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Santa Maria, RS, Brazil

Drogas a domicílio

Serviço de tele-entrega facilita o acesso às drogas em Santa Maria.

O acesso às drogas não é mais uma tarefa difícil. Se antigamente os usuários tinham dificuldade para encontrar o produto ou se esconder para consumi-lo, agora podem receber maconha e cocaína no conforto de suas casas. Uma equipe de reportagem da Agência Central Sul apurou que não é nada difícil encontrar um serviço de tele-entrega de drogas.

Para conseguir provar que o serviço está disponível a qualquer pessoa, a equipe de reportagem buscou informações com o titular da Delegacia de Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas, delegado Sandro Meinerz e com colegas que sabiam de relatos de usuários sobre a forma como é feito o contato com um moto-taxista traficante. Um repórter contatou um moto-taxista entregador de entorpecentes e marcou um encontro com o traficante em uma praça no centro da cidade.  Ao chegar ao local, o repórter se informou com um grupo de moto-taxistas de como poderia falar com o “Chico”, nome fictício dado ao moto-taxista traficante.
 

“Chico” já se encontrava no local, e sem saber que tratava com repórteres, falou sobre valores, quantidade, pureza dos produtos e também o tempo de espera para receber a droga em casa. A transação é feita através de um código para identificar os clientes que querem droga. Os usuários ligam para a tele-moto e usam o código dizendo que precisam do serviço para ir até um jogo de futebol.  "Tu chega e me diz: peguei o número com um amigo meu e quero uma "tele" aqui na Rua Barão do Triunfo para ir num jogo de futebol que eu já sei que és tu", explica Chico. O traficante ainda informa que existem produtos de diferentes tipos e preços. Segundo ele, quanto mais caro melhor. "Tem de R$30, de R$40, aí depende de ti. Mas o melhor é um ‘galo’", relata.
 

Na linguagem do tráfico, galo significa 50 gramas de maconha, que custa R$ 50, e de acordo com ele é o melhor dos produtos. O entregador é persuasivo com os clientes e garante que a droga é de qualidade: "Tu não vai te arrepender meu. Vai fumar tudo e querer mais. Por isso que já era bom tu me dizer qual tu quer, que dai de noite, é só tu me ligar que já era".
 

O traficante esclarece que atende pedidos menores que o “galo”, porém tem mais dificuldade de consegui-los, pois o fornecedor pode se recusar a disponibilizar a encomenda em menor quantidade ou o produto será de menor qualidade. "To falando sério meu. Se não for de R$50, daí tenho que buscar em outro lugar", tenta convencer.
 

Chico fala que o serviço precisa ser eficiente. Segundo ele, quem liga, geralmente tem pressa. O transporte funciona 24 horas por dia, e é ágil. "É jogo rápido. Por isso, tu tens que me ligar e dizer direto o que tu quer", explica. Ele ainda informou que entrega em qualquer zona da cidade.
 

O que diz a polícia
Os repórteres procuraram a polícia novamente, e questionaram sobre a facilidade para chegar até o traficante e a agilidade do mesmo para obter a droga. O titular da Delegacia de Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas, delegado Sandro Meinerz, afirmou que a polícia desenvolve permanentemente um trabalho no combate ao tráfico de drogas, com prisões e apreensões. Mas, Meinerz disse que a polícia não consegue combater o tráfico sozinha. É preciso ajuda da sociedade. "O trabalho tem que ser preventivo. Para isso, é necessário um trabalho, evitando o contato dos estudantes com as drogas", salientou.
 

O delegado classificou a cidade como um grande mercado consumidor de drogas, por ter muitos jovens: "Não existem grandes traficantes como em Passo Fundo, que é um pólo, por exemplo, mas há muitos consumidores, que na maioria são jovens”.  
 

Sandro Mainerz alerta que como o consumo de drogas vem crescendo na cidade, consequentemente o mercado se torna cada vez mais atrativo para os traficantes. O delegado também explicou que não adianta a polícia combater os usuários e pequenos vendedores de drogas. Ele afirmou que o correto é combater o tráfico organizado, e finalizou criticando as pessoas que questionam o trabalho da polícia no combate as drogas. "As pessoas falam: ah, a polícia sabe que tem uma boca de fumo ali e não faz nada. Não adianta a polícia saber. A polícia precisa trabalhar para resolver o problema. É preciso de cinco a seis meses para você prender o dono da ‘boca’, porque prender o pequeno traficante não adianta nada", finaliza.

