 veio o ano da ilusão. O Tricolor terminou o Brasileirão como vice-campeão, impulsionado pelo desempenho de Luís Suárez, um dos melhores centroavantes do futebol mundial. Mas depois disso o que parecia ser o início de uma retomada acabou se transformando em mais uma sequência de frustrações.

Ano após ano o Grêmio parece repetir os mesmos erros. Muda o treinador, chegam novos jogadores, surgem novas promessas, mas os problemas continuam. São dois anos sem disputar a Libertadores, a principal competição de clubes da América do Sul, e uma dificuldade cada vez maior de voltar a ser protagonista no futebol brasileiro. O torcedor acompanha as mudanças, cria expectativas e no fim nada se concretiza.

A temporada de 2026 começou com uma nova direção e a contratação de um técnico estrangeiro. A expectativa era de mudança, de um novo planejamento e de um Grêmio capaz de recuperar a competitividade. Mas não demorou muito para perceber que o caminho seria difícil. A montagem do elenco gerou questionamentos, as dificuldades de comunicação entre os jogadores estrangeiros chamaram a atenção e dentro de campo, o time não conseguia apresentar um futebol convincente. Foram derrotas frustrantes, empates inexplicáveis e poucas vitórias.

A torcida apoiou, teve paciência, mas também cobrou respostas que nunca chegaram. Nove meses depois, faltando apenas 11 jogos para o fim da temporada, a direção decidiu demitir o treinador e apostar em Renato Portaluppi, um dos maiores ídolos da história do clube, na tentativa de encontrar uma solução para uma crise que já vinha de muito antes. Porém, trocar o treinador não significa resolver todos os problemas. Até agora o Grêmio continua apresentando um futebol difícil de assistir.

O que resta ao Grêmio em 2026 é tentar sobreviver a uma temporada que se tornou muito mais difícil do que deveria. Com poucas partidas pela frente, evitar o rebaixamento é a prioridade. Mas a crise envolve planejamento, escolhas e a falta de um futebol que represente a grandeza do clube. Para uma torcida que já viveu tantas glórias é difícil aceitar que neste momento, a principal preocupação seja simplesmente conseguir terminar o ano na primeira divisão.

Cristhian e Pedro na rádio Universitária durante a gravação do programa. Foto: Reprodução Previsão do Jogo

Na última terça-feira, 15 de setembro, chegou ao fim a primeira etapa do programa Previsão do Jogo. O programa é produzido e apresentado pelos acadêmicos do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana, Cristhian Braga e Pedro Ossanes, com supervisão do professor Carlos Alberto Badke. O programa é realizado na rádio da universidade todas as terças-feiras desde o 1º semestre de 2026, às 17h20min, transmitido pelo canal da Rádio UFN no YouTube e conta com uma dinâmica que envolve os ouvintes.

Os acadêmicos debatem sobre futebol não apenas dentro das quatro linhas. O programa também aborda debates polêmicos, une cultura e esporte, traz opiniões sobre os assuntos discutidos, entre outras dinâmicas. Um dos diferenciais do programa é a tabela de palpites, que busca aproximar e entreter o público. Por meio das redes sociais, Cristhian e Pedro divulgam os jogos da rodada do Grêmio e do Inter, além de outras partidas relevantes que estão para acontecer. Os ouvintes enviam seus palpites e no programa seguinte, os apresentadores anunciam os resultados.

A ideia do programa surgiu dentro da própria rotina acadêmica. A dupla já havia vivenciado experiências em outros programas esportivos dentro da faculdade, mas tinha a vontade de criar um programa que tivesse mais a ver com eles.

Cristhian aprofundou os detalhes do planejamento do programa. “Para deixar o programa com um conteúdo um pouco diferente, eu e o Pedro pensamos em criar o Fora das Quatro Linhas, que acontece antes do debate de palpites. Enquanto o debate é focado nos palpites dos jogos, esse quadro aborda assuntos mais extracampo, como arbitragem, sociedade e questões polêmicas relacionadas ao futebol”, destaca.

Durante a conversa, o acadêmico também ressaltou que a interação do público com a tabela de palpites tem sido muito divertida e dinâmica. Cristhian destacou ainda que o sucesso da tabela foi tão grande que, durante a Copa do Mundo, mesmo no período de férias, o público continuou enviando seus palpites.

