Santa Maria, RS (ver mais >>)

Santa Maria, RS, Brazil

Opinião

Bem-vindos aos Jogos de ENEM

O ENEM, Exame Nacional de Ensino Médio,  ou mais conhecido como prova de sobrevivência, é um exame que leva à exaustão física e psicológica, e  no qual poucos conseguem chegar até as últimas horas. ENEM para mim sempre foi uma experiência

Viajar é sinônimo de renovação e planejamento

Viajar é sinônimo de boas energias, de renovação do físico e da alma. É um momento em que você curte a você mesmo ou quem estiver com você. É quando se sabe que é preciso relaxar e deixar suas preocupações de

Sou feita de sonhos

Toda vez que eu paro para pensar sobre o momento que estamos vivendo, me encontro naquela linha tênue entre raiva/ódio por estar presenciando esse evento histórico (dessa forma), e a gratidão. Palavra “tão batida” dos últimos anos. Mas eu explico.

A corrida da vacina

Foi em março desse ano que vi uma luz no fim do túnel. Quando meus avós receberam a primeira dose da vacina. Seu Ari, meu avô, saiu bem brincalhão: “vou contar pra minha mãe que não doeu”. Dona Edir, minha

Eventualmente morta no sofá

Há quem diga que o sofá era seu autocuidado, que chegar em casa, sentar e desfazer sua armadura emocional era comum. Atualmente ele se tornou sinônimo de descontentamento, o que era apenas para o final do dia, se transformou no

Vida em telas

A primeira coisa que faço ao acordar é olhar para a tela do celular e desligar o despertador. A última coisa que faço antes de dormir é olhar para a tela do celular e o colocar para despertar. Ao levantar,

Quem está por detrás de cada máscara?

Quantos dias nublados são necessários para valorizarmos o Sol? Quantos dias de calor são necessários para valorizarmos o frio? Quantos dias de isolamento são necessários para valorizarmos a nossa natureza social mais profunda e inalienável? Da suposta quarentena aos meses

Ressignificando práticas na pandemia

Quando ouvi falar pela primeira vez na palavra “pandemia”, estava em viagem de férias no Rio de Janeiro. Meu interesse era visitar o Mosteiro de São Bento, a Casa Roberto Marinho, o Morro do Vidigal, e não avaliei a gravidade

Saudades de mim

Lembra quando a gente achou que passaríamos 15 dias em casa dividindo os dias entre pães gostosos, livros que estavam há anos esperando uma chance e horas a fio com os olhos pregados em uma série qualquer? Lembra quando achamos

Competências emocionais para enfrentamento da pandemia

Viver nesse período de pandemia com as medidas protetivas incorporadas no nosso cotidiano tem sido um desafio. Parece que alguns hábitos são mais fáceis de serem absorvidos; o uso da máscara sempre, a higienização constante das mãos e a tecnologia

Imagem:Michal Jarmoluk/Pixabay

O ENEM, Exame Nacional de Ensino Médio,  ou mais conhecido como prova de sobrevivência, é um exame que leva à exaustão física e psicológica, e  no qual poucos conseguem chegar até as últimas horas.

ENEM para mim sempre foi uma experiência bem cansativa. Nas primeiras vezes é tudo um tanto novo, não se sabe o que esperar ou como vai ser. No meu primeiro ENEM, venci a prova quatro horas depois do início. Estava exausto com as questões de duplo ou triplo sentidos, sem falar nos textos de cada pergunta que, multiplicado por 90 questões, é para acabar com qualquer um.

Resumo do ENEM no primeiro dia é: questões de 10 linhas em que as duas últimas são as perguntas a responder, e as alternativas nas quais, pelo menos em duas delas, você irá achar respostas ambíguas escondidas em algum lugar das 8 linhas que faltaram.

