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“A melhor tecnologia ainda é o bloco de papel”

     O jornalista Giovani Grizotti, que trabalha na  RBS TV desde 2001, encerrou os trabalhos do Fórum, na noite de ontem, com a palestra "As Tecnologias para Investigação nos Meios Audiovisuais". Grizotti possui no currículo 37 prêmios na área do jornalismo investigativo e mostrou as ferramentas utilizadas para a realização do seu trabalho como  o uso da câmera escondida, por exemplo.  Porém, enfatizou de que nada adianta a existência de tecnologias se não houver  alguém capacitado para operá-las. Mostrou na prática a importância do trabalho em equipe, com a presença dos cinegrafistas que o acompanham na produção e elaboração das matérias compondo a mesa de discussão.

     O jornalista mostrou aos participantes as polêmicas câmeras escondidas inseridas em bonés, canetas, botões, celulares, artifícios da tecnologia que ajudam o repórter investigativo, atualmente, a desenvolver seu trabalho. Segundo Grizotti, essas ferramentas possibilitam que chegue ao conhecimento dos telespectadores, bem como aos órgãos públicos, fatos que sem elas não seria possível. “Sempre quando se grava uma pessoa sem ela ter conhecimento, a gente só faz isso em função do interesse público que existe naquele fato e no direito que a pessoa tem de receber a informação e, mais do que isso, em evitar o crime ou determinado delito que é possível acontecer”, informa.

     O palestrante falou que muitas das pautas surgem em função da falta de competência de determinados órgãos públicos em resolver e investigar determinada situação: “Quando as pessoas nos procuram pra denunciar determinado fato é porque ou as outras portas se fecharam, ou porque elas não conseguiram nas instituições que deveriam ter investigado, que deveriam ter descoberto aquele fato antes do jornalista e não o fizeram. As pessoas acabam recorrendo à imprensa porque não tem outra forma, não confiam em mais ninguém. Infelizmente essa é a realidade que a gente tá vivendo hoje”, desabafa Grizotti.

     O clima diário vivido pelo repórter investigativo é de tensão. Grizotti não tem documento nenhum cadastrado com seu endereço pessoal, quando vai a festas pede para não ser anunciado publicamente, não aparece no vídeo nas reportagens que produz e esse também é o motivo de a ACS não ter colocado nenhuma fotografia do jornalista nesta matéria, a segurança. Apesar de todos esses cuidados diários, Grizotti disse, quando questionado se ele sente que sua vida se assemelha a um filme da ação, que não vê o que faz com esse romantismo e ironizou que o grande sonho dele não é acabar com a miséria no mundo e que corre todos esses riscos porque sente muito prazer no que faz e esse, para ele, é o segredo para um jornalista dar certo.

     Porém, em um dos momentos de sua exposição  Grizotti deixou transparecer que o maior prêmio que um jornalista pode ter é ver seu trabalho repercutido, e citou o caso da reportagem premiada que denunciou a “Farra dos vereadores turistas” Como resultado da sua investigação, 29 vereadores foram processados judicialmente e 3 ainda estão respondendo a inquérito. Através de uma câmera escondida em forma de caneta, inicialmente, o jornalista conseguiu exibir em rede nacional o que estava sendo feito ilegalmente com o dinheiro público naquela determinada situação. Mas, segundo ele, não adiantava ele ter a câmera escondida e não saber manuseá-la ou não saber lidar com os riscos, como aconteceu no último dia dessa investigação quando uma pessoa desconfiou da presença da câmera. “Teve um momento em que caiu a minha mochila, onde se encontrava a câmera, no chão e uma pessoa viu a caneta. Ela, desconfiada, me perguntou: ‘- o que é isto?’ e eu respondi : uma caneta”, revela.

     Os cinegrafistas Guto Teixeira e Jean Carlos Barzi acompanharam aos trabalhos da noite sentados ao lado de Grizzoti, que enfatizou a importância do trabalho em conjunto do repórter e cinegrafista. “O trabalho deles extrapola as atividades pelas quais são pagos. Chamo o Guto no fechamento das matérias, além de me acompanhar sempre nas entrevistas. Já o ‘Caco’ é auxiliar e opera a câmera escondida em lugares que o meu rosto já é conhecido”, ressalta Grizotti.

