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Santa Maria, RS, Brazil

“Eu não sou solene, minha poesia é coloquial”

      Patrono da Feira do Livro 2007 de Santa Maria, o professor e escritor Vitor Biasoli esteve palestrando ontem, 18 de abril, na Unifra (Centro Universitário Franciscano) sobre a Formação de Leitores e Criação de Textos Literários. Além disso, o autor deu uma prévia do que será a Feira deste ano, cujo lançamento oficial vai ser realizado dia 23 de abril na Gare da Viação Férrea.

     Biasoli nasceu na cidade de Pelotas em 1955, morou em Porto Alegre, é doutor em História Social pela USP e atualmente é professor de História na UFSM, cronista do jornal A Razão e do Jornal de Uruguaiana, além de ser escritor e poeta. Já escreveu diversos livros, entre eles Calibre 22, e também participa de livros coletivos como Prado Veppo: obra completa. Confira no texto abaixo a conversa que tivemos com o escritor, onde ele fala, entre outras coisas, sobre o processo de criação de textos e seus próximos projetos.

     Na sua opinião, quais foram os motivos que fizeram com que o senhor fosse escolhido como patrono da Feira do Livro deste ano?

     Não me explicaram, só disseram que foi unanimidade. Eu acho que foi por eu estar ligado às atividades de livros na cidade. São seis livros feitos com escritores daqui, mais publicações avulsas, lancei aqui um livro de poemas, uma novela de vinil, uma plaquete de contos. Há dez anos colaboro na Razão, tenho feito palestras, coordenei oficinas literárias, e sou um leitor. Acho que sou uma pessoa atuante.

     Como o senhor recebeu essa notícia?

     Eu levei um susto porque a gente faz tudo isso porque gosta, e eu me sinto um guri. O que eu escrevo tem a ver com minha infância, tem a ver com a gente, e quando tu és objeto de uma homenagem, há toda uma solenidade e isso é difícil. E eu não sou solene, minha poesia é coloquial.

     Há algum projeto no qual o senhor está trabalhando atualmente?

     Tenho três projetos literários já organizados, mas que precisam ser revisados. Dentre eles há uma novela, uma espécie de Faroeste, que quero publicar na Feira do ano que vem.

     E em relação à História há algum trabalho que possa vir a se tornar um livro?

     Bem, eu tenho minha tese que defendi em 2005 que trata sobre a história da igreja de Santa Maria. Eu tenho um outro projeto que se passa na Quarta Colônia, sobre um imigrante italiano que se esconde da Revolução Federalista, mistura História e Literatura. E também tenho um romance epistolar escrito pela metade, mas são projetos para mais adiante.

     Como o senhor faz para organizar o dia-a-dia entre ser professor e ser escritor?

     Não é muito fácil administrar tudo isso. Às vezes dá uma ansiedade muito grande, falta tempo… Mas há a parte boa em que a gente escreve e tem o retorno do leitor, isso é genial.

     Como é escrever em parcerias com outros autores?

     Isso é bom. É importante ter amigos para quem tu possas mostrar o que está escrevendo, ver o que ele está lendo… Escrever dessa forma nos motiva, há troca de idéias, sugestões do tipo “isso está ruim”, “porque você não terminou esse conto assim”, “ah, isso está bom”.

     O que o senhor usa como fonte de inspiração para escrever?

    Santa Maria. Minhas crônicas tematizam aspectos da cidade. Nem sempre dá crônica, às vezes passo semanas tentando escrever algo, mas daí  eu consigo transformá-la em outro gênero, como em conto ou poesia.

     O Brasil é conhecido como um país de poucos leitores. Uma pesquisa realizada em 2005 aponta o país como o oitavo maior produtor de livro no mundo, no entanto, dados indicam que a média de leitura dos brasileiros é de dois livros por ano.  Na sua opinião, como poderíamos transformar o povo brasileiro em leitores assíduos? Que estratégias utilizar?

