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Florks: saiba a origem do meme do momento

Seja nas redes sociais, em produtos ou até mesmo na alimentação, provavelmente você já viu o desenho de um personagem de rabiscos, acompanhado de uma frase em tom humorístico. Trata-se dos florks, o meme que é sensação do momento. Mas

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Festas Juninas retornam após dois anos de pandemia

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Entre os trabalhos apresentados na JIMA, na última segunda-feira, alguns se destacam pela criatividade e envolvimento de jovens alunos de ensino fundamental e médio. Hoje ressaltamos dois projetos que você confere abaixo. Bergacida  Quatro estudantes do 2° ano do ensino

Seja nas redes sociais, em produtos ou até mesmo na alimentação, provavelmente você já viu o desenho de um personagem de rabiscos, acompanhado de uma frase em tom humorístico. Trata-se dos florks, o meme que é sensação do momento. Mas você sabe a origem dele?

Primeira tirinha do Flork Of Cows, publicada em 2012. Fonte: Knowyourmeme

Seu surgimento é mais antigo do que parece, tendo início em 21 de janeiro de 2012, intitulado Flork Of Cows (flor de vaca, em tradução livre), uma série de tirinhas feita no programa Paint, onde o criador mostravas seus sentimentos. Inicialmente, eram publicadas em um site WordPress.

Os traços dos desenhos eram extremamente grosseiros mas, em 19 de março de 2016, foi publicada a primeira tirinha no formato que conhecemos hoje: um fantoche de meia. Sim, é isso mesmo, os florks são animações de fantoches feitos de meia.

Nesta mesma data, o Flork Of Cows passou a ter uma página no Facebook, que conta, na atualidade, com 183 mil seguidores. No ano seguinte, um subfórum foi criado no Reddit. Existe, ainda, o perfil no Twitter e no Instagram.

No Brasil, começou a viralizar após serem desenhados em bentôs cakes, que são bolinhos para marmita. A “febre” é tanta, que muitas pessoas confundem, inclusive, os dois termos, chamando o desenho em si de bentôs. O nome vem do japonês e significa marmita, enquanto cake é o inglês de bolo.

Confeiteira Karol Dotto conclui pedido para o Dia dos Namorados. Foto: Pablo Milani

A confeiteira Karol Dotto relata uma procura pelo novo formato. “Me pedem com bastante frequência, desde que me adaptei nessa moda dos bentôs com florks. O povo gosta, é um mini bolo engraçado e de ótimo custo benefício pra quem quer presentear seus amigos”, comenta.

O custo médio varia entre R$ 30 e R$ 35, mas existem locais que vendem até por R$ 45. “O preço é mais elevado pelo fato de ser customizado conforme o desejo do cliente. A confeitaria é 100% artesanal, sobre o que está acontecendo hoje, agora. Nós, confeiteiras, procuramos trazer o que está em alta, a novidade”, explica Karol.

Por serem personalizados conforme desejo do cliente, os bentôs estão em alta, principalmente com o uso humorístico dos florks. Fotos: Karol Dotto

Além dos bentôs, o ramo de produtos personalizados também surfa no sucesso dos Florks. Sejam canecas, camisetas ou outros artigos, eles ganharam espaço e aparecem em uma série de coleções, seja de datas comemorativas, humor, profissões, signos ou até mesmo do clube do coração.

Nem a cultura gaúcha ficou de fora da sensação do momento. Florks peão e prenda também foram criados. Fotos: Pablo Milani

“Conheci em grupos do Facebook, divulgamos alguns modelos de canecas para ver se daria  certo e logo recebemos pedidos. Começamos a vender a partir disso e só foi crescendo”, conta a estudante Thais Pagnossin, que atua em uma empresa do segmento. Ela percebe um diferencial nos florks para os outros memes: a sua vida útil. “Percebi que não seria algo momentâneo, que vira sucesso e logo acaba esquecido. Está em alta e penso que não vai acabar tão cedo”, acrescenta.

E o número de pedidos aumentou. Segundo Thais, na atualidade, a cada cinco pedidos, três envolvem florks, em média. “Tem dias que trabalhamos apenas com vendas desse estilo, é uma demanda bem superior a outras artes”, elucida.

A personalização dos produtos ocorre por um processo chamado sublimação. Thais explica como é realizado:

A 28ª edição da Feira Internacional do Cooperativismo (Feicoop) inicia nesta sexta-feira (15) e segue até domingo (17), em Santa Maria. A inovação desta edição será a participação de dezenas de agroindústrias de todo o estado.