Eu não sinto que estou sendo testado pelas minhas capacidades de aprendizado ou o que eu consegui aprender no Ensino Médio. Pelo contrário, a pressão é algo tão grande que muita gente na metade da prova já está exausta por ter chegado até ali. Não é sobre conhecimento e sim sobre quem consegue sobreviver e acertar as questões certas, porque temos questões que valem mais e outras que valem menos, tudo de acordo com o grande “Manual do ENEM”.

Quando se trata de ENEM, a palavra “simples” não existe no vocabulário. E nem vou entrar na questão do método de pontuação, no qual as questões são divididas entre fáceis, médias e difíceis. Somado o que você acertou, é feito uma média segundo o grau de dificuldade da questão. Quanto mais difícil, mais peso terá em seu somatório para chegar, enfim, à nota final.

Essa foi minha 5ª ou 6º edição da prova, e é interessante como o corpo se adapta a toda essa maratona. Nada é tão traumatizante como o exame  realizado pela primeira vez. Ficar horas e horas lendo cada palavra de cada questão e torcendo para achar sentido em algum lugar, ou só relembrar aquilo que estudou e conseguir apontar a resposta certa. Isso quando não se deixa questões para fazer depois. É uma das piores sensações da prova.  Você fica naquela de “quando chegar no fim eu faço essas que não consegui agora”. Seria um bom pensamento, porém, ao chegar no final da prova, cai a ficha que ainda não acabou, tem mais uma etapa e nisso se passam horas. As longas horas que eram para ser suas aliadas, acabam se tornando os piores pesadelos. Aquelas cinco horas e meia passam como se fossem alguns minutos, e coisas simples, como colorir um círculo da questão resposta, pode ser uma tarefa bem difícil.

Se hoje eu precisasse dar uma dica sobre o ENEM seria, comece cedo. Faça alguns “ENEM teste” durante seus anos no Ensino Médio. Isso ajuda a fazer a prova sem muita pressão e já entender como funciona o exame.

ENEM é uma prova que não foi feita exclusivamente para medir seus conhecimentos como ao meu ver deveria ser, mas sim para te dar um gostinho do que está por vir, o grande objetivo a que todos almejam, e pelo qual aceitamos ser torturados física e psicologicamente, de livre espontânea vontade: chegar à “FACULDADE”.

Por Guilherme Broch Lago, acadêmico de jornalismo da UFN.

 

Автошкола ТЕХНИКА/ Pixabay

Viajar é sinônimo de boas energias, de renovação do físico e da alma. É um momento em que você curte a você mesmo ou quem estiver com você. É quando se sabe que é preciso relaxar e deixar suas preocupações de lado para aproveitar a vida. Resumindo, é o descanso que se dá da vida corrida do cotidiano. É  um espaço para criar memórias que irão ser seu livro e guia na hora de conversar com os outros.

Viajar é buscar novos horizontes, ares e locais. Porém, viajar nem sempre é sinônimo de diversão. Há fases pelas quais se deve passar para atingir o objetivo que se espera daquela viagem tão aguardada. Uma delas é o planejamento, ou seja, como você vai se organizar para alcançar o objetivo de ter uma boa viagem.  Planejamento é o início de tudo. Primeiro é preciso saber o custo da viagem,que documentação é necessária, ter informações sobre o local,  o meio de transporte que se vai utilizar, em que local ficará hospedado, os passeios que serão feitos e também a alimentação. É importante saber também o que vai se levar na viagem e quantos dias planeja ficar no local escolhido. Depois de cumprido todos os requisitos é só aproveitar.

Então, para se curtir aquilo que mais se deseja, como a própria viagem, é preciso sempre do planejamento. São vários processos importantes que sempre se deve levar em consideração para que a parte da diversão esteja garantida. Por fim, uma viagem é um ato em que você pode decidir se vai buscar o conforto ou viver uma aventura.

