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O sentido do abraço – Entrevista

Devido à repercussão causada pelo movimento "Abraço Grátis"em Santa Maria, a ACS conversou com a psicóloga da escola Educar-se de Santa Cruz do Sul, Célia Martins, que respondeu a algumas questões para melhor compreensão dos sentidos da campanha e do abraço. Confira alguns trechos da entrevista.

ACS: O que você acha que leva as pessoas a aceitarem ou não o abraço grátis?

Célia: Recusar um abraço grátis pode ser o medo do desconhecido. Vivemos numa sociedade individualista, de pequenos guetos, o primeiro impulso ao ganhar um abraço grátis deve ser de estranhamento: o que quer de mim? Observei, muitas vezes, as pessoas com as quais viajava, no trensurb da capital gaúcha. Qualquer movimento diferente, o olhar rápido, de "desconfiança". No diálogo mudo: por que está me olhando? Fiquei imaginando como seria se o movimento do abraço grátis invadisse este local. Aceitar o abraço grátis é estar despojado, não ter medo do "outro".

ACS: Por que um movimento desses tomou essa proporção sendo aderido no mundo
todo?

Célia: Pelo reconhecimento que é um gesto simples, benéfico, terapêutico. Hoje, as pessoas vivem isoladas, seja em grandes metrópoles ou na área rural. Um estar só na multidão. Abraçar o desconhecido mostrou que o afeto é universal.

ACS:Você acha que o "abraço grátis" pode mudar algo na vida, no dia-dia e na maneira
de pensar das pessoas?

Célia: Sim. No trabalho, na escola, no lar, na rua. O abraço grátis contribui na mudança na maneira de perceber a vida, o mundo, as pessoas. Mostra que não somos uma ilha.

ACS: Qual o principal motivo que levou Juan Mann a iniciar essa campanha?

Célia: O sentimento de estar só. Ao mesmo tempo a vontade de manifestação de afeto. Ao perceber que estava rodeado de pessoas concretizou uma intenção em ação.

ACS: Se, muitas vezes, não abraçamos pessoas conhecidas, familiares ou amigos,
abraçar um estranho é viável?

Célia: Quando o abraçar não faz parte do nosso cotidiano, das pessoas próximas a nós, penso que é possível, sim, abraçar um estranho, mas este abraço é interessado, endereçado. Desta forma, é preferível não abraçar.

ACS: Essa campanha não representa também uma cultura da efemeridade? Pois se
"abraça" e não se estabelece vínculos posteriores?

Célia: Pode ser que sim, que seja uma cultura da efemeridade, mas o pouco que ela já despertou de cuidado afetivo com o outro já é de grande valia. Vivemos numa sociedade muito excludente. Abraçar o outro mostrou que o amor é universal.

ACS: Que diferença para nossa vida pessoal representa o "abraço" como rotina e
cultura intrínseca ao nosso dia-a-dia?

Célia: O abraço como rotina e cultura intrínseca torna a vida mais leve, solta, alegre. Mostra o quanto somos incompletos e precisamos do outro. Expressa comprometimento, alegria de viver. Abraçar é cingir-se no outro. Penso que deveríamos, sim, nos abraçar mais. Como diz a campanha: ele é ‘grátis’.

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Devido à repercussão causada pelo movimento "Abraço Grátis"em Santa Maria, a ACS conversou com a psicóloga da escola Educar-se de Santa Cruz do Sul, Célia Martins, que respondeu a algumas questões para melhor compreensão dos sentidos da campanha e do abraço. Confira alguns trechos da entrevista.

ACS: O que você acha que leva as pessoas a aceitarem ou não o abraço grátis?

Célia: Recusar um abraço grátis pode ser o medo do desconhecido. Vivemos numa sociedade individualista, de pequenos guetos, o primeiro impulso ao ganhar um abraço grátis deve ser de estranhamento: o que quer de mim? Observei, muitas vezes, as pessoas com as quais viajava, no trensurb da capital gaúcha. Qualquer movimento diferente, o olhar rápido, de "desconfiança". No diálogo mudo: por que está me olhando? Fiquei imaginando como seria se o movimento do abraço grátis invadisse este local. Aceitar o abraço grátis é estar despojado, não ter medo do "outro".

ACS: Por que um movimento desses tomou essa proporção sendo aderido no mundo
todo?

Célia: Pelo reconhecimento que é um gesto simples, benéfico, terapêutico. Hoje, as pessoas vivem isoladas, seja em grandes metrópoles ou na área rural. Um estar só na multidão. Abraçar o desconhecido mostrou que o afeto é universal.

ACS:Você acha que o "abraço grátis" pode mudar algo na vida, no dia-dia e na maneira
de pensar das pessoas?

Célia: Sim. No trabalho, na escola, no lar, na rua. O abraço grátis contribui na mudança na maneira de perceber a vida, o mundo, as pessoas. Mostra que não somos uma ilha.

ACS: Qual o principal motivo que levou Juan Mann a iniciar essa campanha?

Célia: O sentimento de estar só. Ao mesmo tempo a vontade de manifestação de afeto. Ao perceber que estava rodeado de pessoas concretizou uma intenção em ação.

ACS: Se, muitas vezes, não abraçamos pessoas conhecidas, familiares ou amigos,
abraçar um estranho é viável?

Célia: Quando o abraçar não faz parte do nosso cotidiano, das pessoas próximas a nós, penso que é possível, sim, abraçar um estranho, mas este abraço é interessado, endereçado. Desta forma, é preferível não abraçar.

ACS: Essa campanha não representa também uma cultura da efemeridade? Pois se
"abraça" e não se estabelece vínculos posteriores?

Célia: Pode ser que sim, que seja uma cultura da efemeridade, mas o pouco que ela já despertou de cuidado afetivo com o outro já é de grande valia. Vivemos numa sociedade muito excludente. Abraçar o outro mostrou que o amor é universal.

ACS: Que diferença para nossa vida pessoal representa o "abraço" como rotina e
cultura intrínseca ao nosso dia-a-dia?

Célia: O abraço como rotina e cultura intrínseca torna a vida mais leve, solta, alegre. Mostra o quanto somos incompletos e precisamos do outro. Expressa comprometimento, alegria de viver. Abraçar é cingir-se no outro. Penso que deveríamos, sim, nos abraçar mais. Como diz a campanha: ele é ‘grátis’.