José Carlos Peranconi, coordenador da Feicoop e do Projeto Esperança/Cooesperança. Imagem: Maiquel Rosauro

O evento deverá receber por volta de 500 grupos de expositores, a maior parte do setor de artesanato. Também ocorrerão debates, oficinas e seminários sobre questões ligadas a Agricultura Familiar e a Economia Solidária, além de apresentações culturais. A programação será divulgada em breve.

O coordenador da Feira e do Projeto Esperança/Cooesperança, José Carlos Peranconi, o Zeca, afirma que, em apenas um dos pavilhões do Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter, haverá mais de 50 agroindústrias. “Se formos contar também os empreendedores que participam regularmente do Feirão Colonial, teremos mais de 60 agroindústrias que atuam com pão, salame, queijo e muito mais, vindas das mais variadas cidades do Estado”, explica.

É a primeira vez que Zeca assume a coordenação da Feicoop. Ele conta que o serviço é grande, mas que tudo caminha bem para o início da Feira. Nos anos anteriores, era o responsável pela organização da infraestrutura do evento.  “Temos uma equipe boa que está trabalhando, gosto sempre de conversar com o pessoal para não tomar decisão sozinho. Temos uma correria boa. Sei que, fisicamente, posso estar cansado, mas olho para trás e vejo tudo o que a gente já fez e dá um incentivo para terminar. É uma experiência nova para mim, trabalhei em todas as feiras em outra função, não na linha de frente. É desafiador”, relata Zeca.

A 28ª Feicoop é promovida pelo Projeto Esperança/Cooesperança, braço da Arquidiocese de Santa Maria; Prefeitura Municipal de Santa Maria; Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Instituto Federal Farroupilha (IFFar). Para realização de um evento desse porte, a Feicoop tem auxílio de, aproximadamente, R$ 450 mil em emendas impositivas que chegam por meio da Prefeitura. A destinação vem dos deputados federais Paulo Pimenta (PT) e Elvino Bohn Gass (PT), e dos vereadores santa-marienses Valdir Oliveira (PT), Maria Rita Py Dutra (PCdoB), Ricardo Blattes (PT), Paulo Ricardo Pedroso (PSB), Getúlio de Vargas (Republicanos) e Tubias Calil (MDB). As emendas dos vereadores somam R$ 102.927,92.

 

Depois de dois anos, a quantidade de brasileiros empregados, em janeiro deste ano, se aproxima do número de trabalhadores no país antes da chegada do coronavírus, em 2020. De acordo com o levantamento realizado pelo instituto federal, atrelado à estrutura do Ministério da Economia, o primeiro mês de 2022 registrou um total de 94,1 milhões de empregados no Brasil. Em janeiro de 2020, antes do início da pandemia, esse contingente era de 94,5 milhões. Com relação a janeiro do ano passado, a situação atual é de que o número de trabalhadores ocupados cresceu 8,1%. Segundo o Ipea, o aumento foi o grande responsável pela queda de 3,3 pontos percentuais na taxa de desemprego. O índice passou de 14,7% em janeiro de 2021 para 11,4% no mesmo período deste ano. Em quatro estados da região, a taxa de desemprego caiu para 11,2% em janeiro de 2022, de 15,1% no primeiro mês do ano passado. Embora o estudo apresente um cenário mais favorável e sugira a volta aos níveis pré-pandemia, o Ipea destacou que as perdas de empregos continuam consideráveis.

Em 15 estados, menos da metade da população em idade de trabalhar estava ocupada. Foto: Helena Pontes/Agência IBGE Notícias

Atualmente, 12,1 milhões de cidadãos estão desempregados. A agência também afirma que a maioria das novas vagas de emprego são criadas no setor informal. Ou seja, apesar de terem empregos, muitas dessas pessoas recebem muito pouco e não são protegidas por direitos trabalhistas. Entre as avaliações por idade, a mais jovem declinou mais. Embora a taxa de desemprego tenha caido para todos os grupos, a taxa de desemprego para o grupo mais jovem caiu 6,2 pontos percentuais. Do quarto trimestre de 2020 para o quarto trimestre de 2021, a queda nesse grupo foi de 29% para 22,8%. O contingente de ocupados com ensino fundamental incompleto também apontou crescimento de 16,2%, possibilitando uma queda de 5,1 pontos percentuais da taxa de desocupação, que passou de 23,5% para 18,4%, no período em questão.