Viajar na pandemia 

Temos a plena consciência de que passamos por um período bem difícil, e que ainda estamos nele por causa da pandemia. É uma situação ainda  muito difícil de lidar. Neste período, as viagens se tornaram cada vez mais complexas de serem realizadas em decorrência do isolamento. As medidas se tornaram mais rigorosas, e mesmo um pouco insuportáveis, mas necessárias.  Ao incômodo do uso de máscaras, pois dificulta a respiração e a fala, a utilização de alcool em gel, mostrar o comprovante de vacinação, cumprir distancionamento social, a limpeza e ventilação dos ambientes, evitar aglomerações e a não venda e compartilhamento de objetos ou produtos.

Viajar tem sido bem difícil para a maioria das pessoas em meio às milhares de mortes, além do que outra parte da população teve que ficar afastado dos seus entes queridos para se proteger e protegê-los. Entretanto, com avanço da vacina na maioria dos países, a possibilidade das pessoas colocarem o pé na estrada novamente se tornou cada vez mais viável, apesar de ainda ter que seguir normas de saúde. Mesmo estando ainda em uma bolha e com uma questão de insegurança de que coisas ruins, como doenças, sempre estarão presentes, é possível sim sair e ir atrás de aventuras com todos os cuidados possíveis.

A verdade é que as pessoas cansaram de esperar oportunidades para viajar nesta pandemia. Com a volta, aos poucos, da normalização das coisas,  querem mais que tudo sair da rotina monótona e curtir novamente suas vidas.

Por fim, quero dizer que há muitas incertezas para o futuro, principalmente para as viagens tanto nacionais quanto internacionais.
Acredito que algumas coisas não voltarão mais a serem as mesmas, entretanto, de uma coisa eu tenho convicção: as pessoas querem mais que tudo poder viajar para voltar a criar lembranças, para poder contar as suas experências às futuras gerações.

 

* Bárbara Brum é aluna do curso de jornalismo da UFN.

 

Toda vez que eu paro para pensar sobre o momento que estamos vivendo, me encontro naquela linha tênue entre raiva/ódio por estar presenciando esse evento histórico (dessa forma), e a gratidão. Palavra “tão batida” dos últimos anos. Mas eu explico.
Sou jovem. Nem cheguei aos 30 anos ainda. Sou feita de sonhos e teria muitos deles para realizar.
Como jornalista sempre sonhei em trabalhar em um grande veículo de comunicação, mudar a vida das pessoas, mudar o mundo! Desejava morar numa capital, crescer, ganhar prêmios, contar histórias.
Eu cheguei. Sim! Seis anos de diploma, e dois deles de Porto Alegre. Em uma das maiores rádios do Estado, contei os “primeiros passos” desse vírus -maldito- no mundo, no país e no estado. Eu também fiquei trancada em casa e me assustei a primeira vez que vi as pessoas de máscara nas ruas.
Mas depois, o mesmo vírus que mata milhares de pessoas, tirou o emprego de muita gente, inclusive o meu. Dois meses depois da primeira morte registrada no Rio Grande do Sul, fui demitida. Eu estava vivendo um fato histórico, sem emprego e sem poder falar sobre aquilo. Nós jornalistas, quando presenciamos um grandioso “evento” como este, queremos estar lá… na frente dele, com papel e caneta, microfone, gravador, celular nas mãos.  Mas eu ouvi uma frase que mudou minha trajetória e me fez acreditar em mim. “Pra quem é bom (na profissão), nunca falta espaço”. E acho que posso me considerar boa, então. Porque dois meses depois, eu já estava lá de novo. Agora atrás da TV, para, meses depois, presenciar a chegada do primeiro lote de vacinas no Estado.
E mesmo com todo negacionismo, desgoverno e corrupção, a imunização tinha chegado. É aí que entra a raiva/ódio. Mas a ela, o que mais importa, está cada vez mais próxima. Daí eu lembro da gratidão, de novo. Os trabalhos que nunca faltaram. E por não ter precisado dar adeus para os meus. A vacina não chegou aqui ainda. No meu braço. Mas ela está dentro da minha mãe, do meu pai, dos meus avós, dos meus tios…
Como nosso trabalho é fundamental, né? E cada dia que passou desde que essa pandemia começou, me fez perceber ainda mais isso.
Hoje, as histórias que são contadas por mim, são um pouco diferentes. Mas mesmo que o futebol não devesse estar acontecendo, ele entretém. Ele faz as pessoas ficarem em casa, ele move sonhos.
E independente do que eu vá contar, de uma coisa eu tenho certeza, eu vou sempre buscar mudar a vida de quem está lendo, ouvindo ou assistindo.
A caminhada não tem sido fácil. Uns dias de mais raiva/ódio, outros de mais gratidão. Mas eu tento seguir forte… para contar mais um fato histórico: o dia em que vencemos o coronavírus.