     Feiras são uma estratégia, levam o livro para a praça, fazem uma festa, encantam e ao fazer isso motivam, mas é difícil. Há também o incentivo dos pais. Quando os filhos vêem o pai lendo e percebem o brilho nos seus olhos isso os instiga a também querer saber o que o pai está lendo. Da mesma forma, quando a professora fica contente lendo determinado autor, eu vou ler também e chegar até a alegria dela. É a curiosidade que forma o leitor.

     A Feira está inovando neste ano ao estabelecer contato entre os patronos e o público. Como o senhor avalia a ida às universidades, qual a importância desse contato com os universitários?

     Tradicionalmente sempre houve esses bate-papos com escritores nas feiras de livro em geral. Esse contato é importante, pois é o momento em que o escritor vai conversar de modo informal e cativar os leitores. Tomara que frutifique, os estudantes têm muito a ganhar.

     O que é necessário para produzir um texto literário?

     Existe a inspiração, mas isso não é garantia. É preciso ter humildade para escrever e perceber que não está bom, reescrever, guardar e esperar uma hora e ler muito. Não existe escritor sem leitor.

     O senhor é escritor, cronista e poeta. Qual a diferença?

     Têm gêneros diferentes, não sei se eu acerto sempre. Têm idéias que rendem uma crônica, têm outras que são para o conto, outras dão um romance e outras um artigo. Há momentos em que tudo se mistura. Meus amigos dizem que tem contos meus que parecem uma crônica e vice-versa.

     O senhor, juntamente com outros escritores de Santa Maria, estará lançando um livro, dia 12 de maio, na Feira, chamado “O Maquinista Daltônico”.  Tem como dar uma dica sobre o conteúdo da publicação?

     São dois volumes, um de crônica e um de poemas. São 16 autores santa-marienses, nove poetas e sete cronistas. O livro apresenta uma gama bem variada de assuntos, vai surpreender.

Foto: Núcleo de Fotografia e Memória (Rodrigo Simões)

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      Patrono da Feira do Livro 2007 de Santa Maria, o professor e escritor Vitor Biasoli esteve palestrando ontem, 18 de abril, na Unifra (Centro Universitário Franciscano) sobre a Formação de Leitores e Criação de Textos Literários. Além disso, o autor deu uma prévia do que será a Feira deste ano, cujo lançamento oficial vai ser realizado dia 23 de abril na Gare da Viação Férrea.

     Biasoli nasceu na cidade de Pelotas em 1955, morou em Porto Alegre, é doutor em História Social pela USP e atualmente é professor de História na UFSM, cronista do jornal A Razão e do Jornal de Uruguaiana, além de ser escritor e poeta. Já escreveu diversos livros, entre eles Calibre 22, e também participa de livros coletivos como Prado Veppo: obra completa. Confira no texto abaixo a conversa que tivemos com o escritor, onde ele fala, entre outras coisas, sobre o processo de criação de textos e seus próximos projetos.

     Na sua opinião, quais foram os motivos que fizeram com que o senhor fosse escolhido como patrono da Feira do Livro deste ano?

     Não me explicaram, só disseram que foi unanimidade. Eu acho que foi por eu estar ligado às atividades de livros na cidade. São seis livros feitos com escritores daqui, mais publicações avulsas, lancei aqui um livro de poemas, uma novela de vinil, uma plaquete de contos. Há dez anos colaboro na Razão, tenho feito palestras, coordenei oficinas literárias, e sou um leitor. Acho que sou uma pessoa atuante.

     Como o senhor recebeu essa notícia?

     Eu levei um susto porque a gente faz tudo isso porque gosta, e eu me sinto um guri. O que eu escrevo tem a ver com minha infância, tem a ver com a gente, e quando tu és objeto de uma homenagem, há toda uma solenidade e isso é difícil. E eu não sou solene, minha poesia é coloquial.

