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Esporte de ouro ou judô de bronze?

                                                                                                                                                                           

Apesar da tão esperada medalha de ouro nas Olimpíadas de Pequim no judô, ela veio da natação. Mas não por isso, os judocas desanimaram. Trouxeram as três primeiras medalhas ao Brasil, mesmo que de bronze. O judô preza pela disciplina e é utilizado não só pela técnica, mas por sua filosofia.

 

 

                                                                                 O professor de judô Márcio Goethel, 29 anos, explica que “exercício físico não é o principal, mas através dele que se trabalha saúde e boa relação social". Uma de suas idéias é formar cidadãos e sociabilizar através do esporte. "Já faz algum tempo que o esporte vem aparecendo, mas foi depois do Pan-Americano do Rio de Janeiro, que aumentou a procura”, analisa Márcio.

 

Descendente do jiu-jitsu, o judô teve acrescentadas novas técnicas para competição, treinamento moral e fortalecimento do caráter. Seu criador: um japonês, professor de educação física, Jigoro Kano. Em 1822, ele fundou o primeiro instituto de ensino. No Brasil, o esporte chegou com a colonização, em 1915, com o imigrante japonês Mitsuyo Maeda, mais conhecido pelo seu apelido de Conde Koma.

 

 No esporte, a graduação é definida pelo nível de conhecimento e tempo de prática do aluno. As graduações são por peso, idade e faixas coloridas: branca, cinza, azul, amarela, laranja, verde, roxa, marrom e preta. Mas, para passar de uma faixa para outra existe um tempo mínimo, os períodos de carência. Por exemplo, nas bases é de seis meses, depois um ano cada cor, até chegar na preta. A última faixa, ainda possui dez graduações, o “dan”.

 

Os ensinamentos do judô podem iniciar a partir de três anos, na categoria baby. Parece cedo, mas o professor (que iniciou no judô com 4 anos de idade) esclarece que os preceitos do judô são ensinados através de brincadeiras. Para os maiores, a base dos treinos é no tatame. “Para as categorias mais avançadas a preparação inclui academia, no geral a partir do juvenil, porque com 16 anos já se pode tentar ‘entrar’ para a faixa preta, como a Mayra Aguiar”.

 

Ela não conseguiu medalha nessa Olimpíada, mas Márcio conta que Mayra, João Derly e Tiago Camilo (único que conseguiu medalha para o Brasil), são os ídolos da maioria dos seus alunos. O pequeno, mas experiente judoca, Gabriel Alves, 11 anos, já treina há sete anos: “O judô me ensina bastante coisa, eu adoro. Venho todos os dias”.

 

 Os treinos iniciam com aquecimento, depois a parte prática, mental e técnica. “O judô é detalhista, se não estiver focado, perde. Essa parte é o diferencial, porque incentiva a concentração” destaca o professor.

 

Competir faz parte do aprendizado do judô, o objetivo dos resultados varia, focado na competição ou não. Mas, para Márcio, a participação dos pais também é importante, além do incentivo, o retorno e a disciplina aumentam. É o caso de Regina Brasil. Mãe de judoca, confessa que não queria que seu filho trocasse o futsal pelo judô. Começou a assistir as aulas e se rendeu ao esporte. Hoje, não se arrepende, ele é premiado e já viajou pelo Brasil e Argentina. Mas lamenta: “No nosso país ainda falta incentivo aos esportes”.

 

Regina indica o esporte porque no judô existe a hierarquia das faixas, do conhecimento, não tem discriminação, além disso, a concentração do filho nas atividades escolares também melhorou.

 

Quem também acompanha os treinos é Vitor Hugo Ritter Alves. “O que faz os pais trazerem seus filhos são motivos diferentes. No meu caso, ele era muito agitado, o incentivo foi grande e ele começou a gostar cada vez mais. O judô é um esporte que traz referências, conviver com várias classes sociais também enriquece”, conta Alves, se referindo ao projeto de inclusão social, conveniado à Prefeitura, que traz alunos de escolas públicas para o esporte.
 

Incentivador ativo, Alves participa do Departamento de Judô do Avenida Tênis Clube, onde se faz a relação dos alunos, pais, professores e o clube.  “Um passo importante foi integrar o clube na Federação Brasileira de Judô”, destaca.

 

 Em uma competição, os pontos são por critério de avaliação. Os golpes são todos cumulativos e varia o nível de técnicas, dificuldades, equilíbrio e controle. Os nomes dos pontos, apesar de difíceis, se tornaram ‘conhecidos’ para quem acompanhou as disputas: o ippon, a pontuação máxima, é quando se derruba o adversário de costas no chão, por mais de 30 segundos. O wazari é quando o derruba sem que ele encoste os dois ombros no tatame, o yuko é quando o adversário cai de lado e koka é quando ele cai sentado.

