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Santa Maria, RS, Brazil

ENTREVISTA

 

 

Vencedor do 1º Granimado – Festival de Animação de Gramado – o curta-metragem Leonel Pé-de-Vento faz sua pré-estréia em Santa Maria na noite desta segunda-feira. A exibição acontece às 20h no auditório da Cesma com entrada franca.

 

A reportagem da Agência Centralsul de Notícias conversou com os jornalistas Jair Giacomini, diretor do filme, e José Arlei Cardoso, assistente de produção e direção (foto ao lado).

ACS – Qual a expectativa para o lançamento do curta hoje?

Jair – “A gente já fez a exibição em alguns lugares, mas a exibição aqui em Santa Maria é bem especial. Por vários motivos: um deles é porque eu sou originário aqui da região, de Vale Vêneto, e tenho ligações com Santa Maria, morei sete anos na cidade. Fiz o curso de Jornalismo aqui na Universidade Federal e depois trabalhei mais três anos aqui antes de me mudar para Porto Alegre. Então tem toda uma ligação afetiva com a cidade, com as pessoas com as quais me formei e são parceiras de projetos até hoje. São pessoas que eu conheci durante a faculdade, há quase 16 anos; esse é um dos motivos. O outro motivo é as pessoas que são minhas amigas e continuam aqui em Santa Maria, então é uma oportunidade de revê-las. Além de ser a cidade que a maior parte dos meus familiares moram. Então acho que vai ser uma exibição muito especial”.

ACS – Quando veio essa paixão pelo cinema?

Jair – “Eu fui ao cinema pela primeira vez aos 13 anos de idade, quando eu era criança não tinha acesso ao cinema. Mas comecei a gostar durante a época da faculdade, justamente por essa convivência com meus amigos que já tinham uma experiência um pouco maior com cinema. Então foi nessa convivência. Depois que víamos um filme ficávamos discutindo durante horas sobre o que tínhamos assistido. Então foi a partir dessa época. Na faculdade também tivemos algumas experiências com produção de vídeo”.

ACS – Como foi o processo que envolveu o curta Leonel Pé-de-Vento, desde sua concepção em 1998 até a finalização do vídeo em agosto deste ano?

Jair – “Em 1998 eu e o Tarcísio escrevemos a primeira versão do roteiro pensamos: “Acho que temos uma boa história nas mãos, mas será que temos mesmo ou é uma grande bobagem?”. Porque às vezes o limite entre algo que é bom e algo que é banal é muito tênue. Tu pode ter uma idéia que pode ser boa pra ti, mas se tu mostrar para outras pessoas elas podem achar idiota ou algo primário. Então para tirarmos essas dúvidas nós acabamos enviando essa primeira versão do roteiro pra dez pessoas, dez amigos nossos, pra que opinassem. Mas eram pessoas que eram nossos amigos e a gente tinha certeza de que elas não iriam dizer: “Ah, ta ótimo e tal”. O que a gente pediu foi pra que elas nos dissessem se estava bom ou não, o que podia ser melhorado… Aí começamos a ter o retorno e ele foi muito positivo. Aí começou a vontade de fazer o filme e ao mesmo tempo a impossibilidade devido a falta de recursos. Então o roteiro foi pra gaveta dos projetos a serem realizados algum dia. Inicialmente, o roteiro não foi escrito para ser um curta em animação. Escrevemos como uma história qualquer com imagens reais sem ser animação. Em 2003, até não consigo lembrar o porquê, me ocorreu a idéia de transformar o filme em uma animação. Talvez alguém tenha me falado, dado a idéia, mas não consigo lembrar como foi. Em 2004, logo depois que decidimos tocar o projeto (nessa época Arlei já estava no projeto com Jair) surgiu então um edital do Ministério da Cultura. Edital de apoio a realização de obras cinematográficas de curta-metragem do gênero animação. Parecia que estava caindo do céu. Já havia tido editais para curtas-metragens, mas nunca do gênero animação, isso em 2004. Então pegamos o edital e vimos o que era necessário para inscrever. Nessa época comecei a pensar em localizar o roteiro em algum lugar. Aí veio a idéia de localizar na quarta colônia; dei uma remodelada no roteiro para adaptar a essa região. O projeto foi feito de junho a setembro de 2004 e escrevemos. Em dezembro de 2004 saiu o resultado e nós fomos um dos projetos premiados. Foram mais de 170 projetos inscritos e 10 premiados em todo o Brasil, um deles foi o nosso. Nós tínhamos um ano a partir da liberação da verba para realizar o projeto. A primeira parcela foi liberada em agosto de 2005, e aí tínhamos até agosto de 2006 para finalizar o projeto. Foi nesse ano que a produção propriamente dita aconteceu”.

