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Programa da Rádio Web UFN tem nova temporada

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Ambiente sendo preparado para receber os estudantes. Imagem: Luiza Silveira

A tradicional festa dos calouros esse ano está diferente. Pela primeira vez ela ocorre na Gare da Estação Férrea de Santa Maria. A transferência do local tem o intuito de evitar transtornos à vizinhança e sediar o encontro em um ambiente mais adequado. 

Em 17 de janeiro de 2023, uma comissão especial de vereadores discutiu a troca do local, e o espaço escolhido foi a Gare. A comissão, na época, foi formada pelos parlamentares Rudys Rodrigues, Pablo Pacheco e Marina Callegaro e foram realizadas reuniões com diversas entidades ligadas à festa dos bixos, como: DCE da UFSM, Prefeitura, Brigada Militar e comerciantes.

No dia 20 de janeiro, três dias após o começo das discussões, o prefeito Jorge Pozzobom, confirmou que a festa da calourada seria transferida para Gare. A decisão gerou debates nas redes sociais, e muitos estudantes não concordaram com a decisão, alegando que o local escolhido é perigoso, longe e que é um desincentivo da Prefeitura para reduzir o número de estudantes nessa festividade.

Fizemos uma enquete com alunos da UFN, UFSM e público geral, com os pontos mais debatidos sobre a festa.

Instituição de ensino

Gráfico de respostas do Formulários Google. Título da pergunta: 1 - Qual sua instituição de ensino? . Número de respostas: 80 respostas.

A grande maioria das interações foram de alunos da UFN, totalizando 44. O segundo maior número de interações foram com alunos da UFSM, que totalizaram 29. Outras universidades tiveram o total de 8 votos e nenhuma instituição 5.

Nível de satisfação

Gráfico de respostas do Formulários Google. Título da pergunta:  2 - Qual seu nível de satisfação com essa troca? . Número de respostas: 80 respostas.

Como podemos observar nos gráficos, o público, de maneira geral, não ficou contente com a decisão. Das 86 pessoas que responderam, 42 demonstram insatisfação com a troca, 31 disseram que é indiferente e apenas 13 acharam a troca satisfatória.

Debates sobre o tema

Gráfico de respostas do Formulários Google. Título da pergunta:  3 - Você acha que houve debates com quem participa do encontro sobre essa troca?
. Número de respostas: 86 respostas.

Na pergunta três temos a maior discrepância entre os resultados. 59 dos entrevistados constataram que não houve debate com o público que de fato comparece ao evento. Cerca de 18 não souberam responder com exatidão. Nove pessoas acreditam que houve sim debates sobre o tema.

Segurança

Gráfico de respostas do Formulários Google. Título da pergunta:  4 - O que você acha da segurança do local?. Número de respostas: 80 respostas.

Nossa enquete constata que apenas 2  dos 86 votantes considera o local muito seguro e 11 consideram seguro, ou seja, apenas 15,1% das pessoas se sentem seguras no novo local. 20 entrevistados não tem conhecimento. E os números mais altos foram de insegurança e muita insegurança, totalizando 26 e 27, respectivamente, que ao todo somam 61,4% dos questionados sentindo-se inseguros.

E os comparecimentos?

Gráfico de respostas do Formulários Google. Título da pergunta:  5 - Você pretende comparecer? . Número de respostas: 80 respostas.

Essa foi a pergunta mais equilibrada da enquete. 27 pessoas informaram que vão comparecer ao evento, independente da troca. 28 informaram que ainda não sabem se vão comparecer. E 33 (quase 10% a mais do número de pessoas que pretendem comparecer) informam que não irão à calourada. 

Espaço aberto para opiniões

Esse tópico refletiu um dos pontos principais nas redes sociais: a insegurança. Para essa enquete, não solicitamos nome, gênero, idade, etc, a fim de fazer com que as pessoas interagissem sem medo e podendo se expressar da maneira que se sentissem  melhor.  Aqui vamos citar alguns exemplos que nos chamaram atenção, com opiniões diversas sobre  o tema.

Teve fala sobre elitismo:

Elogios:

Dúvidas:

Expectativas:

Confiança:

O que os estudantes acham dessa troca?

Praça Saturnino de Brito, local onde o evento era antigamente sediado. Imagem: Luiza Silveira

Maria Eduarda Rossato, do 2° semestre de Jornalismo, da UFN diz que “Não pretendo participar. Apesar de ter transporte público gratuito na ida e volta, ainda acho muito longe para quem gostaria de ir a pé ou com 99/Uber em outro horário”, relata.

Conforme Julia Buttignol, estudante do 5º semestre de Publicidade e Propaganda da UFN, “eu pretendo ir para ver como vai ser, mas confesso que estou com um pé atrás. Inicialmente eu não achei a ideia muito legal. Eu não conheço o lugar, mas eu ouvi que teve uma grande verba para a segurança, então espero que cumpram com o que é esperado neste quesito”. 

Julia ainda constata algumas soluções que a Prefeitura e os órgãos envolvidos poderiam ter tomado de diferente para que essa troca fosse menos polêmica “ter uma conversa de fato com os estudantes. Perguntar o que eles achavam, o que eles concordavam ou não. Inclusive, quinta-feira (16) o DCE da UFSM (Diretório Central dos Estudantes) publicou no Instagram um pedido de desculpas, pelo fato de não terem pego a opinião dos estudantes. A intenção deles era das melhores, mas em algum momento se perdeu”, encerra.

Novo formato, transporte, segurança e atrações.

A Prefeitura de Santa Maria, com o novo local, pretende fazer um evento como jamais foi visto nos anos anteriores. Com uma repaginada na Calourada Segura, estima-se que o evento vá custar R $430 mil aos cofres públicos da cidade, segundo o Diário de Santa Maria. Serão 52 banheiros químicos, tendas, lonas e grades de contenção, além da execução de Projeto de Prevenção e Combate a Incêndios (PPCI), com extintores e placas.

Transporte

Estão previstas linhas especiais gratuitas de ônibus para os dias do evento. As viagens de ida começam às 18h saindo da UFSM e às 20h saindo da UFN. Para a volta, os ônibus começam a sair a partir das 23h30, com uma linha direta para UFSM e outra no centro, passando pelas principais vias.

Segurança

A segurança do evento irá contar com o apoio do 1º Regimento; do 2º Batalhão de Polícia de Choque, juntamente com o Comando Regional de Polícia Ostensiva Central (CRPO-C); o Batalhão de Aviação da Brigada Militar, além do contingente do 4º Regimento de Polícia Montada da Brigada Militar e o Batalhão de Operações Especiais (Bope). Serão mais de 100 policiais para manter a segurança das 10 mil pessoas esperadas no local. Além da segurança reforçada, a Polícia Militar irá contar com duas Plataformas de Observação Integrada (POE) com 16 câmeras cada, além das câmeras do Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp). Além disso, um drone irá sobrevoar o local a fim de ser um olho noturno para manter a segurança dos estudantes.

Atrações

Uma das maiores apostas da prefeitura e algo visto com bons olhos pela maioria dos estudantes, foi o novo formato com atrações musicais no novo local. Estão confirmadas 25 atrações nacionais e regionais para fazer parte da festa, entre elas estão: DJ Rennan da Penha, Sandro e Cícero, SambaMove e Comunidade Nin-Jitsu.

Para Júlia, foi uma das únicas formas que a prefeitura encontrou de fazer com que os estudantes comparecessem ao local “eu acho que eles devem ter pensado “como vamos fazer os estudantes comparecerem na Gare, já que o local sempre foi no Brahma? Então toma aqui atrações que vocês gostam” Eu acho que o pessoal faz um som legal, e o DJ Rennan da Penha, foi o ponto principal de fazer com que as pessoas participassem.” conclui a estudante.