Por Laura Gross, jornalista formada na UFN, atua na RBS TV.

Foi em março desse ano que vi uma luz no fim do túnel. Quando meus avós receberam a primeira dose da vacina. Seu Ari, meu avô, saiu bem brincalhão: “vou contar pra minha mãe que não doeu”. Dona Edir, minha avó, foi maquiada, unhas feitas, máscara combinando com a roupa, toda produzida para ser vacinada. Um momento feliz para nós. Um momento muito importante para eles. Os dois passaram por momentos difíceis, contraíram o maldito vírus. Passaram o natal por chamada de vídeo com a família. Mas passaram por essa, mais vivos do que nunca.

Minha família sofreu. Inúmeras famílias sofreram. Porém, vemos hoje uma corrida da vacina. Uma corrida do bem, os pilotos são os governadores, as equipes, todo o estado. Correndo para vacinar toda população até determinado mês. Na pista, alguns obstáculos, que as vezes possuem mais poder que os pilotos. Mas, ainda assim governadores habilidosos conseguem desviar e fazer boas voltas nesse trajeto longo. Parecido com a pista de Nurburgring, na Alemanha, um dos maiores circuitos da F1. Até agora, nosso estado corre igual ao heptacampeão Lewis Hamilton, a equipe com boas estratégias de corrida, se destacam bastante. Outras equipes estão nessa, outros estados correm contra o tempo (perdido).

Mas, nessa corrida da vacina não esperamos ter perdedores. Queremos que todos ultrapassem a linha de chegada juntos, com voltas rápidas e excelentes. Sem muitos obstáculos na pista. Para isso, a paciência do torcedor daquela equipe é necessária. A luz no fim do túnel irá chegar para todos. Mesmo aqueles que torcem contra. Porque você não troce contra seu próprio time, não é? Contra sua própria equipe? Então, todo mundo merece cruzar a linha de chegada, enxergar a bandeira quadriculada balançando e sentir a felicidade e a esperança de ser vacinado.

 

Por Lucas Saraiva,  acadêmico do curso de Jornalismo na UFN e repórter-aprendiz na Agência Central Sul de Notícias.

Há quem diga que o sofá era seu autocuidado, que chegar em casa, sentar e desfazer sua armadura emocional era comum. Atualmente ele se tornou sinônimo de descontentamento, o que era apenas para o final do dia, se transformou no dia inteiro. E como funciona quando o seu refúgio se torna o seu momento de profunda reflexão? Muitos afirmam que a mente vazia é a oficina do diabo.

 Atualmente, esse looping do sofá para a cama se tornou frustrante. Você se sente vivo? Quando eu digo vivo – é importante lembrar – eu naturalmente quero dizer o “antigo vivo”, o vivo pré-corona, o vivo 2019, que não tem absolutamente nada a ver com o “vivo de atualmente”, digamos quando não importa mais sentir e sim, estar.

 Antes da pandemia do novo coronavírus, o sofá significava o que ele significava. Agora, não. Agora, o sofá, assim como cada um de nós, têm dentro de si outra camada, outro conteúdo, outra densidade. Portanto, a rotina está sendo ressignificativa, e todos nós, sem exceção, estamos sendo obrigados a nos adaptar.

