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CARTA À COMUNIDADE

 Jornalismo: pela qualidade da informação

O dia 17 de junho foi marcado por uma decisão judicial que entristece a jornalistas, estudantes de jornalismo e professores universitários de todo o país. Diante de uma avaliação reducionista, que não considera a responsabilidade social da atividade na busca da qualidade de informação em uma sociedade democrática, oito ministros do Supremo Tribunal Federal declararam inconstitucional a obrigatoriedade de diploma para o exercício da profissão de jornalista.

 

Ao derrubar uma conquista que regulava, há 40 anos, o exercício da profissão pela exigência da formação universitária, a mais alta corte do país sinalizou para a nação um entendimento equivocado do jornalismo. Segundo os ministros do STF, a regulamentação até então em vigor feria o princípio constitucional que garante a livre expressão para todos os cidadãos brasileiros. O argumento, além de inconsistente, pois condiciona a liberdade de posicionamento e manifestação a um exercício profissional, desconsidera que as empresas jornalísticas sempre contaram com uma produção plural de opiniões através de articulistas e colaboradores. Além disso, são justamente os jornalistas, profissionais éticos e conscientes de seu papel, que historicamente lutaram pela busca da verdade e divulgação da diversidade de vozes através da mídia. Essa busca se dá mesmo em situações de conflito e privação das liberdades individuais e coletivas, em regimes de exceção, no Brasil e no mundo.

 

Em sua argumentação, o ministro-relator Gilmar Mendes valeu-se da comparação entre as atividades jornalísticas e as  ligadas à criação artística, como de poeta e romancista, e entre outras, como a de cozinheiro profissional. A comparação não foi por acaso e continha um tom de deboche calculado. De uma maneira irônica, o ministro Gilmar Mendes comemorou o término da influência da crítica acadêmica que, historicamente, tem formado os repórteres brasileiros nas escolas de jornalismo. 

 

Com a decisão, os magistrados ignoraram também que as escolas de jornalismo surgiram como uma consequência do movimento das sociedades modernas para  produzir e divulgar informações confiáveis, e não foram criadas por algum grupo pretensioso de profissionais ou empresários. O reconhecimento da responsabilidade social do jornalista data do final do século XIX e deu origem aos cursos de jornalismo. No Brasil, eles surgiram na década de 40, no século passado. São muitas gerações formadas, o que significa um conhecimento acumulado, gerador de mudanças e profundas transformações.

 

Depois, vieram também os programas de pós-graduação, que têm ampliado a pesquisa sobre as mídias e sua influência nas transformações sociais e no papel do jornalismo nesse processo. É inquestionável que o grande investimento na formação do profissional de jornalismo, feito no decorrer dos anos, deve ser visto pela ótica da busca em qualificar a informação produzida, capaz de impulsionar profundos movimentos na sociedade.

 

O jornalista é um autor no sentido da responsabilidade daquilo que apura, produz e divulga, seja no jornal impresso, na televisão, no rádio e nas mídias digitais, que constituem o espaço de narração da sociedade contemporânea. E esse profissional precisa ser qualificado, pois informações equivocadas e inverídicas podem, sim, afetar de forma irremediável a sociedade.

 

Sabemos que apesar do impacto provocado pela decisão do STF, o ensino superior em jornalismo ou em comunicação social não deixará de existir. Aliás, ele nunca foi tão valorizado e reconhecido como na atualidade. Isso pode ser medido, particularmente, pelas conquistas dos nossos ex-alunos no mercado de trabalho e no mundo acadêmico, com o ingresso em importantes cursos de pós-graduação no país. Outro indicador é a confiança no trabalho realizado junto à comunidade santa-mariense, seja através do acompanhamento
das produções experimentais de nossos estudantes ou pelo convívio em projetos de extensão. O curso de comunicação social da Unifra é reconhecido pelo MEC como excelente, e considerado um dos melhores do estado e  do Brasil.

 

Quanto à qualidade dos cursos, estamos certos de que sempre esteve vinculada ao investimento das Instituições de Ensino Superior. As IES que sabem da necessidade de flexibilizar seus projetos tendo em vista às exigências das mudanças sociais estão comprometidas com a realidade brasileira, o desenvolvimento da capacidade de diálogo e as proposições entre as diferentes instâncias dessa mesma sociedade. E o Brasil necessita de educação e de boa formação.

 

Fazemos um apelo à sociedade para que esteja atenta aos processos que comprometem a qualificação dos profissionais do jornalismo. Leitores, telespectadores, ouvintes e internautas têm direito à informação plural e de interesse público, apurada por profissionais que acreditam e buscam o conhecimento teórico, técnico e ético nos bancos universitários.