Perspectivas futuras

A Praça Saturnino de Brito será mantida fechada durante a semana no período da noite. Imagem: Luiza Silveira

Apesar de muitos estudantes ainda terem a esperança de participar do evento na Praça Saturnino de Brito, ela foi fechada na manhã desta segunda-feira (20) pela Prefeitura de Santa Maria, indicando que o futuro do evento será de fato na Gare. O espaço permitirá o trânsito durante o dia. Entretanto, durante a noite, será totalmente bloqueado para evitar aglomerações. Amanda Cardoso, estudante de Psicologia do terceiro semestre da UFSM, afirma que o futuro do evento deve continuar sendo realizado na Viação Férrea, porém com algumas ressalvas “eu acredito que deva continuar na Gare, mas que nos próximos anos vai ter um movimento de voltar para o Brahma, por ser mais perto e melhor localizado. Provavelmente esse evento só será movimentado este ano pois as pessoas querem saber como vai ser. Mas ano que vem tudo pode acontecer e as pessoas podem não estar muito adeptas dependendo da experiência deste ano”, conclui.

Colaborou: Nelson Bofill

Clique aqui para ouvir a matéria.

Da esquerda para à direita, Rubens Miola Filho e Ian Lopes, durante gravação do Programa Brasilidade.
Foto: Lucas Acosta/Arquivo Brasilidade

Lançada no último dia 03, a nova temporada do Programa Brasilidade trouxe, no primeiro episódio, a carreira e a vida da cantora gaúcha Elis Regina. Segundo Miola, idealizador do programa, a nova versão traz também algumas novidades: “Pretendemos trazer pelo menos um convidado a cada episódio, fazendo com que nossos ouvintes também possam participar do programa de forma mais direta. ”

A primeira edição deste ano contou com a participação de outros dois estudantes do curso de Jornalismo, Luiza Silveira e Nelson Bofill. “Foi uma experiência muito boa! Acho que apesar do nervosismo, foi um baita conhecimento poder participar. Acredito que a possibilidade de fazer parte de um programa de rádio é uma das muitas oportunidades que o curso nos oferece e que realmente acrescentam na nossa vida. ”, relata Bofill.

Para a estudante de Jornalismo, Luiza Silveira, esta também foi uma oportunidade de muito aprendizado: “Desde quando o Rubens e o Ian deram a ideia do programa, acreditei que fosse uma boa e, desde então, comecei a ouvir para apoiar meus amigos. Foi a primeira atividade na rádio que fiz fora do período de aula, uma experiência nova e de muito aprendizado. ”

O que é o Brasilidade?

Programa no formato Podcast que aborda assuntos voltados à música brasileira. Produzido pelos acadêmicos de Jornalismo, Rubens Miola Filho e Ian Lopes, e supervisionado pelo professor e jornalista, Carlos Alberto Badke, o programa vai ao ar a cada 15 dias, no perfil da Rádio Web UFN, na plataforma de áudio Spotify. A cada episódio, o programa traz a história, vida e carreira de um artista, buscando exaltar a cultura brasileira, sobretudo dos músicos do país.

“Tentamos usar o nosso gosto pessoal como guia para acharmos a melhor opção. Comentamos sobre a vida do artista, o estilo, alguns álbuns ou músicas mais conhecidas. Na última temporada, escolhemos assuntos que tínhamos um domínio maior, mas nessa (temporada) começamos com alguém que não temos tanto conhecimento, a cantora Elis Regina. ”, complementa Lopes, apresentador do programa.

Da esquerda para à direita, Rubens Miola Filho, Lucas Acosta e Felipe Perosa.
Foto: Alam Carrion/Arquivo Brasilidade

Para Miola, o Brasilidade é importante na sua vida porque é uma forma de falar de algo que gosta, com pessoas que gosta, com um objetivo em comum: exaltar a cultura brasileira. “O aprendizado jornalístico que a gente ganha com o tempo, como apuração, pesquisa, edição, apresentação, condução de uma entrevista, embasamento cultural e posicionamento político, são muito engrandecedores. Eu amo gravar o Brasilidade e pretendo fazer até me formar, depois espero que alguém de bom coração possa assumir o manto junto com o Ian, para eu deixar o programa em boas mãos. ”, afirma Miola.

Os apresentadores ressaltam ainda que estão sempre abertos a sugestões de pauta e que para os ouvintes que queiram participar do programa, basta entrar em contato com a produção da Rádio Web UFN e solicitar a participação.

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Vivência e resistência de pessoas trans em Santa Maria

Relatos de mulheres e homens trans a partir de suas narrativas.

Marquita segurando a bandeira trans, símbolo que representa a comunidade transgênero. Foto: Heloisa Helena.

“Eu digo que a gente foi uma geração muito resistente porque viemos de um estigma de preconceito muito grande em cima da nossa população, por causa de uma doença. Nós sobrevivemos a tudo aquilo e estamos aqui”

Era outono do ano de 1967 quando veio ao mundo um menino, julgado por seu sexo biológico. Aos 17 anos começou o processo de se reconhecer como uma pessoa trans, termo que era pouco utilizado naquela época, pois usavam a palavra travesti como definição. Assim surge Marquita Quevedo, no ano de 1985, em plena pandemia de HIV/AIDS no Brasil, em um ambiente cheio de preconceito contra a população LGBTQIA+ e desinformação sobre a doença.

Ela relata a discriminação que sofreu nos anos 1980 por conta da epidemia, era agredida, xingada e expulsa de bares. “Era muito real na nossa cidade, em pleno Calçadão tinha uns espaços que quando a gente passava ouvia gritos ‘olha a AIDS’, ‘vocês estão matando a população’.” Porém, esse não foi o primeiro preconceito em sua trajetória.

Somente há quatro anos o Ministério dos Direitos Humanos retirou a transexualidade da lista de doenças ou distúrbios mentais. Em agosto de 2018, a Organização Mundial da Saúde publicou a 11ª edição do CID (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde), que deixou de incluir o chamado “transtorno de identidade sexual” ou “transtorno de identidade de gênero”. Desde 1952 a população trans era considerada portadora de distúrbios mentais, reforçando o estereótipo de que eram doentes.

Aos 15 anos, Cilene deu o grito de liberdade. Se reconheceu como mulher, feminina e delicada. Na infância foi apelidada de “sorriso”, o sorriso largo estava quase sempre presente em sua trajetória. Mas, aos 11 anos, seu sorriso desmanchou ao ser abusada na escola. Após ser descoberta, através de uma carta contendo uma declaração de amor para um colega de sala de aula em um colégio apenas de meninos, Cilene foi encaminhada ao psicólogo.

“Na sala dele eu tirava toda a minha roupa e ele tocava nas minhas partes íntimas. Na segunda sessão foi piorando, embora eu sentia dor, na época eu imaginava que fazia parte do tratamento. Na terceira sessão, eu parei de ir e acredito que ele iria concluir o ato.”

E nessa travessia perigosa que é a vida, Cilene começou sua caminhada em busca de ser quem realmente desejava. “Eu tenho muitos motivos para ser uma pessoa revoltada e agressiva, porque só a gente sabe o que carregamos nessa vivência toda”.

Cilene menciona uma das suas principais marcas de resistência:

Cilene Rossi trabalha como assessora parlamentar no Legislativo de Santa Maria gerando representatividade para o público trans em espaços políticos. Foto: Vitória Gonçalves.
Cilene Rossi trabalha como assessora parlamentar no Legislativo de Santa Maria gerando representatividade para o público trans em espaços políticos. Foto: Vitória Gonçalves.

É sobre o caminho difícil que Cilene fala. É sobre um caminho de perdas e abandonos. De pedras e espinhos. De preconceito e discriminação. De luta e resistência. Mesmo diante de todos os desafios, Cilene não se recolheu em si mesma. E procurando compreender o que havia nela que tanto incomodava os outros, foi construindo para si a história de sua vida.

Viver no país que mais mata travestis e transexuais é um ato de resistência. O Brasil lidera o ranking mundial de mortes por transfobia, de acordo com a ONG Transgender Europe (TGEU). Os dados são alarmantes. Segundo o dossiê anual da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), em 2021, 140 pessoas trans foram assassinadas no país, sem contabilizar os demais atos de violência física e moral. 140 vidas, 140 histórias interrompidas. A idade média das vítimas foi de 29 anos. “Nossa maior vingança será envelhecer. Qualquer travesti que passe dos 35 anos estará se vingando desse CIS-tema” – Keila Simpson Presidenta da Antra.