 Às vezes, acordo disposta e produtiva, e, em outras, dispersa e errante. E tenho de confessar, o sofá faz parte das duas fases. Eu, aqui da minha quarentena privilegiada de Alegrete, não tenho como conhecer seu estado de espírito, como também não conheço seu estado civil e muito menos seu estado de saúde. No entanto, há uma coisa a seu respeito que eu talvez saiba, e é sobre isso que me arrisco aqui: você está em casa, e possivelmente, no seu sofá.

 Apesar desse assento repleto de almofadas, às vezes ser enjoativo, ele pode ser considerado um companheiro. Você consegue chorar no seu sofá, consegue sorrir nele, consegue namorar, e até mesmo sonhar. Mas você não consegue viver. Assim, cabe falarmos que o contrário da vida não é a morte, o contrário da vida é o desencanto. E se você se encontrar eventualmente morto no seu sofá, eu compreendo, esses dias são frequentes. Porque você parou, o mundo parou, e parar não significa mais lazer, significa desencantamento.

 Essa conclusão sugere, que mesmo enfrentando esses meses dramáticos e apocalípticos, se sentir assim é inevitável, mas continuar assim é opcional.

Por Vitória Gonçalves é acadêmica do curso de Jornalismo na UFN e repórter-aprendiz na Agência Central Sul de Notícias.

A primeira coisa que faço ao acordar é olhar para a tela do celular e desligar o despertador. A última coisa que faço antes de dormir é olhar para a tela do celular e o colocar para despertar. Ao levantar, nem tiro o pijama, pego uma xícara de café preto e sento em frente à tela do computador, abro o Microsoft Teams e a aula já iniciou. Uma pausa para o almoço e o celular desperta novamente, hora do trabalho! E lá estou eu novamente sentada em frente a uma tela no home office.

O olho arde, a cabeça lateja, as costas doem. Respiro fundo, tenho de parar diversas vezes para alongar. Quando necessito comunicar-me com amigos e família, acabo aderindo às telas novamente. Lazer? um filme, um livro em pdf e vamos de telas novamente. Depois de um ano de pandemia, com a necessidade de distanciamento social, trancados em casa, com a rotina restrita, me sinto cada vez mais dependente de telas e exposta a elas. Sintomas como a dor nos olhos e na cabeça, caracteriza a Síndrome Visual Relacionada a Computadores (SVRC), de acordo com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, estima-se que até 90% das pessoas que utilizam computadores por mais de três horas diariamente apresentam algum tipo de sintoma relacionado a SVRC.

Os aparelhos eletrônicos estão sendo muito úteis durante a pandemia, nos conectam, agilizam nossas tarefas, nos permitem estudar e trabalhar, mas também viciam, causam cansaço e exaustão mental. No fim de semana, raramente quando posso, me permito não utilizar telas, a ideia de responder uma mensagem traz sensação de desânimo. Sei que sou privilegiada de certa forma, por ter a chance de trabalhar e estudar em casa, enquanto uma parte da população desde o início da pandemia tem de sair do aconchego de sua casa para levar comida à mesa, com medo do vírus e de transmiti-lo às pessoas que mais ama. É necessário pensar sobre a desigualdade não apenas em tempos de pandemia. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 20,8 milhões de pessoas podem utilizar o home office, o que corresponde a apenas 22,7% dos postos de trabalho.

Para quem tem este privilégio, o trabalho e o estudo em casa, inicialmente, parecia um sonho. Afinal, 14 dias em casa, descanso, aconchego, tempo para se cuidar e colocar as séries em dia, que maravilha. Infelizmente não foi bem assim. Por conta da má gestão da pandemia por nossos governantes, estamos há mais de um ano trancados em casa, com a vacinação em ritmo lento, sem contato direto com nossos amigos e familiares e, principalmente, esgotados de olhar para telas. Antes da pandemia, acordar às 6:30 para ir a faculdade era moleza. Nos dias de hoje acordar às 8h parece uma missão impossível e extremamente cansativa.

