Santa Maria, RS (ver mais >>)

Santa Maria, RS, Brazil

O palacete da Acampamento

O primeiro palacete de Santa Maria é hoje a sede do museu Gama d’Eça. Localizado na rua do Acampamento, o prédio foi construído em 1913 a pedido de Astrogildo Cezar de Azevedo, que morava e tinha seu consultório médico no local. Desde que foi concluída, a construção sofreu poucas modificações.

O prédio foi projetado e construído pelo escritório de engenharia de Rodolfo Ahrons, com autoria do arquiteto alemão Theodor Wiederspahn. Caracterizado pelo estilo eclético, o prédio tem na parte central da fachada blocos construtivos e janelas ornadas com medalhões e elementos florais, que denotam a influência do Art Nouveau, estilo de origem francesa.

A porta da entrada principal foi esculpida por Antônio Marques de Carvalho, professor de desenho, modelagem e pintura nas escolas de Santa Maria. Ela é de madeira esculpida em que predominam linhas curvas e figuras em relevo. As paredes do hall de entrada são de mármore de carrara que enfatiza o aspecto nobre e elegante da construção. A platibanda, espécie de muro, é formada por balaústres e contorna todo o terraço do palacete. Por ser construído diretamente na calçada, com uma entrada central e um corredor que distribui as peças ao longo da construção, o prédio segue a tendência do barroco central.

Na década de 50, foram realizadas algumas reformas que introduziram novos elementos, como lareira, um mini-zoológico e duas piscinas, as primeiras da cidade. As obras foram empreendidas por Ester de Azevedo, filha de Astrogildo de Azevedo, e seu marido Miguel Beleza, fazendeiro do interior de Uruguaiana.  Com a morte do casal, o palacete foi herdado por sobrinhos.

Em 1964, o então reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), José Mariano da Rocha, tentou, sem sucesso, incorporar o prédio ao patrimônio da instituição.  Anos depois, a Prefeitura Municipal de Santa Maria instalou-se no local e permaneceu até 1984, ano em que o palacete foi adquirido pela UFSM. Um ano depois, o local se tornou sede do Museu Gama d’Eça e a ele foi  incorporado o acervo do Museu Victor Bersani, que pertencia à Sociedade União dos Caixeiros Viajantes (SUCV).     

12 mil peças compõem o acervo do Museu

O Museu Gama d’Eça recebe de 70 a 100 visitantes por mês. Muitos são estrangeiros de países como Suíça, Argentina e Estados Unidos, entre outros. Qualquer morador da cidade pode conhecer o museu e a entrada é gratuita. Já grupos como escolas e excursões precisam agendar as visitas.

O museu Gama d’Eça foi criado em 23 de julho de 1968. O local recebeu esse nome em homenagem a José Maria da Gama Lobo Coelho d’Eça, o Barão de Saican, oficial que comandou as tropas brasileiras na guerra do Paraguai. O símbolo do museu é o Scaphonix Fischeri porque o primeiro exemplar desse réptil foi encontrado em Santa Maria, em 1902.

O museu divide-se em três áreas: história, artes e ciências. O acervo é composto por mais de 12 mil peças com valor histórico artístico e científico. Na sala principal, o visitante conhece um pouco sobre a vida de José Marino da Rocha Filho, fundador da primeira universidade federal do interior do país, a UFSM, que também tem um espaço dedicado a sua história.

 No primeiro andar, há antigos instrumentos musicais, diferentes modelos de máquinas de escrever, mimeógrafo, ferros de passar roupas, cachimbos alemães, piteiras, exemplares de porcelana do século XIX, entre outros.  A sala de numismática apresenta uma mostra de moedas que circulam em vários países, inclusive do período colonial, Imperial e República do Brasil. As últimas são cédulas modelo que temporariamente foram cedidas pelo Banco Central. Elas representem a evolução do padrão monetário nacional.

O andar superior é dedicado à zoologia. Nesse espaço, há exemplares de insetos, moluscos, aves, répteis e mamíferos, grande parte da fauna silvestre do Rio Grande do Sul. A paleontologia também tem espaço no museu com uma exposição de fósseis de plantas e animais já extintos. Na sala da armaria, há modelos de pistolas pederneiras e garruchas.

A instituição possui um convênio com Associação dos Amigos do Museu Educativo (AAME), entidade sem fins lucrativos, criada em 1984 com objetivo de apoiar, promover e auxiliar o Museu nos seus empreendimentos, assim como ajudar nas despesas extras como reparos, compra de equipamentos e material de consumo.

Proprietário do prédio fundou hospital de Caridade

 Astrogildo de Azevedo nasceu em Porto Alegre no ano 1864. Formado em medicina pela Universidade do Rio de Janeiro chegou a Santa Maria em 1890. Na cidade, fundou o hospital de Caridade e, de 1916 a 1918, foi intente municipal, cargo que hoje corresponde ao de prefeito.