     Há algum projeto no qual o senhor está trabalhando atualmente?

     Tenho três projetos literários já organizados, mas que precisam ser revisados. Dentre eles há uma novela, uma espécie de Faroeste, que quero publicar na Feira do ano que vem.

     E em relação à História há algum trabalho que possa vir a se tornar um livro?

     Bem, eu tenho minha tese que defendi em 2005 que trata sobre a história da igreja de Santa Maria. Eu tenho um outro projeto que se passa na Quarta Colônia, sobre um imigrante italiano que se esconde da Revolução Federalista, mistura História e Literatura. E também tenho um romance epistolar escrito pela metade, mas são projetos para mais adiante.

     Como o senhor faz para organizar o dia-a-dia entre ser professor e ser escritor?

     Não é muito fácil administrar tudo isso. Às vezes dá uma ansiedade muito grande, falta tempo… Mas há a parte boa em que a gente escreve e tem o retorno do leitor, isso é genial.

     Como é escrever em parcerias com outros autores?

     Isso é bom. É importante ter amigos para quem tu possas mostrar o que está escrevendo, ver o que ele está lendo… Escrever dessa forma nos motiva, há troca de idéias, sugestões do tipo “isso está ruim”, “porque você não terminou esse conto assim”, “ah, isso está bom”.

     O que o senhor usa como fonte de inspiração para escrever?

    Santa Maria. Minhas crônicas tematizam aspectos da cidade. Nem sempre dá crônica, às vezes passo semanas tentando escrever algo, mas daí  eu consigo transformá-la em outro gênero, como em conto ou poesia.

     O Brasil é conhecido como um país de poucos leitores. Uma pesquisa realizada em 2005 aponta o país como o oitavo maior produtor de livro no mundo, no entanto, dados indicam que a média de leitura dos brasileiros é de dois livros por ano.  Na sua opinião, como poderíamos transformar o povo brasileiro em leitores assíduos? Que estratégias utilizar?

     Feiras são uma estratégia, levam o livro para a praça, fazem uma festa, encantam e ao fazer isso motivam, mas é difícil. Há também o incentivo dos pais. Quando os filhos vêem o pai lendo e percebem o brilho nos seus olhos isso os instiga a também querer saber o que o pai está lendo. Da mesma forma, quando a professora fica contente lendo determinado autor, eu vou ler também e chegar até a alegria dela. É a curiosidade que forma o leitor.

     A Feira está inovando neste ano ao estabelecer contato entre os patronos e o público. Como o senhor avalia a ida às universidades, qual a importância desse contato com os universitários?

     Tradicionalmente sempre houve esses bate-papos com escritores nas feiras de livro em geral. Esse contato é importante, pois é o momento em que o escritor vai conversar de modo informal e cativar os leitores. Tomara que frutifique, os estudantes têm muito a ganhar.

     O que é necessário para produzir um texto literário?

     Existe a inspiração, mas isso não é garantia. É preciso ter humildade para escrever e perceber que não está bom, reescrever, guardar e esperar uma hora e ler muito. Não existe escritor sem leitor.

     O senhor é escritor, cronista e poeta. Qual a diferença?

     Têm gêneros diferentes, não sei se eu acerto sempre. Têm idéias que rendem uma crônica, têm outras que são para o conto, outras dão um romance e outras um artigo. Há momentos em que tudo se mistura. Meus amigos dizem que tem contos meus que parecem uma crônica e vice-versa.

     O senhor, juntamente com outros escritores de Santa Maria, estará lançando um livro, dia 12 de maio, na Feira, chamado “O Maquinista Daltônico”.  Tem como dar uma dica sobre o conteúdo da publicação?

     São dois volumes, um de crônica e um de poemas. São 16 autores santa-marienses, nove poetas e sete cronistas. O livro apresenta uma gama bem variada de assuntos, vai surpreender.

Foto: Núcleo de Fotografia e Memória (Rodrigo Simões)