Fonte: IBGE – Pesquisa Nacional por amostrar de domicílios continua mensal

A Catarina Silva Bandeira nos contou seu relato sobre a busca de emprego no meio da pandemia e como foi em comparação aos outros anos. Confira:

Quem acha que o confinamento afetou apenas o psicológico da população, está enganado, a reclusão trouxe problemas tantos físicos quanto mentais. Segundo a pesquisa online da Diet & Health under COVID-19,  durante o isolamento, 52% do povo brasileiro teve um aumento de 6,5 kg na balança. Seja por falta de exercícios, por alimentação errada, ou até os dois fatores juntos, o Brasil se tornou um dos países com maior aumento de peso médio do mundo, durante a quarentena.

Tivemos também no país o aumento de 3%, em usuários de tabaco, e 14% de aumento na taxa de pessoas que consumem bebidas alcoólicas. Tudo isso misturado com a queda da prática de exercícios físicos, que caiu 29%.

Porcentagem dos países em que a população mais teve aumento de peso. Imagem:  Diet & Health Under Covid-19

A nutricionista da prefeitura municipal de Formigueiro, Bruna Bortolotto Rohde, falou um pouco sobre a importância de uma alimentação saudável já que, com a chegada da quarentena, muitas pessoas acabaram ingerindo muitas comidas pesadas. Bruna também deu ênfase em como uma rotina de refeições balanceadas ajuda a reforçar a imunidade do ser humano. Confira a seguir:

Matéria produzida no primeiro semestre de 2022, na disciplina de Linguagem das Mídias do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana.

Desde que as leis foram inventadas, elas são quebradas. Porém no papel, há punição para quem as desrespeita. Passando dez minutos na Avenida Presidente Vargas em Santa Maria, foi possível analisar cinco infrações de trânsito. Dois carros pararam em cima da faixa de segurança, um motorista foi visto utilizando celular enquanto dirigia, e outros dois passaram no sinal vermelho, e tudo isso durante o dia.

Carro parar em cima da faixa de pedestres é infração grave segundo o Código de Trânsito. Foto: Pedro de Souza

Em grande parte dos casos, a fiscalização de trânsito está presente no local, mas faz ”vista grossa” para os infratores. Um policial que pediu para não ter seu nome divulgado, afirma que: ”De madrugada nós realmente deixamos passar alguns casos, mas isso por causa da ausência de pedestres e de carros. Já durante a manhã ou de tarde, somos instruídos a ficar de olhos bem abertos sobre estes pequenos delitos, mas não conseguimos estar sempre no local onde a infração ocorre, por isso alguns passam batido.”

Para descobrir de onde surgem as violações, a equipe da Central Sul foi até uma dos Centros de Formação de Condutores (CFC) perguntar sobre como funcionam as aulas. Daniel Dutra, um dos donos, nos contou um pouco sobre sua experiência como condutor e sobre as aulas das CFCs. Confira a seguir:

Matéria produzida no primeiro semestre de 2022, na disciplina de Linguagem das Mídias do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana.

 A moda sustentável veio para ficar nas novas tendências, com o intuito não só de pensar no  meio ambiente mas também no bolso do consumidor.  Os produtos de segunda mão com boa qualidade são vendidos por valores mais baixos do que quando foram comprados pela primeira vez. Assim eles não serão descartados de forma indevida e ficarão anos esperando para se decomporem.

Brechós de roupas infantis Achadinhos CP Imagem: Vitória Oliveira

 Na tentativa de fugir deste mundo capitalista em que vivemos, os brechós vem para trazer mais sustentabilidade, onde aquela roupa que estava esquecida no fundo do guarda-roupa torna-se uma forma de renda. As donas de brechós tem como maior responsabilidade a curadoria das peças que chegam até elas. 

A dona da João e Maria Brechó Infantil e João e Maria Boutique Brechó, Gisleia Carvalho,  conta que teve a ideia de entrar no ramo de brechós porque: “eu gosto muito de reaproveitar as coisas, customizar as peças e eu acho que tem muitas peças boas que podem ser reaproveitadas”.  Ela começou em 2015 apenas com peças infantis, depois ampliou o espaço para peças adultas. Gisleia nos conta que as roupas que chegam até a loja são todas selecionadas juntamente com as fornecedoras. “Eu vejo se as peças não são rasgadas, se não tem manchas. Eu peço pra pessoa sempre levar as roupas higienizadas, antigamente eu mandava para  a lavanderia, porém agora o custo ficou muito alto. Ao chegar revisamos todas as peças”. Assim que os produtos passam por esse processo são colocados à venda e ficam em consignação, “depois de vendidas eu pago 40%”. Não chegam ao brechó apenas peças de roupa mas também bolsas, brinquedos e jogos.