 

 

 

Fotos: Alice Dutra Balbé

 

 

 

 

 

 

 

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Apesar da tão esperada medalha de ouro nas Olimpíadas de Pequim no judô, ela veio da natação. Mas não por isso, os judocas desanimaram. Trouxeram as três primeiras medalhas ao Brasil, mesmo que de bronze. O judô preza pela disciplina e é utilizado não só pela técnica, mas por sua filosofia.

 

 

                                                                                 O professor de judô Márcio Goethel, 29 anos, explica que “exercício físico não é o principal, mas através dele que se trabalha saúde e boa relação social". Uma de suas idéias é formar cidadãos e sociabilizar através do esporte. "Já faz algum tempo que o esporte vem aparecendo, mas foi depois do Pan-Americano do Rio de Janeiro, que aumentou a procura”, analisa Márcio.

 

Descendente do jiu-jitsu, o judô teve acrescentadas novas técnicas para competição, treinamento moral e fortalecimento do caráter. Seu criador: um japonês, professor de educação física, Jigoro Kano. Em 1822, ele fundou o primeiro instituto de ensino. No Brasil, o esporte chegou com a colonização, em 1915, com o imigrante japonês Mitsuyo Maeda, mais conhecido pelo seu apelido de Conde Koma.

 

 No esporte, a graduação é definida pelo nível de conhecimento e tempo de prática do aluno. As graduações são por peso, idade e faixas coloridas: branca, cinza, azul, amarela, laranja, verde, roxa, marrom e preta. Mas, para passar de uma faixa para outra existe um tempo mínimo, os períodos de carência. Por exemplo, nas bases é de seis meses, depois um ano cada cor, até chegar na preta. A última faixa, ainda possui dez graduações, o “dan”.

 

Os ensinamentos do judô podem iniciar a partir de três anos, na categoria baby. Parece cedo, mas o professor (que iniciou no judô com 4 anos de idade) esclarece que os preceitos do judô são ensinados através de brincadeiras. Para os maiores, a base dos treinos é no tatame. “Para as categorias mais avançadas a preparação inclui academia, no geral a partir do juvenil, porque com 16 anos já se pode tentar ‘entrar’ para a faixa preta, como a Mayra Aguiar”.

 

Ela não conseguiu medalha nessa Olimpíada, mas Márcio conta que Mayra, João Derly e Tiago Camilo (único que conseguiu medalha para o Brasil), são os ídolos da maioria dos seus alunos. O pequeno, mas experiente judoca, Gabriel Alves, 11 anos, já treina há sete anos: “O judô me ensina bastante coisa, eu adoro. Venho todos os dias”.

 

 Os treinos iniciam com aquecimento, depois a parte prática, mental e técnica. “O judô é detalhista, se não estiver focado, perde. Essa parte é o diferencial, porque incentiva a concentração” destaca o professor.

 

Competir faz parte do aprendizado do judô, o objetivo dos resultados varia, focado na competição ou não. Mas, para Márcio, a participação dos pais também é importante, além do incentivo, o retorno e a disciplina aumentam. É o caso de Regina Brasil. Mãe de judoca, confessa que não queria que seu filho trocasse o futsal pelo judô. Começou a assistir as aulas e se rendeu ao esporte. Hoje, não se arrepende, ele é premiado e já viajou pelo Brasil e Argentina. Mas lamenta: “No nosso país ainda falta incentivo aos esportes”.

 

Regina indica o esporte porque no judô existe a hierarquia das faixas, do conhecimento, não tem discriminação, além disso, a concentração do filho nas atividades escolares também melhorou.

 

Quem também acompanha os treinos é Vitor Hugo Ritter Alves. “O que faz os pais trazerem seus filhos são motivos diferentes. No meu caso, ele era muito agitado, o incentivo foi grande e ele começou a gostar cada vez mais. O judô é um esporte que traz referências, conviver com várias classes sociais também enriquece”, conta Alves, se referindo ao projeto de inclusão social, conveniado à Prefeitura, que traz alunos de escolas públicas para o esporte.
 

Incentivador ativo, Alves participa do Departamento de Judô do Avenida Tênis Clube, onde se faz a relação dos alunos, pais, professores e o clube.  “Um passo importante foi integrar o clube na Federação Brasileira de Judô”, destaca.

 

 Em uma competição, os pontos são por critério de avaliação. Os golpes são todos cumulativos e varia o nível de técnicas, dificuldades, equilíbrio e controle. Os nomes dos pontos, apesar de difíceis, se tornaram ‘conhecidos’ para quem acompanhou as disputas: o ippon, a pontuação máxima, é quando se derruba o adversário de costas no chão, por mais de 30 segundos. O wazari é quando o derruba sem que ele encoste os dois ombros no tatame, o yuko é quando o adversário cai de lado e koka é quando ele cai sentado.

 

 

 

Fotos: Alice Dutra Balbé