Além do entretenimento, o programa também traz benefícios para os acadêmicos, auxiliando no desenvolvimento da comunicação, da desenvoltura e da interação com os colegas. Em conversa, Pedro afirmou ter melhorado bastante na prática radiofônica.“Acho que essa experiência foi muito importante para desenvolver minha comunicação e o trabalho em equipe. Foi uma oportunidade de aprender a lidar com diferentes situações e, ao mesmo tempo, construir um portfólio e adquirir experiência prática para o meu currículo e para a entrada no mercado de trabalho. Com certeza, saio dessa experiência mais confiante para, futuramente, trabalhar em um veículo de comunicação”, destaca.

Ao final das 20 rodadas, estipuladas no início do programa, o vencedor da tabela de palpites foi Nicholas Pacheco, com 12 acertos. Como parte da premiação, ele participou do debate no último programa, comentando sobre a dupla Grenal e os principais acontecimentos da última semana. Além disso, ganhou uma camiseta do Previsão do Jogo como prêmio.

Nicolas, vencedor da primeira tabela de palpites do Previsão (Foto: Maria Eduarda Castro)

A primeira etapa do Previsão do Jogo encerra um ciclo de debates, informação e entretenimento, mas também representa uma experiência prática importante para os acadêmicos. A interação com os ouvintes e as diferentes propostas do programa aproximaram o público do futebol e proporcionaram aos estudantes a oportunidade de vivenciar, na prática, a rotina de um programa esportivo no rádio.

(Foto: Lucas Uebel / Grêmio)

A temporada de 2026 do Grêmio vem sendo marcada por muitas decepções dentro e fora do campo. A equipe conta com dificuldades na construção de um bom futebol sob o comando do técnico Luís Castro. Após 9 meses de trabalho, o técnico português deixa o comando do time gaúcho, para a chegada do maior ídolo do clube, Renato Portaluppi. A escolha representa uma tentativa do Tricolor de reagir no Campeonato Brasileiro e mudar o cenário vivido pelo time. Conhecido pela forte identificação com o clube, Renato terá pela frente a missão de reorganizar a equipe e recuperar os resultados. O desafio já inicia na quarta feira, 16 de setembro, quando o Botafogo recebe o Grêmio no estádio Nilton Santos, Rio de Janeiro.

Esta será a quinta passagem de Renato como treinador do Grêmio. A primeira ocorreu em 2010, quando o clube também atravessava uma situação complicada. Naquele momento, o Tricolor ocupava a 18ª colocação do Campeonato Brasileiro, dentro da zona de rebaixamento. A estreia foi no dia 12 de agosto, com um empate em 0 a 0 contra o Goiás, no Estádio Olímpico.

Em 2013, o Grêmio ocupava a quinta posição do Brasileirão quando Portaluppi voltou ao comando da equipe. Na reestreia, empatou em 1 a 1 com o Atlético-PR, em Curitiba.

Três anos depois, em 2016, ele retornou ao clube em meio a um período de instabilidade. O clube vinha de uma sequência de sete partidas sem vencer no Campeonato Brasileiro. A estreia foi pela Copa do Brasil, contra o Atlético-PR e, apesar da derrota por 1 a 0, o Tricolor conseguiu avançar após vencer a disputa nos pênaltis por 4 a 3.

Em 2022, Renato voltou ao Grêmio pela quarta vez. O clube disputava a Série B e estava na terceira colocação, na briga pelo acesso. A estreia foi uma vitória por 2 a 1 sobre o Vasco, na Arena.

Agora, em 2026, Renato reencontra o Grêmio em mais um momento de pressão. Se nas passagens anteriores o treinador chegou para outros desafios, desta vez a missão é ajudar o clube a reagir e afastar a equipe da zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro.

A história entre Renato e Grêmio ganha mais um capítulo. Desta vez, com o treinador retornando não apenas como ídolo, mas como uma das principais apostas do clube para tentar mudar o rumo da temporada.

(Fotos: Cesar Greco/Palmeiras, Matheus Lima/Vasco, Pedro Souza/Atlético-MG e Lucas Uebel/Grêmio)

Quatro clubes em que torcidas fazem parte dessas alianças estão entre os semifinalistas da Copa do Brasil 2026: Grêmio, Atlético-MG, Palmeiras e Vasco. Mas, afinal, o que é a União Sinistra e qual é a sua importância para as torcidas organizadas?