João e Maria Brechó Infantil e João e Maria Boutique Brechó fica no centro de Santa Maria. Imagem: Vitória Oliveira

A proprietária afirma que vê o crescimento na procura de brechós, principalmente após a pandemia, “são peças de qualidade e o preço das roupas são acessíveis”. Ouça a seguir o que Gisleia nos conta sobre o tipo de público que frequenta seu estabelecimento: 

Alexandra Feldmann, proprietária do Brechó Infantil Achadinhos CP, decidiu voltar a ter sua independência financeira, “me foi oferecido um brechó que estava à venda, então eu e minha irmã fizemos uma sociedade”. Quando adquiriram o brechó veio um estoque considerável, e as pessoas que querem desapegar as procuram para trocar ou revender  suas peças.  “Ao chegarem na loja as peças são avaliadas. Então os fornecedores são contatados sobre valores e informados sobre quais roupas foram escolhidas. As peças que não são selecionadas acabam por serem  devolvidas ou doadas com a permissão dos fornecedores”, conta Alexandra.

Alexandra Feldmann é proprietária do Achadinhos CP. Imagem: Vitória Oliveira

Para ela, “Reutilizar não tem a ver só com a crise financeira, mas com o entendimento do que está acontecendo no mundo, associado ao novo paradigma da sustentabilidade que tem favorecido o ramo dos brechós, por oferecer um preço atrativo das roupas em bom estado”. Alexandra conta que escolheu ter um brechó voltado apenas para o público infantil pois queria “oferecer um bom atendimento, um visual da loja e organização, para que quando as pessoas pensem em roupa infantil associem ao Brechó Achadinhos CP”. Ouça a seguir o que Alexandra tem como lema de seu brechó e para quem é direcionado:

 A moda dos Brechós está incluso na nova onda do slow fashion. O termo é utilizado para definir uma alternativa socioambiental de frear o fast fashion, trazendo uma revolução na indústria, priorizando a diversidade, a tradição, a qualidade, a criatividade, a ética e o valor ao produto e ao meio ambiente. Por mais que o termo slow seja traduzido como lento para o português, não é necessariamente um movimento que contrapõe a velocidade, é apenas uma quebra ao fast.  O movimento surge no momento crucial para a moda global, na tentativa de solucionar os problemas causados pelas grandes empresas fast fashion. As principais dificuldades vêm de um fator essencial, que é a emissão de carbono. O setor de produção de roupas é responsável por cerca de 10%  de toda geração de carbono no mundo.

Infografia com fatos e números sobre a utilização da água para a produção têxtil. Fonte: Parlamento Europeu

 Mas sabemos que a moda sofre mudanças continuamente e essa não é a primeira vez que o vintage invade o cotidiano dos consumidores. A diferença, desta vez , é que a onda das roupas usadas surge com base em mudanças nos hábitos de consumo. A exclusividades das peças e a maneira autêntica de se vestir fez com que muitas pessoas abrissem seus corações para as roupas usadas. O meio ambiente agradece esta nova direção que os fashionistas estão optando. 

Matéria produzida no primeiro semestre de 2022, na disciplina de Linguagem das Mídias do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana.

Entre os corredores cinzas do Presídio Regional de Santa Maria, a sala da ala feminina floresce cores através do trabalho realizado pelas apenadas do regime fechado. Tecidos que seriam descartados ganham forma de bolsas e sacolas, através de uma oficina em parceria com o Grupo de Voluntários Corrente do Bem, desenvolvida há um ano. O projeto, além de estimular o reaproveitamento de materiais, faz parte da ressocialização das detentas.  

Diariamente, Fátima (nome fictício) acorda cedo, lava o rosto, se arruma e vai trabalhar. A rotina, comum a milhões de brasileiros, guarda uma peculiaridade: ela é uma das cerca de 38 mil mulheres que cumprem pena no Brasil. O cerceamento da liberdade não impede que Fátima constitua seus sonhos e se aprimore profissionalmente. Ao deixar a cela, passa parte do dia na sala de corte e costura do Presídio Regional. Junto de outras nove detentas, realiza o trabalho manufaturado de confecção de bolsas e sacolas a partir de tecidos reutilizados.  

Tecidos que seriam descartados ganham forma pelas mãos das apenadas. Imagem: Petrius Dias.

