Elas defendem seus lares, vão em busca dos alimentos, dominam a arte de polinizar e ajudar na produção de plantas e frutos. As abelhas sempre foram símbolo de riqueza e trabalho em meio às civilizações antigas, pelo fato de defenderem seu território. Um fato curioso é que as abelhas surgiram antes dos humanos, há mais de 100 milhões de anos. Há indícios de que elas surgiram a partir de um grupo de vespas. Hoje, há cerca de 20 mil espécies e a mais conhecida é a Apis mellifera. Todas essas abelhas apresentam tipos morfológicos – que são características como a forma, aparência, função, etc.

As  abelhas também se comunicam, e pode ser de várias maneiras. Por exemplo, com sons, substâncias químicas, danças, entre outras manifestações.

 

Sobre a apicultura

De acordo com a Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A.S), a apicultura começou no Brasil em 1839. Antonio Carneiro, padre em Porto (Portugal), importou cerca de 100 colônias de abelhas da espécie Apis mellifera. O termo “apicultura” pode ser definido por uma atividade de exploração comercial de abelhas para a produção de mel, pólen, geleia real e própolis.

Créditos da foto: Arquivo Aldo Machado

Muitas famílias vivem da apicultura. E o produto que irão vender depende do foco que os apicultores desejam ter nesse mercado. Mas ainda com tantas opções, o produto principal e mais vendido é o mel. Além de ser vendido à mercados, empresas e pessoas, os produtos também são exportados para outros países.

A temperatura dentro das colmeias é importante e deve ser mantida entre 34ºC e 35ºC. Quando a temperatura passa ou diminui dessa média, é bastante preocupante, pois pode gerar defeitos nas asas das abelhas recém-nascidas ou até mesmo sua morte. Um fato curioso é que, se as abelhas percebem que está frio ou muito quente dentro da colmeia, começam a bater suas asas ou espalham gotas de água no local.  

Créditos da foto: Arquivo Aldo Machado

É chamado de apiário o local onde caixas são instaladas para a criação  de abelhas. As caixas adquirem a mesma função das colmeias, onde os insetos instalam-se e passam a produzir. É fundamental que os apiários sejam instalados em lugares próximos a flores. Elas são chamados de flora apícola, fornecendo o pólen e o néctar às abelhas. Quando as colmeias estão próximas à flora apícola, é mais fácil para as abelhas fazerem viagens durante o dia, pois, além de irem diversas vezes nas plantas, elas também vão cansar menos.

Créditos da foto: Arquivo Aldo Machado

O Censo agropecuário 2017, constatou os seguintes dados de apicultores:

  • Estabelecimentos:
  • Rio Grande do Sul – 37.225
  • Brasil – 101.947
  • Número de caixas de abelhas:
  • Rio Grande do Sul – 487.286 caixas
  • Brasil – 2.155.140 caixas
  • Quantidade de mel vendido (em toneladas):
  • Rio Grande do Sul – 5.713t
  • Brasil – 31.149t
A extinção

Há muitos impasses que acabam ocasionando na morte de abelhas, como a destruição de seu habitat, as mudanças no clima e usos incorretos de pesticidas.  Além dos agrotóxicos, há um fenômeno chamado de “desordem de colapso das colônias” em que as abelhas operárias acabam sumindo das colmeias sem um motivo.

A extinção das abelhas atinge em diversos campos. Um deles é a polinização, pois as abelhas polinizam quase todas as plantas. É nesse processo que o pólen é transferido de uma planta para a outra; isso resulta nas semestes, que dão origem aos diversos tipos de árvores e plantas, às frutas, legumes e pastagem para o gado.

Aldo Machado dos Santos, presidente da cooperativa apícola do pampa gaúcho explica que o ganho com as abelhas é ambiental, pois cada quilo de mel ela deixa 200 em polinização. Outro fator importante que ele ressalta é  que 90% dos vegetais dependem da polinização e 63% dos alimentos consumidos pelos humanos também depende dessa polinização.