 

 

 

Fotos: Núcleo de Fotografia e Memória da Unifra (Mariana Coradini)

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O primeiro palacete de Santa Maria é hoje a sede do museu Gama d’Eça. Localizado na rua do Acampamento, o prédio foi construído em 1913 a pedido de Astrogildo Cezar de Azevedo, que morava e tinha seu consultório médico no local. Desde que foi concluída, a construção sofreu poucas modificações.

O prédio foi projetado e construído pelo escritório de engenharia de Rodolfo Ahrons, com autoria do arquiteto alemão Theodor Wiederspahn. Caracterizado pelo estilo eclético, o prédio tem na parte central da fachada blocos construtivos e janelas ornadas com medalhões e elementos florais, que denotam a influência do Art Nouveau, estilo de origem francesa.

A porta da entrada principal foi esculpida por Antônio Marques de Carvalho, professor de desenho, modelagem e pintura nas escolas de Santa Maria. Ela é de madeira esculpida em que predominam linhas curvas e figuras em relevo. As paredes do hall de entrada são de mármore de carrara que enfatiza o aspecto nobre e elegante da construção. A platibanda, espécie de muro, é formada por balaústres e contorna todo o terraço do palacete. Por ser construído diretamente na calçada, com uma entrada central e um corredor que distribui as peças ao longo da construção, o prédio segue a tendência do barroco central.

Na década de 50, foram realizadas algumas reformas que introduziram novos elementos, como lareira, um mini-zoológico e duas piscinas, as primeiras da cidade. As obras foram empreendidas por Ester de Azevedo, filha de Astrogildo de Azevedo, e seu marido Miguel Beleza, fazendeiro do interior de Uruguaiana.  Com a morte do casal, o palacete foi herdado por sobrinhos.

Em 1964, o então reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), José Mariano da Rocha, tentou, sem sucesso, incorporar o prédio ao patrimônio da instituição.  Anos depois, a Prefeitura Municipal de Santa Maria instalou-se no local e permaneceu até 1984, ano em que o palacete foi adquirido pela UFSM. Um ano depois, o local se tornou sede do Museu Gama d’Eça e a ele foi  incorporado o acervo do Museu Victor Bersani, que pertencia à Sociedade União dos Caixeiros Viajantes (SUCV).     

12 mil peças compõem o acervo do Museu

O Museu Gama d’Eça recebe de 70 a 100 visitantes por mês. Muitos são estrangeiros de países como Suíça, Argentina e Estados Unidos, entre outros. Qualquer morador da cidade pode conhecer o museu e a entrada é gratuita. Já grupos como escolas e excursões precisam agendar as visitas.

O museu Gama d’Eça foi criado em 23 de julho de 1968. O local recebeu esse nome em homenagem a José Maria da Gama Lobo Coelho d’Eça, o Barão de Saican, oficial que comandou as tropas brasileiras na guerra do Paraguai. O símbolo do museu é o Scaphonix Fischeri porque o primeiro exemplar desse réptil foi encontrado em Santa Maria, em 1902.

O museu divide-se em três áreas: história, artes e ciências. O acervo é composto por mais de 12 mil peças com valor histórico artístico e científico. Na sala principal, o visitante conhece um pouco sobre a vida de José Marino da Rocha Filho, fundador da primeira universidade federal do interior do país, a UFSM, que também tem um espaço dedicado a sua história.

 No primeiro andar, há antigos instrumentos musicais, diferentes modelos de máquinas de escrever, mimeógrafo, ferros de passar roupas, cachimbos alemães, piteiras, exemplares de porcelana do século XIX, entre outros.  A sala de numismática apresenta uma mostra de moedas que circulam em vários países, inclusive do período colonial, Imperial e República do Brasil. As últimas são cédulas modelo que temporariamente foram cedidas pelo Banco Central. Elas representem a evolução do padrão monetário nacional.

O andar superior é dedicado à zoologia. Nesse espaço, há exemplares de insetos, moluscos, aves, répteis e mamíferos, grande parte da fauna silvestre do Rio Grande do Sul. A paleontologia também tem espaço no museu com uma exposição de fósseis de plantas e animais já extintos. Na sala da armaria, há modelos de pistolas pederneiras e garruchas.

A instituição possui um convênio com Associação dos Amigos do Museu Educativo (AAME), entidade sem fins lucrativos, criada em 1984 com objetivo de apoiar, promover e auxiliar o Museu nos seus empreendimentos, assim como ajudar nas despesas extras como reparos, compra de equipamentos e material de consumo.

Proprietário do prédio fundou hospital de Caridade

 Astrogildo de Azevedo nasceu em Porto Alegre no ano 1864. Formado em medicina pela Universidade do Rio de Janeiro chegou a Santa Maria em 1890. Na cidade, fundou o hospital de Caridade e, de 1916 a 1918, foi intente municipal, cargo que hoje corresponde ao de prefeito.

 

 

 

Fotos: Núcleo de Fotografia e Memória da Unifra (Mariana Coradini)