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Santa Maria, RS, Brazil

Ser gaúcho é ‘tri-legal’!

 As façanhas do povo rio-grandense marcaram o passado e inspiram o presente de homens e mulheres que carregam o orgulho de “ser gaúcho”, seja de sangue ou de coração. Os hábitos e costumes adotados por aqueles que amam as tradições se espalham pelo Brasil e também conquistam quem por aqui passa ou vem morar. As vestimentas, a música, o chimarrão e o churrasco são incorporados no cotidiano de pessoas de outros Estados ou levados para outras regiões.
 
 

“Tu sabes que nós gaúchos somos melhores em tudo”. A frase proferida pelo tenente do Exército, Álvaro da Luz, 39 anos, já mostra o tamanho do seu amor pelo Rio Grande do Sul. Há 15 anos residindo em Marabá, Pará, o oficial não esqueceu das tradições do Estado onde nasceu: “Acho bem importante honrar as tradições e a nossa terra. Isto faz dos gaúchos um povo diferenciado”.

 

O gremista conta que, ao menos uma vez por mês, reúne mais de 50 pessoas do Centro Tradicionalista da vila militar para fazer um churrasco: “Infelizmente aquele tradicionalismo mais pesado fica difícil manter. Até porque nem todos que freqüentam são gaúchos”.  Nesse Dia do Gaúcho será organizada uma festa ‘aos moldes do Rio Grande do Sul’, que será realizada no Clube dos Subtenentes e Sargentos de Marabá. Na programação da festa está planejada apresentação de danças tradicionalistas gaúchas.

 

Mesmo orgulhoso da terra natal, Luz não pretende voltar a morar na região fria. Para não sentir tantas saudades, visita todo ano o território rio-grandense. No coração fica o desejo de comemorar e acompanhar as festividades de um 20 de setembro em Santa Maria.

 

A advogada Petala Godinho Pinto, 29 anos, morava em Porto Alegre e, há um ano, se mudou, por motivos profissionais, para Coari, Amazonas. A jovem comenta que a distância a deixou com saudades da região Sul: “O mais importante pra mim, que me faz falta, são as ações do dia-a-dia, como tomar chimarrão. Aqui, se tomei dois mates foi muito e, ainda, de péssima qualidade”. A colorada, que trabalhava para o Internacional, também sente falta de assistir os jogos do time.

 

De acordo com a moradora da quinta maior cidade do Amazonas, a principal diferença entre os povos é a paixão pelo Estado. Petala explica que no Rio Grande do Sul a população defende a terra e a bandeira e compara: “Aqui o povo só fala mal da sua região. O descrédito é muito grande”. Mesmo sendo bem recebida no novo Estado, ela garante que pretende voltar a morar no sul.

 

Do acarajé para o chimarrão

 

 Filho de um militar da Aeronáutica, o baiano de Salvador, Clother Santos Chaves, 48 anos, chegou a Santa Maria em dezembro de 1980. Acostumado com a rotina de mudanças, já havia percorrido outras cidades, como Pirassununga, Santos e Rio de Janeiro, mas foi no Rio Grande do Sul que resolveu permanecer, mesmo acreditando que há falta de emprego na região: “Acabei ficando e me propus a conhecer e aprender tudo que esta terra tem de bom. Apaixonei-me pelo sul e fiquei por aqui”.

 

Chaves aderiu às tradições gaúchas e aprendeu a usar a bombacha, preparar o churrasco e o chimarrão. O representante comercial acredita que as pessoas do Rio Grande do Sul são as únicas que fazem questão de cultuar as tradições: “Não existe outro povo que ame tanto a sua terra como esse”. Ele também confessa que, ao se casar e ter tido um casal de filhos gaúchos, estabeleceu um laço muito grande de amor e de vida com o Estado. “Amo muito este lugar, pois é nele que mais se torna vivo o amor pela terra e pela tradição”, comenta o baiano que se considera mais gaúcho.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   Fotos: Laboratório de Fotografia e Memória e arquivo pessoal

 

 

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 As façanhas do povo rio-grandense marcaram o passado e inspiram o presente de homens e mulheres que carregam o orgulho de “ser gaúcho”, seja de sangue ou de coração. Os hábitos e costumes adotados por aqueles que amam as tradições se espalham pelo Brasil e também conquistam quem por aqui passa ou vem morar. As vestimentas, a música, o chimarrão e o churrasco são incorporados no cotidiano de pessoas de outros Estados ou levados para outras regiões.
 
