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Santa Maria, RS, Brazil

A pandorga flutua

O musical santa-mariense Pandorga da Lua está há quase dez anos voando pela cidade e região e, dessa vez, ganhou voo por todo país. Um dos 12 premiados pelo projeto Rumos, do Instituto Itaú Cultural, na categoria Música Infantil, o grupo terá suas apresentações entre 2011 e 2012.
O Pandorga foi o único premiado pertencente a uma cidade do interior, os outros são de capitais como Belo Horizonte, Porto Alegre, São Paulo e Curitiba.

Além das apresentações promovidas pelo Itaú, os shows do Pandorga serão gravados e resultarão numa série de programas de TV que serão veiculados em emissoras de televisão no Brasil e no exterior. Também terá o material veiculado em rádio e serão produzidos programas para a web-rádio do instituto.

“A proposta do projeto é mostrar os rumos da música brasileira, porque ele não interfere em nada do que estamos fazendo e recebemos a notícia  da premiação com uma alegria imensa”, conta o pandorgueiro Ricardo Freire, que compõe as melodias para as letras.

Mas que pandorga é essa que anda no céu, na rua e no rio e não tem bóia nem fio?

O Pandorga da Lua é um projeto que faz coexistir a arte e a educação nas sua apresentações,  através dos ritmos da música gaúcha.

Em 2001 o projeto começou a ser desenvolvido. Ricardo Freire, que compunha músicas e se apresentava para um público essencialmente adulto, recebeu poesias do seu amigo Jaime Vaz e começou a musicá-las. Em 2004 foi a primeira apresentação no Theatro Treze de Maio. “Quando abriu aquela cortina e aquele monte de olhinhos me olhando eu pensei: ai ai ai, que eu faço agora?”, lembra Ricardo.

Tudo começou com a poesia, depois evoluiu para a música e, como consequência, o teatro, que começou a fazer parte das apresentações para aumentar a interação com as crianças,  estimulando-as a falar e participar. “Elas não são só espectadoras, são personagens do show”, diz o compositor.

Os autores criaram um roteiro no qual o Pandorga da Lua é um lugar muito lindo, onde o céu é mais azul e  tudo vira música e poesia. Daí aparece o arquiteto Anacleto que não constrói casas, mas poesia, música, sonhos. Ele não constrói coisas de ver e sim de sentir. Depois aparece a menina Camila, que tem uma mochila diferente que carrega um monte de coisas dentro.

“A gente tenta mostrar para essas crianças que esse mundo do Pandorga da Lua pode estar em qualquer lugar, no caderno, na mochila, e também pode estar dentro da gente e quando a gente descobre esse mundo a gente fica leve”, conta Ricardo Freire.

Em 2005 foi lançado o livro/cd “Pandorga da Lua” que ganhou o Prêmio Açorianos. O livro contém 24 músicas e participações especiais como Geraldo Flach, Mano Lima e Renato Borghetti.

Em 2007 veio a oportunidade de viajar para o Uruguai e, em 2008, começaram os shows mais independentes de projetos, já que o Pandorga ia ganhando popularidade e as pessoas  contatavam o grupo para fazer apresentações.

Quem viu, quem viu o fio da Lua?

O público do Pandorga são as crianças. O casal Ângela Gomes, que canta no musical, e Ricardo Freire contam que esse é definitivamente um público diferente, nem melhor ou pior que o adulto, mas diferente. “Se a criança não gosta, ela não espera  a música terminar,  vai embora, se ela acha que tu tá um chato ela te diz e pronto. A resposta da criança é imediata”, diz Ângela.

Eles se deram conta que esta espontaneidade da criança se dá principalmente porque ela é natural e sincera, e que se eles não fosse assim elas iriam sentir isso. O casal explica que mesmo com público diferente, eles ainda tocavam a mesma música, eles não mudaram, também eram sinceros.

"Nós continuamos mostrando a arte do Rio Grande do Sul, o nosso sotaque, o jeito de tocar a milonga, o  chamamé.  A criança é sensível, ela percebe a tua verdade. Nós mostramos a elas o que nós somos e elas gostaram de receber isso”, diz Ângela.

Mas aonde o fio se esconde?

Essa interação com o público infantil através do ritmo gaúcho, do teatro, gera uma comunicação lúdica, onde  o objetivo dessa ação é unir arte à educação. Mas educar em qual perspectiva?

Na opinião de Ricardo, vivemos em um mundo de informação, onde temos cada vez menos a noção do que é educação. Segundo ele, educar envolve, principalmente, valores, aquilo que não se pode pegar com as mãos.  Ricardo Freire salienta que  é a educação que filtra tanta informação que recebemos.

