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Soja transgênica: uma questão polêmica

O Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo. Hoje, 80% de toda a soja cultivada é transgênica. Na região de Santa Maria, praticamente 100% dos produtores plantam soja geneticamente modificada. Uma das vantagens enfocadas por eles é o baixo custo da lavoura, já que isenta o uso de grande quantidade de agroquímicos.

 

O zootecnista e produtor de soja, Giovane Machado, reside em São Sepé e diz que, na sua opinião, o plantio de transgênicos só traz benefícios. “Além de ter um baixo custo, a transgenia torna mais segura a aplicação de herbicidas, devido ao fato de ter uma classe toxicológica baixa, trazendo menos riscos à saúde humana”, salienta. Outra vantagem da soja geneticamente modificada, para o zootecnista, é que ela se desenvolve em áreas que não estão aptas para o cultivo convencional, devido à grande quantidade de pragas. 

A explicação da coordenadora do Projeto Esperança-Cooesperança da Diocese de Santa Maria, Irmã Lurdes Dill, é que a soja transgênica vem com veneno na própria semente, por isso é mais resistente à praga e, conseqüentemente, mais cara para o produtor.

            O agrônomo, Marcelo Sbicigo, explica que a soja transgênica possui três gerações: “Na primeira, que é a mais usada, a variedade da soja é tolerante somente ao herbicida; na segunda, a variedade é resistente ao glifosato (herbicida) e a alguns insetos, principalmente à lagarta. Neste caso, não precisa usar inseticida, mas se for usado, deve ser em menor escala; na terceira e última geração, a variedade é resistente a herbicidas, tolerante a certas pragas e tem como benefício um valor nutritivo”. Segundo o especialista, a terceira geração ainda não é encontrada na região.

Na opinião de Sbicigo, o meio ambiente sai ganhando com o plantio de transgênicos. “Conforme pesquisas que venho acompanhando pela internet, houve redução de 40% no uso de agroquímicos”, declara o agrônomo. Já a irmã Lurdes discorda: “o veneno está embutido na própria semente e isto repercute no lençol freático, no ar e na água”.

Para o Ph.D em Engenharia de água e solo, Afrânio Almir Righes, a soja transgênica reduz a poluição ambiental, porque reduz o volume de aplicação de agroquímicos e assim a água também sofre uma dosagem menor de resíduos tóxicos. 

No país, ainda não há um consenso entre os estudiosos para que se possa afirmar que a soja geneticamente modificada proporcione benefícios ou malefícios tanto para o meio ambiente como para o organismo. Righes acredita que o atraso nas pesquisas científicas ocorreu mais em função política do que técnica, uma mistura de ideologia e ciência.

 

A soja na culinária

 

Descoberta há mais de 5000 anos, na China, a soja é um alimento rico em proteínas, lipídeos (gordura), fibras e em algumas vitaminas e minerais. Leite, carne, farinha, óleo, margarina são exemplos do que pode ser feito com alguns grãozinhos de soja.  No entanto, a polêmica mais debatida no momento é sobre os benefícios ou não da soja geneticamente modificada para o organismo do homem.

A soja transgênica sofre alterações dos genes da planta e, conseqüentemente, o valor nutritivo do alimento também é modificado. “Além da melhoria do conteúdo nutricional, os alimentos geneticamente modificados são benéficos para fins terapêuticos, são mais resistentes ao armazenamento e podem ser produzidos em maior escala”, afirma a nutricionista, Anapaula Alves Carniel.

Mas, alguns pesquisadores e nutricionistas consideram a soja natural mais saudável do que a transgênica, pelo fato desta última possuir maior resistência às pragas e pesticidas. A soja geneticamente modificada também pode causar reações ao organismo. “A mais comum é a alérgica, que o organismo desenvolve a um ‘elemento estranho’, que passa a ser ingerido com mais freqüência”, completa a nutricionista.

A maioria dos consumidores vai ao mercado e não cuida o produto que está levando para casa. A segurança e faxineira, Alessandra da Silva, conta que compra pelo preço. “Se algum dia comi alimentos geneticamente modificados, não senti gosto diferente do natural”, assegura.

Acostumada com alimentos naturais, a aposentada e dona-de-casa, Neuza Borges, 69 anos, afirma que nunca comeu alimentos transgênicos e não tem informações sobre o assunto.

Os alimentos geneticamente modificados não possuem diferença nos sabores. “As características organolípticas (sabor, aroma, consistência) continuam inalteradas por vários dias em temperatura ambiente”, complementa Anapaula.

Para o consumidor saber se está comendo um pão com soja transgênica ou natural, por exemplo, basta ler o rótulo do produto. A administradora de empresa, Marisa Fidalgo Ferreira, admite que está mudando o seu costume. “Agora, quando vou às compras, olho o rótulo para não levar alimentos vencidos e saber o que estou adquirindo”, diz ela.

Além de ser um alimento rico em proteínas, a soja contém uma classe de fito-hormônios (hormônio de origem vegetal) conhecida como isoflavonas ou isoflavonóides, que atuam como um elemento antioxidante, reduz as taxas do colesterol ruim (LDL) no sangue, diminui o risco do desenvolvimento de doenças cardiovasculares, ajuda na prevenção do câncer, entre outros benefícios para a saúde. 