 

“Tu sabes que nós gaúchos somos melhores em tudo”. A frase proferida pelo tenente do Exército, Álvaro da Luz, 39 anos, já mostra o tamanho do seu amor pelo Rio Grande do Sul. Há 15 anos residindo em Marabá, Pará, o oficial não esqueceu das tradições do Estado onde nasceu: “Acho bem importante honrar as tradições e a nossa terra. Isto faz dos gaúchos um povo diferenciado”.

 

O gremista conta que, ao menos uma vez por mês, reúne mais de 50 pessoas do Centro Tradicionalista da vila militar para fazer um churrasco: “Infelizmente aquele tradicionalismo mais pesado fica difícil manter. Até porque nem todos que freqüentam são gaúchos”.  Nesse Dia do Gaúcho será organizada uma festa ‘aos moldes do Rio Grande do Sul’, que será realizada no Clube dos Subtenentes e Sargentos de Marabá. Na programação da festa está planejada apresentação de danças tradicionalistas gaúchas.

 

Mesmo orgulhoso da terra natal, Luz não pretende voltar a morar na região fria. Para não sentir tantas saudades, visita todo ano o território rio-grandense. No coração fica o desejo de comemorar e acompanhar as festividades de um 20 de setembro em Santa Maria.

 

A advogada Petala Godinho Pinto, 29 anos, morava em Porto Alegre e, há um ano, se mudou, por motivos profissionais, para Coari, Amazonas. A jovem comenta que a distância a deixou com saudades da região Sul: “O mais importante pra mim, que me faz falta, são as ações do dia-a-dia, como tomar chimarrão. Aqui, se tomei dois mates foi muito e, ainda, de péssima qualidade”. A colorada, que trabalhava para o Internacional, também sente falta de assistir os jogos do time.

 

De acordo com a moradora da quinta maior cidade do Amazonas, a principal diferença entre os povos é a paixão pelo Estado. Petala explica que no Rio Grande do Sul a população defende a terra e a bandeira e compara: “Aqui o povo só fala mal da sua região. O descrédito é muito grande”. Mesmo sendo bem recebida no novo Estado, ela garante que pretende voltar a morar no sul.

 

Do acarajé para o chimarrão

 

 Filho de um militar da Aeronáutica, o baiano de Salvador, Clother Santos Chaves, 48 anos, chegou a Santa Maria em dezembro de 1980. Acostumado com a rotina de mudanças, já havia percorrido outras cidades, como Pirassununga, Santos e Rio de Janeiro, mas foi no Rio Grande do Sul que resolveu permanecer, mesmo acreditando que há falta de emprego na região: “Acabei ficando e me propus a conhecer e aprender tudo que esta terra tem de bom. Apaixonei-me pelo sul e fiquei por aqui”.

 

Chaves aderiu às tradições gaúchas e aprendeu a usar a bombacha, preparar o churrasco e o chimarrão. O representante comercial acredita que as pessoas do Rio Grande do Sul são as únicas que fazem questão de cultuar as tradições: “Não existe outro povo que ame tanto a sua terra como esse”. Ele também confessa que, ao se casar e ter tido um casal de filhos gaúchos, estabeleceu um laço muito grande de amor e de vida com o Estado. “Amo muito este lugar, pois é nele que mais se torna vivo o amor pela terra e pela tradição”, comenta o baiano que se considera mais gaúcho.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   Fotos: Laboratório de Fotografia e Memória e arquivo pessoal