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Taxistas: ‘psicólogos da bandeirada’

 Enfrentar dias de sol, chuva, o trânsito caótico, a concorrência e, ainda, agradar a todos os passageiros. Esta é a rotina dos taxistas. Profissionais que são testemunhas oculares, ouvintes ou confidentes das histórias de seus clientes. Homens que transformam uma rotina de stress, em diversão.

 Nas frotas de táxis de Santa Maria, as histórias mais ouvidas são de esposas e maridos que seguem seus cônjuges a motéis. De acordo com Dilson Rogério (à esquerda), 43 anos, as passageiras vigiam maridos e namorados para confirmarem sua desconfiança de que há traição. Entretanto, o motorista afirma que nenhuma delas conseguiu flagrar o companheiro. 

Laurindo Oliveira, 70 anos, trabalha há 40 como taxista e tem lembranças tanto trágicas quanto cômicas sobre colegas de trabalho e passageiros. Dentre elas, estão os escândalos feitos nos bordéis, onde maridos eram surpreendidos pelas esposas, e a de um nascimento no carro, ocorrido na década de 60. “Eu levava uma senhora, quando no caminho ela acabou ganhando um nenenzinho. Cheguei na Casa de Saúde, onde cortaram o cordão umbilical“, disse.

 

 Oliveira  (à direita) relembra um assassinato ocorrido em seu ponto de táxi, localizado na avenida Rio Branco.  Segundo ele, o fato envolveu dois sócios, um médico e um rapaz.  Certa noite, o jovem apareceu morto dentro do carro. Passado algum tempo, o sócio, em estado de embriaguez, revelou em local público que havia matado o amigo. Após a prisão, o motivo do crime fora descoberto: os dois estavam apaixonados pela mesma mulher.

 Já Mário Costa (à esquerda), 72 anos, que não gosta de comentar as situações vividas por seus clientes, conta apenas um episódio ocorrido entre duas passageiras em um motel. “Um dia, duas mulheres pediram que as levassem ao motel. Ao chegarmos, uma perguntou se eu poderia buscá-las no outro dia, às 6h. Quando cheguei para pegá-las, havia quatro mulheres. Daí uma disse: não se assusta. É uma despedida de solteira”, menciona.

Há um ano, o taxista Girlei Ferreira, 61 anos, atendeu a um pedido especial feito por um passageiro, já conhecido. Já era tarde quando ele percorreu as ruas da cidade para procurar uma profissional do sexo. O motorista seguia as coordenadas do solicitante, que as transmitia pelo celular. Devido à dificuldade de encontrar uma mulher, o cliente pediu um homossexual, mas salientou que deria ser bonito. A escolha coube, então, a Ferreira. Após entregar o profissional no local combinado, o taxista deveria aguardar a próxima ligação do cliente. Porém, as horas passavam e ele ficava preocupado. “Primeiro, pensei no dinheiro que iria lucrar, depois no fato real: e se o travesti matasse o senhor que que havia me contratado? Passou 2 horas, 3 horas e nada. Não conseguia mais trabalhar. Então, ele me ligou para ir buscar ‘aquele ser’. Aprendi uma lição: nunca mais faço isso”, conclui.

Para conferir um pouco mais sobre as histórias dos taxistas acesse: http://www.taxitramas.blogger.com.br/.

Fotos: Maurício Barbosa (Núcleo de Fotografia e Memória)

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 Enfrentar dias de sol, chuva, o trânsito caótico, a concorrência e, ainda, agradar a todos os passageiros. Esta é a rotina dos taxistas. Profissionais que são testemunhas oculares, ouvintes ou confidentes das histórias de seus clientes. Homens que transformam uma rotina de stress, em diversão.

 Nas frotas de táxis de Santa Maria, as histórias mais ouvidas são de esposas e maridos que seguem seus cônjuges a motéis. De acordo com Dilson Rogério (à esquerda), 43 anos, as passageiras vigiam maridos e namorados para confirmarem sua desconfiança de que há traição. Entretanto, o motorista afirma que nenhuma delas conseguiu flagrar o companheiro. 

Laurindo Oliveira, 70 anos, trabalha há 40 como taxista e tem lembranças tanto trágicas quanto cômicas sobre colegas de trabalho e passageiros. Dentre elas, estão os escândalos feitos nos bordéis, onde maridos eram surpreendidos pelas esposas, e a de um nascimento no carro, ocorrido na década de 60. “Eu levava uma senhora, quando no caminho ela acabou ganhando um nenenzinho. Cheguei na Casa de Saúde, onde cortaram o cordão umbilical“, disse.

 

 Oliveira  (à direita) relembra um assassinato ocorrido em seu ponto de táxi, localizado na avenida Rio Branco.  Segundo ele, o fato envolveu dois sócios, um médico e um rapaz.  Certa noite, o jovem apareceu morto dentro do carro. Passado algum tempo, o sócio, em estado de embriaguez, revelou em local público que havia matado o amigo. Após a prisão, o motivo do crime fora descoberto: os dois estavam apaixonados pela mesma mulher.

 Já Mário Costa (à esquerda), 72 anos, que não gosta de comentar as situações vividas por seus clientes, conta apenas um episódio ocorrido entre duas passageiras em um motel. “Um dia, duas mulheres pediram que as levassem ao motel. Ao chegarmos, uma perguntou se eu poderia buscá-las no outro dia, às 6h. Quando cheguei para pegá-las, havia quatro mulheres. Daí uma disse: não se assusta. É uma despedida de solteira”, menciona.

Há um ano, o taxista Girlei Ferreira, 61 anos, atendeu a um pedido especial feito por um passageiro, já conhecido. Já era tarde quando ele percorreu as ruas da cidade para procurar uma profissional do sexo. O motorista seguia as coordenadas do solicitante, que as transmitia pelo celular. Devido à dificuldade de encontrar uma mulher, o cliente pediu um homossexual, mas salientou que deria ser bonito. A escolha coube, então, a Ferreira. Após entregar o profissional no local combinado, o taxista deveria aguardar a próxima ligação do cliente. Porém, as horas passavam e ele ficava preocupado. “Primeiro, pensei no dinheiro que iria lucrar, depois no fato real: e se o travesti matasse o senhor que que havia me contratado? Passou 2 horas, 3 horas e nada. Não conseguia mais trabalhar. Então, ele me ligou para ir buscar ‘aquele ser’. Aprendi uma lição: nunca mais faço isso”, conclui.

Para conferir um pouco mais sobre as histórias dos taxistas acesse: http://www.taxitramas.blogger.com.br/.

Fotos: Maurício Barbosa (Núcleo de Fotografia e Memória)