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Santa Maria, RS, Brazil

Pagode rouba cena musical

Boates e bares não faltam em Santa Maria. A cidade universitária tem várias alternativas para abrigar públicos e gostos diferentes, mas as opções musicais estão ficando cada vez mais restritas.

Algumas das boates mais freqüentadas da cidade, como People´s e Absinto, atraem o público com shows de bandas de pagode que tocam músicas populares para que o público possa dançar e se divertir.

A cidade de Santa Maria já foi conhecida pela cena mais alternativa, em que o rock predominava e as boates ofereciam uma programação variada nos finais de semana. Hoje, a agenda noturna gira basicamente em torno do pagode. Porém, há ainda bares, como Macondo e Seattle, onde as pessoas podem ouvir outros gêneros musicais.

Francis Schirmer da banda de pagode Pra Valer comenta que as bandas de Santa Maria são preteridas em relação as de outras cidades. “As boates preferem chamar as bandas de fora do que dar oportunidades para as bandas novas de Santa Maria”, lamenta Francis. Seus companheiros de banda, Gustavo Londero e Marcelo Beltrame, concordam com a idéia de que o pagode tem mais oportunidades de exposição do que o rock na cidade.

A banda de punk rock Descartes também luta contra esse problema e concorda que o pagode está roubando a cena musical de Santa Maria. Porém, eles têm mais dificuldade porque os integrantes acreditam que a cidade não é o lugar apropriado para divulgação de seu trabalho “A gente não está com a cabeça aqui, estamos com a cabeça num cena underground que ainda não existe muito na cidade”, diz o baterista Denis Carrion. “O caminho não é conquistar Santa Maria primeiro, isso não vai fazer banda nenhuma chegar a lugar nenhum, temos que alcançar os lugares onde a cena rola”, acrescenta Denis.

Santa Maria parece ser a cena do pagode. As boates fazem promoções e dão cortesias para atrair universitários aos shows de pagode que promovem. Todos os domingos no Aldeia Bar há bandas de pagode tocando e universitários têm entrada gratuita. A mesma estratégia é utilizada pela People´s  que toda quarta-feira oferece show de pagode e distribui cortesias para universitários, que lotam o lugar.

A estudante Anna Carolina Centeno gosta de pagode, mas acha que a qualidade das bandas é muito baixa. “Adoro dançar pagode, mas são sempre as mesmas bandas que tocam. Nem sempre elas são boas e, às vezes, eu quero escutar um Pop Rock e não tem aonde ir”, complementa.

O vocalista da banda de rock Radioriff, Léo Diaz, concorda que o rock perde espaço para o pop e para o pagode porque as casas noturnas querem tocar o que é sucesso na rádio .“O rock está perdendo espaço há muito tempo. O pagode e o pop trabalham mais o cover, não é o pop autoral ou o pagode autoral que rouba o espaço do rock é o cover. As casas noturnas querem que as bandas toquem músicas que já estão nas rádios. A mídia dá muito mais espaço para o pagode, além dessas bandas apresentarem, na maioria das vezes, um custo muito menor” conta Diaz. Ele acrescenta que o rock está perdendo espaço porque as pessoas vão às boates para dançar e não para ver um show. 
 

Bandas e músicos de outros gêneros acreditam que o sucesso do pagode seja momentâneo, pois sempre surgem novos estilos para dividir o gosto musical e atrair um novo público.

 

 

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Boates e bares não faltam em Santa Maria. A cidade universitária tem várias alternativas para abrigar públicos e gostos diferentes, mas as opções musicais estão ficando cada vez mais restritas.

Algumas das boates mais freqüentadas da cidade, como People´s e Absinto, atraem o público com shows de bandas de pagode que tocam músicas populares para que o público possa dançar e se divertir.

A cidade de Santa Maria já foi conhecida pela cena mais alternativa, em que o rock predominava e as boates ofereciam uma programação variada nos finais de semana. Hoje, a agenda noturna gira basicamente em torno do pagode. Porém, há ainda bares, como Macondo e Seattle, onde as pessoas podem ouvir outros gêneros musicais.

Francis Schirmer da banda de pagode Pra Valer comenta que as bandas de Santa Maria são preteridas em relação as de outras cidades. “As boates preferem chamar as bandas de fora do que dar oportunidades para as bandas novas de Santa Maria”, lamenta Francis. Seus companheiros de banda, Gustavo Londero e Marcelo Beltrame, concordam com a idéia de que o pagode tem mais oportunidades de exposição do que o rock na cidade.

A banda de punk rock Descartes também luta contra esse problema e concorda que o pagode está roubando a cena musical de Santa Maria. Porém, eles têm mais dificuldade porque os integrantes acreditam que a cidade não é o lugar apropriado para divulgação de seu trabalho “A gente não está com a cabeça aqui, estamos com a cabeça num cena underground que ainda não existe muito na cidade”, diz o baterista Denis Carrion. “O caminho não é conquistar Santa Maria primeiro, isso não vai fazer banda nenhuma chegar a lugar nenhum, temos que alcançar os lugares onde a cena rola”, acrescenta Denis.

Santa Maria parece ser a cena do pagode. As boates fazem promoções e dão cortesias para atrair universitários aos shows de pagode que promovem. Todos os domingos no Aldeia Bar há bandas de pagode tocando e universitários têm entrada gratuita. A mesma estratégia é utilizada pela People´s  que toda quarta-feira oferece show de pagode e distribui cortesias para universitários, que lotam o lugar.

A estudante Anna Carolina Centeno gosta de pagode, mas acha que a qualidade das bandas é muito baixa. “Adoro dançar pagode, mas são sempre as mesmas bandas que tocam. Nem sempre elas são boas e, às vezes, eu quero escutar um Pop Rock e não tem aonde ir”, complementa.

O vocalista da banda de rock Radioriff, Léo Diaz, concorda que o rock perde espaço para o pop e para o pagode porque as casas noturnas querem tocar o que é sucesso na rádio .“O rock está perdendo espaço há muito tempo. O pagode e o pop trabalham mais o cover, não é o pop autoral ou o pagode autoral que rouba o espaço do rock é o cover. As casas noturnas querem que as bandas toquem músicas que já estão nas rádios. A mídia dá muito mais espaço para o pagode, além dessas bandas apresentarem, na maioria das vezes, um custo muito menor” conta Diaz. Ele acrescenta que o rock está perdendo espaço porque as pessoas vão às boates para dançar e não para ver um show. 
 

Bandas e músicos de outros gêneros acreditam que o sucesso do pagode seja momentâneo, pois sempre surgem novos estilos para dividir o gosto musical e atrair um novo público.