O projeto arrecada os mais variados tipos de tecidos que seriam descartados, e os encaminha ao presídio, para que as apenadas produzam bolsas e sacolas que serão devolvidas ao grupo que decidirá sobre o destino das peças. O Hospital Universitário de Santa Maria e o Hospital Casa de Saúde são alguns exemplos de locais que recebem o material por meio dos setores de Assistência Social das instituições. “As bolsas são utilizadas tanto nas maternidades, onde servem para armazenar os enxovais de crianças em situação de vulnerabilidade, como para que os pertences de pacientes que venham a óbito sejam entregues com dignidade”, comenta Rosaura Freitas, assistente social responsável pela coordenação do projeto no presídio. 

Segundo o relatório A New Textiles Economy, a cada segundo no mundo, o equivalente a um caminhão de roupas é enviado para o aterro ou à incineração. Apesar do tempo de decomposição destes materiais ser de seis meses a um ano, as confecções descartam nos aterros sanitários uma enorme quantidade de sobras de tecidos e insumos, como agulhas quebradas e tubos de papelão. O descarte, além de sobrecarregar ainda mais esses locais, que já estão com sua capacidade comprometida, impede o reaproveitamento. 

No presídio, as dez apenadas deixam entre seis e oito horas de seus dias na oficina. O trabalho se destaca no ambiente monocromático. Retalhos viram arte, ofício minucioso que exige cuidado e criatividade. “É ótimo estar aqui. Se não fosse por esse lugar, as coisas seriam muito mais complicadas aqui dentro”, diz Fátima. A Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984, também conhecida como Lei de Execuções Penais, regulamenta a remição de pena para apenados. Segundo o Art. 126, a cada três dias trabalhados, um dia será remido. 

 Impactos no Mundo 

 Segundo o relatório da Pulse of the Fashion Industry, a indústria têxtil é responsável pela emissão de 10% dos gases de estufa do planeta. Ainda, o relatório The Water Footprint of Cotton Consumption revela que o consumo de água também assusta. São necessários cerca de 2.700 litros de água para se produzir uma camiseta, é água o suficiente para uma pessoa consumir durante dois anos e meio. O poliéster, por exemplo, fibra sintética mais usada na indústria têxtil em todo o mundo, requer, segundo especialistas, milhões de barris de petróleo todos os anos, como tem o tempo estimado para decomposição no meio ambiente ampliado para cerca de 200 anos. 

O reaproveitamento de material têxtil é um projeto que beneficia detentas e meio ambiente. Imagem: Petrius Dias.

O trabalho realizado na PRSM contrapõe o chamado fast fashion, ou seja, a tendência alimentada pela indústria de usar e jogar fora. O conceito, que surgiu na década de 1990, com o barateamento tanto da mão de obra quanto da matéria-prima, faz com que, só no Brasil, sejam produzidas quase 9 bilhões de novas peças por ano. Isso dá uma média de 42 novas peças de roupa por pessoa em 12 meses. No país, são descartados cerca de 170 mil toneladas de resíduos de tecidos. 73% dos resíduos têxteis são queimados ou enterrados em aterros sanitários. Além disso, 12% dos resíduos têxteis vão para reciclagem – em sua maioria, são triturados para encher colchões, utilizados em isolamentos ou panos de limpeza. Menos de 1% dos resíduos é usado para fabricar peças de roupas novas. 

 Novas tendências 

 Segundo o levantamento da Fundação Ellen McArthur, a produção de roupas aproximadamente dobrou nos últimos 15 anos. Parte relevante da sociedade, no entanto, já demanda a revisão das políticas que impactam o meio ambiente. A declaração dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU assume papel de destaque neste cenário. O ODS 12, um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela Organização das Nações Unidas em 2015, trata de assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis com redução de produtos químicos e de resíduos por meio da prevenção, da reciclagem e do reuso.  

Fátima tem acesso ao noticiário para acompanhar o andamento das pautas ambientais, e vê a importância do seu trabalho na oficina. A reutilização de materiais têxteis é um “trabalho de formiguinha”. Máquinas que não costuram só peças, mas remontam sonhos antes retalhados. Autoestima, reaproveitamento, aprendizado de um novo ofício.  

  • Texto e fotos produzidos durante o primeiro semestre de 2022 pelo acadêmico Petrius Dias, na disciplina de Jornalismo Especializado do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana.

