Santa Maria, RS (ver mais >>)

Santa Maria, RS, Brazil

Diário de uma entrevista com a Cachorro Grande

 Confira a entrevista com o vocalista da banda gaúcha "Cachorro Grande", Beto Bruno, antes do show que aconteceu na última quarta-feira, na boate Absinto Hall. Segundo eles, a banda pode ser definida como“cinco caras se divertindo e querendo que todo mundo que esteja em volta se divirta também”.

Eram quase duas da tarde quando aconteceu a primeira tentativa da entrevista: “eles querem descansar. Vieram de um show ontem”. Ficou decidido que seria no camarim, não havia chance de acontecer antes.  A entrevista foi marcada para às 22h30min da noite. Mas, um pouco depois das 14h, não foi difícil encontrá-los. 

Pedro Pelotas e Rodolfo Krieger saíram do hotel, na Av. Rio Branco, para ir a uma sorveteria. Não se sabe se foi sorvete mesmo que compraram, mas entraram lá. Já eram umas 21h15min quando outra ligação serviu para confirmar o encontro: “Tudo certo. É só chegar lá, se identificar e pedir para falar comigo”. Quem falava era o produtor Diogo.

Entrevista agendada, roteiro de perguntas pré-estabelecido e gravador no ponto. No entanto, já passava das 23h e nada da banda chegar no local do show, na boate Absinto Hall. A espera foi na entrada do estacionamento, não tinha como eles passarem por outro lugar. Mais uma confirmação: a última. De novo o telefone do hotel: " Para confirmar se vai rolar a entrevista antes do show. Senão pode ser depois”. Mas estava tudo tranqüilo: “Sim. Qualquer coisa a gente marca para depois. Mas a gente já está saindo”. Do hotel até lá não leva mais que cinco minutos. 

Não demorou muito e chegou só um integrante, o simpático baterista Gabriel Azambuja, que logo abriu um sorriso e disse: “E aí?” e entrou. Mais um pouco de espera junto com movimentação e a euforia de alguns que chegavam correndo ou com um sorriso que demonstrava a satisfação por estarem prestes a assistir a algo tão esperado. Mas, não demorou tanto assim. Chegaram os outros quatro, também simpáticos e com sorrisos espontâneos. Eles entraram. E mais um pouco de espera até que o comunicador da rádio que promoveu o show permitiu a ida ao camarim: “aqui. Entra aí. Pode sentar ali do lado do Beto”, agilizou Diogo. Estavam todos sentados naquele pequeno quarto com paredes de um azul tranqüilizante e com a parede do banheiro cheia de registros à caneta. Em frente ao vocalista Beto Bruno, está sentado o guitarrista Marcelo Gross que, por sua vez, está sentado ao lado de uma menina. Ela e outro menino, que também estava no camarim, ganharam uma promoção da mesma rádio que promoveu o show. Do outro lado de Beto, em frente um grande espelho, estava Gabriel, aquele que foi o primeiro a chegar. Numa descontração, onde algumas vezes a própria risada tornava-se mais engraçada que a piada, os caras se preparavam para fazer o que sabem: tocar um rock n’roll.

 Agora vai aqui um pouco do bate papo que, regado ao som do “tchi” das latinhas sendo abertas e fumaça de cigarro, rolou com o Beto Bruno. Até Diogo chegar gritando no camarim: “É isso aí pessoal. Vamos liberar. Dez minutos para começar”.

No início da carreira, qual eram as expectativas, que vocês iriam fazer sucesso? Vocês tinham isso na cabeça logo quando deram os primeiros passos?  Que a gente queria ser músico, isso a gente sabe desde pequeno. Mas a gente sabe das histórias das bandas como é que é, que não é qualquer uma que pode fazer sucesso, não é qualquer uma que pode.    A intenção era se divertir sem cobrança nenhuma. Mas ao mesmo tempo nós não sabíamos fazer outra coisa, se não só tocar. Todos nós tínhamos  outros empregos: ou trabalhava em lojas de discos ou lojas de instrumentos, sempre ligados a música. Nós também não queríamos ser aquilo o resto da vida, sabe? Então, mesmo esperando que faça sucesso, de que aconteça, a gente correu muito atrás, assim. E não foi de uma hora para outra, então tá tudo certo.
 

