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Identidade e diversidade no Seminário em Letras

 Narrativas identitárias foi o tema da conferência realizada pelo historiador e professor de filosofia Daniel Delgado, do Instituto Maldonado, do Uruguai, no segundo painel da noite de ontem, no salão de atos do Centro Universitário Franciscano – Unifra. A atividade era uma das mais esperadas do XII Seminário Internacional em Letras.

Delgado começou a conferência se desculpando por não falar português e contando que se sente identificado com a filosofia Franciscana, que está embutida nas relações fraternas que ele tem. Após, deu início à conversa sobre o tema do Seminário.  Para ele,  a globalização que caracteriza a nossa sociedade é geradora de diversos problemas, entre esses  o que diz respeito à nova maneira de conceber a  identidade.  A filosofia contemporânea na hora de estudar esta identidade centra-se nos aspectos culturais e sociais. 

Identidade vem do termo entidade, que é o valor ou importância que constitui uma coisa.  O que constitui o homem é a importância do homem, e esta importância é o que difere um homem do outro. O professor considera que o ser humano tem que estar aberto e entender esta diferença, tem que saber reconhecer a sua importância e a do outro.

A identidade nunca está fechada, e é sempre modificada pela cultura. Os padrões são repassados de geração em geração e, a cada passagem, há transformações e mudanças. A diversidade de cultura é o modo como cada povo encontrou para se adaptar ao seu meio.

Antigamente, o território, língua e religião, geravam um sentimento de pertencimento, explicou Delgado. Os integrantes de um certo ambiente se reconheciam pertencedores do grupo deste local.  E assim, também se sentiam diferentes dos outros grupos. Na nossa atual sociedade, esta noção mudou e se desligou da idéia do território. Os shoppings e aeroportos, por exemplo, propiciam a interação de culturas. Mesmo dentro de nossos lares, através da televisão, outras culturas podem interferir na nossa.

Uma língua não é só um conjunto de símbolos, é uma maneira de entender o mundo, e um aspecto fundamental na nossa identidade e maneira de compreender a realidade. É ela que condiciona o pensamento. Pessoas que compartilham a mesma língua têm em comum também a concepção da realidade. Delgado considera que conservar a língua e  a cultura é preservar a identidade. A cultura propicía o ser humano a descobrir a si mesmo. Entender outra cultura pressupõe entender a  língua e a linguagem dela.
 

O professor lembrou que na nossa sociedade existe uma necessidade de aceitar a diversidade e assumi-la. Nenhuma cultura existe sem contato com as outras. Atualmente,  as culturas estão cada vez mais penetráveis, e isto gera aspectos negativos, mas é preciso entender isso como um fenômeno humano que deve ser compreendido. A diversidade não aniquila a cultura. Pelo contrário, a enriquece. O manejo de várias línguas ajuda a abrir a nossa mente. O papel da educação neste contexto é formar um pensamento critico capaz de distinguir as diferenças e aceitá-las. A identidade não é definitiva, mas uma construção realizada dentro da multiplicidade, da interação com o outro. Esta interação é, na verdade, uma conquista. Delgado define que essa conquista deve ser realizada através da ação em redes, ou seja,  a produção em conjunto, em que cada um atua como modificador dos demais.

Fotos: Isadora Spezia Mello (Núcleo de Fotografia e Memória)

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 Narrativas identitárias foi o tema da conferência realizada pelo historiador e professor de filosofia Daniel Delgado, do Instituto Maldonado, do Uruguai, no segundo painel da noite de ontem, no salão de atos do Centro Universitário Franciscano – Unifra. A atividade era uma das mais esperadas do XII Seminário Internacional em Letras.

Delgado começou a conferência se desculpando por não falar português e contando que se sente identificado com a filosofia Franciscana, que está embutida nas relações fraternas que ele tem. Após, deu início à conversa sobre o tema do Seminário.  Para ele,  a globalização que caracteriza a nossa sociedade é geradora de diversos problemas, entre esses  o que diz respeito à nova maneira de conceber a  identidade.  A filosofia contemporânea na hora de estudar esta identidade centra-se nos aspectos culturais e sociais. 

Identidade vem do termo entidade, que é o valor ou importância que constitui uma coisa.  O que constitui o homem é a importância do homem, e esta importância é o que difere um homem do outro. O professor considera que o ser humano tem que estar aberto e entender esta diferença, tem que saber reconhecer a sua importância e a do outro.

A identidade nunca está fechada, e é sempre modificada pela cultura. Os padrões são repassados de geração em geração e, a cada passagem, há transformações e mudanças. A diversidade de cultura é o modo como cada povo encontrou para se adaptar ao seu meio.

Antigamente, o território, língua e religião, geravam um sentimento de pertencimento, explicou Delgado. Os integrantes de um certo ambiente se reconheciam pertencedores do grupo deste local.  E assim, também se sentiam diferentes dos outros grupos. Na nossa atual sociedade, esta noção mudou e se desligou da idéia do território. Os shoppings e aeroportos, por exemplo, propiciam a interação de culturas. Mesmo dentro de nossos lares, através da televisão, outras culturas podem interferir na nossa.

Uma língua não é só um conjunto de símbolos, é uma maneira de entender o mundo, e um aspecto fundamental na nossa identidade e maneira de compreender a realidade. É ela que condiciona o pensamento. Pessoas que compartilham a mesma língua têm em comum também a concepção da realidade. Delgado considera que conservar a língua e  a cultura é preservar a identidade. A cultura propicía o ser humano a descobrir a si mesmo. Entender outra cultura pressupõe entender a  língua e a linguagem dela.
 

O professor lembrou que na nossa sociedade existe uma necessidade de aceitar a diversidade e assumi-la. Nenhuma cultura existe sem contato com as outras. Atualmente,  as culturas estão cada vez mais penetráveis, e isto gera aspectos negativos, mas é preciso entender isso como um fenômeno humano que deve ser compreendido. A diversidade não aniquila a cultura. Pelo contrário, a enriquece. O manejo de várias línguas ajuda a abrir a nossa mente. O papel da educação neste contexto é formar um pensamento critico capaz de distinguir as diferenças e aceitá-las. A identidade não é definitiva, mas uma construção realizada dentro da multiplicidade, da interação com o outro. Esta interação é, na verdade, uma conquista. Delgado define que essa conquista deve ser realizada através da ação em redes, ou seja,  a produção em conjunto, em que cada um atua como modificador dos demais.

Fotos: Isadora Spezia Mello (Núcleo de Fotografia e Memória)