 

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Serviço de tele-entrega facilita o acesso às drogas em Santa Maria.

O acesso às drogas não é mais uma tarefa difícil. Se antigamente os usuários tinham dificuldade para encontrar o produto ou se esconder para consumi-lo, agora podem receber maconha e cocaína no conforto de suas casas. Uma equipe de reportagem da Agência Central Sul apurou que não é nada difícil encontrar um serviço de tele-entrega de drogas.

Para conseguir provar que o serviço está disponível a qualquer pessoa, a equipe de reportagem buscou informações com o titular da Delegacia de Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas, delegado Sandro Meinerz e com colegas que sabiam de relatos de usuários sobre a forma como é feito o contato com um moto-taxista traficante. Um repórter contatou um moto-taxista entregador de entorpecentes e marcou um encontro com o traficante em uma praça no centro da cidade.  Ao chegar ao local, o repórter se informou com um grupo de moto-taxistas de como poderia falar com o “Chico”, nome fictício dado ao moto-taxista traficante.
 

“Chico” já se encontrava no local, e sem saber que tratava com repórteres, falou sobre valores, quantidade, pureza dos produtos e também o tempo de espera para receber a droga em casa. A transação é feita através de um código para identificar os clientes que querem droga. Os usuários ligam para a tele-moto e usam o código dizendo que precisam do serviço para ir até um jogo de futebol.  "Tu chega e me diz: peguei o número com um amigo meu e quero uma "tele" aqui na Rua Barão do Triunfo para ir num jogo de futebol que eu já sei que és tu", explica Chico. O traficante ainda informa que existem produtos de diferentes tipos e preços. Segundo ele, quanto mais caro melhor. "Tem de R$30, de R$40, aí depende de ti. Mas o melhor é um ‘galo’", relata.
 

Na linguagem do tráfico, galo significa 50 gramas de maconha, que custa R$ 50, e de acordo com ele é o melhor dos produtos. O entregador é persuasivo com os clientes e garante que a droga é de qualidade: "Tu não vai te arrepender meu. Vai fumar tudo e querer mais. Por isso que já era bom tu me dizer qual tu quer, que dai de noite, é só tu me ligar que já era".
 

O traficante esclarece que atende pedidos menores que o “galo”, porém tem mais dificuldade de consegui-los, pois o fornecedor pode se recusar a disponibilizar a encomenda em menor quantidade ou o produto será de menor qualidade. "To falando sério meu. Se não for de R$50, daí tenho que buscar em outro lugar", tenta convencer.
 

Chico fala que o serviço precisa ser eficiente. Segundo ele, quem liga, geralmente tem pressa. O transporte funciona 24 horas por dia, e é ágil. "É jogo rápido. Por isso, tu tens que me ligar e dizer direto o que tu quer", explica. Ele ainda informou que entrega em qualquer zona da cidade.
 

O que diz a polícia
Os repórteres procuraram a polícia novamente, e questionaram sobre a facilidade para chegar até o traficante e a agilidade do mesmo para obter a droga. O titular da Delegacia de Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas, delegado Sandro Meinerz, afirmou que a polícia desenvolve permanentemente um trabalho no combate ao tráfico de drogas, com prisões e apreensões. Mas, Meinerz disse que a polícia não consegue combater o tráfico sozinha. É preciso ajuda da sociedade. "O trabalho tem que ser preventivo. Para isso, é necessário um trabalho, evitando o contato dos estudantes com as drogas", salientou.
 

O delegado classificou a cidade como um grande mercado consumidor de drogas, por ter muitos jovens: "Não existem grandes traficantes como em Passo Fundo, que é um pólo, por exemplo, mas há muitos consumidores, que na maioria são jovens”.  
 

Sandro Mainerz alerta que como o consumo de drogas vem crescendo na cidade, consequentemente o mercado se torna cada vez mais atrativo para os traficantes. O delegado também explicou que não adianta a polícia combater os usuários e pequenos vendedores de drogas. Ele afirmou que o correto é combater o tráfico organizado, e finalizou criticando as pessoas que questionam o trabalho da polícia no combate as drogas. "As pessoas falam: ah, a polícia sabe que tem uma boca de fumo ali e não faz nada. Não adianta a polícia saber. A polícia precisa trabalhar para resolver o problema. É preciso de cinco a seis meses para você prender o dono da ‘boca’, porque prender o pequeno traficante não adianta nada", finaliza.