Cisgênero é o indivíduo que se identifica com o sexo biológico com o qual nasceu.

Gráfico produzido a partir dos dados do dossiê anual da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) divulgado em 2021. Produzido por Vitória Gonçalves.
Gráfico produzido a partir dos dados do dossiê anual da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) divulgado em 2021. Produzido por Vitória Gonçalves.

No começo do século 21 surgiram entidades nacionais como a Articulação Nacional de Travestis, Transexuais e Transgêneros (Antra), a Rede Trans e o Instituto Brasileiro de Transmasculinidades, com o propósito de falar sobre questões relacionadas a população tras e gerar visibilidade. Entretanto, descobrir-se neste cenário ainda possui dificuldades.

“Eu sou uma mulher trans, mas é nítido que a maioria nem me considera mulher”. Descobrir-se diferente. Reconhecer-se. Autoproclamar-se. Assumir-se enquanto mulher trans exigiu de Davina Kurkowski todo um processo de negociação, consigo mesma e com o mundo externo. “Pelo fato de eu ser transsexual, a maioria dos homens acham que eu sou alvo de sexo fácil. Já fui assediada várias vezes em Santa Maria, na rua, indo para o cursinho, quando estava trabalhando. Era algo que acontecia quase todos os dias.”

Davina relata como as pessoas reagem de forma preconceituosa ao vê-la na rua:

Sem contar com qualquer respaldo social, mulheres como Davina estão desprotegidas e se tornam extremamente vulneráveis a múltiplas formas de assédio e ataque, sendo radicalmente privadas de direitos. Neste momento, a jovem se depara com a bruta realidade de uma mulher trans na sociedade. O desconforto em utilizar o banheiro feminino do shopping, olhares que transmitem medo, nojo e ódio acompanham Davina no seu cotidiano.

“Escutei vários comentários, uma vez me chamaram de traveco. No começo da transição eu não me sentia confortável para usar vestido e saia em público mas, pela primeira vez, devido ao verão e ao calor, coloquei um vestido. Estava voltando do shopping com duas amigas, eu me sentia ótima e  quando estávamos passando pelo calçadão, aquele homem que está sempre cantando música gospel e gritando com as pessoas começou a gritar olhando pra mim ‘porque vocês adoram o diabo’.”

Quando se fala em homens trans há pouco levantamento aprofundado no país sobre a população masculina, o reconhecimento das identidades de gênero desses sujeitos, a invisibilidade social e política enfrentada por eles, bem como as várias formas de violência que os atingem diariamente.

“Eu posso não ter passado nenhum confronto físico, nem moral, mas é bem humilhante e degradante não ter acesso a um direito básico. É de certa forma violento na vivência”. Cauã de Bairros tem apenas 21 anos, mas já possui uma grande bagagem de experiências e vivências. Aos 17 anos deu adeus ao gênero feminino, rótulo que foi imposto a ele ao nascer, mas que nunca o pertenceu. O direito básico a que o jovem se refere é ser reconhecido pelo nome social na documentação.

 

Cauã atualmente cursa música na UFSM e faz parte da equipe da Casa Verônica Foto Cauã - Arquivo pessoal.
Cauã atualmente cursa música na UFSM e faz parte da equipe da Casa Verônica Foto Cauã - Arquivo pessoal.

No ano de 2019 ele era calouro, no curso de licenciatura em Teatro na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e ainda não tinha modificado o nome na certidão de nascimento e RG. “Na época ainda não tinha uma política facilitada para o nome social. A maior burocracia era o nome, porque as pessoas olhavam o nome social e achavam que era enfeite. Pra mim isso foi o pior, questão do nome na carteira do Restaurante Universitário (RU), portal do aluno, matrícula e carteira de ônibus”.

O jovem conseguiu fazer a retificação do nome por conta de uma lei  (Provimento n° 73 de 2018) instaurada no ano de 2018, que facilitou o processo ao retirar a obrigatoriedade do requerimento de laudos médicos para alteração. Atualmente, para mudar basta a autodeterminação da pessoa interessada em modificar o nome. “Pensa que desagradável ter que pedir para um médico olhar teu corpo e atestar aquilo, para você poder ter acesso ao nome básico. É só teu nome”. Felizmente Cauã não precisou passar pela consulta médica graças a alteração da lei.

Alguns direitos e o acesso a eles tem evoluído ao longo dos anos, mas o preconceito persiste intrínseco na sociedade como mencionado nos relatos de quem convive diariamente com essa realidade.

O desafio no mercado de trabalho

A realidade das pessoas trans em busca da sua independência financeira

“A falta de oportunidade e de inclusão me fez trabalhar na noite. Eu não vou dizer que todas estão na noite por necessidade, mas 95% sim […] Hoje o público trans tem muitas oportunidades, por conta de quem esteve na linha de frente batalhando pelo público LGBT.” 

A noite muitas vezes não tem regra, não tem leis, não tem descanso. Mas não para Cilene, que optou por ter disciplina nos 15 anos que viveu a rotina do trabalho na prostituição. Conheceu todas as drogas na noite – ou quase todas. Mas se considera abençoada de não ter se viciado em nenhuma delas.

“Esses 15 anos para mim era um trabalho. Do qual, eu tinha horário para chegar na rua e horário para ir embora, e final de semana eu não trabalhava. O corpo precisa descansar e a alma também. Porque você sobrecarrega”

Ao falar sobre as marcas que a compõem, sobre as experiências que vivenciou, sobre a sua vida, a sua história, a sua luta, Cilene relatou as agressões, os assédios e a conquista pelo território. No mundo da prostituição, toda esquina é conquistada, assim como os clientes.

“Muitas vezes a gente apanha mas a gente revida para apanhar com dignidade. Tu não aceitou quieta, tu lutou também. Perdeu, infelizmente perdeu. Mas no mundo da noite, tu só conquista seu espaço assim, apanhando e voltando, apanhando e voltando, uma hora desistem e te permitem ficar”

De acordo com Cilene, o mundo da noite envolve muitos gritos e xingamentos. E o desejo de estar em cima de um salto alto, muitas vezes se torna um pesadelo. Há noites em que não é escolhida e noites em que o corpo implora por descanso. Quando jovem, sempre contribuiu em casa, apesar das tentações de um mundo perverso, seu objetivo sempre foi o mesmo.

“Eu nunca joguei meu dinheiro fora, sempre ajudei meus sobrinhos. Geralmente a mulher trans que trabalha na noite, elas estão vulneráveis ao álcool e a droga, uma coisa leva a outra.”

Depois de vivenciar muitos mundos, conhecer seus próprios abismos e reencontrar-se consigo mesma diversas vezes nesse caminho, uma oportunidade de emprego surgiu na Estação Rodoviária de Santa Maria contribuindo com a sua construção.

“Eu se pudesse aparecer de forma mais feminina, ótimo. Mas não é privilégio de muitas. Cilene Rossi foi toda uma construção. Antigamente as condições eram precárias, algumas já tinham sorte de nascer bonitas, conseguir clientes à noite. Chamávamos na rua de “bater portinhas”. Atualmente, Cilene tem 51 anos e exerce a profissão de assessora parlamentar da vereadora Marina Callegaro (PT). Com seu trabalho, auxiliou 23 mulheres trans a fazerem a troca do nome social. Considera esse passo como um empoderamento para que pessoas como ela se reconheçam como cidadãs e como desejam ser reconhecidas.

Definitivamente, a inclusão de pessoas trans no mercado de trabalho ainda é um desafio. Mas, como conta Marquita, a área da beleza era uma alternativa para pessoas trans trabalharem, pois o local se mostrava parcialmente receptivo a essa população.“Eu digo que a minha profissão era ser cabeleireira.  Até alguns anos atrás era a profissão onde a gente se encontrava e não tinha preconceito, a gente era aceita no meio do salão”, relembra. Atualmente, Marquita trabalha com a produção cultural de eventos em Santa Maria.