ACS – Quando foi a primeira exibição?

Jair/Arlei – “A primeira exibição foi no dia 16 de agosto em Gramado, dentro do Festival de Cinema de Gramado. Participamos de duas competições em Gramado. O 1º Granimado – Festival Brasileiro de Animação – no qual participamos em duas categorias (competição gaúcha e nacional) e fomos melhor filme nas duas. E na mostra gaúcha do Festival de Gramado que reunia todos os curtas gaúchos produzidos desde o ano passado, nós ganhamos o premio de melhor roteiro”.

 

ACS – Vocês esperavam pelos prêmios?

Jair – “O que a gente queria saber era o que as pessoas achavam do filme, se iam gostar, se iam achar uma porcaria. Até porque os melhores animadores brasileiros estavam lá. No Granimado tinham trabalhos de animadores conceituados no país, o que de melhor está sendo produzido em animação estava ali. Então pra nós foi muito gratificante. Não só por ter sido escolhido como melhor filme, mas por estar concorrendo com pessoas tão boas e conceituadas”.

ACS – Essa atividade de produzir curta-metragem pode ser considerada um hobby?

Jair – “É algo que fazemos por prazer. Não hobby no sentido de que fazemos por fazer. É algo que a gente faz por amor a arte. Nós queremos continuar, mas a queremos trabalhar bem agora a divulgação do Leonel”.

ACS – Qual o objetivo de vocês com o filme? O que o filme busca, o que ele almeja?

Arlei – “Uma coisa que eu pelo menos percebi é que a gente quer contar uma história. O que achei interessante, até discutindo com o Jair antes, foi que depois que foi feito o Leonel muita gente gostou do vídeo. O filme está se transformando em um incentivador. As pessoas viram que é possível fazer, escrever, participar de um concurso nacional e ganhar esse concurso mesmo que seja com poucos recursos”.

Fotos Núcleo de Fotografia e Memória da Unifra (Mariana L. Coradini) 

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Vencedor do 1º Granimado – Festival de Animação de Gramado – o curta-metragem Leonel Pé-de-Vento faz sua pré-estréia em Santa Maria na noite desta segunda-feira. A exibição acontece às 20h no auditório da Cesma com entrada franca.

 

A reportagem da Agência Centralsul de Notícias conversou com os jornalistas Jair Giacomini, diretor do filme, e José Arlei Cardoso, assistente de produção e direção (foto ao lado).

ACS – Qual a expectativa para o lançamento do curta hoje?

Jair – “A gente já fez a exibição em alguns lugares, mas a exibição aqui em Santa Maria é bem especial. Por vários motivos: um deles é porque eu sou originário aqui da região, de Vale Vêneto, e tenho ligações com Santa Maria, morei sete anos na cidade. Fiz o curso de Jornalismo aqui na Universidade Federal e depois trabalhei mais três anos aqui antes de me mudar para Porto Alegre. Então tem toda uma ligação afetiva com a cidade, com as pessoas com as quais me formei e são parceiras de projetos até hoje. São pessoas que eu conheci durante a faculdade, há quase 16 anos; esse é um dos motivos. O outro motivo é as pessoas que são minhas amigas e continuam aqui em Santa Maria, então é uma oportunidade de revê-las. Além de ser a cidade que a maior parte dos meus familiares moram. Então acho que vai ser uma exibição muito especial”.

ACS – Quando veio essa paixão pelo cinema?

Jair – “Eu fui ao cinema pela primeira vez aos 13 anos de idade, quando eu era criança não tinha acesso ao cinema. Mas comecei a gostar durante a época da faculdade, justamente por essa convivência com meus amigos que já tinham uma experiência um pouco maior com cinema. Então foi nessa convivência. Depois que víamos um filme ficávamos discutindo durante horas sobre o que tínhamos assistido. Então foi a partir dessa época. Na faculdade também tivemos algumas experiências com produção de vídeo”.

ACS – Como foi o processo que envolveu o curta Leonel Pé-de-Vento, desde sua concepção em 1998 até a finalização do vídeo em agosto deste ano?

