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Leptospirose: uma questão de saúde pública

A leptospirose é uma zoonose (doença transmitida do animal para o homem) através de uma bactéria aeróbica (que necessita de oxigênio para se reproduzir), móvel, de formato espiralado e de fácil penetração. A contaminação ocorre ao contato com a urina contaminada, absorvida pela pele, pelas mucosas ou em contato direto com os ferimentos.

O maior agente transmissor da leptospirose é o rato, porém não o único. Um mililitro de urina contaminada contém até três milhões de Leptospiras, que é a bactéria transmissora da doença. Num período de incubação, de dois a 20 dias, a bactéria se instala inicialmente no fígado do indivíduo pelo método de multiplicação sistêmica (disseminando-se por todo o organismo) e se aloja, posteriormente, nos rins sendo eliminada pela urina, contaminando novamente o meio e outros animais. 

            No ambiente seco, a bactéria dura aproximadamente duas horas e, no úmido e não poluído, uma semana. No ambiente poluído, propício ao contágio, 180 dias.
 

            De acordo com o microbiologista Manoel Renato Teles Badke, professor do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Santa Maria, existem mais de 200 tipos de Leptospiras, que por razões biológicas, composição genética de cada organismo, se adaptam melhor em diferentes indivíduos. Nos bovinos, eqüinos e suínos causa aborto e infertilidade; no cão e no homem, pela semelhança genética, os sintomas são parecidos, como uma síndrome gripal em fase inicial. Nos casos mais graves, ocasiona hemorragia difusa, ou seja, sangramento por todo o corpo, levando posteriormente à morte.
 

            A professora Márcia Oliveira, que sofreu uma invasão de ratos em sua residência, comenta que sua casa é um ambiente propício à disseminação dos roedores. Márcia mora ao lado de uma sanga rodeada por taquaras. Logo que constatou o problema, contatou a Secretaria de Meio Ambiente e foi alertada pelos técnicos sobre as medidas de descontaminação seguidas da prevenção de novos focos. A professora diz que as precauções são mínimas, mas eficazes, assim como lavar os objetos e o pátio com água sanitária diluída em água. Ela levou o cachorro ao veterinário e cuidou que a filha não tivesse contato com o cão enquanto a situação não se normalizasse, o que durou cerca de três dias.
 

Técnicos fizeram uma limpeza na casa de Sandra. A professora salienta que eles não permitiram o corte da taquareira e a canalização do córrego, pois uma lei proíbe. “Então minha casa estará sujeita a ter uma nova invasão desses roedores, na primeira vez foi na máquina de lavar e depois onde será? Uma criança pode contrair a doença e vir a morrer, mas o mato não pode ser cortado isto eu não consigo entender”, desabafa com indignação a professora, que quase foi presa ao ser flagrada tentando cortar o mato que está ao lado de sua casa.    
O rato não é o único transmissor, os animais silvestres, como a capivara e o gambá e os animais domésticos, como o gato, dificilmente contraem a bactéria pelo pH da urina ser muito baixo. O cão é uma vítima do meio, porque vive em contato constante com o lixo, contaminando as casas e consequentemente as pessoas de seu convívio.
 

“É muito importante esclarecer que não se adquire leptospirose por via oral como beber direto de latas possivelmente contaminadas. O suco gástrico mata a bactéria, mas é preciso se redobrar o cuidado com os lugares propícios para o contágio”, explica Badke. 
 

            A leptospirose é uma questão de saúde pública, é preciso educar para prevenir, através da coleta seletiva do lixo, do armazenamento correto dos resíduos, do controle dos roedores, da vacinação dos animais domésticos, do manejo e do cuidado com o rebanho. A utilização para a limpeza da casa de cloro e de um litro de água sanitária diluídos em 1000 litros de água é uma medida simples e eficaz no combate à contaminação e disseminação da bactéria.

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A leptospirose é uma zoonose (doença transmitida do animal para o homem) através de uma bactéria aeróbica (que necessita de oxigênio para se reproduzir), móvel, de formato espiralado e de fácil penetração. A contaminação ocorre ao contato com a urina contaminada, absorvida pela pele, pelas mucosas ou em contato direto com os ferimentos.

O maior agente transmissor da leptospirose é o rato, porém não o único. Um mililitro de urina contaminada contém até três milhões de Leptospiras, que é a bactéria transmissora da doença. Num período de incubação, de dois a 20 dias, a bactéria se instala inicialmente no fígado do indivíduo pelo método de multiplicação sistêmica (disseminando-se por todo o organismo) e se aloja, posteriormente, nos rins sendo eliminada pela urina, contaminando novamente o meio e outros animais. 

            No ambiente seco, a bactéria dura aproximadamente duas horas e, no úmido e não poluído, uma semana. No ambiente poluído, propício ao contágio, 180 dias.
 

            De acordo com o microbiologista Manoel Renato Teles Badke, professor do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Santa Maria, existem mais de 200 tipos de Leptospiras, que por razões biológicas, composição genética de cada organismo, se adaptam melhor em diferentes indivíduos. Nos bovinos, eqüinos e suínos causa aborto e infertilidade; no cão e no homem, pela semelhança genética, os sintomas são parecidos, como uma síndrome gripal em fase inicial. Nos casos mais graves, ocasiona hemorragia difusa, ou seja, sangramento por todo o corpo, levando posteriormente à morte.
 

            A professora Márcia Oliveira, que sofreu uma invasão de ratos em sua residência, comenta que sua casa é um ambiente propício à disseminação dos roedores. Márcia mora ao lado de uma sanga rodeada por taquaras. Logo que constatou o problema, contatou a Secretaria de Meio Ambiente e foi alertada pelos técnicos sobre as medidas de descontaminação seguidas da prevenção de novos focos. A professora diz que as precauções são mínimas, mas eficazes, assim como lavar os objetos e o pátio com água sanitária diluída em água. Ela levou o cachorro ao veterinário e cuidou que a filha não tivesse contato com o cão enquanto a situação não se normalizasse, o que durou cerca de três dias.
 

Técnicos fizeram uma limpeza na casa de Sandra. A professora salienta que eles não permitiram o corte da taquareira e a canalização do córrego, pois uma lei proíbe. “Então minha casa estará sujeita a ter uma nova invasão desses roedores, na primeira vez foi na máquina de lavar e depois onde será? Uma criança pode contrair a doença e vir a morrer, mas o mato não pode ser cortado isto eu não consigo entender”, desabafa com indignação a professora, que quase foi presa ao ser flagrada tentando cortar o mato que está ao lado de sua casa.    
O rato não é o único transmissor, os animais silvestres, como a capivara e o gambá e os animais domésticos, como o gato, dificilmente contraem a bactéria pelo pH da urina ser muito baixo. O cão é uma vítima do meio, porque vive em contato constante com o lixo, contaminando as casas e consequentemente as pessoas de seu convívio.
 

“É muito importante esclarecer que não se adquire leptospirose por via oral como beber direto de latas possivelmente contaminadas. O suco gástrico mata a bactéria, mas é preciso se redobrar o cuidado com os lugares propícios para o contágio”, explica Badke. 
 

            A leptospirose é uma questão de saúde pública, é preciso educar para prevenir, através da coleta seletiva do lixo, do armazenamento correto dos resíduos, do controle dos roedores, da vacinação dos animais domésticos, do manejo e do cuidado com o rebanho. A utilização para a limpeza da casa de cloro e de um litro de água sanitária diluídos em 1000 litros de água é uma medida simples e eficaz no combate à contaminação e disseminação da bactéria.