Como é processo de criação, a composição das músicas, a produção dos álbuns?
Dentre os três, um foi diferente do outro. Todas as músicas apareceram de uma maneira diferente e nós tratamos delas também sempre de uma maneira peculiar. Não tem regra de como a gente pode compor. Ela pode aparecer aqui numa conversa, pode aparecer num sonho como apareceram para o Rolling Stones em várias músicas. A gente pode inventar também. Então, a diferença entre os três discos é que a gente foi pegando a manha de estúdio. A gente ajudou mais a produzir os últimos discos.Em relação às composições não tem regra nenhuma. A gente nunca senta um na frente do outro com um violão dizendo “que vai sair uma música”. Nunca é forçado. Do mesmo jeito que estão aparecendo já as músicas do quarto disco assim, naturalmente. Não dá pra forçar isso. Pelo menos com nós não acontece assim.

Como tu avalias a cena do rock no estado atualmente?
Sempre teve, né? Não digo que tenha nada demais hoje acontecendo. Eu gosto de alguma coisa das bandas gaúchas, vou assistir a alguns shows, mas não dá pra levantar bandeira. Não gosto de um certo regionalista que tem isso: “bandas gaúchas”. Os Titãs tocando aqui no Rio Grande do Sul não chamam de banda paulista. Ou quando vem o Barão, não chamam de banda carioca, sabe? A gente sempre pensou assim, quebrar esse rótulo.

Como foi o ano de 2005 e quais os projetos para esse ano ainda?                                              2005 foi sensacional. A gente fez tudo o que tinha que fazer. Sempre corremos atrás, mas sem essa coisa de achar que tem que acontecer assim essa… 2005 a gente viu acontecer muita coisa que foi sensacional. Em 2006 a gente tá colhendo os frutos que a gente plantou em 2005. A gente ta mais ligado na turnê e tá mais tranqüilo, sabe? Apesar da turnê tá intensa, tá mais tranqüilo. E a intenção desse ano é viajar com a turnê desse terceiro disco.  Continuar tocando por aí e quanto mais lugar possível. Tentar levar a nossa música pra mais gente possível.
 

E como é tocar em cidades em que vocês tocavam antes do reconhecimento?  O público é diferente, a reação é diferente? Tu acha que estão alcançando não só um público maior, mas mais diversificado?
É engraçado, por que a gente tocou muito aqui na turnê do primeiro disco. No segundo disco nos não viemos e no terceiro é a primeira vez, é uma lacuna. Acredito que aquela galera que viu naquela época hoje também cresceu.  Também tá mais velho igual a nós, três anos já é uma diferença. E se tem um público novo aí espero que curta também. E eu tô curioso com a reação deles em relação as nossas músicas novas que nós nunca tocamos aqui, né? Essa galera nunca ouviu as coisas do segundo e do terceiro disco, e se ouviu foi no disco, na rádio, ou na tevê, mas nunca ouviu nós tocando. Então essa é a grande expectativa que a gente tem.
 

Tu achas que para as bandas novas existe uma “estratégia” para fazer aquele som autêntico, mas que também seja aquela “música pra tocar na rádio”?                                                           Não acredito que tenha alguma estratégia. Acredito que não exista isso. Existe um “time”…a galera tem que saber o que tá rolando no momento, o que que é bom. Mas se uma banda começa a se preocupar com isso deixa de se preocupar com a musicalidade que é o mais importante e acaba se preocupando em vender ou tocar em rádio. Daí a coisa já se corrompe um pouco. Eu costumo chamar de prostituição musical. Eu já não admiro muito a galera que pensa dessa maneira.
 

O que tu achas das bandas independentes usarem a internet como divulgação?
Quando nós éramos independentes, antes de estarmos com essa gravadora no terceiro disco, o único jeito da gente tocar na Bahia, ou em Recife ou lá pra cima, o único jeito dessas pessoas conhecerem essas músicas e nós chegar lá e elas estarem cantando com nós, é pela internert. Daí depois tu entra numa gravado e a gravadora quer vender disco. E o retorno dela, ela pode investir mais na banda, sabe? Em propaganda, publicidade. Daí a coisa já se…já é o outro lado da moeda, né? Então, é legal para o independente, mas não é legal pra quem já tem uma gravadora.
 

Vocês continuam até quando com a Deckdisc (atual gravadora da banda)?
A gente tem um contrato de mais dois discos, um DVD ao vivo, uma coisa assim.
 

E já tem algum projeto para a gravação desse DVD?
Somente para o começo de 2007.
 

Tem alguma curiosidade que os fãs querem saber, ou alguma pergunta que sempre fazem?
Eu gosto quando a gente conversa sobre música. O que a gente faz é música. É melhor maneira de nos respeitar. Agora mesmo, nós conversamos sobre música aqui, isso pra mim é demais. E é assim que eu gostaria que fosse. E só isso.
 

E se tivesse que definir a Cachorro Grande…
Cinco caras se divertindo e querendo que todo mundo que esteja em volta se divirta também.

 

Fotos: Vanessa Ayres Pires

LEIA TAMBÉM

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

 Confira a entrevista com o vocalista da banda gaúcha "Cachorro Grande", Beto Bruno, antes do show que aconteceu na última quarta-feira, na boate Absinto Hall. Segundo eles, a banda pode ser definida como“cinco caras se divertindo e querendo que todo mundo que esteja em volta se divirta também”.

Eram quase duas da tarde quando aconteceu a primeira tentativa da entrevista: “eles querem descansar. Vieram de um show ontem”. Ficou decidido que seria no camarim, não havia chance de acontecer antes.  A entrevista foi marcada para às 22h30min da noite. Mas, um pouco depois das 14h, não foi difícil encontrá-los. 

Pedro Pelotas e Rodolfo Krieger saíram do hotel, na Av. Rio Branco, para ir a uma sorveteria. Não se sabe se foi sorvete mesmo que compraram, mas entraram lá. Já eram umas 21h15min quando outra ligação serviu para confirmar o encontro: “Tudo certo. É só chegar lá, se identificar e pedir para falar comigo”. Quem falava era o produtor Diogo.

Entrevista agendada, roteiro de perguntas pré-estabelecido e gravador no ponto. No entanto, já passava das 23h e nada da banda chegar no local do show, na boate Absinto Hall. A espera foi na entrada do estacionamento, não tinha como eles passarem por outro lugar. Mais uma confirmação: a última. De novo o telefone do hotel: " Para confirmar se vai rolar a entrevista antes do show. Senão pode ser depois”. Mas estava tudo tranqüilo: “Sim. Qualquer coisa a gente marca para depois. Mas a gente já está saindo”. Do hotel até lá não leva mais que cinco minutos. 

Não demorou muito e chegou só um integrante, o simpático baterista Gabriel Azambuja, que logo abriu um sorriso e disse: “E aí?” e entrou. Mais um pouco de espera junto com movimentação e a euforia de alguns que chegavam correndo ou com um sorriso que demonstrava a satisfação por estarem prestes a assistir a algo tão esperado. Mas, não demorou tanto assim. Chegaram os outros quatro, também simpáticos e com sorrisos espontâneos. Eles entraram. E mais um pouco de espera até que o comunicador da rádio que promoveu o show permitiu a ida ao camarim: “aqui. Entra aí. Pode sentar ali do lado do Beto”, agilizou Diogo. Estavam todos sentados naquele pequeno quarto com paredes de um azul tranqüilizante e com a parede do banheiro cheia de registros à caneta. Em frente ao vocalista Beto Bruno, está sentado o guitarrista Marcelo Gross que, por sua vez, está sentado ao lado de uma menina. Ela e outro menino, que também estava no camarim, ganharam uma promoção da mesma rádio que promoveu o show. Do outro lado de Beto, em frente um grande espelho, estava Gabriel, aquele que foi o primeiro a chegar. Numa descontração, onde algumas vezes a própria risada tornava-se mais engraçada que a piada, os caras se preparavam para fazer o que sabem: tocar um rock n’roll.

 Agora vai aqui um pouco do bate papo que, regado ao som do “tchi” das latinhas sendo abertas e fumaça de cigarro, rolou com o Beto Bruno. Até Diogo chegar gritando no camarim: “É isso aí pessoal. Vamos liberar. Dez minutos para começar”.

No início da carreira, qual eram as expectativas, que vocês iriam fazer sucesso? Vocês tinham isso na cabeça logo quando deram os primeiros passos?  Que a gente queria ser músico, isso a gente sabe desde pequeno. Mas a gente sabe das histórias das bandas como é que é, que não é qualquer uma que pode fazer sucesso, não é qualquer uma que pode.    A intenção era se divertir sem cobrança nenhuma. Mas ao mesmo tempo nós não sabíamos fazer outra coisa, se não só tocar. Todos nós tínhamos  outros empregos: ou trabalhava em lojas de discos ou lojas de instrumentos, sempre ligados a música. Nós também não queríamos ser aquilo o resto da vida, sabe? Então, mesmo esperando que faça sucesso, de que aconteça, a gente correu muito atrás, assim. E não foi de uma hora para outra, então tá tudo certo.
 

