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Santa Maria, RS, Brazil

Esporte lucrativo e arriscado

Assim como todos jogos de azar, a rinha de galo é proibida no país. Entretanto, a criação de animais específicos para o combate ainda é muito comum, o que revela a existência de um mercado lucrativo. Então, caso você ouça o canto de um galo cedo da madrugada e não ao amanhecer do dia, desconfie: possivelmente ele esteja num rinhadeiro, pronto para brigar.

O criador santa-mariense de galos de rinha, C. B. T., disse que é tradição na sua família a criação deste tipo de animal. Ele cria desde criança, sendo um hobby para ele e seus dois filhos, que estão aprendendo o ofício. O morador de um dos maiores bairros de Santa Maria explicou que o início da criação de galos combatentes acontece no momento em que se formam famílias para a reprodução. Os galos são bastante observados para se saber quais são os que têm mais aptidão para o combate. Depois que o galista escolhe a raça e obtem bons exemplares, deve preparar uma cela de cruzamento, chamada de Piquete.

Outro cuidado importante é com a alimentação, que deve conter proteínas, vitaminas, sais minerais e aminoácidos. Como os galos de combate são animais agressivos por natureza, quando atingem 10 meses de idade devem começar a ser manipulados e amansados. O criador os treina diariamente por 40 minutos para que possam aprender os métodos de briga, mas, a cada 20 minutos, recebem banhos para que se acalmem. Nos treinos, os animais usam proteção nos bicos e nas esporas para evitar ferimentos.

C. B. T. é um defensor tanto da criação de galos de briga como das rinhas. Ele diz que a criação preserva a espécie, já que está em extinção, defendendo a continuidade das rinhas apenas para criadores especializados. Segundo o galista, uma solução seria a criação de regras para os freqüentadores das rinhas, como a estipulação de tempo para a briga e igual peso entre os animais. Para ele, quem não é criador, pensa que o galo tem de lutar até morrer, mas não é assim que deve ocorrer.

Venda pode render até R$ 2.000,00

Esta atividade pode se tornar lucrativa, além de prazeirosa, conforme C. B. T. Os animais com pedigree, que são bem treinados e filhos de campeão, podem ser vendidos por até R$ 2.000,00. Já os menos treinados valem R$100,00. O criador explica que este tipo de comércio, hoje, é pequeno devido ao fato de a rinha de galo ser uma prática ilegal. Mesmo que ainda existam no Brasil, – e em Santa Maria -, o público está cada vez mais restrito por causa das constantes apreensões.

O galista diz que não vende, mas que tem amigos em Santa Maria e em Cruz Alta que criam galos somente para comercializar. Ele informa que alguns vendem para santa-marienses por amizade porque para obter lucro no negócio, acabam vendendo para uruguaios, que, ressalta, são loucos por rinhas. O dinheiro, disse o criador, não é muito se comparado ao risco que correm de serem pegos. Geralmente, os uruguaios vêm a Santa Maria buscar os animais e, mesmo assim, pode haver denúncias, o que dificultaria o negócio.

O que é proibido

 Conforme a Lei 9605, de 1998, praticar ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos resulta em detenção de três meses a um ano, mais multa.
Já a criação de galos combatentes é legal no Brasil. Apenas as apostas não são permitidas, já que os jogos de azar são proibidos no Brasil.

* Matérias produzidas na disciplina de Jornalismo Especializado III, no segundo semestre de 2007, orientadas pela professora Viviane Borelli. 

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Assim como todos jogos de azar, a rinha de galo é proibida no país. Entretanto, a criação de animais específicos para o combate ainda é muito comum, o que revela a existência de um mercado lucrativo. Então, caso você ouça o canto de um galo cedo da madrugada e não ao amanhecer do dia, desconfie: possivelmente ele esteja num rinhadeiro, pronto para brigar.

O criador santa-mariense de galos de rinha, C. B. T., disse que é tradição na sua família a criação deste tipo de animal. Ele cria desde criança, sendo um hobby para ele e seus dois filhos, que estão aprendendo o ofício. O morador de um dos maiores bairros de Santa Maria explicou que o início da criação de galos combatentes acontece no momento em que se formam famílias para a reprodução. Os galos são bastante observados para se saber quais são os que têm mais aptidão para o combate. Depois que o galista escolhe a raça e obtem bons exemplares, deve preparar uma cela de cruzamento, chamada de Piquete.

Outro cuidado importante é com a alimentação, que deve conter proteínas, vitaminas, sais minerais e aminoácidos. Como os galos de combate são animais agressivos por natureza, quando atingem 10 meses de idade devem começar a ser manipulados e amansados. O criador os treina diariamente por 40 minutos para que possam aprender os métodos de briga, mas, a cada 20 minutos, recebem banhos para que se acalmem. Nos treinos, os animais usam proteção nos bicos e nas esporas para evitar ferimentos.

C. B. T. é um defensor tanto da criação de galos de briga como das rinhas. Ele diz que a criação preserva a espécie, já que está em extinção, defendendo a continuidade das rinhas apenas para criadores especializados. Segundo o galista, uma solução seria a criação de regras para os freqüentadores das rinhas, como a estipulação de tempo para a briga e igual peso entre os animais. Para ele, quem não é criador, pensa que o galo tem de lutar até morrer, mas não é assim que deve ocorrer.

Venda pode render até R$ 2.000,00

Esta atividade pode se tornar lucrativa, além de prazeirosa, conforme C. B. T. Os animais com pedigree, que são bem treinados e filhos de campeão, podem ser vendidos por até R$ 2.000,00. Já os menos treinados valem R$100,00. O criador explica que este tipo de comércio, hoje, é pequeno devido ao fato de a rinha de galo ser uma prática ilegal. Mesmo que ainda existam no Brasil, – e em Santa Maria -, o público está cada vez mais restrito por causa das constantes apreensões.

O galista diz que não vende, mas que tem amigos em Santa Maria e em Cruz Alta que criam galos somente para comercializar. Ele informa que alguns vendem para santa-marienses por amizade porque para obter lucro no negócio, acabam vendendo para uruguaios, que, ressalta, são loucos por rinhas. O dinheiro, disse o criador, não é muito se comparado ao risco que correm de serem pegos. Geralmente, os uruguaios vêm a Santa Maria buscar os animais e, mesmo assim, pode haver denúncias, o que dificultaria o negócio.

O que é proibido

 Conforme a Lei 9605, de 1998, praticar ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos resulta em detenção de três meses a um ano, mais multa.
Já a criação de galos combatentes é legal no Brasil. Apenas as apostas não são permitidas, já que os jogos de azar são proibidos no Brasil.

* Matérias produzidas na disciplina de Jornalismo Especializado III, no segundo semestre de 2007, orientadas pela professora Viviane Borelli.