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Violência não escolhe classe social

Embora estatísticas demonstrem que há mais denúncias de casos de agressão contra mulheres das camadas populares, as mulheres de classe média e/ou média alta também sofrem com a violência física e psicológica.

 

A violência doméstica é um dos principais problemas que afeta a saúde feminina nos dias de hoje. Estudos sobre a história da mulher revelam que seu papel na sociedade sempre esteve atrelado ao fato de terem menos status que o homem. Embora já haja uma revolução neste sentido nos dias atuais, o homem ainda assume posição ativa de poder frente à mulher. Esta, acaba se submetendo a humilhações de seu parceiro sofrendo, muitas vezes, calada à violência física e psicológica.

 

As agressões contra mulheres de classe média e/ou média alta geralmente não é denunciada em delegacias. Por terem mais condições financeiras, uma alternativa é recorrer à terapia ou dividir seus problemas com amigas. Assim, suas dificuldades acabam não chegando ao conhecimento dos órgãos públicos. “No meio sócio-econômico menos privilegiado, as mulheres têm suas vidas mais expostas, mais abertas”, analisa a coordenadora do curso de Psicologia da UNIFRA Fernanda Pires Jaeger.

Projetos municipais e denúncias na ajuda à mulher

Desde o mês de setembro do ano de 2005, o número de mulheres santa-marienses que procuraram ajuda quando agredidas, aumentou. São mães de crianças atendidas pelo Acolher, Serviço de Proteção a Vítimas de Violência Física, Psicológica e Sexual. O projeto atende mulheres menores de 18 anos e funciona junto ao CAVV, que presta auxílio a mulheres maiores de idade. Segundo a diretora do Centro, Márcia Regina Ceretta, estas mulheres não denunciam e nem procuram auxílio por falta de coragem, oportunidades ou  conhecimento.

 

A partir de novembro do ano passado, a Secretaria de Assistência Social de Santa Maria e o Acolher passaram a realizar um serviço mais direto com a Delegacia da Mulher. Trata-se de um trabalho de conscientização, já que muitas vítimas são encaminhadas para o CAVV sem ao menos terem denunciado o agressor. Hoje, ocorre o contrário. As mulheres já vem com as denúncias feitas e é feito um trabalho para que saibam lidar com a situação após esta denúncia, com atendimento psicológico, social e jurídico. “Ainda há uma banalização sobre este assunto na sociedade, pois muitas não questionam a sua própria realidade”, comenta a diretora Márcia Regina.

 

 

No início, muitas mulheres não se dão conta que estão sofrendo violência que, em geral, é cometida pelos próprios maridos. Ainda não há dados consistentes e estimativas sobre a presença da violência familiar nas classes médias e alta, por se tratar de uma temática difícil de ser abordada e comentada abertamente pelas pessoas. Conforme a psicóloga Fernanda, seria válido e de extrema importãncia um trabalho preventivo e de conscientização desde a infância, favorecendo os laços de família, havendo discussões em cima do tema e explicando que não é bom as pessoas se submeterem a maus tratos.

 

O procedimento de denúncia é feito junto à Delegacia da Mulher, localizada rua Duque de Caxias. A vítima prestará uma queixa e será ouvida pela delegada Débora Dias, que não foi encontrada pela nossa reportagem. Esta, mandará uma intimação ao responsável, que comparecerá à delegacia para depor sobre o caso. A advogada criminalista Ângela Carvalho explica que, após esse processo, a autoridade policial fará o indiciamento, que será remetido ao judiciário com representação de prisão. O promotor fará a denúncia, que será recebida pelo juiz, tendo início o processo. Segundo Ângela, para os órgãos públicos, trata-se de uma tarefa simples. “Não é fácil para a mulher, que acha que irá se expor demais fazendo a denúncia, por isso, muitas preferem se calar.”, explica a advogada.

 

O auxílio às vítimas é feito através de psicoterapia, em que a pessoa tenha condições de reconstruir sua trajetória pessoal e repensar sua vida. Em certos casos, pode haver um stress pós-traumático, e em outros, a melhor alternativa é a de se afastar da família. “Acredito que existam questões sociais e econômicas como o fato de ainda existirem tabus referentes à mulher separada, perda dos filhos, ameaças,…”, complementa Fernanda Pires.

