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Em debate, o marketing

 Dando continuidade ao V Fórum de Comunicação da Unifra, os acadêmicos de Publicidade e Propaganda assistiram, na manhã de hoje, duas palestras: uma voltada às Tecnologias Digitais e outra sobre Marketing. A segunda delas foi proferida por Hernani Dimantas, consultor em Privacidade e Marketing, editor da e-Zine Marketing Hacker, pós-graduado em marketing pela Fundação Getúlio Vargas(FGV), analista de mercado e membro do LIDEC (laboratório de inclusão digital e educação comunitária de São Paulo).

A palestra foi iniciada com questões atuais sobre as novas tecnologias digitais. Com conceitos simples, Dimantas explicou o que é Internet: “é um lugar onde podemos publicar as nossas opiniões de uma maneira jamais vista. Ela aproxima o mundo e tudo acontece entre comunidades. A internet nasceu da contracultura. A noção de rede, ou seja, a tecnologia básica data dos anos 70. Ela é mais que um lugar, é uma ‘coisa’. É algo que não tem a ver diretamente com os computadores, mas sim com as pessoas. Somos nós quem dominamos as máquinas”, destaca.

 Durante a palestra, ele falou sobre seu trabalho, suas atividades e disse que lê bastante. No livro “O Manifesto de Cluetrain”, do qual são discutidas teses sobre a internet, destaca seu ponto de vista: “desse livro, posso resumir que os mercados, na internet, são conversações. Isso é o que te ‘vende’. Procura teu nome no Google e vê quantos links aparece. Se tiver bastante é porque você tem reputação. Outra coisa, é que na internet, o falar sai barato. É só você ter idéias boas e saber pô-las em prática para que você atinja os usuários que deseja. Essa é a melhor estratégia para que o publicitário tenha sucesso e seja reconhecido pelo que faz”, enfatiza.

Hoje, quase todos possuem internet em casa. Isso gera maior circulação de informação. Dimantas explica que isso é muito importante. O publicitário agencia opiniões e trabalha com a idéia do viral (algo que ele cria e acaba virando mania, digamos assim).

Algumas empresas usam essa idéia, mas sempre focando no perfil certo de usuário para ir direto ao público-alvo. Quando questionado sobre a relação dessas novas tecnologias com o mercado, Dimantas diz: “agora sim é a vez do mercado. Nele, a internet faz a diferença. O mercado já não é mais considerado massa, agora é rede mesmo! Isso faz com que o marketing tradicional se torne antiquado e ineficiente. Puxando para o lado prático, quem decide sobre a capacidade de cada empresa é o povo. Se a pessoa acessar o site, a empresa, pelo menos, será reconhecida. Futuramente, ganhará com isso. Se ninguém acessar, a empresa não ganha nada, mas também não perde", ressalta. É assim que funciona o marketing de mercado na internet, justamente pela sua característica de ser viral e aberta a todos. Dimantas diz que as pessoas fazem marketing até de si mesmas e cita dois exemplos: blog e orkut. "Vejo firmas contratando gente pelo orkut. Entram lá e visualizam o perfil da pessoa para ver se elas se encaixam com o da empresa. Essa é a melhor estratégia para conseguir emprego e encontrar a pessoa certa para ser empregada. Mais uma vez vem aquela velha história de que a internet é o maior meio de propaganda que existe!”, destaca.

Dimantas falou muito dos hackers e sobre esse assunto destacou que eles pregam o bom senso, a divisão de conhecimentos, a publicação de conteúdos livres, o direcionamento do público-alvo e que erroneamente são considerados crackers. “hacker não é cracker. O hacker construi e modifica programas para o bem da cultura digital. São chamados de “artesãos da tecnologia”. Foi a cultura hacker que implodiu os paradigmas impostos pela revolução industrial. Um deles foi a construção do Linux, que em 10 anos bateu a Microsoft apesar de ter começado sem recursos financeiros”, completa. 

Tratando-se de atualidades, ele fala sobre youtube, ipods, wikipédia e rádios online: “não digo que podemos chamar essa revolução tecnológica de convergência de mídias, mas hoje existe o youtube que é quase uma televisão online. Sem falar nas rádios disponibilizadas pela web. Mesmo assim essas duas opções não substituem seus verdadeiros veículos. A Wikipédia já tem menos polêmica, mas muitos dizem que não tem confiabilidade. Vi uma pesquisa, semana passada, que constatou que a confiabilidade é igual a da britânica, se não, melhor. Sobre ipod digo que muitos podem ter capacidade maior do que o próprio computador que temos em nossa casa".

A internet sem limites já tomou conta. A capacidade de armazenamento de informação tem crescimento exorbitante e essa falta de limites faz com que os usuários fique cada vez mais em rede”. Ao fim da palestra, Dimantas fala das virtudes da internet: “uma das virtudes é que está acessível a todas as pessoas e de diferentes classes sociais. Outra coisa é que todos podem usar, tanto crianças quanto adultos. Tem muita coisa na internet que considero importante e que a torna virtuosa como os hiperlinks – você escreve algo que acha importante então ‘superlinca’ a palavra e a pessoa tem uma teia de variedades para navegar. Tudo isso que falei, juntamente com a proximidade que a internet oferece, são as dádivas das quais devemos conhecer e admirar. Qualquer um pode melhorar a internet, os que pioram são os chamados crackers, estes sim destroem a infra-estrutura de um programa!”, encerra.

E, para finalizar, deixou uma mensagem aos futuros publicitários e profissionais da área da comunicação: “Com uma simples idéia, porém brilhante, a web terá seu efeito mais profundo”.