 

 

 

As festividades do mês de junho são tradicionais em todo o país. Desde 2020 elas deixaram de ser realizadas para grandes públicos por conta da pandemia de Covid-19. Neste ano, a diminuição das restrições referentes a pandemia possibilitou a retomada de grandes festas e cidades da região trouxeram essa tradição de volta. É o caso da cidade de Formigueiro, RS, que tem como padroeiro São João Batista, um dos santos presente nas comemorações do mês. Para o festeiro Rosalino Moreira, a experiência de voltar, após dois anos, está sendo muito boa. Ele relata que encontra dificuldades em conciliar os horários entre as festividade e seu trabalho, porém “está sendo gratificante, porque as vendas de nossos doces já passaram de 15 mil, só nesses dias”. A programação das festividades juninas na cidade de Formigueiro voltaram sem restrições em relação ao Covid-19, prevendo cinco dias de comemorações, incluindo baile e bingos. 

Bingo da comunidade em Formigueiro. Imagem: Miguel Cardoso

O acadêmico de Jornalismo da UFN Miguel Cardoso participa das festividades de Formigueiro desde criança. Para ele, a festa é o evento mais importante da cidade, “porque reúne todas as comunidades do município”. Ele conta que a festa do padroeiro envolve muitas brincadeiras como  jogo de bingo e nesse ano, em especial, um sentimento de alegria também pelo fato de poder trabalhar dando assessoria a prefeitura. A festa é esperada o ano inteiro por toda a sociedade e todos gostam de participar. As atividades desse período arrecadam fundos para a paróquia São João Batista.

As festas juninas também estão presentes nas escolas. Em São Gabriel, o Colégio Tiradentes da Brigada Militar promove sua tradicional festa todos os anos para alunos, militares e a comunidade em geral. De acordo com o auxiliar do corpo de alunos do colégio, Sargento Cesar Volnei, a festividade é importante para a comunidade escolar, para a união de familiares, alunos e militares. Para ele o sentimento de voltar com as comemorações é de grandes expectativas, “pois vamos recuperar estes dois anos perdidos e manter a união e motivação dos alunos”.

Apresentação da quadrilha dos alunos do Colégio Tiradentes. Imagem: Colégio Tiradentes

Professores e alunos também se envolvem diretamente na organização da festa. Para a professora de Filosofia e Sociologia, Cássia Bairros que participa das festas há 10 anos, o sentimento de voltar é muito positivo, “pois estou vendo a organização dos alunos, dos militares, então o sentimento é de esperança, de que agora estamos retomando aos poucos nossas festas. Ver o entusiasmo dos alunos está sendo incrível”.

A festa esta prevista para sábado, 25 de junho. As expectativas dos alunos são grandes como conta Henrique Silva, que está no terceiro ano do ensino médio e é a segunda vez que participa: “Não me envolvi em 2019 e agora está sendo muito legal poder ver que tudo está voltando ao normal, todos estão querendo participar e ajudar mais esse ano”. Para ele a festa contribui para a união de todos, “tem muitas tarefas que envolvem o apoio coletivo, então as turmas estão se unindo, professores e alunos estão sempre se ajudando”. Também Maria Clara Vianna, estudante do segundo ano do ensino médio, está participando pela primeira vez e cheia de expectativas.

Em Caçapava do Sul, a Escola Estadual de 1º e 2º Grau Nossa Senhora da Assunção também retoma suas atividades festivas neste mês, no dia 23 de junho. A diretora, Daniela Evangelho, conta que está muito feliz com esta volta: “Estou muito animada por poder reunir todos e é isso que a gente deseja, oportunizando a participação dos estudantes de forma saudável com brincadeiras, apresentações e comidas tradicionais. O que eu mais gosto é a alegria de estar com toda gurizada jovem aqui junto da gente”.

Festa Junina da Escola Estadual de 1º e 2º Grau Nossa Senhora da Assunção em Caçapava. Imagem: Carlos Dias

Da mesma forma, a professora da disciplina Projeto de Vida, Jianny Moreno relata a sua expectativa com a programação da festa junina no colégio: “O retorno nos deixa mais felizes e nos dá a oportunidade de colocarmos toda a energia positiva em cima da festa, compartilhando essa junção com as pessoas maravilhosas tanto da escola quanto da comunidade externa”. A estudante do terceiro ano do ensino médio Manuela Ricalde acredita que o evento é bom para movimentar o financeiro da escola e faz com que os alunos se aproximem mais. “Isso movimenta toda a escola para um lado bom, o que eu mais gosto da festa junina além das comidas é a função das roupas típicas, da organização da quadrilha e da galera toda reunida”, completa a estudante.