A história do futebol ncional é marcada por uma série de rivalidades, clássicos históricos, provocações e disputas dentro e fora de campo. Tudo isso intensifica ainda mais a paixão dos brasileiros pelo futebol. A fim de deixar um pouco de lado essas rivalidades, torcidas organizadas começaram a criar laços com outros grupos, com o objetivo de conectar torcedores de diferentes estados, criar amizades dentro das arquibancadas e compartilhar símbolos, gestos característicos e histórias que marcam gerações.

Apesar de os clubes, em si, não terem relação direta com essas alianças, as torcidas iniciaram esse movimento a partir da década de 1970, em razão do aumento do número de jogos disputados por todo o território brasileiro. À medida que passaram a viajar mais para acompanhar seus times, começaram também a criar vínculos de amizade com grupos de outras cidades. Dessa forma, quando viajavam para assistir a um jogo fora de casa, podiam contar com o apoio da torcida local.

Esse apoio ia muito além das arquibancadas. Quem chegava a outra cidade podia ser recebido pelos grupos locais, acompanhar a partida ao lado deles e ainda receber ajuda com questões relacionadas à viagem. Aos poucos, essas relações deixaram de envolver apenas duas torcidas e passaram a reunir diferentes grupos, formando alianças que se espalharam pelo país.

De acordo com pesquisadores do tema, essas aproximações nem sempre aconteciam apenas por afinidade entre as torcidas. Em muitos casos, elas também eram motivadas pela existência de adversários em comum. É daí que surge a ideia popular de que “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”.

Ao longo dos anos, essas relações entre torcidas passaram a se estruturar em grandes blocos de alianças, reunindo grupos de diferentes clubes e estados brasileiros. Entre as principais estão a União Punho Cruzado, União Dedo Pro Alto, União Punho Colado, Lado A e Lado B.

Juntas, essas alianças envolvem diversas torcidas organizadas de diferentes regiões do país e ajudam a formar uma ampla rede de relações entre grupos das arquibancadas brasileiras.

Além das torcidas que fazem parte de cada bloco, as alianças também possuem símbolos próprios de identificação. Em muitos casos, os gestos feitos com as mãos são utilizados pelos integrantes para demonstrar a qual grupo ou aliança pertencem.

Outro bloco importante dentro desse sistema de alianças é a União Dedo Pro Alto, que reúne algumas das torcidas mais conhecidas do futebol brasileiro. Entre os grupos associados à aliança estão Mancha Verde (Palmeiras), Força Jovem do Vasco, Galoucura (Atlético-MG), Geral do Grêmio e Torcida Jovem do Botafogo, entre outras.

Dentro desse contexto, também ganhou destaque a chamada “União Sinistra”, nome utilizado por torcedores para identificar a relação histórica entre Mancha Verde, Força Jovem do Vasco, Geral do Grêmio e Galoucura. A aproximação entre os grupos começou ainda na década de 1980 e mantém uma relação de amizade até os dias atuais.

A força dessas alianças também aparece em um momento marcante do futebol brasileiro em 2026. Grêmio, Palmeiras, Vasco e Atlético-MG estão entre os quatro semifinalistas da Copa do Brasil. Os confrontos definidos são Palmeiras x Vasco e Atlético-MG x Grêmio, colocando clubes ligados a torcidas que fazem parte dessas alianças na reta decisiva da competição.

Mais do que um jogo, o início de uma temporada da National Football League (NFL) representa o começo de uma nova corrida pelo título. A temporada regular de 2026 teve início no dia 9 de setembro, com o Seattle Seahawks, atual campeão do Super Bowl, derrotando o New England Patriots por 13 a 10 no jogo de abertura. Ao longo da temporada, as 32 equipes entram em campo com o mesmo objetivo: chegar ao maior palco do futebol americano e conquistar o título da liga. A temporada teve início com o mesmo confronto que decidiu o Super Bowl LX.

Jogadores do Seattle Seahawks comemorando o título. Foto: Patrick T. Fallon/AFP via Getty Images

Mas, afinal, vocês sabem o que é a NFL e como ela funciona? A National Football League é a principal liga profissional de futebol americano do mundo, sediada nos Estados Unidos. A liga possui 32 times e é dividida em duas conferências, com 16 equipes em cada: National Football Conference (NFC) e a American Football Conference (AFC). A temporada regular possui 18 semanas de duração, acontecendo entre setembro e janeiro. Cada equipe joga 17 partidas e folga em uma semana, chamada “bye week”.

Além disso, a liga possui os playoffs, que incluem a rodada de “Wild Card” e avançam até o Super Bowl. Ao final da temporada regular, 14 equipes se classificam para os playoffs, sendo sete da AFC e sete da NFC. Em cada conferência, quatro vagas são destinadas às equipes que venceram suas respectivas divisões. As três vagas restantes ficam com as equipes que não conquistaram suas divisões, mas tiveram as melhores campanhas entre os times restantes da conferência. Essas equipes conquistam as vagas de Wild Card.

Após a temporada regular, os playoffs avançam até a partida que define o campeão da NFL: o Super Bowl. Considerado o principal evento do futebol americano, ele reúne os campeões das duas conferências em uma disputa pelo título da temporada. A equipe vencedora é declarada campeã da temporada da NFL. Além da importância esportiva, o Super Bowl também atrai a atenção de milhões de pessoas ao redor do mundo por conta do show do intervalo, conhecido como Halftime Show, que conta com a participação de grandes artistas de renome mundial. Dessa forma, o evento ultrapassa os limites do esporte e se torna também um grande fenômeno cultural e de entretenimento.

Super Bowl LVI, temporada de 2021. Foto: Wikipédia

Nos últimos anos, o futebol americano vem crescendo e se expandindo mundialmente, principalmente no Brasil. Entretanto, esse interesse crescente dos brasileiros não é por acaso. Ele é explicado por uma estratégia de expansão internacional de longo prazo da liga, o aumento da acessibilidade às transmissões e a realização de jogos oficiais da temporada regular em solo nacional.

O Brasil se consolidou como o segundo maior mercado da NFL fora dos Estados Unidos, contando com uma estimativa de 41 milhões de fãs. O Brasil vem sediando jogos em território nacional desde 2024, quando ocorreu a partida entre Philadelphia Eagles e Green Bay Packers, na Neo Química Arena, em São Paulo. Em 2025, o Brasil recebeu os Los Angeles Chargers e Kansas City Chiefs, também na Neo Química Arena. E em 2026, o país receberá Baltimore Ravens e Dallas Cowboys. O jogo está previsto para o dia 27 de setembro, um domingo, no estádio Maracanã.

Jogo da NFL no Brasil, em 2024. Foto: Wagner Meier/Getty Images

Para este ano de 2026, a expectativa é de uma temporada de grandes jogos e disputas acirradas, com astros como Patrick Mahomes, Josh Allen, Lamar Jackson e Joe Burrow em campo. O atual campeão do Super Bowl, Seattle Seahawks, busca defender o título, enquanto novos talentos e nomes já consagrados prometem mais um ano de muita emoção na NFL.

Foto: Reprodução / A Bola via F1

O último fim de semana foi muito aguardado pelo público italiano, que desde o início do esporte sente a Fórmula 1 nas veias. No domingo, dia 6 de stembro, o piloto Andrea Kimi Antonelli (Mercedes) que vem sendo um grande fenômeno na Fórmula1, fez uma vitória histórica no Grande Prêmio de Monza. 

O jovem piloto, de 20 anos, largou em 19° lugar, posição desfavorável para qualquer um. Mas isso não impediu Kimi de escalar o grid. Na primeira largada conquistou posições, depois, usou a relargada ao seu favor com estratégia e em menos de 20 voltas já estava liderando a corrida. 

Os feitos de Antonelli, tal como a liderança do campeonato mundial, a maneira de pilotar, as habilidades na pista e o carisma jovial trazem muito orgulho para os fãs e principalmente para a Itália. O piloto italiano disputou intensamente a primeira posição com seu colega de equipe George Russel (Mercedes) nas últimas 3 voltas da corrida, levando a torcida do mundo todo ao máximo de adrenalina.  

Apesar do pequeno incidente com a tentativa de ultrapassagem Kimi garantiu sua vitória, após 60 anos sem um piloto italiano vencer em Monza. Além do jovem em ascensão, é comum ouvir dizer que na Itália existem duas religiões: A Igreja Católica e a Ferrari. Em Monza tivemos uma torcida construída em maior parte por italianos, torcendo para Charles Leclerc e Lewis Hamilton (ambos da Ferrari). 

Porém, Charles sofreu um acidente na terceira volta, perdendo o controle do carro e batendo na curva Parabólica. O impacto foi forte, o piloto foi examinado e demonstrou preocupações com sua visão após o acidente, mas não ficou ferido. O Safety car foi acionado e a corrida interrompida por cerca de 33 minutos. Após isso, houve a relargada novamente. Lewis alcançou a 6° posição ao final da prova, garantindo sua pontuação. 

 O brasileiro do grid, Gabriel Bortoleto (Audi) largou na 11° posição e chegou na 13°, não conseguindo pontuar desta vez.  

O pódio ficou constituído por: 

  1. Kimi Antonelli (Mercedes) 
  1. George Russell (Mercedes)  
  1. Max Verstappen (Red Bull) 

Irmãos sentados no campo conversando pós-jogo. Imagem: Re Medina

Um sonho que começou dentro da sala de aula do Instituto São José, no bairro Dom Antonio Reis, de Santa Maria, virou realidade. Os gêmeos Carlos e Pedro Calegaro, que tiveram passagem pelas equipes Dores, Dínamo e Rio Grandense, agora estão na equipe de base do Inter SM. Eles acabam de chegar aos gramados do futebol profissional e disputaram o Gauchão 2026, a principal competição de futebol do Rio Grande do Sul.

O campeonato reuniu 12 equipes e foi realizado entre janeiro e março deste ano. O Inter SM foi rebaixado, após ficar em último colocado no quadrangular do rebaixamento. Mais do que uma disputa esportiva, a presença dos irmãos no campeonato representa uma conquista construída ao longo dos anos. Para quem acompanhou o início dessa história, ver os irmãos Calegaro atuando nos gramados mostra como sonhos podem se transformar em realidade através de dedicação e persistência.

A trajetória até o Gauchão 2026 foi feita de muito esforço e aprendizado. Entre estudos, treinos e partidas, os irmãos foram evoluindo dentro e fora de campo, levando para o futebol profissional valores que começaram a ser desenvolvidos ainda na sua base, como disciplina, comprometimento e trabalho em equipe. A participação no Gauchão 2026 marcou um momento especial para Carlos e Pedro, que tiveram a oportunidade de enfrentar equipes tradicionais do futebol gaúcho e viver a experiência de uma competição de alto nível. O estadual contou com a presença de clubes importantes do Rio Grande do Sul como a dupla Grenal.

Da escola para os estádios, a jornada dos irmãos segue sendo marcada por evolução e novos desafios. O Gauchão 2026 fica registrado como mais um capítulo dessa caminhada, que começou no ambiente escolar e hoje ganha espaço no futebol do Rio Grande do Sul.

Matéria produzida por Pedro Ossanes na disciplina de Linguagem das Mídias no 1º semestre de 2026 do curso de Jornalismo, sob supervisão da professora Neli Mombelli.

Quem faz Jornalismo sonha grande. No dia 11 de agosto os acadêmicos do curso de Jornalismo da Universidade Francisacana (UFN), realizaram uma viagem a Porto Alegre para conhecer de perto diferentes veículos de comunicação e espaços culturais. A experiência reuniu aprendizado e novas perspectivas para o futuro profissional.

Nos estúdios da RBS TV os universitários conheceram os bastidores dos principais programas de televisão do estado e acompanham a preparação de um piloto com o repórter Bruno Marsilli. O momento funcionou como um teste para uma possível participação do jornalista no programa Globo Esporte, permitindo que a equipe avaliasse sua performace diante de situações inesperadas que podem acontecer durante a programação. A visita também contou com a presença da apresentadora Alice Bastos Neves, que conversou com os acadêmicos e compartilhou uma breve fala da sua trajetória profissional.

Em seguida, o grupo seguiu para a GZH Digital, onde conheceu a estrutura das redações da Gaúcha e da Atlântida. Durante o tour, os estudantes puderam observar como funciona a produção de conteúdo e conhecer um ambiente em que diferentes formatos de comunicação convivem no mesmo espaço. A visita também teve um momento de descontração com os participantes do programa Bola nas Costas.

Além das redações, os acadêmicos também conheceram um pouco mais da cultura do Rio Grande do Sul. A visita ao Mercado Público fez parte do tour, assim como a passagem pelo Farol Santander, pelo Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) e pelo Espaço de Cultura Mário Quintana.

Para finalizar a programação, os universitários participaram de uma visita técnica e de uma aula de produção de conteúdo na Agência de Conteúdo e Assessoria Padrinho, conduzida pelo jornalista André Roca. Durante o encontro, além de André, os jornalistas Gabriela Perufo, egressa do curso de Jornalismo da UFN, e Ken Kerr Dahcew apresentaram a atuação da agência e compartilharam com os acadêmicos os processos envolvidos na produção de conteúdo.

Para finalizar a programação, os universitários participaram de uma visita técnica e de uma aula de produção de conteúdo na Agência de Conteúdo e Assessoria Padrinho, conduzida pelo jornalista André Roca. Durante o encontro, os jornalistas Gabriela Perufo, egressa do curso de Jornalismo da UFN, e Ken Kerr Dahcew apresentaram a atuação da agência e compartilharam com os acadêmicos os processos de pranejamento e produção.

A viagem foi mais do que conhecer diferentes espaços da comunicação, foi uma oportunidade de entender melhor como é o dia a dia de quem trabalha na área. Em cada lugar, os acadêmicos puderam conhecer um pouco da rotina dos profissionais, ouvir suas experiências e enxergar diferentes caminhos dentro do Jornalismo. Estar nesses ambientes e conversar com quem já atua no mercado aproxima da prática. No fim, a viagem deixou aprendizados, novas referências e a certeza de que cada experiência ao longo da faculdade também faz parte da construção do futuro profissional.

Fotos: Thine Feistauer/ Labfem

Imagem: Ducker Grêmio

Se pararmos para refletir sobre o futebol atual do Grêmio, é impossível não perceber a falta de consistência, de identidade e até mesmo de raça dentro de campo. O clube que há poucos anos conquistava a América hoje vive uma realididade completamente diferente. Mas afinal, quando tudo começou?

Depois de 15 anos sem conquistar um título de expressão, o Grêmio voltou a elite em 2016, quando venceu a Copa do Brasil pela 5ª vez. Sob o comando do técnico Renato Portaluppi a conquista marcou o início de uma das fases mais vitoriosas da história do tricolor. Em 2017, o ápice do time gaúcho foi a conquista do tricampeonato da Libertadores da América, com um futebol que chamava atenção pela organização, intensidade e identidade. Era uma equipe que jogava junto, sabia o que fazia dentro de campo e passava confiança ao torcedor.

No ano seguinte, tudo indicava que o clube brigaria novamente por títulos expressivos. O Grêmio chegou à semifinal da Libertadores e venceu o River Plate por 1 a 0 no Monumental de Núñez, em Buenos Aires. A classificação épica parecia encaminhada. Mas a partida de volta na Arena mudou completamente a história. O tricolor começou ganhando, mas sofreu a virada nos minutos finais. O pênalti cometido por Bressan, após a revisão do VAR, eliminou o Grêmio e colocou o adversário na final da competição. Até hoje, muitos torcedores lembram daquela partida como um dos jogos mais dolorosos da história do clube e, por isso, talvez ali tenha começado a mudança.

Nos anos seguintes, o Grêmio ainda chegou longe em algumas competições mas já não apresentava o mesmo futebol envolvente dos anos anteriores. A equipe perdeu jogadores, perdeu força e a identidade construída entre 2016 e 2017 começou, aos poucos, a desaparecer.

Depois de uma sequência de más decisões, trocas de treinadores e um desempenho muito abaixo do esperado, o Grêmio foi rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro pela terceira vez. Para um clube que poucos anos antes era campeão da América, era difícil imaginar uma queda em um período de tempo tão curto.

Após conquistar o acesso em 2022, o Grêmio presenteou sua torcida na temporada seguinte com a chegada de Luis Suárez. O uruguaio foi o grande destaque de 2023 e recolocou o clube entre os protagonistas do futebol brasileiro. Apesar da boa campanha, o clube não conquistou nenhum título.

Nas últimas temporadas a instabilidade voltou a fazer parte da rotina da equipe. Talvez seja impossível apontar um único jogo ou uma única temporada como o início da queda. O que se percebe é que, ao longo dos últimos anos, o Grêmio foi perdendo a identidade. Hoje o clube vive um momento de instabilidade, marcado por mudanças constantes, resultados abaixo das expectativas e um cenário de incertezas. A eliminação na Copa Sul-Americana apenas reforçou a crise da equipe.

Mas agora, mais do que conquistar novos títulos, o maior desafio do Grêmio parece ser reencontar sua identidade e reconstruir um projeto capaz de recolocar o clube entre os protagonistas do futebol brasileiro.