Nos adaptamos à pandemia e às telas, porém, com elas vieram o cansaço emocional, a ansiedade, as dores e o estresse. Acredito que em algum momento todo mundo já se fez a mesma pergunta “quando a pandemia irá acabar?” Uma pergunta ainda sem resposta. Se as vacinas dão esperança, o ritmo desmotiva. Estamos todos exaustos das telas, queremos ver sob elas e não viver mergulhados na luz azul.

 

Por Heloísa Helena Canabarro

Acadêmica do curso de Jornalismo da UFN

 

Quantos dias nublados são necessários para valorizarmos o Sol? Quantos dias de calor são necessários para valorizarmos o frio? Quantos dias de isolamento são necessários para valorizarmos a nossa natureza social mais profunda e inalienável? Da suposta quarentena aos meses e meses de pandemia. Um período violentamente ampliado pela negligência humana. Mais um capítulo da história que nos conta sobre as insistentes dualidades da nossa espécie: negacionismo e ciência, exclusão e privilégio, individualismo e solidariedade, abandono e acolhimento, insegurança e otimismo, medo e coragem, descrença e esperança, perda e ganho, dor e alegria.

Uma das mais fortes experiências de fragilidade coletiva do nosso século, vivida no modo distanciamento social compulsório. Essa contradição parece bem (bem) mais trágica do que irônica. Definitivamente, ninguém se prepara para viver o que estamos vivendo. Mas, de um jeito ou outro, todas e todos fomos encontrando, ao longo do percurso, lentamente e com muitos tropeços, a nossa adaptação.

Sim, eu poderia falar de mim, da minha família, das minhas e dos meus. Poderia falar literal e simbolicamente, em primeira pessoa, do que sinto confuso aqui dentro, do que tem me incomodado o sono e nos sonhos, dos pensamentos que às vezes tentam me anestesiar, confundir o que sinto e acredito. Poderia falar de como têm sido os meus passos para me equilibrar no caminho. Mas eu prefiro falar para você, com você, também de você, de nós. Quero dizer-lhe que mesmo não nos conhecendo intimamente, eu compreendo e respeito todos os seus sentimentos provavelmente tão confusos quanto os meus. Dizer que sinto muito pela sua apatia, desânimo, frustação, tristeza, decepção, revolta.

Mas eu quero falar principalmente daquilo que nenhuma máscara é capaz de esconder: a sua persistência, força, coragem, fé. Quero homenagear a forma pela qual você tem se organizado, reinventado, respeitado o distanciamento e as pessoas ao seu redor, acolhido e se acolhido junto à sua família ou amizades, buscado dar conta da rotina de trabalho e de auto-cuidado, saúde e bem estar. Faço votos para que seus olhos transmitam a todas as pessoas que cruzarem o seu caminho a luz de alguém que acredita num futuro melhor para si e para o nosso país. Ao fim dessa jornada, o meu maior desejo mesmo é de que os dias e os rostos encobertos tenham servido para valorizarmos o tempo e os sorrisos abertos.

 

Por Pauline Neutzling Fraga, Doutora em Comunicação, publicitária, escritora, professora do Curso de Publicidade e Propaganda da UFN.

Quando ouvi falar pela primeira vez na palavra “pandemia”, estava em viagem de férias no Rio de Janeiro. Meu interesse era visitar o Mosteiro de São Bento, a Casa Roberto Marinho, o Morro do Vidigal, e não avaliei a gravidade das notícias. A riqueza da decoração barroca da igreja do Mosteiro e a diversidade das obras de arte contemporânea da Casa Roberto Marinho eram os alvos da minha atenção. O Morro do Vidigal, infelizmente, não houve como visitar. “Não é seguro”, me disseram.

Apenas ao voltar para Santa Maria, as notícias da China e da Itália se desenharam com toda a sua gravidade. E assim, de uma hora para outra, o mundo virou de ponta cabeça. As notícias eram realmente alarmantes e tudo se tornou incerto. E as aulas? Como fazer? E então, aquilo que era assunto de discussões teóricas (as novas metodologias de ensino on-line, o ensino híbrido), se configurou como realidade urgente. Não mais teoria para aplicação nos próximos anos, mas tarefa urgente a ser implementada.

