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Ministra Matilde Ribeiro defende a reserva de vagas

 "Política de cotas é a quebra de preconceitos institucionalizados." Foi com estas palavras que a Ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, marcou sua presença na cidade, nesta quarta-feira, 10.  A ministra anunciou ainda,  a liberação de 100 mil reais para a reestruturação do Museu Treze de Maio, decorrente de emenda parlamentar do deputado federal Paulo Pimenta.

 

 

 A ministra Matilde Ribeiro esteve hoje em Santa Maria defendendo, nas universidades públicas, a implementação da política de cotas proposta pelo governo federal. Pela manhã, na UFSM, Universidade Federal de Santa Maria, participou do debate sobre a reserva de vagas para negros e índios nas instituições públicas de ensino superior.

A ministra ressalta que, ao contrário do propagado pelas especulações da mídia, a busca da implementação de políticas afirmativas antecede o governo Lula. Afirma que o atual governo teve "a coragem de encarar de frente a complexidade da questão", e lembra que o processo iniciou em 1980, quando os governos municipais criaram mecanismos para a ação de políticas públicas, visando o fim da discriminação racial.

Atualmente, 24 universidades públicas já adotaram a política de cotas com base na etnia, respeitando o percentual  de negros e índios no Estado, conforme previsto no projeto-lei.  Destas, 15 são estaduais e nove federais, somando 40 mil negros e 20 mil índios já incorporados no sistema de ensino superior, segundo dados da ministra.

A UNEB, Universidade Estadual da Bahia, foi a pioneira na implantação, seguida pela UERJ, Universidade Estadual do Rio de Janeiro, e pela UNB- Universidade de Brasília.

A UFSM, segundo o reitor Clovis Lima, é amplamente favorável à política de cotas e  nomeou, recentemente, uma comissão para estudar alternativas à implantação do sistema.

A agenda da ministra incluiu, no ínicio da tarde,  a discussão sobre políticas públicas de interesse da raça negra, e observou a presença de judeus, palestinos e ciganos no plenário da Câmara de Vereadores. “Os negros parecem ser os pioneiros em buscar direitos iguais no país; mas queremos a igualdade de todos os povos em solo brasileiro”, disse.

Entre os presentes, estava uma das fundadoras do Movimento Negro em Santa Maria, oriundo da Pastoral do Negro, Maria de Lourdes dos Santos Silva. Ela afirma que o negro, e mais ainda, a mulher negra tem lutado para igualar as oportunidades entre as raças. “ As mulheres são maioria no Movimento Negro. Quando iniciamos a nos organizar, muitos de nós não tínhamos instrução escolar. Só depois que começamos a estudar é que conseguimos ter voz”, completa.

 Entre as pautas discutidas estavam os projetos de Apoio para a reforma do Museu Treze de Maio, a criação de um Centro de Acompanhamento às Vítimas de Discriminação Racial, o Plano diretor que abrange a territorialidade e identidade do povo negro de Santa Maria, entre muitos outros. 

Depois da audiência pública, a ministra partiu em visita ao quilombo de São Miguel, em Restinga Seca.

* Fotos Núcleo de Fotografia e Memória da UNIFRA

    (1)(2) Marina Chiapinotto e (3) Rodrigo Simões

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 "Política de cotas é a quebra de preconceitos institucionalizados." Foi com estas palavras que a Ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, marcou sua presença na cidade, nesta quarta-feira, 10.  A ministra anunciou ainda,  a liberação de 100 mil reais para a reestruturação do Museu Treze de Maio, decorrente de emenda parlamentar do deputado federal Paulo Pimenta.

 

 

 A ministra Matilde Ribeiro esteve hoje em Santa Maria defendendo, nas universidades públicas, a implementação da política de cotas proposta pelo governo federal. Pela manhã, na UFSM, Universidade Federal de Santa Maria, participou do debate sobre a reserva de vagas para negros e índios nas instituições públicas de ensino superior.

A ministra ressalta que, ao contrário do propagado pelas especulações da mídia, a busca da implementação de políticas afirmativas antecede o governo Lula. Afirma que o atual governo teve "a coragem de encarar de frente a complexidade da questão", e lembra que o processo iniciou em 1980, quando os governos municipais criaram mecanismos para a ação de políticas públicas, visando o fim da discriminação racial.

Atualmente, 24 universidades públicas já adotaram a política de cotas com base na etnia, respeitando o percentual  de negros e índios no Estado, conforme previsto no projeto-lei.  Destas, 15 são estaduais e nove federais, somando 40 mil negros e 20 mil índios já incorporados no sistema de ensino superior, segundo dados da ministra.

A UNEB, Universidade Estadual da Bahia, foi a pioneira na implantação, seguida pela UERJ, Universidade Estadual do Rio de Janeiro, e pela UNB- Universidade de Brasília.

A UFSM, segundo o reitor Clovis Lima, é amplamente favorável à política de cotas e  nomeou, recentemente, uma comissão para estudar alternativas à implantação do sistema.

A agenda da ministra incluiu, no ínicio da tarde,  a discussão sobre políticas públicas de interesse da raça negra, e observou a presença de judeus, palestinos e ciganos no plenário da Câmara de Vereadores. “Os negros parecem ser os pioneiros em buscar direitos iguais no país; mas queremos a igualdade de todos os povos em solo brasileiro”, disse.

Entre os presentes, estava uma das fundadoras do Movimento Negro em Santa Maria, oriundo da Pastoral do Negro, Maria de Lourdes dos Santos Silva. Ela afirma que o negro, e mais ainda, a mulher negra tem lutado para igualar as oportunidades entre as raças. “ As mulheres são maioria no Movimento Negro. Quando iniciamos a nos organizar, muitos de nós não tínhamos instrução escolar. Só depois que começamos a estudar é que conseguimos ter voz”, completa.

 Entre as pautas discutidas estavam os projetos de Apoio para a reforma do Museu Treze de Maio, a criação de um Centro de Acompanhamento às Vítimas de Discriminação Racial, o Plano diretor que abrange a territorialidade e identidade do povo negro de Santa Maria, entre muitos outros. 

Depois da audiência pública, a ministra partiu em visita ao quilombo de São Miguel, em Restinga Seca.

* Fotos Núcleo de Fotografia e Memória da UNIFRA

    (1)(2) Marina Chiapinotto e (3) Rodrigo Simões