Tentar se colocar no mercado de trabalho sendo uma pessoa trans pode resultar em cicatrizes profundas e desgastes emocionais. No final de 2019, logo antes da pandemia do coronavírus, Cauã estava procurando emprego, mas não havia resultados. Nas experiências para conquistar algumas vagas, houve muitos questionamentos desnecessários e nem um pouco profissionais dos colegas da empresa.

“Fiz o teste de uma semana em uma sorveteria. A moça que estava me treinando começou a me perguntar por que eu tinha cabelo comprido, se eu era gay, se eu ‘dava’, coisas bem íntimas que não tem nada a ver com o espaço de trabalho e, por causa do meu cabelo comprido, ela achou que eu era gay e ela tinha essa permissão.”

Davina também se deparou com dificuldades ao buscar por empregos. Antes da transição, ela conseguiu uma oportunidade de estágio, mas quando terminou o ensino médio, o estágio foi cancelado. De acordo com a jovem, após trocar seu nome social e começar a fazer currículo como Davina, as entrevistas de emprego nunca mais surgiram. Até o momento, seu único trabalho depois da transição foi como babá e como modelo.

Essa realidade reflete a dificuldade desse público ao tentar ingressar no mercado de trabalho. Muitas vezes não avançam sequer nos processos seletivos e não são contratados apenas por serem quem são.

As adversidades no dia a dia de pessoas trans

O impacto do preconceito na vida da comunidade T

“O momento que sofri o primeiro preconceito foi dentro da família e aí tive que me tornar forte”

Como acontece com a grande maioria das mulheres e homens trans, Marquita não teve apoio da família. A exclusão familiar ocorreu quando tinha apenas 14 anos, foi expulsa de casa e mudou de cidade para morar com um tio, após dois anos retornou para Santa Maria apenas com a roupa do corpo. Sem lugar para morar e família para acolhê-la, dormiu nas ruas da cidade e foi amparada pelos iguais a ela.

Marquita comenta como era o preconceito na década de 80:

Na trajetória de Davina, seu pai se tornou um dos primeiros desafios preconceituosos que ela enfrentaria. Na busca por tentar encontrar uma explicação para os seus sentimentos, resolveu assumir-se, a princípio, como um homem homossexual para a família, iniciando um processo de negociação entre a sua identidade e a aceitação dos outros. Após Davina e sua mãe saírem de casa na pandemia da covid-19, a jovem começou a refletir e descobriu que haveria uma (des)construção em sua vida. No final de 2020, Davina nasceu e a relação com o pai ficou em pedaços.

Cauã, por sua vez, teve o apoio da mãe desde o começo da transição, tanto emocional quanto financeiro. Por mais que fosse difícil, ela estava sempre presente para apoiá-lo. Porém, por parte do pai houve, no início, uma certa rejeição e dificuldade durante o primeiro ano de transição. Seus avós paternos optaram por cortar relações e nunca mais falaram com o neto. Alguns familiares mais próximos de Cauã se mantiveram em sua vida, pessoas que ele chama de parceria.

“Infelizmente grande parte das mulheres trans encontram o preconceito dentro da família. Muitas são expulsas de casa, pela própria mãe ou pelo pai, geralmente pelo pai. Tem mães que também não aceitam, porque esperavam um homem que casasse e tivesse filhos. Mas também tem muitas mães que abraçaram a causa junto aos filhos, eu acho isso lindo” – Cilene

Cilene costuma dizer que foi abençoada por ter sido acolhida pela família, apesar de ter sido uma construção. Foi criada em um meio onde predominava o amor e o respeito. O pai era militar, no começo foi difícil a aceitação e compreensão, mas com a convivência ele a aceitou, embora não a chamasse de Cilene. “Ele nunca me chamou pelo nome social, e eu não esperaria isso de um homem de 80 anos”. Cilene sempre colocou a família em primeiro lugar e amou-os de forma incondicional. Infelizmente, seus pais já faleceram, mas ela recorda carinhosamente dos dois e segue a vida pregando os ensinamentos de amor e respeito que ambos a ensinaram.

Passabilidade: a influência da aparência na vida de pessoas trans

Cilene fala sobre sua história com muita leveza e humor, assim como compartilha a sua vida de uma forma muito sincera, aberta e acolhedora. Apesar de ser designada ao gênero masculino ao nascer, sempre lutou pela existência da mulher que vivia dentro de si, sem perder o humor, a graça e a alegria.

De acordo com a revista Veja, aproximadamente 70% das mulheres trans se submetem a cirurgia de redesignação sexual e apenas 35% dos homens trans procuram pela cirurgia genital. Segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), as filas de acesso para a redesignação sexual superam os dez anos de espera, atualmente.

Mas apesar do índice ultrapassar a metade da população trans feminina, algumas mulheres optam por não realizá-la e se consideram satisfeitas com seu corpo. Este é o caso da Cilene, embora a aparência feminina, o cabelo longo, os seios fartos, a maquiagem, façam parte da sua personalidade. Cilene nunca cogitou realizar a cirurgia de redesignação sexual.

“Estou satisfeita com meu corpo, não pretendo me mutilar, nunca tive a idéia de cirurgia. Respeito aquelas que não aceitam o órgão, mas eu me aceito perfeitamente”.

Apesar da cirurgia ser considerada uma afirmação de gênero pela revista Veja, a mudança na forma de se vestir, de se comportar ou até mesmo de se montar, passou a ser a principal necessidade de mulheres que se descobriram trans, logo, quanto mais feminina, mais mulher aos olhos da sociedade.

Cilene participou, em 2019, da Parada do Orgulho LGBT Alternativa organizada pelo Coletivo Voe apresentando uma de suas performances - Foto: Vitória Gonçalves.
Cilene participou, em 2019, da Parada do Orgulho LGBT Alternativa organizada pelo Coletivo Voe apresentando uma de suas performances - Foto: Vitória Gonçalves.

No “processo da Marquita”, como ela mesma chama, começou a se montar, passar maquiagem e usar roupas femininas. Em suas próprias palavras, essa construção vem muito da heteronormatividade. “Tem que ter peito, tem que ter cabelo comprido, tem que ter uma passabilidade para poder estar inserida na sociedade e no mercado de trabalho. Independente da aparência estética que se tem, a identidade de gênero é uma coisa e a aparência é outra coisa. Em uma sociedade que julga as pessoas pelo órgão genital, isso tem de ser repensado.”

Atualmente, Marquita é uma ativista da causa LGBTQIA+ e coordenadora do ONG Igualdade - Foto: Vitória Gonçalves.
Atualmente, Marquita é uma ativista da causa LGBTQIA+ e coordenadora do ONG Igualdade - Foto: Vitória Gonçalves.

“É um processo de auto-aceitação, olhar o seu corpo e se aceitar, isso tem uma pressão muito grande. Afeta a autoestima e saúde mental da nossa população. A saúde mental é muito debilitada, por todo esse processo da pressão, da transfobia e lgbtfobia.” – Marquita

Assim como Marquita e Cilene, apesar de terem vivido as experiências em épocas diferentes, Davina também sentiu uma pressão estética ao se assumir como mulher trans. “[…] no começo eu sentia muita pressão estética, de me parecer com uma mulher cis. Sentia essa necessidade de vestir coisas femininas e me esforçar ao máximo para ter essa aparência delicada […]”.

Davina considerava seu corpo fora do padrão e vivenciou um período difícil e delicado, onde foi necessário uma constante luta por reconhecimento e aceitação. A jovem sentia muita disforia pelo próprio corpo, se sentia desconfortável com sua altura, seus ombros largos e suas mãos grossas. O verão era um incômodo, suas veias das mãos ficavam nítidas, mais um motivo para despertar a sua frustração.

Foi complicado, no começo foi bem difícil. Eu sentia mesmo essa pressão, mas não sei se a pressão vinha das pessoas ou eu me pressionava, acredito que eu mesma. Agora eu sei que não precisa, eu aceito meu corpo, sinto falta de alguma coisa as vezes, me incomoda bastante ter pelo no rosto, odeio ter pelo no rosto, é o que mais me incomoda na verdade.”

Davina em um dos seus trabalhos como modelo no desfile do curso de moda da UFN - Foto: Arquivo Pessoal.
Davina em um dos seus trabalhos como modelo no desfile do curso de moda da UFN - Foto: Arquivo Pessoal.

Quando Davina iniciou a transição, ela tinha como prioridade fazer terapia hormonal, mas agora não vê mais necessidade de tomar hormônio, pois gosta bastante do seu corpo. Porém, pretende avaliar na terapia com uma psicóloga e decidir se realmente quer ou não começar o processo de hormonização.

A pressão estética não atinge só as mulheres trans, mas os homens trans também se deparam com essa realidade, e foi uma das questões para Cauã. Em 2019, quando retificou o nome, sua aparência era diferente, tinha os cabelos compridos, ele gostava, mas muitas pessoas não gostavam. Frustrado com os questionamentos sobre seu cabelo, cortou. “Certamente, teve uma pressão pra deixar essa aparência. Os endócrinos diziam para eu fazer academia pra ficar mais musculoso. Mas eu sempre caminhei ou fiz algum tipo de esporte, então aquilo não era questão de saúde, eles estavam falando sobre aparência física. Isso é cobrado, para todas as pessoas trans é cobrado, para mulheres trans com certeza é pior”.

Em 2018, ele começou a fazer o tratamento da hormonização em Porto Alegre, sua cidade natal, no sistema privado, já que em Santa Maria ainda não existiam os ambulatórios pelo SUS que hoje auxiliam a população trans no processo de transição.

“Agora que tenho cabelo curto, barba e voz, eu tenho acesso a um respeito que nunca tive na vida. Nem antes e nem durante a transição. As pessoas parecem que me ouvem mais, é surreal”

Cauã compartilha as vantagens de se parecer com uma pessoa cis:

Entre o amor e a dor

Amar sempre foi algo complexo. Às vezes o amor não correspondido pode definir como uma pessoa vai ser daquele momento em diante. Assim como o amor muda um ser humano, a rejeição muda mais ainda. Cilene relata a sua realidade como mulher trans no mundo de relações afetivas e a dificuldade em encontrar o reconhecimento e aceitação que tanto anseia.

“Às vezes a pessoa tá com vergonha de estar do teu lado por ser quem tu é. O coração é um ponto muito fraco nosso. A gente está sempre procurando um amor, mesmo sabendo que aquele amor não vai ser correspondido e isso te frustra muito.Eu vivi quatro anos com um homem e sofri muito quando ele me deixou. Ele me trocou por uma mulher cis. Ele não estava errado, eu que estava errada de me entregar inteira”

Iniciativas de apoio à comunidade trans em Santa Maria

A importância da assistência à saúde física e mental

Utilizo o Sistema Único de Saúde (SUS), é um direito e acredito que devemos fortalecer o SUS”

Durante a transição, Marquita não teve apoio psicológico. Hoje em dia ela faz tratamento porque foi diagnosticada com Transtorno de Personalidade Borderline. Em Santa Maria, recentemente, dois ambulatórios para o público trans foram instaurados na cidade para dar auxílio a essa população: o Ambulatório Transcender e o Ambulatório Trans do Hospital Casa de Saúde.

“É muito importante esses espaços de saúde que a gente tem hoje, os ambulatórios trans, porque a saúde é fundamental e para nossa população mais ainda. Porque a nossa população não acessa a saúde facilmente, é importante ter acesso a esses locais”

O Ambulatório Trans do Hospital Casa de Saúde, inaugurado em 2022, oferece atendimento médico a pessoas que buscam iniciar ou prosseguir com a transição de gênero. O local especializado conta com atendimento clínico, psicológico, psiquiátrico e endócrino via SUS. O foco do ambulatório é dar atendimento clínico e psicossocial a pessoas que queiram fazer a transição com tratamento hormonal. Além de Santa Maria, o espaço atende também as 33 cidades da Região Central.

O Laboratório Transcender atendeu cerca de 65 pessoas trans em um ano de atendimento - Divulgação Prefeitura de Santa Maria Crédito: Marcelo Oliveira/PMSM.
O Laboratório Transcender atendeu cerca de 65 pessoas trans em um ano de atendimento - Divulgação Prefeitura de Santa Maria Crédito: Marcelo Oliveira/PMSM.

Destinado apenas aos residentes de Santa Maria, o Ambulatório Transcender nasceu em 2020 como um laboratório destinado à população T, mas ampliou os atendimentos a toda a população LGBTQIA+. O laboratório funciona junto à Policlínica de Saúde Mental, localizado na Rua dos Andradas, número 1.397. Os serviços oferecidos são: apoio psicológico, médico clínico e odontológico. Já os pacientes que desejam fazer a hormonização são encaminhados à Casa de Saúde. Em um ano de atendimento do ambulatório, 65 homens e mulheres trans e travestis foram acolhidos. É necessário reforçar que o atendimento é gratuito, via SUS e não é necessário agendar consulta ou ter encaminhamento de um posto de saúde, tudo para facilitar o acesso da população ao atendimento.

O ambulatório realiza uma busca ativa principalmente a pessoas Trans, Travestis e Transgêneros, para oferecer assistência. “A população T já tem historicamente uma dificuldade de acesso às Unidades Básicas de Saúde e, hoje, estamos fazendo um movimento de captação dessa população. No início, nós achamos que seria mais fácil eles aparecerem, mas não foi isso que aconteceu. A solução que encontramos é fazer visita domiciliar, vamos até as Unidades Básicas e conversamos com as agentes de saúde, elas já tem mais ou menos um mapa daquele território e das pessoas que têm interesse. A partir disso, a enfermeira vai até a casa, explica como funciona e oferece os serviços que disponibilizamos”, relata o psicólogo e coordenador do ambulatório Transcender, César Bridi, sobre a necessidade da busca ativa.

Bridi reforça que o atendimento é gratuito, público e acessível para todos e todas - Foto: Vitória Gonçalves.
Bridi reforça que o atendimento é gratuito, público e acessível para todos e todas - Foto: Vitória Gonçalves.

O Transcender também abre espaço para as pessoas que querem falar sobre questões de identidade. Ele tem grupos de afirmação de gênero para adultos – maiores de 18 anos – e grupos para adolescentes, dando oportunidade de se descobrir e se entender. Além do atendimento em grupo, dispõe de atendimento individual e para família, como conta Bridi: “Quando uma pessoa transiciona ou descobre sua orientação sexual, todos que estão no entorno precisam lidar com isso. A gente acolhe, explica, orienta os familiares e, caso necessário, encaminhamos para a psiquiatria da policlínica. Nós pensamos que, quando a pessoa vem pra cá, ela precisa se sentir protegida e acolhida.”

Outro espaço que acolhe vítimas de violência de gênero e tem como foco o público LGBTQIA+ e feminino é a Casa Verônica. O projeto é ligado ao Observatório de Direitos Humanos (ODH) e Pró-Reitoria de Extensão (PRE) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O local recebeu o nome Casa Verônica para homenagear e manter viva a luta e ativismo de Verônica Oliveira, conhecida como Mãe Loira. Ativista trans e referência na militância LGBTQIA+ na cidade, Verônica foi violentamente assassinada no ano de 2019 a facadas.

A Casa Verônica pretende promover rodas de conversa, eventos e oficinas, focalizadas na saúde mental e física do público alvo, assim como promover a inclusão de nome social, para fomentar políticas públicas voltadas para essas questões. Cauã, atualmente, faz parte da equipe e expõe a importância de existir um espaço como esse, devido a alta demanda: “É um projeto que poucas universidades têm até agora. Mas não é porque esses projetos são raros e escassos que há pouca demanda, a demanda é grande. As pessoas têm sede e fome de reconhecimento, de diálogo e de troca”.

Logo da Casa Verônica. Ilustração: Noam Wurzel/ Casa Verônica.

Logo da Casa Verônica

Ilustração: Noam Wurzel / Casa Verônica.

Os atendimentos ainda não começaram, pois a Casa Verônica está trabalhando na contratação dos profissionais, processo que envolve trâmites administrativos. Mas a Casa oferece orientações sobre os serviços disponíveis na universidade e na cidade e, conforme o caso, realiza encaminhamentos para a rede.

