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Escrita codificada torna-se nova forma de linguagem

 A utilização do “internetês” é uma nova forma de comunicação entre os jovens. Através dos computadores e até mesmo dos celulares a escrita é transformada. As abreviações e as modificações na forma culta das palavras são freqüentes. Questões em torno das conseqüências dessa linguagem ser adotada em outros meios, como nas redações, e a interferência no português padrão, surgem ao ser discutido esse assunto.

 As abreviações das palavras sempre existiram para agilizar a escrita. Segundo a Doutora em Literatura e professora do Curso de Letras do Centro Universitário Franciscano (Unifra) Silvia Niederauer, as suas utilizações têm aumentado devido ao novo suporte que é o computador. Porém, ela não percebe a interferência dessa forma de escrita cifrada nas redações e trabalhos dos alunos da faculdade e acredita serem mais utilizados em cadernos e bilhetes.

A incorporação dessa nova linguagem à forma escrita culta não é uma das hipóteses que podem ocorrer ainda, é o que acredita Silvia. Para ela, o jovem ainda lê, mesmo que seja uma leitura diferente da realizada em livros, como em Blogs, por exemplo.  O questionamento que surge é a forma como é processada essa informação.

 Já a professora de Redação e de Português do cursinho pré-vestibular Totem, Viviane Kauer, tem percebido a utilização do “internetês” nas redações dos jovens. Segundo ela, a reduzida carga-horária de aulas de Português e Redação no cursinho e na escola, se comparada ao tempo de permanência em frente ao computador, é uma das justificativas. A exigência de uma redação semanal, que é um tempo satisfatório para que o jovem desenvolva a produção textual, deve ser acompanhada da leitura de jornais, revistas e livros, salienta Viviane.

A professora comenta não ser contra esse tipo de linguagem abreviada e codificada, mas seu uso deve ocorrer em locais a ela destinados, como Orkut e Messenger (MSN). Na redação, a escrita formal deve permanecer e os suportes de uso devem ser distinguidos. Segundo ela, pode haver uma adequação dessa linguagem abreviada à linguagem culta, assim como a palavra pneumático foi reduzida a pneu. Porém, isso demoraria um certo tempo.

Agilidade na comunicação 

As abreviações são mais utilizadas hoje pela necessidade de agilidade. Para Viviane, a busca por clareza e concisão é freqüente em uma época em que o tempo rege tudo. Essa é uma das diferenças dos livros e da linguagem de hoje se comparada aos de antigamente. Isso não transforma apenas a comunicação escrita, mas também a falada.

 Há jovens que, mesmo utilizando o MSN e o Orkut, empregam nesses meios a escrita culta. Esse é o caso da estudante de redação de cursinho pré-vestibular Franciele Martins, 26. A justificativa para o uso dessa linguagem abreviada e transformada é a facilidade de comunicação. Segundo ela, ao utilizar esses códigos, o jovem precisa ter muito mais cuidado no momento de redigir um texto, para não utilizar o "internetês".

O contato cada vez mais cedo com a escrita codificada pode influenciar na escrita dos jovens em formação. Para a Técnica em Enfermagem e estudante de cursinho pré-vestibular, Joseane Marques, 21, que utiliza o “internetês” no MSN e Orkut, isso não afeta sua escrita padrão. Ela acredita que isso se deve ao contato mais tardio que teve com esse meio. O conselho que a jovem recebe dos professores de Redação é que as abreviações sejam utilizadas apenas na Internet pela escrita mais rápida. A leitura é aconselhada para que a escrita da forma culta seja correta, evitando prejuízos na redação e em outras funções em que as abreviações não podem aparecer.

Fotos: Bibiane Moreira, Rodrigo Simões e Vinícius Freitas (Núcleo de Fotografia e Memória)

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 A utilização do “internetês” é uma nova forma de comunicação entre os jovens. Através dos computadores e até mesmo dos celulares a escrita é transformada. As abreviações e as modificações na forma culta das palavras são freqüentes. Questões em torno das conseqüências dessa linguagem ser adotada em outros meios, como nas redações, e a interferência no português padrão, surgem ao ser discutido esse assunto.

 As abreviações das palavras sempre existiram para agilizar a escrita. Segundo a Doutora em Literatura e professora do Curso de Letras do Centro Universitário Franciscano (Unifra) Silvia Niederauer, as suas utilizações têm aumentado devido ao novo suporte que é o computador. Porém, ela não percebe a interferência dessa forma de escrita cifrada nas redações e trabalhos dos alunos da faculdade e acredita serem mais utilizados em cadernos e bilhetes.

A incorporação dessa nova linguagem à forma escrita culta não é uma das hipóteses que podem ocorrer ainda, é o que acredita Silvia. Para ela, o jovem ainda lê, mesmo que seja uma leitura diferente da realizada em livros, como em Blogs, por exemplo.  O questionamento que surge é a forma como é processada essa informação.

 Já a professora de Redação e de Português do cursinho pré-vestibular Totem, Viviane Kauer, tem percebido a utilização do “internetês” nas redações dos jovens. Segundo ela, a reduzida carga-horária de aulas de Português e Redação no cursinho e na escola, se comparada ao tempo de permanência em frente ao computador, é uma das justificativas. A exigência de uma redação semanal, que é um tempo satisfatório para que o jovem desenvolva a produção textual, deve ser acompanhada da leitura de jornais, revistas e livros, salienta Viviane.

A professora comenta não ser contra esse tipo de linguagem abreviada e codificada, mas seu uso deve ocorrer em locais a ela destinados, como Orkut e Messenger (MSN). Na redação, a escrita formal deve permanecer e os suportes de uso devem ser distinguidos. Segundo ela, pode haver uma adequação dessa linguagem abreviada à linguagem culta, assim como a palavra pneumático foi reduzida a pneu. Porém, isso demoraria um certo tempo.

Agilidade na comunicação 

As abreviações são mais utilizadas hoje pela necessidade de agilidade. Para Viviane, a busca por clareza e concisão é freqüente em uma época em que o tempo rege tudo. Essa é uma das diferenças dos livros e da linguagem de hoje se comparada aos de antigamente. Isso não transforma apenas a comunicação escrita, mas também a falada.

 Há jovens que, mesmo utilizando o MSN e o Orkut, empregam nesses meios a escrita culta. Esse é o caso da estudante de redação de cursinho pré-vestibular Franciele Martins, 26. A justificativa para o uso dessa linguagem abreviada e transformada é a facilidade de comunicação. Segundo ela, ao utilizar esses códigos, o jovem precisa ter muito mais cuidado no momento de redigir um texto, para não utilizar o "internetês".

O contato cada vez mais cedo com a escrita codificada pode influenciar na escrita dos jovens em formação. Para a Técnica em Enfermagem e estudante de cursinho pré-vestibular, Joseane Marques, 21, que utiliza o “internetês” no MSN e Orkut, isso não afeta sua escrita padrão. Ela acredita que isso se deve ao contato mais tardio que teve com esse meio. O conselho que a jovem recebe dos professores de Redação é que as abreviações sejam utilizadas apenas na Internet pela escrita mais rápida. A leitura é aconselhada para que a escrita da forma culta seja correta, evitando prejuízos na redação e em outras funções em que as abreviações não podem aparecer.

Fotos: Bibiane Moreira, Rodrigo Simões e Vinícius Freitas (Núcleo de Fotografia e Memória)