Portanto é essencial manter as abelhas vivas para realização desse processo, pois os alimentos que são ricos em micronutrientes – aqueles necessários para a manutenção do organismo, como as vitaminas e os minerais – dependem das abelhas para serem “produzidos”. Já alimentos como trigo, arroz e milho, são polinizados pelo próprio vento e não dependem das abelhas. Mas como a maioria dos alimentos que ingerimos depende exclusivamente da polinização por abelhas, o desaparecimento delas coloca em risco o acesso aos nutrientes que o corpo humano precisa para se manter ativo.

Além do ser humano, outras espécies de animais seriam atingidas pela extinção desses insetos. O efeito cascata ou dominó, é um efeito que gera uma série de acontecimentos semelhantes, que podem durar pouco e ou muito tempo. Esse efeito não só prejudica os seres humanos pela falta de nutrientes; mas, pela falta das sementes, também afetaria o desenvolvimento do pasto, das flores e das frutas, que são alimentos para muitos animais.  

Aldo ainda destaca que, caso a população saiba de fatores que estão ocasionando a morte das abelhas, é aconselhável denunciar nas inspetorias veterinárias, para que assim elas tomem providências junto à polícia ambiental.

Como o desaparecimento das abelhas pode ser evitado?

Mas, afinal, o que é de alcance das pessoas para ajudar a natureza a não perder esses animais ricos em produtividade? Em primeiro lugar, a conscientização da importância que esses insetos têm na vida de todos, e os prejuízos que teríamos sem eles.

A campanha “Sem abelha, sem alimentocomeçou de uma iniciativa do Centro Tecnológico de Apicultura e Meliponicultura do Rio Grande do Norte (CETAPIS) e se tornou uma associação civil sem fins lucrativos e com o objetivo de conscientizar as pessoas da importância das abelhas. A campanha desenvolve  ações para a proteção, e manutenção da vida de todas as espécies.

Além disso, a CETAPIS dá dicas de como ajudar realizando ações individuais como, por exemplo, plantar flores em vasos diferentes, plantar árvores, evitar o uso de produtos químicos ou inseticidas. Outras medidas incluem deixar de podar ou matar flores silvestres e ervas daninhas, deixando que cresçam no jardim. É indicado também mudar a alimentação, começar a consumir mais produtos orgânicos, pois eles não contêm agrotóxicos e também não poluem o ambiente.  São pequenas atitudes que podem diminuir a morte dessas espécies e assim aumentar sua reprodução.

Na região

Foi registrado em outubro deste ano, por apicultores de cidades próximas a Santa Maria um número alto de morte de abelhas. A principal suspeita é de que as mortes sejam causadas pelo uso incorreto de agrotóxicos, que não só matam as abelhas como as infectam, fazendo com que cada abelha seja um novo agente de contaminação.

Um dos principais casos na região é o de morte das abelhas no município de Mata, no interior do estado. Segundo Aldo, ainda não se sabe qual foi o principal motivo das mortes, pois as análises ainda não tiveram resultado, porém as causas suspeitas são os inseticidas.

De acordo com Silvio Lengler, professor de Apicultura no curso de Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), cerca de 1500 colméias foram eliminadas nos últimos 12 meses na região, por conta da  aplicação de dessecante de plantas, o qual foi misturado com o agrotóxico glifosato. Ainda, Silvio destaca que é necessário que os agricultores procurem estar orientados e capacitados para não misturar agrotóxicos, algo inclusive proibido pelos fabricantes. Também é fundamental destacar da fala do professor, que é de suma necessidade um controle do contrabando desses produtos que vêm dos países vizinhos.

 

Texto produzido pelos alunos Ariel Portes e Valéria Auzani para a disciplina de Jornalismo Especializado, sob orientação da professora Carla Torres, durante o Segundo Semestre de 2018.

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