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Quem ainda quer ser professor

 Para construir uma sociedade de bem e mais justa, a educação não pode estar em segundo plano. A baixa remuneração, desrespeito em sala de aula e a necessidade de muita dedicação fora do horário de trabalho são aspectos inerentes à profissão de professor. Mesmo assim, aqueles que acreditam nessa profissão como fundamental para a construção da sociedade, enfrentam as dificuldades em nome da vocação.

Os futuros professores do curso normal

   O curso normal, antigamente chamado de magistério, é uma opção para levar mais alunos à área de educação. Atualmente, na cidade de Santa Maria, só existe um, no Instituto Estadual de Educação  Olavo Bilac (IEOB), coordenado por Maribel Machado Weber, que há vinte anos trabalho no magistério.

   Maribel considera que o curso pode dar uma preparação prática para o aluno, que talvez ele não tenha nem na faculdade. A prática no curso normal acontece desde o primeiro ano e vai até o terceiro. "A faculdade dá o suporte de pesquisa, mas a prática é pouca perto da preparação que se precisa para estar frente a uma sala de aula. Mas acho que as faculdade estão percebendo isso e se adequando", afirma ela.

   O curso é voltado tanto pala alunos que saíram da 8ª série, quanto para aqueles que já terminaram o colégio ou mesmo faculdade. No curso se encontram, na maioria meninas. Maribel considera que a característica mais presente no perfil dos alunos é gostar de crianças.  Para ela, o professor tem que ter uma papel desafiador. "Tem que desafiar seus alunos, os medos e os conhecimentos, incentivando a transformação. Deve-se acreditar na educação como transformadora".

   Maribel considera que o professor é insubstituível pela relação humana que tem com seus alunos. A aluna Aline Silveira, 19 anos, tem a mesma opinião. "Apesar do avanço tecnológico não há nada que substitua o contato com o professor", diz ela. Ela acha que, por isso, o professor deveria ser valorizado, o que não acontece muitas vezes dentro da sala de aula. Ainda segundo ela, muitos pais querem que a educação venha da escola e esquecem que ela parte de casa. Sobre esta questão a coordenadora do curso normal considera que, para a auxiliar o trabalho dos professores, é preciso um acompanhamento da família. Incentivo à leitura, à pesquisa e acompanhamento nos estudos.

   Apesar dessas condições, para algumas, ser professora ainda é um sonho. Raquel Carvalho Charão entrou no magistério por este motivo, e considera que muitas pessoas desistem desse sonhos pelas dificuldades do dia-a-dia. Já a sua amiga Michele Wellecker, seguiu o magistério por gostar de crianças e pela experiência que teve como professora, em uma escola onde faltava professora de artes . Ela considera que "educar para vida é essencial e este é o papel do professor".

   A estudante do terceiro ano, Diane Lima Oliveira, sempre viveu rodeada de crianças e, quando era pequena, ganhou um quadro negro em que escrevia, e acha que isto influenciou na escolha. José Pedro Vieira, 18 anos, lembra que mesmo que não se vá seguir carreira de professor, "o que se aprende no magistério se leva para o resto da vida. Já em currículo normal isto não acontece". Ele destaca a responsabilidade e aprender a observar como exemplos. 

Os futuros professores da universidade

   Assim como no curso normal, muitos entram na universidade querendo ser professor. Nos cursos de letras Língua Portuguesa e Línguas Portuguesa e Inglesa, por exemplo, muitos provavelmente sairão professores. É o caso da aluna de Letras do Centro Universitário Franciscano (Unifra) Rosane Mesquita Cavalin, 24 anos. Para ela, ser professora é a sua vocação. Rosane, gosta de estar frente aos alunos, e considera que mesmo o salário desistimulando, quanto mais se estuda mais pode-se ser remurado.

   Antonio Augusto Silveira, que já é professor de Língua Inglesa, e também cursa Letras, acha que o desinteresse pela profissão vem da baixa remuneração. "As pessoas escolhem pela possibilidade de ganhar dinheiro e não porque gostam. No Brasil 90% das pessoas querem ser médicos, mas esquecem que esses médicos tem que ter professores".

   Para a coordenadora dos cursos Adriana Macedo Nadal Maciel, a educação não está sendo valorizada, fica em segundo plano e as pessoas acabam não valorizando o profissional também. "Muitos professoras tem muitas turmas, trabalham muitas horas e levam muito trabalho para casa, assim ficam cansados e a qualidade baixa’. Isto tudo desvalorizado o papel do professor que é fundamental na formação do cidadão, de jovens e crianças. É o formador de alguém de bem e de princípio. "O aluno se espelha no professor, ele tem que ser um exemplo para o aluno. Para a formação de uma sociedade de bem, honesta", diz ela.