Colaboração: Vitória Oliveira e Miguel Cardoso

Com a chegada do inverno muitas ações solidárias ocorrem com o objetivo de ajudar aqueles que não tem condições de se manterem protegidos do frio. Famílias e pessoas em situação de rua são o foco dos projetos.

A Campanha do Agasalho de Santa Maria é realizada anualmente, através da Secretaria de Desenvolvimento Social. As arrecadações são feitas em 40 pontos de coleta na cidade e a equipe de desenvolvimento social também faz a coleta, triagem e organização das roupas  no Centro Desportivo Municipal. Para quem tem interesse em receber as doações, um cadastro deve ser preenchido e, depois, é permitido ficar durante 10 minutos no pavilhão, onde estão armazenadas as doações. Cada pessoa tem direito a  escolher até sete peças de inverno e dois pares de calçado. Só é permitida a entrada de uma pessoa por família e a mesma só poderá voltar ao Pavilhão B novamente após 15 dias. Os agasalhos podem ser retirados no Pavilhão B do Centro Desportivo Municipal (CDM) nas segundas, quartas e sextas-feiras, das 8h ao meio-dia.

Para aqueles que desejam doar, são solicitados artigos de inverno, como agasalhos, cobertores e sapatos fechados . em bom estado de conservação. O Executivo Municipal pede também que as peças estejam limpas e empacotadas em sacos plásticos fechados.

Retirada de roupas no Pavilhão B do CDM. Foto: João Alves (Mtb: 17.922)

As arrecadações ocorrem até o dia 31 de julho, nos seguintes pontos de coleta: CDM, Prefeitura, Rede Vivo, Monet Plaza Shopping, Câmara de Dirigentes Lojistas,  Associação dos Professores da Universidade Federal de Santa Maria (Apusm), Avacon Administradora de Condomínios, Imobiliária Cancian, Universidade Franciscana (UFN), Restaurante Entrevero, Vida Card, Royal Plaza Shopping, Associação Motociclística Gaudérios do Asfalto, Banco de Alimentos, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Oral Sim, Lumenk, Sulclean, Grupo Voalle,– Safira Modas, Faculdade Metodista de Santa Maria (Fames), Faculdade Palotina (Fapas), Faculdade de Direito de Santa Maria (Fadisma), Clube Recreativo Dores, Totem, Lojas Safira, Lilica e Tigor, Associação dos Transportadores Urbanos (ATU), Shopping Praça Nova, Redemaq, Centro Óptico, Elegância Center Shop, Faculdade de Ciências Jurídicas de Santa Maria (Unism), Mekal Química, Panvel Farmácias, Davant Odontologia e Implantes, Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (SICOOB), Cross Life Dores, Casa Lar Ambientes.

Cidades da região também promovem campanhas no período de frio extremo para ajudar a população. Em Caçapava do Sul, a Prefeitura Municipal e a Secretaria de Assistência Social tentam amenizar a situação de vulnerabilidade das pessoas. Conforme a secretária da Assistentência Social Andressa Lisboa,  “o nosso município não tinha albergue até o ano passado, quando inauguramos em 2021 conseguimos solucionar muitos problemas dos moradores de rua”. A Secretária explica que trata-se apenas de tentar solucionar, tentar amenizar porque esse problema é uma coisa do mundo não somente de Caçapava. O funcionamento do albergue ocorre no período da noite. No local os usuários passam a noite, tomam o café da manhã e saem durante a manhã. Alguns moradores tem permissão para ficar em turno integral, como é o caso de uma senhora que já é bem mais idosa e não aceita ir para outra casa, tem que ser o albergue.

Albergue Municial de Caçapava do Sul Ney Antônio Goulart Tavares. Imagem: Divulgação/Prefeitura de Caçapava

Em Caçapava também ocorre a Campanha do Agasalho. Segundo Andressa “tivemos mais doações antes do começo da campanha, porque o frio iniciou e o pessoal já começou a doar. Agora estamos com muitos pontos de coleta, mas com dificuldades em receber roupas masculinas e de criança”.

Colaboração: Vitória Oliveira

Entre os trabalhos apresentados na JIMA, na última segunda-feira, alguns se destacam pela criatividade e envolvimento de jovens alunos de ensino fundamental e médio. Hoje ressaltamos dois projetos que você confere abaixo.

