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Santa Maria, RS, Brazil

Entrevista: Edgar Vaz

 

   Edgar Vaz analisa a cobertura de partidas de futebol, em entrevista concedida à Agência Central Sul.

 

Agência Central Sul: Qual a diferença da cobertura dos clássicos como Gre-Nal ou Ca-Ju, para os demais jogos?

Edgar Vaz: Muda muito, há uma preparação especial. Para os clássicos em Caxias do Sul, a Guaíba mobiliza mais pessoal. Um clássico é sempre um jogo diferente. Nos jogos comuns, Caxias X Pelotas, por exemplo, vai um, dois repórteres, dois fotógrafos. Num jogo como Juventude X Inter, já há uma mobilização muito maior.

ACS: E a questão do equilíbrio, como fazer para não desagradar nenhuma torcida? 

Edgar Vaz: Na condução do trabalho, o repórter não deve ser tendencioso. É preciso ter o máximo de isenção. Mas é difícil encontrar numa equipe alguém que não seja tendencioso. Às vezes, o que existe é um exagero do poder do microfone, dizer que um juiz está roubando numa rádio de abrangência regional para uma de abrangência nacional aumenta a responsabilidade. Isso acaba prejudicando a própria imagem da emissora.

ACS: Nas férias, quando os clubes estão parados, como o senhor busca o foco para suas notícias?

Edgar Vaz: Quando termina uma temporada, como nesse ano que acaba em 12 de dezembro, os clubes já estão planejando a nova diretoria ou ela já está montada. Estes já estão projetando o novo técnico, os jogadores que vão ficar e os que serão dispensados. Então, é importante você ter uma agenda de contatos, com empresários, técnicos, ex-dirigentes, ex-jogadores e atletas do elenco. O contato com estas pessoas vai te passar a informação que você precisa. A fonte da informação, na verdade, é o repórter.

ACS: Uma crítica feita ao jornalismo esportivo é que as coberturas são sempre iguais, a mesma fórmula se repete.

Edgar Vaz: Isso já mudou um pouco. Antes, o narrador participava da transmissão até depois das entrevistas nos vestiários e do espaço dos comentaristas. Na prática ainda há muito do método tradicional sendo utilizado, mas isto está mudando.

ACS: Isso acontece por pressão do público ou pela constante profissionalização das equipes radiofônicas?

Edgar Vaz: Por que o ouvinte cansou. O antigo método está desgastado. Atualmente, há uma busca por programas diferenciados. Antes, se começava a jornada 30 minutos antes da partida, hoje tem programação sobre o jogo desde manhã, podendo se estender até as 22hs ou meia-noite. O espaço destinado hoje para o esporte e ao jornalismo é muito maior do que era antigamente.

ACS: Juremir Machado da Silva disse ontem à noite em palestra aqui na Unifra que o espaço destinado ao futebol é tão grande que chega a ser indecente. O senhor concorda?

Edgar Vaz: Não, acho que o espaço é bem de acordo com a capacidade de produção de notícias. Porque a cada entrevista que o repórter faz está gerando uma notícia, passando uma informação. Algumas coisas são até “enrolação” e é só pra encher lingüiça mesmo. Mas se você fizer uma análise bem fria de cada veículo de comunicação vai encontrar uma entrevista interessante, um bate papo que gerou uma informação, sempre resulta alguma coisa.   

Foto: Núcleo de Fotografia e Memória – Unifra

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   Edgar Vaz analisa a cobertura de partidas de futebol, em entrevista concedida à Agência Central Sul.

 

Agência Central Sul: Qual a diferença da cobertura dos clássicos como Gre-Nal ou Ca-Ju, para os demais jogos?

Edgar Vaz: Muda muito, há uma preparação especial. Para os clássicos em Caxias do Sul, a Guaíba mobiliza mais pessoal. Um clássico é sempre um jogo diferente. Nos jogos comuns, Caxias X Pelotas, por exemplo, vai um, dois repórteres, dois fotógrafos. Num jogo como Juventude X Inter, já há uma mobilização muito maior.

ACS: E a questão do equilíbrio, como fazer para não desagradar nenhuma torcida? 

Edgar Vaz: Na condução do trabalho, o repórter não deve ser tendencioso. É preciso ter o máximo de isenção. Mas é difícil encontrar numa equipe alguém que não seja tendencioso. Às vezes, o que existe é um exagero do poder do microfone, dizer que um juiz está roubando numa rádio de abrangência regional para uma de abrangência nacional aumenta a responsabilidade. Isso acaba prejudicando a própria imagem da emissora.

ACS: Nas férias, quando os clubes estão parados, como o senhor busca o foco para suas notícias?

Edgar Vaz: Quando termina uma temporada, como nesse ano que acaba em 12 de dezembro, os clubes já estão planejando a nova diretoria ou ela já está montada. Estes já estão projetando o novo técnico, os jogadores que vão ficar e os que serão dispensados. Então, é importante você ter uma agenda de contatos, com empresários, técnicos, ex-dirigentes, ex-jogadores e atletas do elenco. O contato com estas pessoas vai te passar a informação que você precisa. A fonte da informação, na verdade, é o repórter.

ACS: Uma crítica feita ao jornalismo esportivo é que as coberturas são sempre iguais, a mesma fórmula se repete.

Edgar Vaz: Isso já mudou um pouco. Antes, o narrador participava da transmissão até depois das entrevistas nos vestiários e do espaço dos comentaristas. Na prática ainda há muito do método tradicional sendo utilizado, mas isto está mudando.

ACS: Isso acontece por pressão do público ou pela constante profissionalização das equipes radiofônicas?

Edgar Vaz: Por que o ouvinte cansou. O antigo método está desgastado. Atualmente, há uma busca por programas diferenciados. Antes, se começava a jornada 30 minutos antes da partida, hoje tem programação sobre o jogo desde manhã, podendo se estender até as 22hs ou meia-noite. O espaço destinado hoje para o esporte e ao jornalismo é muito maior do que era antigamente.

ACS: Juremir Machado da Silva disse ontem à noite em palestra aqui na Unifra que o espaço destinado ao futebol é tão grande que chega a ser indecente. O senhor concorda?

Edgar Vaz: Não, acho que o espaço é bem de acordo com a capacidade de produção de notícias. Porque a cada entrevista que o repórter faz está gerando uma notícia, passando uma informação. Algumas coisas são até “enrolação” e é só pra encher lingüiça mesmo. Mas se você fizer uma análise bem fria de cada veículo de comunicação vai encontrar uma entrevista interessante, um bate papo que gerou uma informação, sempre resulta alguma coisa.   

Foto: Núcleo de Fotografia e Memória – Unifra