O Comunica Hits, Prêmio Anual dos cursos de Comunicação da UFN, ocorreu semana passada, em duas edições: na quarta, 30 de novembro, do curso de Jornalismo e na quinta, dia 1º, do curso de Publicidade. O tema da 8ª edição foram os anos 2000 e os estudantes de Jornalismo foram premiados em quatro categorias: Audiovisual, Digital, Fotografia e Rádio.

A jornalista e egressa da UFN Luiza Chamis foi a jurada das modalidades Fotografia para Internet e Documentário, enquanto a jornalista e também egressa da UFN Thaís Ceretta foi a jurada nas modalidades Reportagem e Programa Jornalístico.

Estreando a entrega de prêmios na noite, a acadêmica Caroline Freitas foi a vencedora na modalidade de Audiovisual para a Internet. A estudante venceu com seu trabalho intitulado “Tua Voz, Mulher!”. O prêmio foi entregue pela jornalista Laíz Lacerda. Segundo a vencedora “o evento é importante pois nos motiva a criar novos trabalhos com mais qualidade. Eu me senti muito inspirada a continuar o curso, isso nos motiva a seguir “.

Dentro da modalidade de Documentário, as estudantes selecionadas pelos jurados para subirem ao palco foram Heloisa Helena e Gabriela de Flores. Coube a professora e jornalista Neli Mombelli premiar suas alunas pelo trabalho “Inércia Acadêmica”.

Passando então à modalidade de Reportagem, houve dois trabalhos premiados. Vencendo na categoria prata, o acadêmico Lucas Acosta Subiu ao palco pelo seu trabalho “Conheça mais sobre o futevôlei”. Na categoria ouro, a vencedora foi a estudante Gabriela de Flores, vencendo com o trabalho “Aluna do curso de nutrição cria vídeo em libras sobre guia de nutrição para crianças”.

Na última modalidade desta categoria, o estudante Petrius Dias foi premiado por seu trabalho de Programa Jornalístico. O acadêmico recebeu o prêmio de Menção Honrosa pelas mãos da secretária do curso, Cristiane Sanchotene pelo trabalho “ProvocArte”.

A grade de programas da Rádio Web UFN conta com um novo programa, o Brasilidade. Produzido pelos acadêmicos de Jornalismo, Ian Lopes e Rubens Miola, o podcast aborda a música brasileira. A cada edição é abordado um músico diferente.

Segundo o estudante Rubens Miola “a ideia surgiu no começo do semestre. Eu já vinha há um tempo pensando em fazer parte das produções da faculdade. Eu sempre gostei de música, sempre tive muita facilidade para falar e pesquiso bastante. A ideia inicial era fazer um programa de música internacional. Mas certo dia, escutando o Flow Podcast, fizeram uma citação ao músico Chico Science, que dizia que a gente devia fazer músicas que remetam ao Brasil. A partir disso, a gente quis fazer um programa que exalte a música brasileira e a nossa cultura”.

O primeiro artista comentado no programa foi Tim Maia. Imagem: Banco de Dados. Adaptada por Emanuelle Rosa

Conforme o estudante Ian Lopes “Eu não tinha muita confiança na minha habilidade de falar sobre o tema. Eu demorei a aceitar o convite por causa disso. Mas acredito que o programa tenha ficado muito bom. Eu me sinto melhor localizado dentro do curso desde que aceitei este convite.”

Na primeira edição, o artista comentado foi Tim Maia. Os apresentadores pretendem trazer convidados nos próximos programas. Entre os cantores que serão abordados, se encontram Elis Regina, Ney Matogrosso, Jorge Ben Jor e Cazuza. O programa é postado quinzenalmente no Spotify da Rádio Web Ufn.

Durante a primeira metade do século XX, a Argentina era uma das maiores potências econômicas do mundo. Foi ao fim da Segunda Guerra Mundial que a economia do país sofreu uma derrocada fatal. Até hoje, o povo sofre as consequências da má gestão governamental. Devido à inflação, os preços atuais dos produtos argentinos se apresentam muito caros para a população e muito atrativos para os estrangeiros.

No ano seguinte à guerra, mais especificamente em quatro de junho de 1946, o militar Juan Domingo Perón foi eleito democraticamente como presidente da Argentina, acompanhado de sua esposa Evita Perón. Com a ascensão do Peronismo, os cargos públicos começaram a aumentar descontroladamente. Além disto, a primeira-dama exerceu sua influência como cônjuge do presidente e, por meio do dinheiro público que provinha das indústrias diversificadas que havia no território argentino, começou a oferecer apoio financeiro aos países europeus que precisavam pagar dívidas. Perón permaneceu no poder até o ano de 1955 e voltou ao governo entre 1973 e 1974, quando foi substituído por sua segunda mulher, Isabelita Perón, que foi deposta pela milícia no início da ditadura civil-militar em 1976.

O impacto dessas ações, que se mostraram extremamente prejudiciais ao povo, pode ser visto até hoje no território argentino. Mesmo com sua grande produção pecuária, que sempre proporcionou carnes de ótima qualidade, sua produtividade agrícola, que lhe torna uma das maiores produtoras e exportadoras de cereais do mundo, e com uma larga presença de petróleo e gás no país, a Argentina hoje apresenta uma dívida externa fora de controle. A dívida do Banco Central do país subiu cerca de US$ 36 bilhões (R$ 187 bilhões) na gestão de Alberto Fernández. Este valor representa cerca de 80% do crédito do Fundo Monetário Internacional direcionado à Argentina.

A Argentina, hoje, quase não possui mais resquícios dos seus tempos de ouro. Em dezembro de 2021, se tornou viral o vídeo de cidadãos argentinos da província de Santiago del Estero que, após um acidente envolvendo um trem e um caminhão que transportava vacas, mataram os animais e saquearam a carne. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos, mais de 36% da população argentina vivia abaixo da linha da pobreza no primeiro semestre de 2022.

Historicamente, os salários argentinos apresentam maior poder aquisitivo quando comparados com o salário brasileiro. Entretanto, após pesquisas de analistas do Banco Central da Argentina, o país pode fechar o ano com inflação anual superior a 100%. Tentando conter essa inflação, o ministro da economia, Sergio Massa, anunciou nas últimas semanas que o governo está preparando um plano econômico de congelamento de preços. Já é o 9º congelamento realizado pelo governo argentino nos últimos nove anos.

Os mercados sofrem com a escassez de produtos básicos. Imagem: Nelson Bofill

Em Paso de Los Libres, região que faz fronteira com Uruguaiana, o comércio se mantém de pé, mas a infraestrutura maltratada da cidade e a grande diferença de preços das mercadorias em relação ao Brasil lembram aos visitantes que a crise continua. Ao atravessar a ponte e ingressar na Argentina, é possível fazer o câmbio do real para pesos. Atualmente, em alguns lugares, o peso argentino custa R$0,02.

O principal motivo que justifica essa sobrevivência dos negócios em Libres é a possibilidade de poder manter um comércio exterior. É natural as cidades fronteiriças apresentarem melhor desempenho devido ao grande fluxo de imigrantes que as visitam. A maioria dos produtos argentinos atualmente apresentam custos muito atrativos para os brasileiros que visitam o país. Tendo como exemplo o arroz, produzido em grande quantidade em território argentino e brasileiro, nos supermercados locais o preço médio de 10kg é em torno de R$35, enquanto no país vizinho, é possível comprar a mesma quantidade por R$24.

A compra de certos produtos no território argentino são limitadas. Imagem: Nelson Bofill

Mas mesmo as cidades fronteiriças se preocupam com a escassez de alimentos que vem assolando o país. Com o intuito de amenizar os efeitos da crise, alguns supermercados estão restringindo o limite de compra de certos produtos como farinha, açúcar e azeites. Em relação à carne produzida na Argentina, que sempre teve uma qualidade acima da média, o preço médio do quilo de costela é cerca de $ 1.230 (R$ 24,60), enquanto, no Brasil, a mesma quantidade pode ser comprada pagando cerca de R$ 29,20.