Bergacida 

Quatro estudantes do 2° ano do ensino médio, do Colégio Marista Santa Maria, criaram um inseticida natural à base do extrato da casca de bergamota, que auxilia no combate ao Aedes aegypti. As alunas Ana Carolina de Souza, Mariana Gadret, Valentina Fraga e Anthônia Bellochio Goulart tiveram a orientação da professora de química Josiéli Demetrio Siqueira para a produção da proposta. Nomeado de Bergacida, o inseticida elimina as larvas e pupas, que são encontradas no estado de desenvolvimento do mosquito Aedes aegypti. O projeto visa à produção de uma alternativa sustentável e de baixo custo para o combate. 

Estudantes Valentina Fraga e Ana Carolina Souza participaram do desenvolvimento do inseticida. Foto: Gabriela Flores

  As cascas de bergamota foram escolhidas por conta da facilidade de obtenção e reutilização das cascas, como explica Ana Carolina: “Optamos pela casca de bergamota como matéria prima porque ela tem componentes antifúngicos e antibacterianos e também porque geralmente as pessoas comem a fruta e a descartam. Poucas pessoas fazem a compostagem. Arrecadamos as cascas no colégio e depois decidimos juntar com etanol para produzir o inseticida”.  

A estudante Valentina explica como foi elaborado o inseticida no laboratório: “Fervemos as cascas por 15 minutos e utilizamos o extrato. Retiramos ele e realizamos uma decantação – processo de separação que permite separar misturas heterogêneas – junto com o Etanol. Após a decantação, medimos o PH que deve estar em 5 para ser eficaz. Realizamos vários testes com a pupa e com a larva, ambas morreram””, complementa.  

Bergacida é um inseticida natural. Foto: Gabriela Flores

  O trabalho de pesquisa vem sendo realizado pelo grupo desde julho de 2021. Este ano, as estudantes desenvolveram uma fórmula caseira de fazer o Bergacida, que consiste em ferver 5 cascas de bergamota médias em 500ml de água por 15 minutos, retirar o extrato e adicionar 5 colheres de vinagre de álcool. Depois é só colocar em um borrifador e está pronto. A fórmula caseira tem validade de 20 dias e funciona da mesma forma que o Bergacida original. Para colocar em prática o projeto, o grupo teve o auxílio da Vigilância Sanitária de Santa Maria, que forneceu amostras de larvas do inseto para os testes. O Bergacida é um dos projetos finalistas da Feira Brasileira de Jovens Cientistas, que irá ocorrer em junho.  

Projeto: Vivenciando o ser, saber e fazer do campo, através da educação para o desenvolvimento sustentável 

O projeto Vivenciando o ser, saber e fazer do campo, através da educação para o desenvolvimento sustentável, produzido por cinco estudantes da EMEF José Paim de Oliveira, foi apresentado na Jornada Integrada de Meio Ambiente. A instituição de ensino fica localizada no Alto das Palmeiras, no distrito de São Valentim, e é uma escola núcleo de dias alternados, que se ancora em dinâmicas pedagógicas com tempos de estudo letivo que se alternam entre Vivências e Experiências Escolares e Vivências e Experiências Comunitárias. O projeto objetiva promover uma educação inclusiva, articulando vivências e experiências no contexto escolar, familiar e comunitário, visando potencializar e qualificar as práticas educativas no campo.  

Estudantes Nicolas Medina Nagera e Mariana Souza de Lima. Foto: Gabriela Flores

  “A escola se localiza no campo e nosso objetivo é trazer a cultura do campo para a cidade. Visando preservar nossa cultura como gaúchos e também tratamos da questão da sustentabilidade. Por isso temos os nossos projetos e os subprojetos”, explicou Nicolas Medina Nagera, um dos alunos participantes. Dentro da proposta há os Projetos Integradores e subprojetos, são eles a horta escolar, cultivo de plantas, cozinha experimental, identidade rural, cultura popular, artesanato rural, educação socioemocional e conservação ambiental e jardinagem. Também foram desenvolvidas oficinas pedagógicas.  

Produção do Artesanato Rural. Foto: Arquivo pessoal

 Sentimento de pertencimento, resgate dos valores do campo, reconhecimento e valorização do contexto onde vivem estão entre os resultados percebidos. Um deles é a Feira Pedagógica de Empreendedorismo, Inovação e Tecnologia JPO, que ocorre anualmente e conta com a exposição dos produtos fruto dos projetos desenvolvidos pelos alunos no decorrer do ano.  

A ACS está publicando essa semana uma série de textos sobre a Jornada Integrada do Meio Ambiente. Veja aqui a primeira matéria da série sobre a JIMA. Amanhã a série segue. Fique de olho.

  • Texto e fotos produzidos durante o primeiro semestre de 2022, na disciplina de Jornalismo Especializado do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana.