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Santa Maria, RS, Brazil

Suicídio em discussão no Orkut

Porto Alegre, 26 de julho de 2006. Um jovem de 16 anos planeja a hora e o local de sua morte. Ele compartilha o momento do seu suicídio com outras pessoas em um fórum virtual na Internet. Foi em um desses fóruns que o adolescente encontrou pessoas que o incentivaram a levar adiante a idéia.

Um mês. Esse foi o tempo que o garoto teve para planejar e pedir orientações sobre o método mais fácil para cometer o suicídio. O plano já havia sido anunciado através de um "blog" (espécie de diário na web) que ele mantinha na Internet. Além dos participantes darem dicas sobre a forma mais eficiente para se matar, eles acompanharam, em tempo real, o momento de sua morte. O banheiro do apartamento onde morava com os pais seria o local da tragédia.
 

11 horas. Essa seria a hora marcada para o suicídio.
 

14h18min. Os planos do jovem ainda não se concretizaram. "Eu tenho duas grelhas queimando no banheiro. Aqui está (uma foto é postada para que os demais usuários da rede visualizem), alguém, por favor, pode me dizer… quando eu posso entrar no banheiro e deitar? Por favor, me ajudem, eu não tenho muito tempo", indaga o adolescente.
 

Intoxicação. Essa foi a maneira escolhida por ele. No entanto, ele temia que os pais retornassem e não desse tempo para concluir o plano de morte.
 

14h42min. "Como você está se virando? Espero que você consiga o que quer", incentiva um dos internautas.
 

14h44min. "Eu não suporto esse calor. O que eu devo vestir para tornar isso mais suportável? O que eu posso fazer? ? ? Pelo amor de Deus, alguém por favor me ajude", suplica o jovem.
 

15h11min. O mesmo internauta alerta para os riscos oferecidos a terceiros: "Isso pode afetar seus vizinhos…".
 

Horas mais tarde. "Acredito que funcionou já que ele não tem estado em contato…", conclui um dos participantes. 
 

Ao perceber a gravidade da situação, uma jovem do Canadá liga à polícia gaúcha que chega ao local tarde demais. Trágico demais. Lamentável.
 

Essa é apenas uma das milhares de histórias que acontecem diariamente e que acabam virando banalidade. Mas um suicídio, por acontecer nessas circunstâncias, gera questionamentos.
Embora possa ser considerado um problema de saúde pública, esse tema ainda é tratado como um tabu, sem grandes discussões e com uma certa distância pela sociedade.
 

A polêmica que envolve o suicídio atinge as comunidades virtuais. Na abertura de uma delas, “Depressão e Suicídio”, são apontados 21 sintomas mais comuns presentes nas pessoas que já pensaram em se matar. Nessa comunidade, uma das maiores relacionadas ao assunto e que possui mais de 270 membros, é comum encontrar tópicos com mensagens que defendem a morte como forma de solucionar os problemas.
 

Atualmente, o Orkut conta com 204 comunidades cujo nome contenha a palavra "suicídio" ou "suicidio" (sem acento). Com o nome "suicide" (suicídio em inglês), há 29 comunidades criadas.
 

A natureza desse site de relacionamentos, que permite o encontro de pessoas distantes em torno de um gosto ou preferência comum, também aproxima quem passa por dificuldades semelhantes. Quando a família ou os amigos não compreendem como se sente alguém com sintomas de depressão, essa pessoa busca outras formas de ser ouvida. "As pessoas se sentem compreendidas quando encontram outras passando pelos mesmos problemas", explica a psicóloga Milena Leite. Ela também aponta que o fato de haver poucos grupos de ajuda anônimos, como AA (para alcoólatras), leva à criação de grupos de auto-ajuda no Orkut.
 

Os membros dessas comunidades buscam ser ouvidos por quem possa entender seus problemas. Como o assunto é polêmico, muitos preferem não se identificar, divulgando informações e opiniões de forma anônima. Na comunidade "Suicídio (suicidio)", Miriam Alves deixa vários tópicos com mensagens de auto-ajuda e diz que as pessoas entram apenas para desabafar e, muitas vezes, com nomes fictícios. Segundo ela, são pessoas tristes que precisam de ajuda e buscam o Orkut ao invés de procurarem psicólogos ou conversarem com pais e amigos. "Eu entrei nessa comunidade, pois já pensei em cometer suicídio. Não tive ajuda de ninguém, apenas o meu dia-a-dia me fazia sentir melhor", justifica.
 

Membro da comunidade "Depressão e Suicídio", Covallini acredita que essas comunidades não suprem o apoio da família ou de amigos, mas permitem fazer novas amizades quando não se recebe apoio deles. Para ele, as comunidades sobre suicídio são ambientes em que as pessoas se entendem e confraternizam.
 

Segundo Milena, o apoio no Orkut não é ruim, mas os profissionais de saúde podem aproveitar melhor essa oportunidade para intervenção. Ela se preocupa com o fato de existir membros de algumas comunidades que desencorajam os demais a buscar ajuda profissional. Segundo a psicóloga, a depressão é uma doença e precisa ser tratada com medicação e mudanças no estilo de vida. "Ficar em casa durante todo o tempo, na internet ou na televisão, não vai resolver os problemas dessas pessoas, pelo contrário, vai agravá-los ainda mais", afirma.
 

É comum encontrar membros nessas comunidades que declaram não serem capazes de cometer suicídio, mas que buscam ajuda. Na comunidade "Suicidio", Ronaldo diz que entrou para desabafar. "Não acredito que eu seja capaz de me matar, porém já pensei na possibilidade várias vezes”, confessa.
 

A grande quantidade de membros com pensamento semelhante ao de Ronaldo é vulnerável às críticas de pessoas que entram nessas comunidades com outros fins. O Orkut permite que potenciais suicidas se encontrem para procurar ajuda e apoiar aos outros. Mas eles também acabam sendo expostos a membros que não compartilham das mesmas idéias. Na comunidade "Suicidio eh a solução?!", um usuário deixa uma mensagem criticando alguns de seus membros: "Eles ficam fazendo tópicos dizendo que vão se matar, e no final não acabam fazendo nada. Eles fazem isso só para aparecer. Por que não se matam de uma vez?", ironiza.
 

Mensagens como essas geralmente provocam discussões, com algumas respostas agressivas, irônicas ou críticas, como a que foi dada por outro membro no mesmo tópico: "Sou um fraco porque sou um potencial suicida e não encaro minha vida como deveria. E você é um fraco por não conseguir ajudar ou enxergar a ajuda que poderia estar dando a terceiros", afirma Juh. Logo abaixo, aparece outra mensagem postada por um anônimo: "Antes de falar daquilo que não conhece, se informe a respeito do assunto. Tive um suicídio na família. Minha esposa fez isso. Ela não era covarde, e sim estava com essa maldita doença. Não julgue, se informe e fique com Deus", declara.
 

A religião como salvação também é debatida
Questões relativas à religiosidade estão expressas em diversas comunidades relacionadas ao assunto. É comum encontrar usuários que usam a fé como argumento para não cometer o ato suicida. Na comunidade "eu ja pensei em suicidio", um tópico intitulado "Suicídio: o pior dos crimes" é um exemplo de como a religiosidade está presente na discussão, refletindo o que acontece na sociedade. O criador do tópico rejeita o suicídio: "Isso deve ser banido de qualquer pensamento no mínimo ajuizado. Nem os animais cometem suicídio", justifica Wagner Vianna.
 

O livre arbítrio é utilizado como contra-argumento por vários membros da comunidade nesse tópico. "Todos temos nossa liberdade e podemos fazer o que quisermos das nossas vidas. Podemos tirá-la ou não, essa é uma escolha nossa", rebate um dos membros.
 

Além da fé, outras alternativas são apontadas. A descrição da comunidade "Suicídio diga não seja forte" sugere aos seus membros que procurem auxiliar amigos que estejam com dificuldades, e inclusive incentiva o voluntariado. "Eu aconselho quem estiver pensando muito em tirar a própria vida por motivos fúteis que, às vezes, não parecem ter solução, tentar o seguinte: ir para algum hospital e se oferecer como voluntário. Ajude algumas pessoas e faça amizades ao invés de jogar fora a própria vida. Faça uma doação da sua vida por algum tempo para pessoas que estão lutando pela própria vida".
 

Comunidades apontam alternativas suicidas e membros expõem suas razões
Embora algumas comunidades relacionadas ao suicídio não defendam que seus membros busquem ajuda de psicólogos ou terapeutas, há outras mais conscientes que pedem auxílio de profissionais. A comunidade "Suicídio? Não!", em sua página inicial, pede para que profissionais da área e pessoas dispostas a ajudar umas às outras participem.
 

A maioria dos integrantes busca ajuda para desabafar e conversar com pessoas que também estejam em momentos difíceis. Entretanto, alguns buscam dicas de como cometer suicídio. Algumas comunidades como "Formas de se matar" e "Suicídio & Auto mutilação“ possuem vários tópicos com esse objetivo. Em uma das mensagens, um membro pede nome de venenos mortais. É sugerido a ele o cianeto de potássio, uma substância altamente tóxica, comercializada em todo o país principalmente com fins agrícolas para o combate de formigas.
 

Um dos conselhos mais comuns e que é passado aos potenciais suicidas é o envenenamento por substâncias tóxicas ou corrosivas. Inclusive são aconselhados venenos específicos e formas de ingeri-los.
 

Na comunidade "Suicide solution", por exemplo, em um dos tópicos é citado que o uso de veneno de rato para suicídio requer isolamento: "Toma apenas um pouco porque se tomar muito diminui o efeito e ainda pode ser socorrido. Tranca o quarto por dentro quando for tomar para não se arrepender. Como a morte é dolorosa, você vai começar a vomitar e a fazer barulho, se debatendo e babando. Então pode vir alguém para ver o que está havendo. Com o quarto fechado, não haverá tempo de ir para o hospital", sugere um dos usuários.
 

Outras formas de cometer suicídio são aconselhadas nas comunidades, como enforcamento, queda de local elevado e morte por arma de fogo. Há inclusive dicas de como atirar em partes vitais do sistema nervoso central, provocando uma morte instantânea e menos dolorosa.
 

É comum vermos os motivos que induzem ao suicídio. "Eu tenho transtorno obsessivo compulsivo, sou tímido e introvertido. Além disso, fui muito humilhado na infância", desabafa Ricardo. Outro membro acredita não haver mais sentido continuar vivo pelo fato de viver sozinho: "Se eu me matar, garanto que ninguém vai sentir falta. Que sentido há de viver, se não posso compartilhar sentimentos com ninguém?", indaga um anônimo. O tópico intitulado "Por que vocês são depre’s?", uma adolescente de 18 anos diz ser depressiva porque seus pais não acreditam na capacidade dela. "Meu pai fala que eu nunca deixo ele orgulhoso e minha mãe me compara com todas as filhas das amigas dela e eu nunca sou boa o bastante", desabafa.
 

Na comunidade "eu já pensei em suicidio", o tópico "Motivos para viver!!!" divide opiniões. "Não tenho nenhum motivo pra viver nem pra morrer. Vivo esperando o que tiver que ser. Já não tenho a alegria de dizer que amo a vida, mas também não sou hipócrita de dizer que amo a morte", declara Cris. "Só to esperando o momento pra sair daqui. Não agüento esse mundo nojento e canalha. Só quero tirar esse fardo tão pesado que levo. Só quero ser feliz, se aqui não dá, não posso forçar! Aí gente, to mal mesmo!", desabafa o usuário Rafael. "Minha família é o único motivo pra eu viver", diz Cleiton. "Deus morreu por mim. É egoísmo jogar a vida fora na primeira dificuldade sem lutar para superar. Eu vou superar", acredita Rafael.
 

O suicídio e a mídia
A divulgação de ocorrências de suicídio na mídia é um tema polêmico na sociedade e no Orkut também. Muitos membros desaprovam que o suicídio seja noticiado. O usuário Lancaster, da comunidade "Suicidio coletivo", não aprova notícias de suicídios, pois considera que as razões não precisam ser do conhecimento de todos.
 

Outros membros gostariam que houvesse uma divulgação maior de notícias do gênero, para chamar a atenção da sociedade. Na comunidade "Suicídio eh a solução?!" o tópico "Atriz global se mata!!!" discute o assunto. O título remete à morte da atriz Ariclê Perez, que em 26 de março deste ano, caiu do décimo andar de seu apartamento em São Paulo. Ela parecia estar em um período de depressão, gerando suspeitas de suicídio não confirmadas pelas investigações da polícia.
 

Segundo um dos membros da comunidade, a sociedade precisa começar a tratar do suicídio de maneira mais séria e menos preconceituosa. "O suicida precisa de atenção e ajuda e não simplesmente ser tratado como covarde e louco", justifica.
 

A psicóloga Milena Leite aponta que vários profissionais e algumas pesquisas sobre suicídio indicam que informações sobre números de suicídios e divulgação de casos podem aumentar esse problema, encorajando as pessoas a cometerem o ato. Contudo, não há um consenso sobre o assunto.
 

Para Maurício Martinho a divulgação de notícias sobre o assunto é mediana: "Não me parece haver negligência por parte da imprensa, nem valorização real do problema", acredita o psicólogo.
 

Outra questão polêmica referente à divulgação de notícias de suicídios refere-se à morte de personalidades conhecidas do público. Na comunidade "Kurt Kobain-Suicidio", o membro César comenta sobre a questão. Ele acredita que as pessoas idolatram seus ídolos e querem ser iguais a eles, independentemente do preço a ser pago por isso. "Grandes artistas, como Kurt Cobain, conseguem tocar as pessoas de uma maneira que alguns tendem a tomá-los como deuses. E isso não é verdade porque eles são pessoas comuns", comenta ele, referindo-se ao ex-vocalista da banda americana Nirvana, que se suicidou no dia 8 de abril de 1994.
 

Neste mundo caótico e sem privacidade, o Orkut é um lugar onde a sociedade assume um papel de rede social sem privacidade, em que os usuários expõem detalhes da vida profissional e pessoal, podendo acessar os perfis uns dos outros.
Um banco de dados com informações de mais de 14 milhões de pessoas é exposto publicamente na web. É um canal de informação livre, para abordar inclusive temas pouco expostos em meios sociais mais tradicionais.
 

A visita a comunidades que tratam sobre o suicídio revela uma oposição interessante. Por mais que a palavra esteja ligada à morte ou ao fim de um ciclo, a maioria dos membros dessas comunidades busca justamente o contrário. Na comunidade "Suicídio (suicidio)", mais da metade dos tópicos criados buscam ajuda.  Alguns exemplos de tópicos são: "Socorre a ti mesmo", "Segue com Deus", "Sinais de Luz" e "Pedido de Oração". Essas pessoas entram nas comunidades para desabafar e superar seus problemas, pois querem viver melhor e iniciar um ciclo de felicidade em suas vidas.
 

Rayssa, membro de algumas dessas comunidades, resume o perfil de quem usa o Orkut para falar sobre o suicídio: "Acredito que algumas pessoas entrem para ajudar, outras entram para serem ajudadas. Tem aquelas que entram para tirar sarro, enquanto alguns dizem coisas piores…", define.
 

Dados Assustadores
Um relatório aprovado pelo Parlamento Europeu, no início de setembro, informou que, a cada ano, ocorrem 58 mil suicídios na União Européia. Esse número é superior às mortes causadas pela Aids ou por acidentes de trânsito.
 

A região que apresenta os mais altos índices do planeta é a Europa Oriental, na qual alguns países ultrapassam a marca de 40 mortes por 100 mil habitantes. No Brasil, são 4,5 por 100 mil.
Um levantamento do Ministério da Saúde revela que o Rio Grande do Sul tem o maior índice de suicídios entre homens no país – 16,6 casos para cada grupo de 100 mil – e que Porto Alegre é a quinta Capital em episódios.
 

Em recente relatório, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou a ocorrência no mundo de um suicídio a cada 40 segundos e uma tentativa a cada três segundos. O relatório sugere algumas medidas para minimizar o problema: preparação mais adequada dos profissionais de saúde que lidam com portadores de situações de risco, como depressão e alcoolismo, dificultar o acesso a meios letais mais usados, como armas de fogo e pesticidas, além de divulgação mais intensa dos trabalhos voluntários à disposição da coletividade, cuja principal ferramenta é o telefone.
 

Nesse último item, destaca-se no Brasil, o trabalho executado pelos 2.500 voluntários do Centro de Valorização da Vida (CVV) que, em 57 unidades espalhadas pelo país, receberam, em 2005, mais de um milhão de chamadas telefônicas, isto é, uma a cada 30 segundos. O CVV pode ser facilmente acessado pelo telefone 141.
 

Os Cuidados
Especialistas apontam causas, indicam sintomas e orientam pais a reconhecer comportamentos de risco em adolescentes:
 

OS SINTOMAS

  • Apatia pouco usual, sonolência, falta de apetite
  • Insônia persistente, ansiedade ou angústia permanente
  • Abuso de álcool, droga ou remédios
  • Grande impulsividade, agressividade
  • Dificuldades de relacionamento e integração na família ou em outros grupos
  • Insucesso escolar repentino
  • Afastamento ou isolamento social
  • Dizer adeus, como se não fosse mais ser visto

AS CAUSAS

  • Falta de perspectivas
  • Desemprego
  • Violência
  • Depressão
  • Bipolaridade

OS CUIDADOS

  • Avaliar os riscos e identificar as pessoas capazes de auxiliar na proteção do jovem
  • Manter uma atitude não crítica e não julgadora
  • Desenvolver uma escuta atenta sobre os motivos que levam o adolescente a cogitar o suicídio
  • Ressaltar a esperança na possibilidade de melhora pela psicoterapia ou pela medicação antidepressiva
  • A melhora inicial do paciente em meio ao tratamento não descarta hipótese de suicídio. Pelo contrário, em alguns casos os pacientes buscam a morte no momento da melhora
  • Não tenha preconceito com internação, caso especialistas recomendem. Ela pode preservar vidas. Geralmente, as camadas mais abastadas relutam em aceitar a medida

INTERNET

  • Mantenha-se vigilante em relação aos sites freqüentados pelo seu filho
  • Um adolescente na Internet, sem cuidado, pode entrar em contato com grupos que se dizem suicidas
  • Pessoas doentes buscam na Internet uma forma de amenizar seu estado, mas acabam encontrando pessoas tão ou mais doentes
  • Adolescentes de um modo geral são curiosos e podem, eventualmente, se deparar com suicidas na rede. O alerta, porém, é quando eles freqüentam exclusivamente sites que fazem apologia à morte

Fontes: Silzá Tramontina, psiquiatra de Crianças e Adolescente, e Enio Resmini, psiquiatra e autor do livro Tentativa de Suicídio – Um prisma para a Compreensão da Adolescência. Editora Revinter, ano: 2004.

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Porto Alegre, 26 de julho de 2006. Um jovem de 16 anos planeja a hora e o local de sua morte. Ele compartilha o momento do seu suicídio com outras pessoas em um fórum virtual na Internet. Foi em um desses fóruns que o adolescente encontrou pessoas que o incentivaram a levar adiante a idéia.

Um mês. Esse foi o tempo que o garoto teve para planejar e pedir orientações sobre o método mais fácil para cometer o suicídio. O plano já havia sido anunciado através de um "blog" (espécie de diário na web) que ele mantinha na Internet. Além dos participantes darem dicas sobre a forma mais eficiente para se matar, eles acompanharam, em tempo real, o momento de sua morte. O banheiro do apartamento onde morava com os pais seria o local da tragédia.
 

11 horas. Essa seria a hora marcada para o suicídio.
 

14h18min. Os planos do jovem ainda não se concretizaram. "Eu tenho duas grelhas queimando no banheiro. Aqui está (uma foto é postada para que os demais usuários da rede visualizem), alguém, por favor, pode me dizer… quando eu posso entrar no banheiro e deitar? Por favor, me ajudem, eu não tenho muito tempo", indaga o adolescente.
 

Intoxicação. Essa foi a maneira escolhida por ele. No entanto, ele temia que os pais retornassem e não desse tempo para concluir o plano de morte.
 

14h42min. "Como você está se virando? Espero que você consiga o que quer", incentiva um dos internautas.
 

14h44min. "Eu não suporto esse calor. O que eu devo vestir para tornar isso mais suportável? O que eu posso fazer? ? ? Pelo amor de Deus, alguém por favor me ajude", suplica o jovem.
 

15h11min. O mesmo internauta alerta para os riscos oferecidos a terceiros: "Isso pode afetar seus vizinhos…".
 

Horas mais tarde. "Acredito que funcionou já que ele não tem estado em contato…", conclui um dos participantes. 
 

Ao perceber a gravidade da situação, uma jovem do Canadá liga à polícia gaúcha que chega ao local tarde demais. Trágico demais. Lamentável.
 

Essa é apenas uma das milhares de histórias que acontecem diariamente e que acabam virando banalidade. Mas um suicídio, por acontecer nessas circunstâncias, gera questionamentos.
Embora possa ser considerado um problema de saúde pública, esse tema ainda é tratado como um tabu, sem grandes discussões e com uma certa distância pela sociedade.
 

A polêmica que envolve o suicídio atinge as comunidades virtuais. Na abertura de uma delas, “Depressão e Suicídio”, são apontados 21 sintomas mais comuns presentes nas pessoas que já pensaram em se matar. Nessa comunidade, uma das maiores relacionadas ao assunto e que possui mais de 270 membros, é comum encontrar tópicos com mensagens que defendem a morte como forma de solucionar os problemas.
 

Atualmente, o Orkut conta com 204 comunidades cujo nome contenha a palavra "suicídio" ou "suicidio" (sem acento). Com o nome "suicide" (suicídio em inglês), há 29 comunidades criadas.
 

A natureza desse site de relacionamentos, que permite o encontro de pessoas distantes em torno de um gosto ou preferência comum, também aproxima quem passa por dificuldades semelhantes. Quando a família ou os amigos não compreendem como se sente alguém com sintomas de depressão, essa pessoa busca outras formas de ser ouvida. "As pessoas se sentem compreendidas quando encontram outras passando pelos mesmos problemas", explica a psicóloga Milena Leite. Ela também aponta que o fato de haver poucos grupos de ajuda anônimos, como AA (para alcoólatras), leva à criação de grupos de auto-ajuda no Orkut.
 

Os membros dessas comunidades buscam ser ouvidos por quem possa entender seus problemas. Como o assunto é polêmico, muitos preferem não se identificar, divulgando informações e opiniões de forma anônima. Na comunidade "Suicídio (suicidio)", Miriam Alves deixa vários tópicos com mensagens de auto-ajuda e diz que as pessoas entram apenas para desabafar e, muitas vezes, com nomes fictícios. Segundo ela, são pessoas tristes que precisam de ajuda e buscam o Orkut ao invés de procurarem psicólogos ou conversarem com pais e amigos. "Eu entrei nessa comunidade, pois já pensei em cometer suicídio. Não tive ajuda de ninguém, apenas o meu dia-a-dia me fazia sentir melhor", justifica.
 

Membro da comunidade "Depressão e Suicídio", Covallini acredita que essas comunidades não suprem o apoio da família ou de amigos, mas permitem fazer novas amizades quando não se recebe apoio deles. Para ele, as comunidades sobre suicídio são ambientes em que as pessoas se entendem e confraternizam.
 

Segundo Milena, o apoio no Orkut não é ruim, mas os profissionais de saúde podem aproveitar melhor essa oportunidade para intervenção. Ela se preocupa com o fato de existir membros de algumas comunidades que desencorajam os demais a buscar ajuda profissional. Segundo a psicóloga, a depressão é uma doença e precisa ser tratada com medicação e mudanças no estilo de vida. "Ficar em casa durante todo o tempo, na internet ou na televisão, não vai resolver os problemas dessas pessoas, pelo contrário, vai agravá-los ainda mais", afirma.
 

É comum encontrar membros nessas comunidades que declaram não serem capazes de cometer suicídio, mas que buscam ajuda. Na comunidade "Suicidio", Ronaldo diz que entrou para desabafar. "Não acredito que eu seja capaz de me matar, porém já pensei na possibilidade várias vezes”, confessa.
 

A grande quantidade de membros com pensamento semelhante ao de Ronaldo é vulnerável às críticas de pessoas que entram nessas comunidades com outros fins. O Orkut permite que potenciais suicidas se encontrem para procurar ajuda e apoiar aos outros. Mas eles também acabam sendo expostos a membros que não compartilham das mesmas idéias. Na comunidade "Suicidio eh a solução?!", um usuário deixa uma mensagem criticando alguns de seus membros: "Eles ficam fazendo tópicos dizendo que vão se matar, e no final não acabam fazendo nada. Eles fazem isso só para aparecer. Por que não se matam de uma vez?", ironiza.
 

Mensagens como essas geralmente provocam discussões, com algumas respostas agressivas, irônicas ou críticas, como a que foi dada por outro membro no mesmo tópico: "Sou um fraco porque sou um potencial suicida e não encaro minha vida como deveria. E você é um fraco por não conseguir ajudar ou enxergar a ajuda que poderia estar dando a terceiros", afirma Juh. Logo abaixo, aparece outra mensagem postada por um anônimo: "Antes de falar daquilo que não conhece, se informe a respeito do assunto. Tive um suicídio na família. Minha esposa fez isso. Ela não era covarde, e sim estava com essa maldita doença. Não julgue, se informe e fique com Deus", declara.
 

A religião como salvação também é debatida
Questões relativas à religiosidade estão expressas em diversas comunidades relacionadas ao assunto. É comum encontrar usuários que usam a fé como argumento para não cometer o ato suicida. Na comunidade "eu ja pensei em suicidio", um tópico intitulado "Suicídio: o pior dos crimes" é um exemplo de como a religiosidade está presente na discussão, refletindo o que acontece na sociedade. O criador do tópico rejeita o suicídio: "Isso deve ser banido de qualquer pensamento no mínimo ajuizado. Nem os animais cometem suicídio", justifica Wagner Vianna.
 

O livre arbítrio é utilizado como contra-argumento por vários membros da comunidade nesse tópico. "Todos temos nossa liberdade e podemos fazer o que quisermos das nossas vidas. Podemos tirá-la ou não, essa é uma escolha nossa", rebate um dos membros.
 

Além da fé, outras alternativas são apontadas. A descrição da comunidade "Suicídio diga não seja forte" sugere aos seus membros que procurem auxiliar amigos que estejam com dificuldades, e inclusive incentiva o voluntariado. "Eu aconselho quem estiver pensando muito em tirar a própria vida por motivos fúteis que, às vezes, não parecem ter solução, tentar o seguinte: ir para algum hospital e se oferecer como voluntário. Ajude algumas pessoas e faça amizades ao invés de jogar fora a própria vida. Faça uma doação da sua vida por algum tempo para pessoas que estão lutando pela própria vida".
 

Comunidades apontam alternativas suicidas e membros expõem suas razões
Embora algumas comunidades relacionadas ao suicídio não defendam que seus membros busquem ajuda de psicólogos ou terapeutas, há outras mais conscientes que pedem auxílio de profissionais. A comunidade "Suicídio? Não!", em sua página inicial, pede para que profissionais da área e pessoas dispostas a ajudar umas às outras participem.
 

A maioria dos integrantes busca ajuda para desabafar e conversar com pessoas que também estejam em momentos difíceis. Entretanto, alguns buscam dicas de como cometer suicídio. Algumas comunidades como "Formas de se matar" e "Suicídio & Auto mutilação“ possuem vários tópicos com esse objetivo. Em uma das mensagens, um membro pede nome de venenos mortais. É sugerido a ele o cianeto de potássio, uma substância altamente tóxica, comercializada em todo o país principalmente com fins agrícolas para o combate de formigas.
 

Um dos conselhos mais comuns e que é passado aos potenciais suicidas é o envenenamento por substâncias tóxicas ou corrosivas. Inclusive são aconselhados venenos específicos e formas de ingeri-los.
 

Na comunidade "Suicide solution", por exemplo, em um dos tópicos é citado que o uso de veneno de rato para suicídio requer isolamento: "Toma apenas um pouco porque se tomar muito diminui o efeito e ainda pode ser socorrido. Tranca o quarto por dentro quando for tomar para não se arrepender. Como a morte é dolorosa, você vai começar a vomitar e a fazer barulho, se debatendo e babando. Então pode vir alguém para ver o que está havendo. Com o quarto fechado, não haverá tempo de ir para o hospital", sugere um dos usuários.
 

Outras formas de cometer suicídio são aconselhadas nas comunidades, como enforcamento, queda de local elevado e morte por arma de fogo. Há inclusive dicas de como atirar em partes vitais do sistema nervoso central, provocando uma morte instantânea e menos dolorosa.
 

É comum vermos os motivos que induzem ao suicídio. "Eu tenho transtorno obsessivo compulsivo, sou tímido e introvertido. Além disso, fui muito humilhado na infância", desabafa Ricardo. Outro membro acredita não haver mais sentido continuar vivo pelo fato de viver sozinho: "Se eu me matar, garanto que ninguém vai sentir falta. Que sentido há de viver, se não posso compartilhar sentimentos com ninguém?", indaga um anônimo. O tópico intitulado "Por que vocês são depre’s?", uma adolescente de 18 anos diz ser depressiva porque seus pais não acreditam na capacidade dela. "Meu pai fala que eu nunca deixo ele orgulhoso e minha mãe me compara com todas as filhas das amigas dela e eu nunca sou boa o bastante", desabafa.
 

Na comunidade "eu já pensei em suicidio", o tópico "Motivos para viver!!!" divide opiniões. "Não tenho nenhum motivo pra viver nem pra morrer. Vivo esperando o que tiver que ser. Já não tenho a alegria de dizer que amo a vida, mas também não sou hipócrita de dizer que amo a morte", declara Cris. "Só to esperando o momento pra sair daqui. Não agüento esse mundo nojento e canalha. Só quero tirar esse fardo tão pesado que levo. Só quero ser feliz, se aqui não dá, não posso forçar! Aí gente, to mal mesmo!", desabafa o usuário Rafael. "Minha família é o único motivo pra eu viver", diz Cleiton. "Deus morreu por mim. É egoísmo jogar a vida fora na primeira dificuldade sem lutar para superar. Eu vou superar", acredita Rafael.
 

O suicídio e a mídia
A divulgação de ocorrências de suicídio na mídia é um tema polêmico na sociedade e no Orkut também. Muitos membros desaprovam que o suicídio seja noticiado. O usuário Lancaster, da comunidade "Suicidio coletivo", não aprova notícias de suicídios, pois considera que as razões não precisam ser do conhecimento de todos.
 

Outros membros gostariam que houvesse uma divulgação maior de notícias do gênero, para chamar a atenção da sociedade. Na comunidade "Suicídio eh a solução?!" o tópico "Atriz global se mata!!!" discute o assunto. O título remete à morte da atriz Ariclê Perez, que em 26 de março deste ano, caiu do décimo andar de seu apartamento em São Paulo. Ela parecia estar em um período de depressão, gerando suspeitas de suicídio não confirmadas pelas investigações da polícia.
 

Segundo um dos membros da comunidade, a sociedade precisa começar a tratar do suicídio de maneira mais séria e menos preconceituosa. "O suicida precisa de atenção e ajuda e não simplesmente ser tratado como covarde e louco", justifica.
 

A psicóloga Milena Leite aponta que vários profissionais e algumas pesquisas sobre suicídio indicam que informações sobre números de suicídios e divulgação de casos podem aumentar esse problema, encorajando as pessoas a cometerem o ato. Contudo, não há um consenso sobre o assunto.
 

Para Maurício Martinho a divulgação de notícias sobre o assunto é mediana: "Não me parece haver negligência por parte da imprensa, nem valorização real do problema", acredita o psicólogo.
 

Outra questão polêmica referente à divulgação de notícias de suicídios refere-se à morte de personalidades conhecidas do público. Na comunidade "Kurt Kobain-Suicidio", o membro César comenta sobre a questão. Ele acredita que as pessoas idolatram seus ídolos e querem ser iguais a eles, independentemente do preço a ser pago por isso. "Grandes artistas, como Kurt Cobain, conseguem tocar as pessoas de uma maneira que alguns tendem a tomá-los como deuses. E isso não é verdade porque eles são pessoas comuns", comenta ele, referindo-se ao ex-vocalista da banda americana Nirvana, que se suicidou no dia 8 de abril de 1994.
 

Neste mundo caótico e sem privacidade, o Orkut é um lugar onde a sociedade assume um papel de rede social sem privacidade, em que os usuários expõem detalhes da vida profissional e pessoal, podendo acessar os perfis uns dos outros.
Um banco de dados com informações de mais de 14 milhões de pessoas é exposto publicamente na web. É um canal de informação livre, para abordar inclusive temas pouco expostos em meios sociais mais tradicionais.
 