Apesar dos aparelhos tecnológicos possuírem um valor parecido em ambos os países, na Argentina a compra parcelada se mostra extremamente prejudicial ao consumidor devido à alta inflação. Um modelo de televisão, que custa $ 125.999 (R$ 2.519,98) à vista, pode ser parcelado em 30 vezes de $ 8.396,57 (R$ 167,93), custando, ao final do pagamento, $ 251.897,10(R$ 5.037,94).

A crise, atualmente, já não é mais novidade para o povo argentino, a situação foi até mesmo eternizada na música local. No ano de 1978, o cantor de tango argentino, Cacho Castaña, escreveu a música Septiembre del ’88, que só viria a ser lançada em 1988. A canção é apresentada como se fosse a leitura de uma carta direcionada à um amigo que reside na Itália. O artista comenta nos primeiros versos sobre a crise que assola a Argentina, citando as mentiras políticas, falsas promessas governamentais e impactos da época da ditadura civil-militar. Ao final da música, o cantor expressa a esperança que ainda existe no povo argentino de voltar a ser um grande país.

Em 2010, durante um concerto, o artista disse que a música parecia ter sido escrita naquele ano, pois mesmo mantendo a esperança, a crise ainda assolava o povo. O músico faleceu em 2019 sem ser capaz de concretizar seu sonho. Entretanto, seu desejo de ver seu país ser grande novamente representa a esperança eterna do povo argentino.

Começou hoje a avaliação do projeto Geoparque Caçapava do Sul. O geólogo e paleontólogo, Mahito Watanabe, do Japão, e o graduado em Ciências Ambientais Antonino Sanz Matencio, da Espanha estão em visita à cidade para avaliar o local. 

A localidade de Capão das Galinhas é um dos geossítios avaliados pelos pesquisadores. Imagem: Juliano Porto

 Os geoparques são territórios reconhecidos mundialmente pela UNESCO, desde suas superfícies a sítios e paisagens de relevância geológica internacional. São administrados com base em um conceito holístico de proteção, educação e desenvolvimento sustentável.  Caçapava já está há dez anos neste processo, a partir de um estudo científico que foi realizado na região, apontando as características geológicas necessárias para se tornar Geoparque Mundial da UNESCO. Estes atributos constam, por exemplo, da presença de rochas muito antigas de mais de 5000 anos. Foram encontrados fósseis de animais extintos da megafauna, dando destaque às preguiças-gigantes., além de existirem também espécies vegetais raras e endêmicas do bioma pampa.

O secretário de Cultura e Turismo de Caçapava do sul, Stener Camargo, conta que “a equipe da missão vem se preparando há vários meses, montamos um roteiro em conjunto com os avaliadores que vai ser percorrido ao longo desses 5 dias. Estamos trabalhando na mobilização da comunidade local e com boas expectativas visto o grande número de pessoas envolvidas no Geoparque Caçapava”. Ele também relata como o Geoparque pode influenciar no desenvolvimento econômico do município: “temos relatos de outros Geoparques que a previsão é de triplicar o número de visitantes no primeiro ano após o reconhecimento. Com isso obviamente atrairemos novos investidores, principalmente na área de gastronomia e hotelaria o que, consequentemente, aumentará a geração de emprego e renda no município”. O projeto Geoparque está realizando interações com as escolas da cidade e pretende seguir com estas atividades, pois “Um Geoparque é um território de interesse internacional pela sua geologia mas também por uma estratégia pautada na educação, conservação e desenvolvimento social, cultural e econômico do território através da mobilização das comunidades nele inseridas”, acrescenta o secretário.

O coordenador científico e professor da Universidade Federal de Santa Maria, André Borba, explica que a importância de ter o selo de geoparque em Caçapava é estratégica para o seu desenvolvimento: “É uma oportunidade de financiamento externo. Os projetos geoparque estão sendo muito bem vistos pelo ministério do turismo e pela secretaria estadual de turismo. A UNESCO não provê recursos, mas sabemos  que ser um território UNESCO é um fator muito importante para alavancar recursos financeiros para o cidade”. Ele também expõe a importância de Santa Maria, pois é uma porta de entrada para os dois projetos de geoparque, o de Caçapava e o da Quarta Colônia.  O coordenador relata que é um sonho se realizando, pois desde 2010 ele está no projeto: “Apresentei a ideia em eventos internacionais, junto com o ex-prefeito, Otomar Vivian, fizemos uma movimentação na capital gaúcha da geodiversidade. Certificamos Caçapava por lei estadual, como capital gaúcha da geodiversidade. Criamos eventos como o geodia que já é tradicional no município e eu fui uma das pessoas que começou isso em 2010”.

 A visita dos avaliadores da UNESCO é obrigatória para a certificação do território, mas antes disso foi necessário o envio de uma carta de intenção,  um dossiê  de 50 páginas, além de relatórios sobre patrimônio geológico: “A vinda deles é uma oportunidade de um trabalho em rede com outros geoparques ao redor do mundo”. Borba também ressalta que, se Caçapava for aprovada, há uma necessidade de investimento em infraestrutura no município e divulgação “mas em termos de comunidade que nos apoia  e acolhe sempre”.

A dona do ateliê Rosa Biscuit, Rosa Ruschel, conta quais são suas expectativas para a vinda dos avaliadores: “As minhas expectativas para essa semana são que todas as pessoas que apostaram e acreditaram no geoparque e no que ele pode se tornar vejam que vai se tornar realidade”.  Ela também comenta sobre a importância do geoparque para a população que trabalha com o artesanato: “o geoparque vai influenciar no desenvolvimento do artesanato da comunidade após a certificação”.  O artesanato e a agricultura familiar do município já estão sendo influenciados pelo projeto, pois, “todos conseguiram transformar as belezas de Caçapava em produtos. Tanto no croché, no amigurumi, no biscuit, no patchwork , no bordado, em todas as técnicas de artesanato. Não esquecendo também da agricultura familiar”, comenta Rosa. Ela expõe que, desde que souberam da vinda da comissão, começou o processo de organização e que “começou a dar um frio na barriga pois dependemos dela para termos a certificação oficial. Queremos esquecer a palavra aspirante”.

Cronograma de visitas dos avaliadores no Geoparque Caçapava:

Dia 1 – Segunda-feira (7)

8h – Pórtico de Caçapava do Sul

8h30min – Jardim da Geodiversidade Professor Maurício Ribeiro

9h30min – Secretaria de Cultura e Turismo

10h – Centro Histórico e Forte Dom Pedro II

14h – Geossítio Caieiras

15h – Empreendimento Don José, produtora de azeite de oliva, e Geossítio Toca das Carretas, com vista para o geossítio Cerro da Angélica

Dia 2 – Terça-feira (8)

8h30min – Geossítio Mirador Capão das Galinhas

9h30min – Parque Municipal Natural da Pedra do Segredo, localizado no geossítio Serra do Segredo

13h30min – Casa de Cultura Juarez Teixeira, espaço de arte e memória

15h30min – Clube Recreativo Harmonia, local de história e preservação da cultura afro-brasileira

20h30min – Geossítio Guaritas e observação do céu noturno

Dia 3 – Quarta-feira (9)

8h30min – Geossítio Minas do Camaquã, cidade mineradora do século 20

9h – Apresentação sobre Minas do Camaquã, por alunos da Escola Gladi Machado Garcia, e feira de educação na escola

10h30min – Prédios históricos de Minas do Camaquã

14h30min – Fazenda e Novelaria Santa Marta e passeio com trilha ligando feições geomorfológicas

17h – Mirador Guaritas

Dia 4 – Quinta-feira (10)

8h30min – Reunião final entre equipe da missão, avaliadores e comitê gestor no campus da Universidade Federal do Pampa (Unipampa)

16h – Reunião oficial com o Governo do Estado do Rio Grande do Sul no Palácio Piratini, em Porto Alegre

Com 50,90% dos votos, ou 60 milhões, 345 mil e 999 votos, foi eleito o novo Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo. O atual presidente, Jair Bolsonaro, contou com 49,10%, ou 58 milhões, 206 mil e 354 votos. Uma diferença de dois milhões, 139 mil 645 votos. Já para o governo do estado, Eduardo Leite saiu vitorioso com 57,1% dos votos válidos, contra seu oponente Onyx Lorenzoni, que recebeu 42,90% dos votos. No Rio Grande do Sul, houve um comparecimento às urnas de 80,22% da população, tendo o índice de 19,78% de abstenções.

O vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, e equipe durante entrevista coletiva após reunião para tratar da transição. Crédito Marcelo Camargo/agência Brasil

Após a disputa apertada para a presidência do Brasil, segunda a Agência Brasil, hoje começa o período de transição, em que o governo deve disponibilizar à nova equipe informações referentes às contas públicas, aos programas e aos projetos do governo federal. De acordo com Geraldo Alckmin, vice-presidente eleito, a partir de segunda-feira (7) começarão uma série de reuniões de trabalho. De acordo com a legislação, até 50 pessoas podem ser nomeadas para atuar no período de transição, grupo que pode ter ainda servidores federais e voluntários.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a diplomação dos candidatos eleitos deve ocorrer até 19 de dezembro, conforme a legislação eleitoral, embora a posse ocorra apenas em 1º de janeiro de 2023.

Desde segunda-feira, manifestações ocorrem em diversas partes do Brasil, de cidadãos contrários à vitória de Lula. No entanto, o ministro Alexandre de Moraes, em sessão do Tribunal Superior Eleitoral ocorrida hoje, garantiu que “não há como contestar um resultado com movimentos criminosos e os responsáveis apurados e responsabilizados. A democracia venceu novamente no Brasil.” Moraes ainda parabenizou o Tribunal Superior Eleitoral e os eleitores que estão cumprindo seu papel e respeitando a democracia.

Em Santa Maria, manifestantes contrários à decisão das urnas estão desde ontem, quarta-feira, 2 de novembro, em frente à 6ª Brigada, na avenida Borges de Medeiros, entre as ruas Venâncio Aires e Coronel Niederauer. Às 19h de quinta-feira, 3 de novembro, quando do fechamento deste texto, ainda havia manifestantes e o trânsito apresentava lentidão no local. Equipes de jornalismo relatam dificuldades para fazer a cobertura das diversas mobilizações pois estão sofrendo ameaças dos manifestantes.

No dia 9 de maio de 2007, estreava a Rádioweb Unifra*, em caráter experimental, durante a realização do 5º Fórum de Comunicação Social do Centro Universitário Franciscano. Entretanto, foi apenas no ano de 2008 que a programação da rádio começou a ser estruturada e contar com a participação e colaboração de alunos e professores do curso de Jornalismo. No começo, os alunos contavam com a orientação do professor Gilson Luiz Piber da Silva e a operação do técnico em áudio Sérgio Ricardo da Porciuncula Cruz.

O espaço radiofônico da instituição, desde sua formação, visou aprimorar o ensino dos estudantes dos cursos de comunicação, introduzindo-os a parte prática das profissões. Entre os 11 programas presentes na primeira programação da Rádioweb Unifra, 6 eram produzidos e apresentados por acadêmicos do curso de Jornalismo.

Conforme o professor Bebeto Badke, atual coordenador da Rádio: “A Rádioweb UFN é, na verdade, o laboratório de práticas radiofônicas, ou seja, é lá onde os nossos acadêmicos exercem a prática do radiojornalismo. A prioridade da Rádioweb é justamente essa, a produção dos alunos, portanto, os programas que a gente tem na grade, a maioria são feitos por eles. A rádio também é aberta para outros cursos da instituição, que produzem alguns programas e podcasts que temos atualmente. Ela não tem nenhum vínculo comercial e sua função é dar vazão à produção dos nossos alunos”.

Segundo a professora e coordenadora do curso de Jornalismo, Sione Gomes dos Santos: “A rádio é um espaço que desperta os alunos. Inclusive, aqueles que não conheciam, que não eram próximos do veículo, a partir do momento que tem essa oportunidade e fazem essa experiência, veem o quanto é legal e, sem dúvida, aqueles que já têm uma relação com o veículo, principalmente com o viés do esporte, mais ainda. Então, com certeza é um espaço que é do interesse dos alunos e que traz uma possibilidade de aprendizado”.

Gravação do podcast A Copa e Eu. Imagem: Nelson Bofill

Atualmente, a Rádio conta com quatro produções originais dos acadêmicos de Jornalismo, o Titular da Rede, UFN Esportes, Camisa 10 e UFN Notícias. Há também o programa Me Pega no Colo, que aborda assuntos como a maternidade e cuidados à criança e é produzido pelas professoras do Mestrado Profissional em Saúde Materno Infantil da Universidade Franciscana, Francelaine Benedetti e Cristina Kruel. A grade de programação exibe também três programas reprisados da UFNTV, o Universo Acadêmico, Minutos de Sabedoria e O Tema é Direito.

No ano de 2013, foi criado um texto conjunto que contou com a colaboração dos acadêmicos de Jornalismo Luana Iensen Gonçalves e Tiéle Abreu e dos professores de radiojornalismo do curso de Jornalismo Maicon Elias Kroth, Aurea Evelise Fonseca e Gilson Luiz Piber da Silva. No trabalho, é salientada a importância da convivência dos estudantes com o processo radiofônico durante seu estudo da seguinte forma: “Ouvir e ver como funciona o processo de comunicação radiofônica é uma fase importante e significativa para o acadêmico de jornalismo. O fazer rádio, por sua vez, traz experiência, conhecimento prático e a tomada de decisões naquele momento da transmissão ao vivo. A radioweb é um dispositivo moderno, que marca a convergência das mídias – rádio e internet – e estabelece um novo tipo de interação com o ouvinte/internauta, enriquecendo o programa e a programação da emissora. A experiência da Radioweb Unifra motiva os alunos dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da instituição na teoria e na prática radiofônica, bem como exige a constante atualização e o aprimoramento dos docentes na busca de novos procedimentos para alavancar outras produções”.

Estúdio A do laboratório de rádio da UFN. Imagem: Nelson Bofill

Os acadêmicos têm acesso ao laboratório radiofônico desde o início dos estudos, tanto para realização de atividades referentes ao curso, quanto na produção de programas de interesse pessoal, que tem total apoio do corpo docente para se habituar com a parte prática da profissão. Os laboratórios são também disponibilizados aos estudantes dos demais cursos que queiram interagir com estes meios, produzindo programas de TV e rádio, ou necessitem deles para fins docentes.

Segundo Lucas Acosta, 21 anos, estudante do 6º semestre de Jornalismo e atual apresentador do programa Titular da Rede: “a prática é o que mais faz com que nós adquiramos conhecimento, claro que a teoria é muito importante, mas a prática é o que faz com que a gente cresça cada vez mais na profissão. Para mim, como acadêmico, a rádio me ajudou muito, dá para ver claramente o meu crescimento desde o primeiro programa que eu fiz até o último. O convívio nos torna mais livre com o microfone e torna nossa fala mais clara, este crescimento na rádio também contribui para a melhoria em outros laboratórios, como por exemplo a produção audiovisual”.

* Unifra era como a Universidade Franciscana era nomeada na época.

Ocorre hoje, 6 de outubro, durante todo o dia, o Comunica Roots, evento promovido pelos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, que visa promover a integração entre diversos cursos e entre mercado e acadêmicos, já que a grande tarefa é produzir uma campanha para um cliente real.

O Comunica desenvolve a criatividade, já que os alunos devem produzir sem qualquer aparato tecnológico e sim com equipamentos analógicos, como cartolinas, canetinhas e afins.

Grupos na abertura do Comunica Roots. Imagem: Luiza Silveira

Algumas das regras constam de, por exemplo: todas as peças propostas na campanha devem possuir pelo menos uma apresentação visual ou sonora; no caso de peças gráficas, estas deverão estar layoutadas através de colagem e/ou ilustração em cartolina; no caso de propostas de peças radiofônicas, cabe a equipe realizar a locução ao vivo ou cantar o jingle criado, mesmo que a capella; o caso de uma proposta de peça audiovisual, a equipe deve encenar teatralmente o roteiro criado, junto a um storyboard em cartolina. Os estudantes podem levar instrumentos musicais para serem usados nas apresentações.

O evento segue até a noite no Cerrito, quando haverá um Luau de encerramento.