 Fotos: Núcleo de Fotografia e Memória (Joseana Stringin)

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 Dando continuidade ao V Fórum de Comunicação da Unifra, os acadêmicos de Publicidade e Propaganda assistiram, na manhã de hoje, duas palestras: uma voltada às Tecnologias Digitais e outra sobre Marketing. A segunda delas foi proferida por Hernani Dimantas, consultor em Privacidade e Marketing, editor da e-Zine Marketing Hacker, pós-graduado em marketing pela Fundação Getúlio Vargas(FGV), analista de mercado e membro do LIDEC (laboratório de inclusão digital e educação comunitária de São Paulo).

A palestra foi iniciada com questões atuais sobre as novas tecnologias digitais. Com conceitos simples, Dimantas explicou o que é Internet: “é um lugar onde podemos publicar as nossas opiniões de uma maneira jamais vista. Ela aproxima o mundo e tudo acontece entre comunidades. A internet nasceu da contracultura. A noção de rede, ou seja, a tecnologia básica data dos anos 70. Ela é mais que um lugar, é uma ‘coisa’. É algo que não tem a ver diretamente com os computadores, mas sim com as pessoas. Somos nós quem dominamos as máquinas”, destaca.

 Durante a palestra, ele falou sobre seu trabalho, suas atividades e disse que lê bastante. No livro “O Manifesto de Cluetrain”, do qual são discutidas teses sobre a internet, destaca seu ponto de vista: “desse livro, posso resumir que os mercados, na internet, são conversações. Isso é o que te ‘vende’. Procura teu nome no Google e vê quantos links aparece. Se tiver bastante é porque você tem reputação. Outra coisa, é que na internet, o falar sai barato. É só você ter idéias boas e saber pô-las em prática para que você atinja os usuários que deseja. Essa é a melhor estratégia para que o publicitário tenha sucesso e seja reconhecido pelo que faz”, enfatiza.

Hoje, quase todos possuem internet em casa. Isso gera maior circulação de informação. Dimantas explica que isso é muito importante. O publicitário agencia opiniões e trabalha com a idéia do viral (algo que ele cria e acaba virando mania, digamos assim).

Algumas empresas usam essa idéia, mas sempre focando no perfil certo de usuário para ir direto ao público-alvo. Quando questionado sobre a relação dessas novas tecnologias com o mercado, Dimantas diz: “agora sim é a vez do mercado. Nele, a internet faz a diferença. O mercado já não é mais considerado massa, agora é rede mesmo! Isso faz com que o marketing tradicional se torne antiquado e ineficiente. Puxando para o lado prático, quem decide sobre a capacidade de cada empresa é o povo. Se a pessoa acessar o site, a empresa, pelo menos, será reconhecida. Futuramente, ganhará com isso. Se ninguém acessar, a empresa não ganha nada, mas também não perde", ressalta. É assim que funciona o marketing de mercado na internet, justamente pela sua característica de ser viral e aberta a todos. Dimantas diz que as pessoas fazem marketing até de si mesmas e cita dois exemplos: blog e orkut. "Vejo firmas contratando gente pelo orkut. Entram lá e visualizam o perfil da pessoa para ver se elas se encaixam com o da empresa. Essa é a melhor estratégia para conseguir emprego e encontrar a pessoa certa para ser empregada. Mais uma vez vem aquela velha história de que a internet é o maior meio de propaganda que existe!”, destaca.

Dimantas falou muito dos hackers e sobre esse assunto destacou que eles pregam o bom senso, a divisão de conhecimentos, a publicação de conteúdos livres, o direcionamento do público-alvo e que erroneamente são considerados crackers. “hacker não é cracker. O hacker construi e modifica programas para o bem da cultura digital. São chamados de “artesãos da tecnologia”. Foi a cultura hacker que implodiu os paradigmas impostos pela revolução industrial. Um deles foi a construção do Linux, que em 10 anos bateu a Microsoft apesar de ter começado sem recursos financeiros”, completa. 

Tratando-se de atualidades, ele fala sobre youtube, ipods, wikipédia e rádios online: “não digo que podemos chamar essa revolução tecnológica de convergência de mídias, mas hoje existe o youtube que é quase uma televisão online. Sem falar nas rádios disponibilizadas pela web. Mesmo assim essas duas opções não substituem seus verdadeiros veículos. A Wikipédia já tem menos polêmica, mas muitos dizem que não tem confiabilidade. Vi uma pesquisa, semana passada, que constatou que a confiabilidade é igual a da britânica, se não, melhor. Sobre ipod digo que muitos podem ter capacidade maior do que o próprio computador que temos em nossa casa".

A internet sem limites já tomou conta. A capacidade de armazenamento de informação tem crescimento exorbitante e essa falta de limites faz com que os usuários fique cada vez mais em rede”. Ao fim da palestra, Dimantas fala das virtudes da internet: “uma das virtudes é que está acessível a todas as pessoas e de diferentes classes sociais. Outra coisa é que todos podem usar, tanto crianças quanto adultos. Tem muita coisa na internet que considero importante e que a torna virtuosa como os hiperlinks – você escreve algo que acha importante então ‘superlinca’ a palavra e a pessoa tem uma teia de variedades para navegar. Tudo isso que falei, juntamente com a proximidade que a internet oferece, são as dádivas das quais devemos conhecer e admirar. Qualquer um pode melhorar a internet, os que pioram são os chamados crackers, estes sim destroem a infra-estrutura de um programa!”, encerra.

E, para finalizar, deixou uma mensagem aos futuros publicitários e profissionais da área da comunicação: “Com uma simples idéia, porém brilhante, a web terá seu efeito mais profundo”.

 Fotos: Núcleo de Fotografia e Memória (Joseana Stringin)