Fotos: Núcleo de Fotografia e Memória ( Mauricio Barbosa)

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 Para construir uma sociedade de bem e mais justa, a educação não pode estar em segundo plano. A baixa remuneração, desrespeito em sala de aula e a necessidade de muita dedicação fora do horário de trabalho são aspectos inerentes à profissão de professor. Mesmo assim, aqueles que acreditam nessa profissão como fundamental para a construção da sociedade, enfrentam as dificuldades em nome da vocação.

Os futuros professores do curso normal

   O curso normal, antigamente chamado de magistério, é uma opção para levar mais alunos à área de educação. Atualmente, na cidade de Santa Maria, só existe um, no Instituto Estadual de Educação  Olavo Bilac (IEOB), coordenado por Maribel Machado Weber, que há vinte anos trabalho no magistério.

   Maribel considera que o curso pode dar uma preparação prática para o aluno, que talvez ele não tenha nem na faculdade. A prática no curso normal acontece desde o primeiro ano e vai até o terceiro. "A faculdade dá o suporte de pesquisa, mas a prática é pouca perto da preparação que se precisa para estar frente a uma sala de aula. Mas acho que as faculdade estão percebendo isso e se adequando", afirma ela.

   O curso é voltado tanto pala alunos que saíram da 8ª série, quanto para aqueles que já terminaram o colégio ou mesmo faculdade. No curso se encontram, na maioria meninas. Maribel considera que a característica mais presente no perfil dos alunos é gostar de crianças.  Para ela, o professor tem que ter uma papel desafiador. "Tem que desafiar seus alunos, os medos e os conhecimentos, incentivando a transformação. Deve-se acreditar na educação como transformadora".

   Maribel considera que o professor é insubstituível pela relação humana que tem com seus alunos. A aluna Aline Silveira, 19 anos, tem a mesma opinião. "Apesar do avanço tecnológico não há nada que substitua o contato com o professor", diz ela. Ela acha que, por isso, o professor deveria ser valorizado, o que não acontece muitas vezes dentro da sala de aula. Ainda segundo ela, muitos pais querem que a educação venha da escola e esquecem que ela parte de casa. Sobre esta questão a coordenadora do curso normal considera que, para a auxiliar o trabalho dos professores, é preciso um acompanhamento da família. Incentivo à leitura, à pesquisa e acompanhamento nos estudos.

   Apesar dessas condições, para algumas, ser professora ainda é um sonho. Raquel Carvalho Charão entrou no magistério por este motivo, e considera que muitas pessoas desistem desse sonhos pelas dificuldades do dia-a-dia. Já a sua amiga Michele Wellecker, seguiu o magistério por gostar de crianças e pela experiência que teve como professora, em uma escola onde faltava professora de artes . Ela considera que "educar para vida é essencial e este é o papel do professor".

   A estudante do terceiro ano, Diane Lima Oliveira, sempre viveu rodeada de crianças e, quando era pequena, ganhou um quadro negro em que escrevia, e acha que isto influenciou na escolha. José Pedro Vieira, 18 anos, lembra que mesmo que não se vá seguir carreira de professor, "o que se aprende no magistério se leva para o resto da vida. Já em currículo normal isto não acontece". Ele destaca a responsabilidade e aprender a observar como exemplos. 

Os futuros professores da universidade

   Assim como no curso normal, muitos entram na universidade querendo ser professor. Nos cursos de letras Língua Portuguesa e Línguas Portuguesa e Inglesa, por exemplo, muitos provavelmente sairão professores. É o caso da aluna de Letras do Centro Universitário Franciscano (Unifra) Rosane Mesquita Cavalin, 24 anos. Para ela, ser professora é a sua vocação. Rosane, gosta de estar frente aos alunos, e considera que mesmo o salário desistimulando, quanto mais se estuda mais pode-se ser remurado.

   Antonio Augusto Silveira, que já é professor de Língua Inglesa, e também cursa Letras, acha que o desinteresse pela profissão vem da baixa remuneração. "As pessoas escolhem pela possibilidade de ganhar dinheiro e não porque gostam. No Brasil 90% das pessoas querem ser médicos, mas esquecem que esses médicos tem que ter professores".

   Para a coordenadora dos cursos Adriana Macedo Nadal Maciel, a educação não está sendo valorizada, fica em segundo plano e as pessoas acabam não valorizando o profissional também. "Muitos professoras tem muitas turmas, trabalham muitas horas e levam muito trabalho para casa, assim ficam cansados e a qualidade baixa’. Isto tudo desvalorizado o papel do professor que é fundamental na formação do cidadão, de jovens e crianças. É o formador de alguém de bem e de princípio. "O aluno se espelha no professor, ele tem que ser um exemplo para o aluno. Para a formação de uma sociedade de bem, honesta", diz ela.

Fotos: Núcleo de Fotografia e Memória ( Mauricio Barbosa)