Jair – “Em 1998 eu e o Tarcísio escrevemos a primeira versão do roteiro pensamos: “Acho que temos uma boa história nas mãos, mas será que temos mesmo ou é uma grande bobagem?”. Porque às vezes o limite entre algo que é bom e algo que é banal é muito tênue. Tu pode ter uma idéia que pode ser boa pra ti, mas se tu mostrar para outras pessoas elas podem achar idiota ou algo primário. Então para tirarmos essas dúvidas nós acabamos enviando essa primeira versão do roteiro pra dez pessoas, dez amigos nossos, pra que opinassem. Mas eram pessoas que eram nossos amigos e a gente tinha certeza de que elas não iriam dizer: “Ah, ta ótimo e tal”. O que a gente pediu foi pra que elas nos dissessem se estava bom ou não, o que podia ser melhorado… Aí começamos a ter o retorno e ele foi muito positivo. Aí começou a vontade de fazer o filme e ao mesmo tempo a impossibilidade devido a falta de recursos. Então o roteiro foi pra gaveta dos projetos a serem realizados algum dia. Inicialmente, o roteiro não foi escrito para ser um curta em animação. Escrevemos como uma história qualquer com imagens reais sem ser animação. Em 2003, até não consigo lembrar o porquê, me ocorreu a idéia de transformar o filme em uma animação. Talvez alguém tenha me falado, dado a idéia, mas não consigo lembrar como foi. Em 2004, logo depois que decidimos tocar o projeto (nessa época Arlei já estava no projeto com Jair) surgiu então um edital do Ministério da Cultura. Edital de apoio a realização de obras cinematográficas de curta-metragem do gênero animação. Parecia que estava caindo do céu. Já havia tido editais para curtas-metragens, mas nunca do gênero animação, isso em 2004. Então pegamos o edital e vimos o que era necessário para inscrever. Nessa época comecei a pensar em localizar o roteiro em algum lugar. Aí veio a idéia de localizar na quarta colônia; dei uma remodelada no roteiro para adaptar a essa região. O projeto foi feito de junho a setembro de 2004 e escrevemos. Em dezembro de 2004 saiu o resultado e nós fomos um dos projetos premiados. Foram mais de 170 projetos inscritos e 10 premiados em todo o Brasil, um deles foi o nosso. Nós tínhamos um ano a partir da liberação da verba para realizar o projeto. A primeira parcela foi liberada em agosto de 2005, e aí tínhamos até agosto de 2006 para finalizar o projeto. Foi nesse ano que a produção propriamente dita aconteceu”.

ACS – Quando foi a primeira exibição?

Jair/Arlei – “A primeira exibição foi no dia 16 de agosto em Gramado, dentro do Festival de Cinema de Gramado. Participamos de duas competições em Gramado. O 1º Granimado – Festival Brasileiro de Animação – no qual participamos em duas categorias (competição gaúcha e nacional) e fomos melhor filme nas duas. E na mostra gaúcha do Festival de Gramado que reunia todos os curtas gaúchos produzidos desde o ano passado, nós ganhamos o premio de melhor roteiro”.

 

ACS – Vocês esperavam pelos prêmios?

Jair – “O que a gente queria saber era o que as pessoas achavam do filme, se iam gostar, se iam achar uma porcaria. Até porque os melhores animadores brasileiros estavam lá. No Granimado tinham trabalhos de animadores conceituados no país, o que de melhor está sendo produzido em animação estava ali. Então pra nós foi muito gratificante. Não só por ter sido escolhido como melhor filme, mas por estar concorrendo com pessoas tão boas e conceituadas”.

ACS – Essa atividade de produzir curta-metragem pode ser considerada um hobby?

Jair – “É algo que fazemos por prazer. Não hobby no sentido de que fazemos por fazer. É algo que a gente faz por amor a arte. Nós queremos continuar, mas a queremos trabalhar bem agora a divulgação do Leonel”.

ACS – Qual o objetivo de vocês com o filme? O que o filme busca, o que ele almeja?

Arlei – “Uma coisa que eu pelo menos percebi é que a gente quer contar uma história. O que achei interessante, até discutindo com o Jair antes, foi que depois que foi feito o Leonel muita gente gostou do vídeo. O filme está se transformando em um incentivador. As pessoas viram que é possível fazer, escrever, participar de um concurso nacional e ganhar esse concurso mesmo que seja com poucos recursos”.

Fotos Núcleo de Fotografia e Memória da Unifra (Mariana L. Coradini)