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Entre a loucura e razão, a felicidade

Uma sociedade alternativa. Um lugar onde as pessoas sejam todas notadas ou não. Sejam elas, o meio, o todo, ou apenas integrantes da sociedade.
Raul Seixas já dizia: “Faça o que tu queres, pois é tudo da lei”.
Estimular a pensar, a se sentir vivo. Discutir Carlos Gardel, tomar banho de chapéu e daí? O importante é se sentir feliz. Claro que no auge de sua “loucura” mórbida, ‘Rauzito’ jamais imaginara que sua propagação de sociedade alternativa (muita discutida por sinal) estimularia a busca da felicidade como filosofia de vida. Tratamento médico? Não. Terapia? Menos ainda. É simplesmente a busca do encontro com a pessoa, que existe independente de dizerem que não é o que você quer ser.

A doutora em Artes Teatrais, Rosane Cardoso, e um grupo de colegas de Artes Cênicas da Universidade Federal de Santa Maria descobriram que a busca da felicidade só acontece quando se extrapola. Quando você é notado.
“Começamos nosso trabalho quebrando as barreiras hierárquicas do Lar das Vovózinhas. Nós estávamos lá para ouvi-las, e não para dizermos como deveria ser feito. Começamos sentir a diferença quando elas falavam o que sentiam”, comenta a professora da UFSM, que defendeu sua tese de mestrado sobre o projeto “Tradução do Palhaço”, trabalho do grupo de cênicas e que tinha por objetivo único fazer as “vovós” sorrirem, torná-las felizes.
O projeto visava reconstruir uma sociedade que o grupo de aproximadamente 100 senhoras, muitas delas com problemas físicos e mentais, tinha esquecido por culpa do tempo. Algumas entraram jovens na instituição que existe há mais de 50 anos, por rejeição dos pais. Casos de gravidez na adolescência, seguidos de adultérios matrimoniais, hoje tratados com naturalidade, eram erradicados nos anos 50. “Conseguimos, gradativamente, inserir-nos na sociedade montada na cabeça delas através das palhaçadas e das brincadeiras (risos). Pouco interessava se era estranho para nós. O importante é que elas achavam que estavam fazendo a coisa certa. Assim, elas voltavam a sentir prazer. Em conseqüência, a serem felizes”, comenta Rosane.
O nariz de palhaço era o remédio. A dança a terapia. E para aliviar a dor, nada melhor do que muita risada. Exemplos dessa categoria vêm estimulando pesquisas sobre a busca da felicidade relacionada à qualidade de vida. Duas publicações recentes, uma na Inglaterra e outra nos Estados Unidos, mostram que ser feliz é melhor do que se pensava. Mais do uma condição de bem estar, a felicidade está diretamente ligada a alguns fatores da saúde do ser humano.
No primeiro estudo, realizado na University College, através de uma pesquisa que envolveu 226 londrinos (116 homens e 100 mulheres), ficou estabelecido como condição de saúde, um bom índice de felicidade. O trabalho de pesquisa foi desenvolvido em laboratório, mas também acompanhou os voluntários no trabalho e nas horas de lazer. De maneira muito simplificada, a metodologia da pesquisa funcionou assim: cada indivíduo observado, relatava o que fazia nos últimos cinco minutos. Após isso, os pesquisadores pediam para que cada voluntário atribuísse uma nota, de 01 a 05, para classificar o nível de felicidade. O processo de classificação era feito com cada voluntário, de 20 a 30 vezes por dia. A pesquisa apontou que os voluntários mais felizes liberavam cortisol na saliva, uma substância que está relacionada a doenças como o diabetes e hipertensão. O índice de cortisol encontrado nos indivíduos ditos felizes é o mesmo independente de estarem trabalhando ou no descanso, diferentemente do que acontece com os que se consideravam menos felizes, onde o índice da substância varia de acordo com o índice de felicidade.
A outra pesquisa, desenvolvida na Universidade Carnegie Mellon, na Pensilvânia, teve a participação de mais de 300 voluntários saudáveis. Todos foram ouvidos por duas semanas para que seu estado emocional fosse medido. Cada pessoa foi classificada em duas categorias, divididas em níveis, positivos: felizes, satisfeitos, relaxados e negativos: ansiosos, hostis e deprimidos. Em seguida, cada voluntário foi exposto ao vírus da gripe. Após cinco dias, cada pessoa passou por mais entrevistas enquanto os pesquisadores procuravam alguns sintomas da doença. O resultado mostrou que os voluntários “positivos” foram aqueles que se mostraram mais resistentes e apresentaram menos sintomas da gripe.
Claro; a medicina ainda deposita na “pílula da felicidade” o sucesso do ramo farmacêutico. Paralelo a isso, gradativamente através de pesquisas ou não, a qualidade de vida das pessoas felizes é indiscutivelmente melhor. Se a vovó um dia disse quem não tem colírio usa óculos escuro, Raul afirmava que enquanto você se esforça para ser um sujeito normal e fazer tudo igual, ele, na loucura real controlava sua maluquês misturada com a lúcidez e era o “Maluco Beleza”.

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Uma sociedade alternativa. Um lugar onde as pessoas sejam todas notadas ou não. Sejam elas, o meio, o todo, ou apenas integrantes da sociedade.
Raul Seixas já dizia: “Faça o que tu queres, pois é tudo da lei”.
Estimular a pensar, a se sentir vivo. Discutir Carlos Gardel, tomar banho de chapéu e daí? O importante é se sentir feliz. Claro que no auge de sua “loucura” mórbida, ‘Rauzito’ jamais imaginara que sua propagação de sociedade alternativa (muita discutida por sinal) estimularia a busca da felicidade como filosofia de vida. Tratamento médico? Não. Terapia? Menos ainda. É simplesmente a busca do encontro com a pessoa, que existe independente de dizerem que não é o que você quer ser.

A doutora em Artes Teatrais, Rosane Cardoso, e um grupo de colegas de Artes Cênicas da Universidade Federal de Santa Maria descobriram que a busca da felicidade só acontece quando se extrapola. Quando você é notado.
“Começamos nosso trabalho quebrando as barreiras hierárquicas do Lar das Vovózinhas. Nós estávamos lá para ouvi-las, e não para dizermos como deveria ser feito. Começamos sentir a diferença quando elas falavam o que sentiam”, comenta a professora da UFSM, que defendeu sua tese de mestrado sobre o projeto “Tradução do Palhaço”, trabalho do grupo de cênicas e que tinha por objetivo único fazer as “vovós” sorrirem, torná-las felizes.
O projeto visava reconstruir uma sociedade que o grupo de aproximadamente 100 senhoras, muitas delas com problemas físicos e mentais, tinha esquecido por culpa do tempo. Algumas entraram jovens na instituição que existe há mais de 50 anos, por rejeição dos pais. Casos de gravidez na adolescência, seguidos de adultérios matrimoniais, hoje tratados com naturalidade, eram erradicados nos anos 50. “Conseguimos, gradativamente, inserir-nos na sociedade montada na cabeça delas através das palhaçadas e das brincadeiras (risos). Pouco interessava se era estranho para nós. O importante é que elas achavam que estavam fazendo a coisa certa. Assim, elas voltavam a sentir prazer. Em conseqüência, a serem felizes”, comenta Rosane.
O nariz de palhaço era o remédio. A dança a terapia. E para aliviar a dor, nada melhor do que muita risada. Exemplos dessa categoria vêm estimulando pesquisas sobre a busca da felicidade relacionada à qualidade de vida. Duas publicações recentes, uma na Inglaterra e outra nos Estados Unidos, mostram que ser feliz é melhor do que se pensava. Mais do uma condição de bem estar, a felicidade está diretamente ligada a alguns fatores da saúde do ser humano.
No primeiro estudo, realizado na University College, através de uma pesquisa que envolveu 226 londrinos (116 homens e 100 mulheres), ficou estabelecido como condição de saúde, um bom índice de felicidade. O trabalho de pesquisa foi desenvolvido em laboratório, mas também acompanhou os voluntários no trabalho e nas horas de lazer. De maneira muito simplificada, a metodologia da pesquisa funcionou assim: cada indivíduo observado, relatava o que fazia nos últimos cinco minutos. Após isso, os pesquisadores pediam para que cada voluntário atribuísse uma nota, de 01 a 05, para classificar o nível de felicidade. O processo de classificação era feito com cada voluntário, de 20 a 30 vezes por dia. A pesquisa apontou que os voluntários mais felizes liberavam cortisol na saliva, uma substância que está relacionada a doenças como o diabetes e hipertensão. O índice de cortisol encontrado nos indivíduos ditos felizes é o mesmo independente de estarem trabalhando ou no descanso, diferentemente do que acontece com os que se consideravam menos felizes, onde o índice da substância varia de acordo com o índice de felicidade.
A outra pesquisa, desenvolvida na Universidade Carnegie Mellon, na Pensilvânia, teve a participação de mais de 300 voluntários saudáveis. Todos foram ouvidos por duas semanas para que seu estado emocional fosse medido. Cada pessoa foi classificada em duas categorias, divididas em níveis, positivos: felizes, satisfeitos, relaxados e negativos: ansiosos, hostis e deprimidos. Em seguida, cada voluntário foi exposto ao vírus da gripe. Após cinco dias, cada pessoa passou por mais entrevistas enquanto os pesquisadores procuravam alguns sintomas da doença. O resultado mostrou que os voluntários “positivos” foram aqueles que se mostraram mais resistentes e apresentaram menos sintomas da gripe.
Claro; a medicina ainda deposita na “pílula da felicidade” o sucesso do ramo farmacêutico. Paralelo a isso, gradativamente através de pesquisas ou não, a qualidade de vida das pessoas felizes é indiscutivelmente melhor. Se a vovó um dia disse quem não tem colírio usa óculos escuro, Raul afirmava que enquanto você se esforça para ser um sujeito normal e fazer tudo igual, ele, na loucura real controlava sua maluquês misturada com a lúcidez e era o “Maluco Beleza”.