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Jornalista Com ou Sem diploma?

 O Dia do Jornalista é comemorado, no Brasil, no dia 7 de abril. Na noite dessa terça-feira, jornalistas, estudantes e professores realizaram uma mesa-redonda no salão de atos do Centro Universitário Franciscano para discutir a ‘problemática do diploma de Jornalismo’.

Participaram o jornalista Ludwig Larré, representando o Sindicato dos Jornalistas; o professor da UFSM, Rondon Castro; a professora da Unifra, Aurea Evelise Fonseca; e a aluna do curso de Jornalismo, Flavia Alli.

A estória da ‘problemática do diploma’ começou em 2001, quando a juíza federal Carla Rister, da 16ª Vara Cível de São Paulo, suspendeu, em todo o país, a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para a obtenção do registro profissional no Ministério do Trabalho. O caso está, agora, para ser julgado no Supremo Tribunal Federal. A categoria mobiliza-se em todo o país para impedir que a profissão de jornalista perca a sua regulamentação.

 O professor Rondon de Castro caracteriza o momento propício para este tipo de discussão, pois há décadas a categoria não o faz. “Sempre os patrões quiseram beliscar o nosso diploma”. Para o professor, “não podemos parar, pois a informação é um sacerdócio, estamos apenas pedindo a manutenção do direito, condições de exercer a profissão com respeito”. Se o diploma de jornalista for extinto, “será como se parte da minha vida fosse retirada”, enfatizou Rondon.     

 Ludwig Larré tem uma visão pessimista: “tenho como causa perdida, e favas contadas, um ofício extinto”. Trouxe para o debate a falta de organização e a desunião da categoria com relação à profissão. Para ele, a televisão, o rádio e o jornal não deixarão de existir, mas serão produtos de má qualidade. “Eu gostaria de sonhar que ganharíamos essa causa”.

 Em 2008 surgiu um movimento em prol do diploma que tem a acadêmica Flávia Alli como mobilizadora. Em Santa Maria já foram realizadas duas manifestações. Este ano unificou-se com Porto Alegre, tornando-se estadual. Para a aluna, o importante é que os estudantes se mobilizem e continuem participando, pois “além de formadores de opinião, somos educadores”. “A defesa do nosso espaço nos une” completou a profª Aurea.

         

A aluna Márcia Marinho retirou aplausos dos colegas após contagiar o público com a frase “se os jovens um dia derrubaram o presidente da república, duvido que não sejam capazes de segurar um diploma na mão”.

 Caso seja aprovada a não exigência de diploma para exercício da profissão, a reação imediata nos meios de comunicação será de contratar menos profissionais diplomados. No meio acadêmico, discute-se um possível esvaziamento dos cursos e a queda da qualidade no jornalismo. O grupo de professores presentes à mesa-redonda na Unifra defendeu um engajamento sério na formação universitária como forma de garantir o exercício pleno do jornalismo no país.

 

 

O Dia do Jornalista é comemorado no Brasil no dia 7 de abril, em homenagem a João Batista Líbero Badaró, médico e jornalista, brasileiro de origem italiana, que morreu assassinado por inimigos políticos, em São Paulo, no dia 7 de abril de 1830, durante uma passeata de estudantes em comemoração aos ideais libertários da Revolução Francesa.

 

Fotos: Gabriela Perufo (Laboratório de Fotografia e Memória)

 

 

           

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 O Dia do Jornalista é comemorado, no Brasil, no dia 7 de abril. Na noite dessa terça-feira, jornalistas, estudantes e professores realizaram uma mesa-redonda no salão de atos do Centro Universitário Franciscano para discutir a ‘problemática do diploma de Jornalismo’.

Participaram o jornalista Ludwig Larré, representando o Sindicato dos Jornalistas; o professor da UFSM, Rondon Castro; a professora da Unifra, Aurea Evelise Fonseca; e a aluna do curso de Jornalismo, Flavia Alli.

A estória da ‘problemática do diploma’ começou em 2001, quando a juíza federal Carla Rister, da 16ª Vara Cível de São Paulo, suspendeu, em todo o país, a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para a obtenção do registro profissional no Ministério do Trabalho. O caso está, agora, para ser julgado no Supremo Tribunal Federal. A categoria mobiliza-se em todo o país para impedir que a profissão de jornalista perca a sua regulamentação.

 O professor Rondon de Castro caracteriza o momento propício para este tipo de discussão, pois há décadas a categoria não o faz. “Sempre os patrões quiseram beliscar o nosso diploma”. Para o professor, “não podemos parar, pois a informação é um sacerdócio, estamos apenas pedindo a manutenção do direito, condições de exercer a profissão com respeito”. Se o diploma de jornalista for extinto, “será como se parte da minha vida fosse retirada”, enfatizou Rondon.     

 Ludwig Larré tem uma visão pessimista: “tenho como causa perdida, e favas contadas, um ofício extinto”. Trouxe para o debate a falta de organização e a desunião da categoria com relação à profissão. Para ele, a televisão, o rádio e o jornal não deixarão de existir, mas serão produtos de má qualidade. “Eu gostaria de sonhar que ganharíamos essa causa”.

 Em 2008 surgiu um movimento em prol do diploma que tem a acadêmica Flávia Alli como mobilizadora. Em Santa Maria já foram realizadas duas manifestações. Este ano unificou-se com Porto Alegre, tornando-se estadual. Para a aluna, o importante é que os estudantes se mobilizem e continuem participando, pois “além de formadores de opinião, somos educadores”. “A defesa do nosso espaço nos une” completou a profª Aurea.

         

A aluna Márcia Marinho retirou aplausos dos colegas após contagiar o público com a frase “se os jovens um dia derrubaram o presidente da república, duvido que não sejam capazes de segurar um diploma na mão”.

 Caso seja aprovada a não exigência de diploma para exercício da profissão, a reação imediata nos meios de comunicação será de contratar menos profissionais diplomados. No meio acadêmico, discute-se um possível esvaziamento dos cursos e a queda da qualidade no jornalismo. O grupo de professores presentes à mesa-redonda na Unifra defendeu um engajamento sério na formação universitária como forma de garantir o exercício pleno do jornalismo no país.

 

 

O Dia do Jornalista é comemorado no Brasil no dia 7 de abril, em homenagem a João Batista Líbero Badaró, médico e jornalista, brasileiro de origem italiana, que morreu assassinado por inimigos políticos, em São Paulo, no dia 7 de abril de 1830, durante uma passeata de estudantes em comemoração aos ideais libertários da Revolução Francesa.

 

Fotos: Gabriela Perufo (Laboratório de Fotografia e Memória)