 

 

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Embora estatísticas demonstrem que há mais denúncias de casos de agressão contra mulheres das camadas populares, as mulheres de classe média e/ou média alta também sofrem com a violência física e psicológica.

 

A violência doméstica é um dos principais problemas que afeta a saúde feminina nos dias de hoje. Estudos sobre a história da mulher revelam que seu papel na sociedade sempre esteve atrelado ao fato de terem menos status que o homem. Embora já haja uma revolução neste sentido nos dias atuais, o homem ainda assume posição ativa de poder frente à mulher. Esta, acaba se submetendo a humilhações de seu parceiro sofrendo, muitas vezes, calada à violência física e psicológica.

 

As agressões contra mulheres de classe média e/ou média alta geralmente não é denunciada em delegacias. Por terem mais condições financeiras, uma alternativa é recorrer à terapia ou dividir seus problemas com amigas. Assim, suas dificuldades acabam não chegando ao conhecimento dos órgãos públicos. “No meio sócio-econômico menos privilegiado, as mulheres têm suas vidas mais expostas, mais abertas”, analisa a coordenadora do curso de Psicologia da UNIFRA Fernanda Pires Jaeger.

Projetos municipais e denúncias na ajuda à mulher

Desde o mês de setembro do ano de 2005, o número de mulheres santa-marienses que procuraram ajuda quando agredidas, aumentou. São mães de crianças atendidas pelo Acolher, Serviço de Proteção a Vítimas de Violência Física, Psicológica e Sexual. O projeto atende mulheres menores de 18 anos e funciona junto ao CAVV, que presta auxílio a mulheres maiores de idade. Segundo a diretora do Centro, Márcia Regina Ceretta, estas mulheres não denunciam e nem procuram auxílio por falta de coragem, oportunidades ou  conhecimento.

 

A partir de novembro do ano passado, a Secretaria de Assistência Social de Santa Maria e o Acolher passaram a realizar um serviço mais direto com a Delegacia da Mulher. Trata-se de um trabalho de conscientização, já que muitas vítimas são encaminhadas para o CAVV sem ao menos terem denunciado o agressor. Hoje, ocorre o contrário. As mulheres já vem com as denúncias feitas e é feito um trabalho para que saibam lidar com a situação após esta denúncia, com atendimento psicológico, social e jurídico. “Ainda há uma banalização sobre este assunto na sociedade, pois muitas não questionam a sua própria realidade”, comenta a diretora Márcia Regina.

 

 

No início, muitas mulheres não se dão conta que estão sofrendo violência que, em geral, é cometida pelos próprios maridos. Ainda não há dados consistentes e estimativas sobre a presença da violência familiar nas classes médias e alta, por se tratar de uma temática difícil de ser abordada e comentada abertamente pelas pessoas. Conforme a psicóloga Fernanda, seria válido e de extrema importãncia um trabalho preventivo e de conscientização desde a infância, favorecendo os laços de família, havendo discussões em cima do tema e explicando que não é bom as pessoas se submeterem a maus tratos.

 

O procedimento de denúncia é feito junto à Delegacia da Mulher, localizada rua Duque de Caxias. A vítima prestará uma queixa e será ouvida pela delegada Débora Dias, que não foi encontrada pela nossa reportagem. Esta, mandará uma intimação ao responsável, que comparecerá à delegacia para depor sobre o caso. A advogada criminalista Ângela Carvalho explica que, após esse processo, a autoridade policial fará o indiciamento, que será remetido ao judiciário com representação de prisão. O promotor fará a denúncia, que será recebida pelo juiz, tendo início o processo. Segundo Ângela, para os órgãos públicos, trata-se de uma tarefa simples. “Não é fácil para a mulher, que acha que irá se expor demais fazendo a denúncia, por isso, muitas preferem se calar.”, explica a advogada.

 

O auxílio às vítimas é feito através de psicoterapia, em que a pessoa tenha condições de reconstruir sua trajetória pessoal e repensar sua vida. Em certos casos, pode haver um stress pós-traumático, e em outros, a melhor alternativa é a de se afastar da família. “Acredito que existam questões sociais e econômicas como o fato de ainda existirem tabus referentes à mulher separada, perda dos filhos, ameaças,…”, complementa Fernanda Pires.