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     O jornalista Giovani Grizotti, que trabalha na  RBS TV desde 2001, encerrou os trabalhos do Fórum, na noite de ontem, com a palestra "As Tecnologias para Investigação nos Meios Audiovisuais". Grizotti possui no currículo 37 prêmios na área do jornalismo investigativo e mostrou as ferramentas utilizadas para a realização do seu trabalho como  o uso da câmera escondida, por exemplo.  Porém, enfatizou de que nada adianta a existência de tecnologias se não houver  alguém capacitado para operá-las. Mostrou na prática a importância do trabalho em equipe, com a presença dos cinegrafistas que o acompanham na produção e elaboração das matérias compondo a mesa de discussão.

     O jornalista mostrou aos participantes as polêmicas câmeras escondidas inseridas em bonés, canetas, botões, celulares, artifícios da tecnologia que ajudam o repórter investigativo, atualmente, a desenvolver seu trabalho. Segundo Grizotti, essas ferramentas possibilitam que chegue ao conhecimento dos telespectadores, bem como aos órgãos públicos, fatos que sem elas não seria possível. “Sempre quando se grava uma pessoa sem ela ter conhecimento, a gente só faz isso em função do interesse público que existe naquele fato e no direito que a pessoa tem de receber a informação e, mais do que isso, em evitar o crime ou determinado delito que é possível acontecer”, informa.

     O palestrante falou que muitas das pautas surgem em função da falta de competência de determinados órgãos públicos em resolver e investigar determinada situação: “Quando as pessoas nos procuram pra denunciar determinado fato é porque ou as outras portas se fecharam, ou porque elas não conseguiram nas instituições que deveriam ter investigado, que deveriam ter descoberto aquele fato antes do jornalista e não o fizeram. As pessoas acabam recorrendo à imprensa porque não tem outra forma, não confiam em mais ninguém. Infelizmente essa é a realidade que a gente tá vivendo hoje”, desabafa Grizotti.

     O clima diário vivido pelo repórter investigativo é de tensão. Grizotti não tem documento nenhum cadastrado com seu endereço pessoal, quando vai a festas pede para não ser anunciado publicamente, não aparece no vídeo nas reportagens que produz e esse também é o motivo de a ACS não ter colocado nenhuma fotografia do jornalista nesta matéria, a segurança. Apesar de todos esses cuidados diários, Grizotti disse, quando questionado se ele sente que sua vida se assemelha a um filme da ação, que não vê o que faz com esse romantismo e ironizou que o grande sonho dele não é acabar com a miséria no mundo e que corre todos esses riscos porque sente muito prazer no que faz e esse, para ele, é o segredo para um jornalista dar certo.

     Porém, em um dos momentos de sua exposição  Grizotti deixou transparecer que o maior prêmio que um jornalista pode ter é ver seu trabalho repercutido, e citou o caso da reportagem premiada que denunciou a “Farra dos vereadores turistas” Como resultado da sua investigação, 29 vereadores foram processados judicialmente e 3 ainda estão respondendo a inquérito. Através de uma câmera escondida em forma de caneta, inicialmente, o jornalista conseguiu exibir em rede nacional o que estava sendo feito ilegalmente com o dinheiro público naquela determinada situação. Mas, segundo ele, não adiantava ele ter a câmera escondida e não saber manuseá-la ou não saber lidar com os riscos, como aconteceu no último dia dessa investigação quando uma pessoa desconfiou da presença da câmera. “Teve um momento em que caiu a minha mochila, onde se encontrava a câmera, no chão e uma pessoa viu a caneta. Ela, desconfiada, me perguntou: ‘- o que é isto?’ e eu respondi : uma caneta”, revela.

     Os cinegrafistas Guto Teixeira e Jean Carlos Barzi acompanharam aos trabalhos da noite sentados ao lado de Grizzoti, que enfatizou a importância do trabalho em conjunto do repórter e cinegrafista. “O trabalho deles extrapola as atividades pelas quais são pagos. Chamo o Guto no fechamento das matérias, além de me acompanhar sempre nas entrevistas. Já o ‘Caco’ é auxiliar e opera a câmera escondida em lugares que o meu rosto já é conhecido”, ressalta Grizotti.