A educação crítica e a participação, segundo Frei Betto


Por Agência CentralSul de Notícias

 

Frei Betto (direita) foi apresentado pelo professor Ricardo Rossato(esquerda) a uma plateia atenta. Fotos: Paola Demarco, Assessoria de Comunicação/ VIII Congresso Internacional de Educação

A conferência de abertura do VIII Congresso Internacional de Educação promovido pelas Faculdades Palotinas trouxe a  Santa Maria a voz de Frei Betto, frade dominicano e uma das referências nacionais  na luta pelos direitos humanos e a favor dos movimentos populares.

Jornalista por formação e escritor com 60 livros publicados no Brasil, Carlos  Alberto Libânio  Christo, o Frei Betto, adepto da Teologia da Libertação, constrói sua história na militância de movimentos pastorais e sociais, atuou na construção das Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s), coordenou a mobilização social do programa Fome Zero, assessorou a presidência da República entre 2003 e 2004 e, continua amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Dirigente nacional da Juventude Estudantil Católica(JEC), foi preso duas vezes pelo regime militar. Encarcerado pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra ficou preso entre 1969 e 1973, e dessa experiência surgiram os livros “Cartas da Prisão”, ” Diário de Fernando – nos cárceres da ditadura militar brasileira” e  “Batismo de Sangue” que recebeu o prêmio Jabuti em 1983, foi editado e traduzido na França e na Itália e, em 2007,  serviu como roteiro para o filme Batismo de Sangue,  produzido pelo diretor mineiro Helvécio Ratton.

Em 2015, ganhou o Troféu Chico Xavier por seu trabalho em prol da paz e justiça social, e a Medalha Darcy Ribeiro, concedida pela Associação dos Economistas de Minas Gerais e Mercado Comum-Comunicação e Publicações Ltda por destacar-se nas áreas de educação e cultura.

A voz de Frei Betto encontrou uma plateia atenta e perplexa diante dos atuais rumos da educação no país. O conferencista explanou sobre as premissas que constituem o seu último livro “Por uma educação crítica e participativa”,  analisando a volta do Brasil à colonialidade, a emergência de gerações cujas utopias são midiáticas e a necessidade do retorno da educação popular.

Ao defender que educadores e estudantes estejam comprometidos com uma educação voltada à cidadania, ao protagonismo social e a ações solidárias, diz que ” o ódio é um veneno que você toma esperando que o outro morra”, e questiona: “de que vale uma escola ou uma educação que ignora os temas fundamentais da vida, como amor,  sexualidade, dor, solidariedade, altruísmo, perda, fracasso, doença e morte?” Para ele, uma escola que não trata dos direitos humanos e não faz da ética um tema transversal, que não educa o sujeito para pensar politicamente, “está fadada a deformar os seres humanos e não a formar”.

Frei Betto , uma voz ativa na defesa dos direitos humanos

Frei Betto critica a polarização que tomou conta do país e a presença de um governo que estimula a violência. Criticando o recente decreto das armas, ressalta que o país compromete a educação gerações futuras e a juventude atual cujos paradigmas são todos midiáticos – Neymar, Lewis Hamilton entre outros. E isso é favorecido pelas redes digitais e pela publicidade.

As redes sociais, segundo ele, são parte de um sistema que não gera cidadania e nem questionamentos, mas sim, favorecem ativistas sociais e a difusão de preconceitos, na contramão de uma cultura de solidariedade.  Afirmando que  não há neutralidade na educação, defende a necessidade de formar o pensamento crítico, critérios de discernimento e seleção de valores sem os quais o aluno fica preso ao que “aprende” da redes digitais e da sedução da publicidade. Hoje, ” os  jovens possuem quatro supostos valores: a fama, a beleza, a riqueza e o poder, e isso também é estimulado na redes sociais que não são sociais”, afirma. E por isso o país tem “uma farmácia ou petshop em cada esquina, e não uma livraria”.

Quando refere ao retorno da educação popular, diz falar da educação no sentido amplo, daquela se dá para além dos bancos escolares. Para Frei Betto, faltou alfabetização política no Brasil e, hoje, a crise que atinge a educação e os educadores é também de autoestima – nenhum professor tem a expectativa de que seus filhos sejam professores. “Ninguém o quer porque o processo de educação no país foi depredado”. E afirma a necessidade de ousar promover uma revolução na educação.

Frei Betto ainda participou da sessão de autógrafos no final da conferência.

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