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Educação e Inovação discutidos no primeiro dia do SEPE


O XIII Simpósio de Ensino, Pesquisa e Extensão (SEPE) trouxe para a conferência Educação e Inovação, o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Dr. Miguel Gonzáles Arroyo.

O
professor dividiu com o público suas experiências e indagações no campo
das licenciaturas, da graduação e dos atuais métodos de ensino. Ele
afirma que as licenciaturas não são mais as mesmas e a profissão
docente está sendo desvalorizada. Diagnósticos da UNESCO mostram que a
origem social dos estudantes de licenciatura está entre 1 e 4 salários
mínimos, o que se afasta das elites e camadas médias. As pesquisas
apontam também para a feminização e mudanças do magistério em que mais
de 70% são mulheres e mais de 40% são negros. “Estamos vivendo a crise
do magistério” comenta Gonzáles.

O
conferencista salienta que o foco não deve ser apenas o que ensinar e
como ensinar, mas a quem ensinar. ”Profissional que não conhece para
quem trabalha será um profissional fracassado. E se hoje os alunos não
são mais os mesmos, os professores podem ser? ”questiona ele.

Segundo
Gonzáles, a desorientação das licenciaturas se estende a todas as áreas.
É um padecer à crise e à desvalorização do trabalho em que as
problemáticas sociais atingem direto o campo do conhecimento e onde a
educação não acontece em um vazio social, pois as ciências estão
intrincadas na dinâmica da sociedade.

As
grades curriculares foram comparadas às grades da prisão e de nossas
casas. Curriculos gradeados, gradeiam conhecimento na forma de pensar e
formar. O conhecimento de fora, que vem da sociedade, não pode entrar,
pois pode ofuscar o conhecimento de dentro, logo o conhecimento é
enfraquecido. “As vivências não podem ser ignoradas. Alunos e
professores devem agir e estar sensíveis às indagações da sociedade.
Abram as grades!” pontua o educador.

Hoje
o mercado exige competência e, na visão do professor, empobrece os
centros de ensino. As universidades são mais um centro de capacitação
do que de conhecimento, assim educação e formação perdem sua função e
fica impossível inovar e superar práticas de ensino. “No momento o
conhecimento e o saber são logotipos e privilegiam os modos de produção
de vida material e não modos de produção social, cultural, ético e
intelectual, que ficam marginalizados. O saber incorpora a ciência às
tecnologias e às máquinas; sobra o trabalhador; cresce o desemprego.
Conhecimento é direito não mercadoria!” afirma.

Miguel
Gonzáles deixa seu recado aos estudantes e professores: “Exijam o
direito ao conhecimento. Conhecimento engole conhecimento”. Ele afirma
que esse campo dinâmico e antropológico não cabe em currículos
estáticos, pois é inerente à condição humana.

 

Fotos: Augusto Coelho (Laboratório de Fotografia e Memória)

  

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O XIII Simpósio de Ensino, Pesquisa e Extensão (SEPE) trouxe para a conferência Educação e Inovação, o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Dr. Miguel Gonzáles Arroyo.

O
professor dividiu com o público suas experiências e indagações no campo
das licenciaturas, da graduação e dos atuais métodos de ensino. Ele
afirma que as licenciaturas não são mais as mesmas e a profissão
docente está sendo desvalorizada. Diagnósticos da UNESCO mostram que a
origem social dos estudantes de licenciatura está entre 1 e 4 salários
mínimos, o que se afasta das elites e camadas médias. As pesquisas
apontam também para a feminização e mudanças do magistério em que mais
de 70% são mulheres e mais de 40% são negros. “Estamos vivendo a crise
do magistério” comenta Gonzáles.

O
conferencista salienta que o foco não deve ser apenas o que ensinar e
como ensinar, mas a quem ensinar. ”Profissional que não conhece para
quem trabalha será um profissional fracassado. E se hoje os alunos não
são mais os mesmos, os professores podem ser? ”questiona ele.

Segundo
Gonzáles, a desorientação das licenciaturas se estende a todas as áreas.
É um padecer à crise e à desvalorização do trabalho em que as
problemáticas sociais atingem direto o campo do conhecimento e onde a
educação não acontece em um vazio social, pois as ciências estão
intrincadas na dinâmica da sociedade.

As
grades curriculares foram comparadas às grades da prisão e de nossas
casas. Curriculos gradeados, gradeiam conhecimento na forma de pensar e
formar. O conhecimento de fora, que vem da sociedade, não pode entrar,
pois pode ofuscar o conhecimento de dentro, logo o conhecimento é
enfraquecido. “As vivências não podem ser ignoradas. Alunos e
professores devem agir e estar sensíveis às indagações da sociedade.
Abram as grades!” pontua o educador.

Hoje
o mercado exige competência e, na visão do professor, empobrece os
centros de ensino. As universidades são mais um centro de capacitação
do que de conhecimento, assim educação e formação perdem sua função e
fica impossível inovar e superar práticas de ensino. “No momento o
conhecimento e o saber são logotipos e privilegiam os modos de produção
de vida material e não modos de produção social, cultural, ético e
intelectual, que ficam marginalizados. O saber incorpora a ciência às
tecnologias e às máquinas; sobra o trabalhador; cresce o desemprego.
Conhecimento é direito não mercadoria!” afirma.

Miguel
Gonzáles deixa seu recado aos estudantes e professores: “Exijam o
direito ao conhecimento. Conhecimento engole conhecimento”. Ele afirma
que esse campo dinâmico e antropológico não cabe em currículos
estáticos, pois é inerente à condição humana.

 

Fotos: Augusto Coelho (Laboratório de Fotografia e Memória)