Como é processo de criação, a composição das músicas, a produção dos álbuns?
Dentre os três, um foi diferente do outro. Todas as músicas apareceram de uma maneira diferente e nós tratamos delas também sempre de uma maneira peculiar. Não tem regra de como a gente pode compor. Ela pode aparecer aqui numa conversa, pode aparecer num sonho como apareceram para o Rolling Stones em várias músicas. A gente pode inventar também. Então, a diferença entre os três discos é que a gente foi pegando a manha de estúdio. A gente ajudou mais a produzir os últimos discos.Em relação às composições não tem regra nenhuma. A gente nunca senta um na frente do outro com um violão dizendo “que vai sair uma música”. Nunca é forçado. Do mesmo jeito que estão aparecendo já as músicas do quarto disco assim, naturalmente. Não dá pra forçar isso. Pelo menos com nós não acontece assim.

Como tu avalias a cena do rock no estado atualmente?
Sempre teve, né? Não digo que tenha nada demais hoje acontecendo. Eu gosto de alguma coisa das bandas gaúchas, vou assistir a alguns shows, mas não dá pra levantar bandeira. Não gosto de um certo regionalista que tem isso: “bandas gaúchas”. Os Titãs tocando aqui no Rio Grande do Sul não chamam de banda paulista. Ou quando vem o Barão, não chamam de banda carioca, sabe? A gente sempre pensou assim, quebrar esse rótulo.

Como foi o ano de 2005 e quais os projetos para esse ano ainda?                                              2005 foi sensacional. A gente fez tudo o que tinha que fazer. Sempre corremos atrás, mas sem essa coisa de achar que tem que acontecer assim essa… 2005 a gente viu acontecer muita coisa que foi sensacional. Em 2006 a gente tá colhendo os frutos que a gente plantou em 2005. A gente ta mais ligado na turnê e tá mais tranqüilo, sabe? Apesar da turnê tá intensa, tá mais tranqüilo. E a intenção desse ano é viajar com a turnê desse terceiro disco.  Continuar tocando por aí e quanto mais lugar possível. Tentar levar a nossa música pra mais gente possível.
 

E como é tocar em cidades em que vocês tocavam antes do reconhecimento?  O público é diferente, a reação é diferente? Tu acha que estão alcançando não só um público maior, mas mais diversificado?
É engraçado, por que a gente tocou muito aqui na turnê do primeiro disco. No segundo disco nos não viemos e no terceiro é a primeira vez, é uma lacuna. Acredito que aquela galera que viu naquela época hoje também cresceu.  Também tá mais velho igual a nós, três anos já é uma diferença. E se tem um público novo aí espero que curta também. E eu tô curioso com a reação deles em relação as nossas músicas novas que nós nunca tocamos aqui, né? Essa galera nunca ouviu as coisas do segundo e do terceiro disco, e se ouviu foi no disco, na rádio, ou na tevê, mas nunca ouviu nós tocando. Então essa é a grande expectativa que a gente tem.
 

Tu achas que para as bandas novas existe uma “estratégia” para fazer aquele som autêntico, mas que também seja aquela “música pra tocar na rádio”?                                                           Não acredito que tenha alguma estratégia. Acredito que não exista isso. Existe um “time”…a galera tem que saber o que tá rolando no momento, o que que é bom. Mas se uma banda começa a se preocupar com isso deixa de se preocupar com a musicalidade que é o mais importante e acaba se preocupando em vender ou tocar em rádio. Daí a coisa já se corrompe um pouco. Eu costumo chamar de prostituição musical. Eu já não admiro muito a galera que pensa dessa maneira.
 

O que tu achas das bandas independentes usarem a internet como divulgação?
Quando nós éramos independentes, antes de estarmos com essa gravadora no terceiro disco, o único jeito da gente tocar na Bahia, ou em Recife ou lá pra cima, o único jeito dessas pessoas conhecerem essas músicas e nós chegar lá e elas estarem cantando com nós, é pela internert. Daí depois tu entra numa gravado e a gravadora quer vender disco. E o retorno dela, ela pode investir mais na banda, sabe? Em propaganda, publicidade. Daí a coisa já se…já é o outro lado da moeda, né? Então, é legal para o independente, mas não é legal pra quem já tem uma gravadora.
 

Vocês continuam até quando com a Deckdisc (atual gravadora da banda)?
A gente tem um contrato de mais dois discos, um DVD ao vivo, uma coisa assim.
 

E já tem algum projeto para a gravação desse DVD?
Somente para o começo de 2007.
 

Tem alguma curiosidade que os fãs querem saber, ou alguma pergunta que sempre fazem?
Eu gosto quando a gente conversa sobre música. O que a gente faz é música. É melhor maneira de nos respeitar. Agora mesmo, nós conversamos sobre música aqui, isso pra mim é demais. E é assim que eu gostaria que fosse. E só isso.
 

E se tivesse que definir a Cachorro Grande…
Cinco caras se divertindo e querendo que todo mundo que esteja em volta se divirta também.

 

Fotos: Vanessa Ayres Pires