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Santa Maria, RS, Brazil

Quanto tempo você agüenta na fila?

Esperar não é agradável. Esperar em uma fila de banco, tendo outras tantas coisas para fazer no dia, é ainda mais estressante. Uma Lei Municipal determina que essa espera não deve ser maior que 15 minutos em dias normais, 25 minutos nas vésperas de feriados e 30 minutos em dias de pagamentos de servidores públicos. Nem sempre é fácil cumprir, mas desde 2006 a prefeitura já aplicou mais de R$ 1 milhão em multas a bancos que não respeitam as normas da lei das  filas.

 

A pedagoga Ynajara Flain reclama que não é a primeira vez que fica quase uma hora na fila em uma agência na avenida Rio Branco. “Cheguei ao banco antes de começar o vídeo show e só sai depois que terminou o segundo bloco da novela da tarde, na globo” disse.

Assim como ela, em outra agência na rua Dr. Bozzano, a professora Suzana Ferigolo ficou mais de uma hora na fila. “Eles lucram tanto que não podem colocar mais pessoas pra trabalhar aqui, né?" ironiza. Suzana acredita que as multas não adiantam porque o verdadeiro lesado, que é o cliente, não recebe nada. O funcionário do setor de fiscalização da Secretaria de Turismo e Eventos da Prefeitura, Felipe Moro, afirma que a pessoa que denunciar tem a vantagem de, na próxima vez que for ao banco, ser atendida com mais agilidade.

O comerciante Fernando Luiz Pacheco, que ficou 40 minutos na fila, desistiu do atendimento. “Não tenho o dia todo para ficar aqui, é um desrespeito com o cliente. Ainda fazem depois aquelas propagandas dizendo que o cliente é tudo pra eles”, reclama. E esse estresse é todo o dia. Segundo a bancária que não quis se identificar, as pessoas muitas vezes chegam irritadas no caixa. “Não temos o que fazer, muitas vezes o sistema está lento e são duas ou três pessoas para atender”, explica.

Fiscalização

A secretaria de Turismo e Eventos é responsável pela fiscalização da lei de filas através do setor de Fiscalização de Costumes, Posturas e Uso do Espaço Público. Depois que a multa é aplicada, a cobrança do valor fica a cargo do setor de dívida ativa da Prefeitura. Foram aplicadas no  último rastreamento 11 multas no valor de  R$ 18.363,00 cada e desde 2006 já somam mais de R$ 1 milhão. Uma alteração aprovada na Câmara de vereadores no início do ano alterou o valor da multa de R$7.054,40 para  R$ 18.363,00, o que aumenta ainda mais a arrecadação da Prefeitura.
 
Esse dinheiro não tem destino certo, vai para o banco de vala única – uma conta geral da Prefeitura – e pode ser aplicado em qualquer setor. O banco ainda pode pedir impugnação (para que a prefeitura reveja a multa). O que assegura o pagamento da multa é a certidão negativa de débito que as agências devem apresentar a cada final de ano. Caso os bancos não paguem, ficarão proibidos de participar dos processos licitatórios.  A diretora de receita do setor de dívida ativa da Prefeitura, Marilene Pereira da Cruz, explica que esse dinheiro não tem um fundo certo e compara com as multas que entram como ‘gestão ambiental’, que tem um fundo específico. “Esses recursos seriam aplicados em algum projeto ambiental, mas as multas das filas dos bancos vão para a contabilidade e entram na receita do município”, explica.
 

Como denunciar?

Precisa de: ticket do horário de entrada e comprovante do horário de saída do banco

Local: prédio da Cacism, rua Venâncio Aires 2035/ Secretaria de Turismo e Eventos – setor de fiscalização

Horário: 7h30 às 13h

Telefone: 3217-1200

 

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Esperar não é agradável. Esperar em uma fila de banco, tendo outras tantas coisas para fazer no dia, é ainda mais estressante. Uma Lei Municipal determina que essa espera não deve ser maior que 15 minutos em dias normais, 25 minutos nas vésperas de feriados e 30 minutos em dias de pagamentos de servidores públicos. Nem sempre é fácil cumprir, mas desde 2006 a prefeitura já aplicou mais de R$ 1 milhão em multas a bancos que não respeitam as normas da lei das  filas.

 

A pedagoga Ynajara Flain reclama que não é a primeira vez que fica quase uma hora na fila em uma agência na avenida Rio Branco. “Cheguei ao banco antes de começar o vídeo show e só sai depois que terminou o segundo bloco da novela da tarde, na globo” disse.

Assim como ela, em outra agência na rua Dr. Bozzano, a professora Suzana Ferigolo ficou mais de uma hora na fila. “Eles lucram tanto que não podem colocar mais pessoas pra trabalhar aqui, né?" ironiza. Suzana acredita que as multas não adiantam porque o verdadeiro lesado, que é o cliente, não recebe nada. O funcionário do setor de fiscalização da Secretaria de Turismo e Eventos da Prefeitura, Felipe Moro, afirma que a pessoa que denunciar tem a vantagem de, na próxima vez que for ao banco, ser atendida com mais agilidade.

O comerciante Fernando Luiz Pacheco, que ficou 40 minutos na fila, desistiu do atendimento. “Não tenho o dia todo para ficar aqui, é um desrespeito com o cliente. Ainda fazem depois aquelas propagandas dizendo que o cliente é tudo pra eles”, reclama. E esse estresse é todo o dia. Segundo a bancária que não quis se identificar, as pessoas muitas vezes chegam irritadas no caixa. “Não temos o que fazer, muitas vezes o sistema está lento e são duas ou três pessoas para atender”, explica.

Fiscalização

A secretaria de Turismo e Eventos é responsável pela fiscalização da lei de filas através do setor de Fiscalização de Costumes, Posturas e Uso do Espaço Público. Depois que a multa é aplicada, a cobrança do valor fica a cargo do setor de dívida ativa da Prefeitura. Foram aplicadas no  último rastreamento 11 multas no valor de  R$ 18.363,00 cada e desde 2006 já somam mais de R$ 1 milhão. Uma alteração aprovada na Câmara de vereadores no início do ano alterou o valor da multa de R$7.054,40 para  R$ 18.363,00, o que aumenta ainda mais a arrecadação da Prefeitura.
 
Esse dinheiro não tem destino certo, vai para o banco de vala única – uma conta geral da Prefeitura – e pode ser aplicado em qualquer setor. O banco ainda pode pedir impugnação (para que a prefeitura reveja a multa). O que assegura o pagamento da multa é a certidão negativa de débito que as agências devem apresentar a cada final de ano. Caso os bancos não paguem, ficarão proibidos de participar dos processos licitatórios.  A diretora de receita do setor de dívida ativa da Prefeitura, Marilene Pereira da Cruz, explica que esse dinheiro não tem um fundo certo e compara com as multas que entram como ‘gestão ambiental’, que tem um fundo específico. “Esses recursos seriam aplicados em algum projeto ambiental, mas as multas das filas dos bancos vão para a contabilidade e entram na receita do município”, explica.
 

Como denunciar?

Precisa de: ticket do horário de entrada e comprovante do horário de saída do banco

Local: prédio da Cacism, rua Venâncio Aires 2035/ Secretaria de Turismo e Eventos – setor de fiscalização

Horário: 7h30 às 13h

Telefone: 3217-1200