Ao mesmo tempo em que procurava equacionar esse assunto profissional, a necessidade também de organizar os fazeres do cotidiano, como a alimentação e o convívio com os outros. Não ir a restaurantes, ao café? Não abraçar, não beijar amigos e parentes? O mundo se alterava (tornava-se perigoso?), as práticas mais comuns eram suspensas, mas havia a ilusão, naquele março de surpresas, que seria por pouco tempo…

O então Ministro da Saúde mostrava-se conectado com as orientações das autoridades internacionais de saúde. O desafio apresentado pela pandemia seria enfrentado de forma racional e sensata. Mais uma peste das tantas que a humanidade enfrentou ao longo da sua História, mas certamente vivida com melhores recursos do que aqueles do medievo (Peste Negra) e mesmo do início do Século XX (Gripe Espanhola). Desafios que a humanidade enfrentou… e superou.

Mas este norte governamental logo foi desmoronando. Construir-se nessa conjuntura tão adversa (a de uma tragédia sanitária planetária acrescida por um desgoverno nacional desumano) foi um grande desafio. Reorganizar as tarefas domésticas e profissionais, assim como a encarar o noticiário nacional e não se abalar foram fazeres constantes, enfrentados de modo por vezes solitário.

Passado mais de um ano do início dessa aprendizagem (que continua), não avalio o resultado de todo ruim. A primeira aula virtual foi um desafio e a ausência física de rostos, vozes e olhares dos estudantes quase um impeditivo do trabalho ser executado a contento. No entanto, esse outro mundo antes apenas vislumbrado (o do ensino on-line) se impôs de tal modo que hoje o percebo “quase” natural.

Agora é sonhar com a recuperação da normalidade e também com novas viagens – como aquela ao Rio de Janeiro – e ampliar os conhecimentos do barroco brasileiro (no Mosteiro de São Bento e outros lugares), da arte contemporânea (na Casa Roberto Maranhão) e também do universo das classes populares (Morro do Vidigal). A realidade sempre pode nos proporcionar surpresas. Estejamos abertos para enfrentar desafios (inclusive os planetários) para novos cenários, gostos, saberes e fazeres.

 

 

Por Roselâine Casanova Corrêa, professora no curso de História (UFN), 

Inverno de 2021.

Imagem: pexels

Lembra quando a gente achou que passaríamos 15 dias em casa dividindo os dias entre pães gostosos, livros que estavam há anos esperando uma chance e horas a fio com os olhos pregados em uma série qualquer? Lembra quando achamos que seria incrível trabalhar de casa, sem precisar acordar tão cedo para enfrentar o trânsito e livres para usar calças de pijama durante reuniões? 

Mas aquela ilusão de duas semanas se aproxima da marca de 500 mil mortos e  500 dias de isolamento (sem previsão de acabar) e estamos longe de conhecer todos os impactos que essa história terá em nosso futuro, além da óbvia saudade dos que partiram e de quem éramos.

Isolamento social parecia uma experiência que nos levaria de volta a nós mesmos, conectados ao que realmente gostávamos de fazer quando acompanhados de apenas nós mesmo ou das pessoas que vivem conosco. Parecia que seria possível isolar o enfrentamento a pandemia, as máscaras, o álcool em gel e “todos os protocolos de segurança” do lado de fora de casa. Aqui dentro ficaríamos acompanhados das calças de pijama, café quente, pão novo feito em casa, animais de estimação, plantas e pequenos ritos de autocuidado que salvaguardam a sanidade. Não que as expectativas de enfrentar 15 dias de pandemia (ô dó) fossem leves e positivas, havia muito medo e receio do que estava por vir,  mas nós éramos nós mesmos e usamos a memória do que conhecemos como um apoio para aguentar. E agora que quase não nos reconhecemos mais? 