 

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O Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo. Hoje, 80% de toda a soja cultivada é transgênica. Na região de Santa Maria, praticamente 100% dos produtores plantam soja geneticamente modificada. Uma das vantagens enfocadas por eles é o baixo custo da lavoura, já que isenta o uso de grande quantidade de agroquímicos.

 

O zootecnista e produtor de soja, Giovane Machado, reside em São Sepé e diz que, na sua opinião, o plantio de transgênicos só traz benefícios. “Além de ter um baixo custo, a transgenia torna mais segura a aplicação de herbicidas, devido ao fato de ter uma classe toxicológica baixa, trazendo menos riscos à saúde humana”, salienta. Outra vantagem da soja geneticamente modificada, para o zootecnista, é que ela se desenvolve em áreas que não estão aptas para o cultivo convencional, devido à grande quantidade de pragas. 

A explicação da coordenadora do Projeto Esperança-Cooesperança da Diocese de Santa Maria, Irmã Lurdes Dill, é que a soja transgênica vem com veneno na própria semente, por isso é mais resistente à praga e, conseqüentemente, mais cara para o produtor.

            O agrônomo, Marcelo Sbicigo, explica que a soja transgênica possui três gerações: “Na primeira, que é a mais usada, a variedade da soja é tolerante somente ao herbicida; na segunda, a variedade é resistente ao glifosato (herbicida) e a alguns insetos, principalmente à lagarta. Neste caso, não precisa usar inseticida, mas se for usado, deve ser em menor escala; na terceira e última geração, a variedade é resistente a herbicidas, tolerante a certas pragas e tem como benefício um valor nutritivo”. Segundo o especialista, a terceira geração ainda não é encontrada na região.

Na opinião de Sbicigo, o meio ambiente sai ganhando com o plantio de transgênicos. “Conforme pesquisas que venho acompanhando pela internet, houve redução de 40% no uso de agroquímicos”, declara o agrônomo. Já a irmã Lurdes discorda: “o veneno está embutido na própria semente e isto repercute no lençol freático, no ar e na água”.

Para o Ph.D em Engenharia de água e solo, Afrânio Almir Righes, a soja transgênica reduz a poluição ambiental, porque reduz o volume de aplicação de agroquímicos e assim a água também sofre uma dosagem menor de resíduos tóxicos. 

No país, ainda não há um consenso entre os estudiosos para que se possa afirmar que a soja geneticamente modificada proporcione benefícios ou malefícios tanto para o meio ambiente como para o organismo. Righes acredita que o atraso nas pesquisas científicas ocorreu mais em função política do que técnica, uma mistura de ideologia e ciência.

 

A soja na culinária

 

Descoberta há mais de 5000 anos, na China, a soja é um alimento rico em proteínas, lipídeos (gordura), fibras e em algumas vitaminas e minerais. Leite, carne, farinha, óleo, margarina são exemplos do que pode ser feito com alguns grãozinhos de soja.  No entanto, a polêmica mais debatida no momento é sobre os benefícios ou não da soja geneticamente modificada para o organismo do homem.

A soja transgênica sofre alterações dos genes da planta e, conseqüentemente, o valor nutritivo do alimento também é modificado. “Além da melhoria do conteúdo nutricional, os alimentos geneticamente modificados são benéficos para fins terapêuticos, são mais resistentes ao armazenamento e podem ser produzidos em maior escala”, afirma a nutricionista, Anapaula Alves Carniel.

Mas, alguns pesquisadores e nutricionistas consideram a soja natural mais saudável do que a transgênica, pelo fato desta última possuir maior resistência às pragas e pesticidas. A soja geneticamente modificada também pode causar reações ao organismo. “A mais comum é a alérgica, que o organismo desenvolve a um ‘elemento estranho’, que passa a ser ingerido com mais freqüência”, completa a nutricionista.

A maioria dos consumidores vai ao mercado e não cuida o produto que está levando para casa. A segurança e faxineira, Alessandra da Silva, conta que compra pelo preço. “Se algum dia comi alimentos geneticamente modificados, não senti gosto diferente do natural”, assegura.

Acostumada com alimentos naturais, a aposentada e dona-de-casa, Neuza Borges, 69 anos, afirma que nunca comeu alimentos transgênicos e não tem informações sobre o assunto.

Os alimentos geneticamente modificados não possuem diferença nos sabores. “As características organolípticas (sabor, aroma, consistência) continuam inalteradas por vários dias em temperatura ambiente”, complementa Anapaula.

Para o consumidor saber se está comendo um pão com soja transgênica ou natural, por exemplo, basta ler o rótulo do produto. A administradora de empresa, Marisa Fidalgo Ferreira, admite que está mudando o seu costume. “Agora, quando vou às compras, olho o rótulo para não levar alimentos vencidos e saber o que estou adquirindo”, diz ela.

Além de ser um alimento rico em proteínas, a soja contém uma classe de fito-hormônios (hormônio de origem vegetal) conhecida como isoflavonas ou isoflavonóides, que atuam como um elemento antioxidante, reduz as taxas do colesterol ruim (LDL) no sangue, diminui o risco do desenvolvimento de doenças cardiovasculares, ajuda na prevenção do câncer, entre outros benefícios para a saúde.