 

Professores do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Unifra

 

 

 

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 Jornalismo: pela qualidade da informação

O dia 17 de junho foi marcado por uma decisão judicial que entristece a jornalistas, estudantes de jornalismo e professores universitários de todo o país. Diante de uma avaliação reducionista, que não considera a responsabilidade social da atividade na busca da qualidade de informação em uma sociedade democrática, oito ministros do Supremo Tribunal Federal declararam inconstitucional a obrigatoriedade de diploma para o exercício da profissão de jornalista.

 

Ao derrubar uma conquista que regulava, há 40 anos, o exercício da profissão pela exigência da formação universitária, a mais alta corte do país sinalizou para a nação um entendimento equivocado do jornalismo. Segundo os ministros do STF, a regulamentação até então em vigor feria o princípio constitucional que garante a livre expressão para todos os cidadãos brasileiros. O argumento, além de inconsistente, pois condiciona a liberdade de posicionamento e manifestação a um exercício profissional, desconsidera que as empresas jornalísticas sempre contaram com uma produção plural de opiniões através de articulistas e colaboradores. Além disso, são justamente os jornalistas, profissionais éticos e conscientes de seu papel, que historicamente lutaram pela busca da verdade e divulgação da diversidade de vozes através da mídia. Essa busca se dá mesmo em situações de conflito e privação das liberdades individuais e coletivas, em regimes de exceção, no Brasil e no mundo.

 

Em sua argumentação, o ministro-relator Gilmar Mendes valeu-se da comparação entre as atividades jornalísticas e as  ligadas à criação artística, como de poeta e romancista, e entre outras, como a de cozinheiro profissional. A comparação não foi por acaso e continha um tom de deboche calculado. De uma maneira irônica, o ministro Gilmar Mendes comemorou o término da influência da crítica acadêmica que, historicamente, tem formado os repórteres brasileiros nas escolas de jornalismo. 

 

Com a decisão, os magistrados ignoraram também que as escolas de jornalismo surgiram como uma consequência do movimento das sociedades modernas para  produzir e divulgar informações confiáveis, e não foram criadas por algum grupo pretensioso de profissionais ou empresários. O reconhecimento da responsabilidade social do jornalista data do final do século XIX e deu origem aos cursos de jornalismo. No Brasil, eles surgiram na década de 40, no século passado. São muitas gerações formadas, o que significa um conhecimento acumulado, gerador de mudanças e profundas transformações.

 

Depois, vieram também os programas de pós-graduação, que têm ampliado a pesquisa sobre as mídias e sua influência nas transformações sociais e no papel do jornalismo nesse processo. É inquestionável que o grande investimento na formação do profissional de jornalismo, feito no decorrer dos anos, deve ser visto pela ótica da busca em qualificar a informação produzida, capaz de impulsionar profundos movimentos na sociedade.

 

O jornalista é um autor no sentido da responsabilidade daquilo que apura, produz e divulga, seja no jornal impresso, na televisão, no rádio e nas mídias digitais, que constituem o espaço de narração da sociedade contemporânea. E esse profissional precisa ser qualificado, pois informações equivocadas e inverídicas podem, sim, afetar de forma irremediável a sociedade.

 

Sabemos que apesar do impacto provocado pela decisão do STF, o ensino superior em jornalismo ou em comunicação social não deixará de existir. Aliás, ele nunca foi tão valorizado e reconhecido como na atualidade. Isso pode ser medido, particularmente, pelas conquistas dos nossos ex-alunos no mercado de trabalho e no mundo acadêmico, com o ingresso em importantes cursos de pós-graduação no país. Outro indicador é a confiança no trabalho realizado junto à comunidade santa-mariense, seja através do acompanhamento
das produções experimentais de nossos estudantes ou pelo convívio em projetos de extensão. O curso de comunicação social da Unifra é reconhecido pelo MEC como excelente, e considerado um dos melhores do estado e  do Brasil.

 

Quanto à qualidade dos cursos, estamos certos de que sempre esteve vinculada ao investimento das Instituições de Ensino Superior. As IES que sabem da necessidade de flexibilizar seus projetos tendo em vista às exigências das mudanças sociais estão comprometidas com a realidade brasileira, o desenvolvimento da capacidade de diálogo e as proposições entre as diferentes instâncias dessa mesma sociedade. E o Brasil necessita de educação e de boa formação.

 

Fazemos um apelo à sociedade para que esteja atenta aos processos que comprometem a qualificação dos profissionais do jornalismo. Leitores, telespectadores, ouvintes e internautas têm direito à informação plural e de interesse público, apurada por profissionais que acreditam e buscam o conhecimento teórico, técnico e ético nos bancos universitários.

 

Professores do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Unifra