É curioso visitar as memórias das primeiras semanas de isolamento e não conseguir se reconhecer naquilo que esperamos (re)encontrar quando o mundo puder ver a covid-19 como uma crise superada. As rotinas mudaram, as relações não são mais as mesmas, adaptamos o jeito de trabalhar e estudar e inventamos outras formas de celebrar os dias felizes. Diariamente chegam as notificações das redes sociais, “neste dia há 2 anos”, e tanta coisa mudou que é recorrente pensar “que saudades de mim”. 

Que saudades da energia que a gente tinha. Que saudades de mim num bar, que saudades de mim batendo perna por aí, que saudades de mim quando usava maquiagem de festa, que saudades de mim abraçando tanta gente. Que saudades da gente saudável na rua, na praia, nas salas de aula, dançando nas festas e na vida. 

Arcéli Ramos é jornalista, egressa do curso de Jornalismo da UFN e colaboradora da CentralSul.

Viver nesse período de pandemia com as medidas protetivas incorporadas no nosso cotidiano tem sido um desafio. Parece que alguns hábitos são mais fáceis de serem absorvidos; o uso da máscara sempre, a higienização constante das mãos e a tecnologia mediando nossas atividades profissionais. O mais difícil, na minha vida, foi enfrentar o distanciamento familiar, social, dos meus alunos e colegas. Afinal, eu gosto de gente, do convívio, do afeto e da sensibilidade de saber estar junto, com diferenças e afinidades, mas junto.
Então, surgiu o meu desafio de enfrentamento da pandemia. Obviamente, em primeiro lugar, preservar a saúde, não me contaminar nem a minha, familiar nem tão pouco o coletivo, mas cultivando um mínimo de alegria, de felicidade e esperança no futuro. Preciso dessa esperança, sou virginiana, gosto de planejamento, de organização, de metas e como lidar com essa imprevisibilidade.
Foi um mergulho interior, de solidão, meus três filhos são casados e têm suas famílias constituídas. Busquei competências emocionais para dar suporte aos longos dias e intermináveis finais de semana. Para tanto, pedi ajuda a livros, músicas, filmes, culinária, trabalhos manuais, orações e o que foi fundamental – um olhar atento ao próximo, aos mais necessitados e fazer minha parte para minimizar tanto sofrimento . Estender a mão para quem precisa é transformador.
Agora, com as duas doses da vacina no braço, sem pressa, percebo que os movimentos da vida começam a florescer. Noticias de Nova York contam da vida voltando ao normal. E me dou conta que esse momento foi realmente transformador.
A leitura do livro Longe da Árvore, Pais, filhos e a busca da identidade, de Andrew Solomon, aborda exatamente esse entendimento emocional de conviver com a diversidade de momentos, de épocas e de gente. Conviver com a frustração. O livro resgata o fortalecimento de laços afetivos entre as famílias com crianças especiais, que nasceram longe da árvore, ou seja, não são como diz o ditado; A fruta não cai longe do pé. Cai sim….e aprende-se com as diferenças.
Nesse sentido, a cultura da pandemia tem efeitos. Afinal, cultura é tudo aquilo que a gente se lembra após ter esquecido o que leu. E ela revela-se no modo de falar, de sentar, de ler um texto , de comer , de olhar o mundo. É uma atitude que se aperfeiçoa com a arte. Entendo, que cultura não é aquilo que entra pelos olhos, é o que modifica o nosso olhar. (João Paulo Paes, 1926-1998).
Sim, 15 meses de distanciamento social modificou meu olhar. Exigiu competências emocionais que desconhecia. Mergulhei no meu íntimo, tive perdas e tive ganhos e tenho renovadas esperanças, tipo o Dom Quixote, quando ele diz: Sabe, Sancho, todas essas tempestades que acontecem conosco são sinais de que em breve o tempo se acalmara; por que não é possível que o bem e o mal durem para sempre, e segue-se que, havendo o mal durado muito tempo, o bem deve estar por perto.  Tomara…

 

Por Sibila Rocha
Jornalista , Professora da UFN cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda