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Bar: ponto de encontro entre tribos

Que os bares de Santa Maria são os locais mais freqüentados nos finais de semana todo mundo sabe. O que poucos sabem é que muita gente transforma estes lugares em extensão de suas casas, atando inclusive, fortes relações de amizade.

O Professor aposentado, Claudiomiro Ávila, 67 anos, diz freqüentar todos os dias o mesmo bar, localizado na Rua Dr. Bozzano, principalmente após o falecimento de sua esposa, há dois anos. “Aqui, eu leio o jornal, assisto TV e encontro os amigos. Tenho duas filhas, mas são casadas e não moram comigo. Aqui me sinto menos sozinho”, explica.

 

O sociólogo francês, Michel Mafesolli, em seu livro “Sociedade das Tribos”, denota, na sociedade atual, uma desafeição pelas grandes instituições sociais, como partidos políticos e sindicatos: “As pessoas estão reagrupando-se em micro tribos e buscando novas formas de solidariedade não encontradas em instituições sociais habituais”. Segundo ele, as identificações estabelecem-se através de signos, imagens e símbolos comuns, que os tornam pertencentes a determinados grupos. Alessandro Correa, comerciante, 47 anos, encontra no bar a descontração. “Passo o dia inteiro trabalhando, quando acaba o expediente, a última coisa que quero ouvir falar é sobre dinheiro ou contas para pagar, por isso, antes de ir para casa passo aqui, bato um papo com os amigos. Falamos sobre futebol, política e até mesmo sobre problemas pessoais. Um ajuda o outro. Somos uma família”, diz.

 

Em outro bar na Rua Venâncio Aires, o fato dos freqüentadores serem mais jovens não o torna diferente. A amizade é o principal motivo de estarem ali. O estudante, Rodrigo Dornelles, 18 anos, salienta que pelo baixo preço da cerveja, todos os seus amigos vêem para este bar. “Nos encontramos aqui depois da aula, tomamos uma ou duas cervejas e vamos pra casa, é muito mais pelo o encontro do que pela bebida”, analisa.

 

Outras relações além das amizades são estabelecidas em bares, como conta o casal de namorados, a estudante, Gisele Grillo, 20 anos, e o militar, Matheus Tochetto, 22 anos: “Nos conhecemos aqui (no bar), vínhamos quase todos os dias, até que um dia ele puxou assunto, conversamos,  ficamos e estamos juntos até hoje. Agora a gente vem aqui só aos fins de semana, pois ele trabalha e eu estudo, mas continuamos vindo aqui”.

 

“A fidelidade ao local é outra marca de que algo além do comercio reúne as pessoas e faz com que elas se relacionem. O bar é onde as semelhanças podem ser agrupadas. Os jovens, principalmente, afirmam sua identidade e de uma maneira semelhante aos homens primitivos, buscam por proteção dentro destes grupos”, explica a estudante de psicologia, Ana Herzer, que também possui seu bar de preferência. “Os bares, na maioria dos casos, não possuem mais o sentido pejorativo que havia no passado, quando eram considerados lugares para bêbados e desocupados, atualmente não passam de mais uns dos diversos locais de encontros entre pessoas, possibilitando, de uma maneira positiva, choques entre gerações e ideais”, opina Elisangela Morais, estudante de História de 23 anos.

 

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Que os bares de Santa Maria são os locais mais freqüentados nos finais de semana todo mundo sabe. O que poucos sabem é que muita gente transforma estes lugares em extensão de suas casas, atando inclusive, fortes relações de amizade.

O Professor aposentado, Claudiomiro Ávila, 67 anos, diz freqüentar todos os dias o mesmo bar, localizado na Rua Dr. Bozzano, principalmente após o falecimento de sua esposa, há dois anos. “Aqui, eu leio o jornal, assisto TV e encontro os amigos. Tenho duas filhas, mas são casadas e não moram comigo. Aqui me sinto menos sozinho”, explica.

 

O sociólogo francês, Michel Mafesolli, em seu livro “Sociedade das Tribos”, denota, na sociedade atual, uma desafeição pelas grandes instituições sociais, como partidos políticos e sindicatos: “As pessoas estão reagrupando-se em micro tribos e buscando novas formas de solidariedade não encontradas em instituições sociais habituais”. Segundo ele, as identificações estabelecem-se através de signos, imagens e símbolos comuns, que os tornam pertencentes a determinados grupos. Alessandro Correa, comerciante, 47 anos, encontra no bar a descontração. “Passo o dia inteiro trabalhando, quando acaba o expediente, a última coisa que quero ouvir falar é sobre dinheiro ou contas para pagar, por isso, antes de ir para casa passo aqui, bato um papo com os amigos. Falamos sobre futebol, política e até mesmo sobre problemas pessoais. Um ajuda o outro. Somos uma família”, diz.

 

Em outro bar na Rua Venâncio Aires, o fato dos freqüentadores serem mais jovens não o torna diferente. A amizade é o principal motivo de estarem ali. O estudante, Rodrigo Dornelles, 18 anos, salienta que pelo baixo preço da cerveja, todos os seus amigos vêem para este bar. “Nos encontramos aqui depois da aula, tomamos uma ou duas cervejas e vamos pra casa, é muito mais pelo o encontro do que pela bebida”, analisa.

 

Outras relações além das amizades são estabelecidas em bares, como conta o casal de namorados, a estudante, Gisele Grillo, 20 anos, e o militar, Matheus Tochetto, 22 anos: “Nos conhecemos aqui (no bar), vínhamos quase todos os dias, até que um dia ele puxou assunto, conversamos,  ficamos e estamos juntos até hoje. Agora a gente vem aqui só aos fins de semana, pois ele trabalha e eu estudo, mas continuamos vindo aqui”.

 

“A fidelidade ao local é outra marca de que algo além do comercio reúne as pessoas e faz com que elas se relacionem. O bar é onde as semelhanças podem ser agrupadas. Os jovens, principalmente, afirmam sua identidade e de uma maneira semelhante aos homens primitivos, buscam por proteção dentro destes grupos”, explica a estudante de psicologia, Ana Herzer, que também possui seu bar de preferência. “Os bares, na maioria dos casos, não possuem mais o sentido pejorativo que havia no passado, quando eram considerados lugares para bêbados e desocupados, atualmente não passam de mais uns dos diversos locais de encontros entre pessoas, possibilitando, de uma maneira positiva, choques entre gerações e ideais”, opina Elisangela Morais, estudante de História de 23 anos.