A visita a comunidades que tratam sobre o suicídio revela uma oposição interessante. Por mais que a palavra esteja ligada à morte ou ao fim de um ciclo, a maioria dos membros dessas comunidades busca justamente o contrário. Na comunidade "Suicídio (suicidio)", mais da metade dos tópicos criados buscam ajuda.  Alguns exemplos de tópicos são: "Socorre a ti mesmo", "Segue com Deus", "Sinais de Luz" e "Pedido de Oração". Essas pessoas entram nas comunidades para desabafar e superar seus problemas, pois querem viver melhor e iniciar um ciclo de felicidade em suas vidas.
 

Rayssa, membro de algumas dessas comunidades, resume o perfil de quem usa o Orkut para falar sobre o suicídio: "Acredito que algumas pessoas entrem para ajudar, outras entram para serem ajudadas. Tem aquelas que entram para tirar sarro, enquanto alguns dizem coisas piores…", define.
 

Dados Assustadores
Um relatório aprovado pelo Parlamento Europeu, no início de setembro, informou que, a cada ano, ocorrem 58 mil suicídios na União Européia. Esse número é superior às mortes causadas pela Aids ou por acidentes de trânsito.
 

A região que apresenta os mais altos índices do planeta é a Europa Oriental, na qual alguns países ultrapassam a marca de 40 mortes por 100 mil habitantes. No Brasil, são 4,5 por 100 mil.
Um levantamento do Ministério da Saúde revela que o Rio Grande do Sul tem o maior índice de suicídios entre homens no país – 16,6 casos para cada grupo de 100 mil – e que Porto Alegre é a quinta Capital em episódios.
 

Em recente relatório, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou a ocorrência no mundo de um suicídio a cada 40 segundos e uma tentativa a cada três segundos. O relatório sugere algumas medidas para minimizar o problema: preparação mais adequada dos profissionais de saúde que lidam com portadores de situações de risco, como depressão e alcoolismo, dificultar o acesso a meios letais mais usados, como armas de fogo e pesticidas, além de divulgação mais intensa dos trabalhos voluntários à disposição da coletividade, cuja principal ferramenta é o telefone.
 

Nesse último item, destaca-se no Brasil, o trabalho executado pelos 2.500 voluntários do Centro de Valorização da Vida (CVV) que, em 57 unidades espalhadas pelo país, receberam, em 2005, mais de um milhão de chamadas telefônicas, isto é, uma a cada 30 segundos. O CVV pode ser facilmente acessado pelo telefone 141.
 

Os Cuidados
Especialistas apontam causas, indicam sintomas e orientam pais a reconhecer comportamentos de risco em adolescentes:
 

OS SINTOMAS

  • Apatia pouco usual, sonolência, falta de apetite
  • Insônia persistente, ansiedade ou angústia permanente
  • Abuso de álcool, droga ou remédios
  • Grande impulsividade, agressividade
  • Dificuldades de relacionamento e integração na família ou em outros grupos
  • Insucesso escolar repentino
  • Afastamento ou isolamento social
  • Dizer adeus, como se não fosse mais ser visto

AS CAUSAS

  • Falta de perspectivas
  • Desemprego
  • Violência
  • Depressão
  • Bipolaridade

OS CUIDADOS

  • Avaliar os riscos e identificar as pessoas capazes de auxiliar na proteção do jovem
  • Manter uma atitude não crítica e não julgadora
  • Desenvolver uma escuta atenta sobre os motivos que levam o adolescente a cogitar o suicídio
  • Ressaltar a esperança na possibilidade de melhora pela psicoterapia ou pela medicação antidepressiva
  • A melhora inicial do paciente em meio ao tratamento não descarta hipótese de suicídio. Pelo contrário, em alguns casos os pacientes buscam a morte no momento da melhora
  • Não tenha preconceito com internação, caso especialistas recomendem. Ela pode preservar vidas. Geralmente, as camadas mais abastadas relutam em aceitar a medida

INTERNET

  • Mantenha-se vigilante em relação aos sites freqüentados pelo seu filho
  • Um adolescente na Internet, sem cuidado, pode entrar em contato com grupos que se dizem suicidas
  • Pessoas doentes buscam na Internet uma forma de amenizar seu estado, mas acabam encontrando pessoas tão ou mais doentes
  • Adolescentes de um modo geral são curiosos e podem, eventualmente, se deparar com suicidas na rede. O alerta, porém, é quando eles freqüentam exclusivamente sites que fazem apologia à morte

Fontes: Silzá Tramontina, psiquiatra de Crianças e Adolescente, e Enio Resmini, psiquiatra e autor do livro Tentativa de Suicídio – Um prisma para a Compreensão da Adolescência. Editora Revinter, ano: 2004.