Além das apresentações que ensinam as crianças a perguntarem – Quem agarra, quem espicha a cola da lagartixa? – e desenvolver a imaginação, o Pandorga, também, dá uma oficina para professores. A oficina ensina aos professores a trabalharem o lado lúdico dos alunos.

“Se tu propõe um exercício para um aluno de  arte, tu não deve dizer se aquilo está certo ou errado, aquilo vai ser uma expressão. E se tu dá a liberdade para a pessoa se expressar, ela vai ter a chance de se descobrir e a  outra pessoa que está vendo vai ter a chance de conhecê-la”, explica Ricardo.

Hoje o Pandorga decolou, mas eles lembram que o inicio foi difícil, não sabiam se o projeto ia ter futuro, mas que agora “ficam com a pureza das crianças”. “Isso me transforma como pessoa e jamais deixarei de cantar para criança, no inicio foi um desafio e agora é o nosso rumo”, finaliza o pandorgueiro.

 

A próxima apresentação do musical Pandorga da Lua será dia 15 de dezembro na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

A agenda para as apresentações através do Itaú Cultural ainda não foi definida.

 

Também compõem o grupo:


Tuny Brum – (voz e violão) – Músico e compositor com mais de 400 músicas gravadas

Marcelo Schmidt – (bateria) – Músico e compositor 

Felipe Alvares (Contrabaixo) – músico instrumentista

Sergio Rosa (Acordeon) – músico e compositor

 

Foto: Carina Rosa (Laboratório de Fotografia e Memória)

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O musical santa-mariense Pandorga da Lua está há quase dez anos voando pela cidade e região e, dessa vez, ganhou voo por todo país. Um dos 12 premiados pelo projeto Rumos, do Instituto Itaú Cultural, na categoria Música Infantil, o grupo terá suas apresentações entre 2011 e 2012.
O Pandorga foi o único premiado pertencente a uma cidade do interior, os outros são de capitais como Belo Horizonte, Porto Alegre, São Paulo e Curitiba.

Além das apresentações promovidas pelo Itaú, os shows do Pandorga serão gravados e resultarão numa série de programas de TV que serão veiculados em emissoras de televisão no Brasil e no exterior. Também terá o material veiculado em rádio e serão produzidos programas para a web-rádio do instituto.

“A proposta do projeto é mostrar os rumos da música brasileira, porque ele não interfere em nada do que estamos fazendo e recebemos a notícia  da premiação com uma alegria imensa”, conta o pandorgueiro Ricardo Freire, que compõe as melodias para as letras.

Mas que pandorga é essa que anda no céu, na rua e no rio e não tem bóia nem fio?

O Pandorga da Lua é um projeto que faz coexistir a arte e a educação nas sua apresentações,  através dos ritmos da música gaúcha.

Em 2001 o projeto começou a ser desenvolvido. Ricardo Freire, que compunha músicas e se apresentava para um público essencialmente adulto, recebeu poesias do seu amigo Jaime Vaz e começou a musicá-las. Em 2004 foi a primeira apresentação no Theatro Treze de Maio. “Quando abriu aquela cortina e aquele monte de olhinhos me olhando eu pensei: ai ai ai, que eu faço agora?”, lembra Ricardo.

Tudo começou com a poesia, depois evoluiu para a música e, como consequência, o teatro, que começou a fazer parte das apresentações para aumentar a interação com as crianças,  estimulando-as a falar e participar. “Elas não são só espectadoras, são personagens do show”, diz o compositor.

Os autores criaram um roteiro no qual o Pandorga da Lua é um lugar muito lindo, onde o céu é mais azul e  tudo vira música e poesia. Daí aparece o arquiteto Anacleto que não constrói casas, mas poesia, música, sonhos. Ele não constrói coisas de ver e sim de sentir. Depois aparece a menina Camila, que tem uma mochila diferente que carrega um monte de coisas dentro.

“A gente tenta mostrar para essas crianças que esse mundo do Pandorga da Lua pode estar em qualquer lugar, no caderno, na mochila, e também pode estar dentro da gente e quando a gente descobre esse mundo a gente fica leve”, conta Ricardo Freire.

Em 2005 foi lançado o livro/cd “Pandorga da Lua” que ganhou o Prêmio Açorianos. O livro contém 24 músicas e participações especiais como Geraldo Flach, Mano Lima e Renato Borghetti.

Em 2007 veio a oportunidade de viajar para o Uruguai e, em 2008, começaram os shows mais independentes de projetos, já que o Pandorga ia ganhando popularidade e as pessoas  contatavam o grupo para fazer apresentações.

Quem viu, quem viu o fio da Lua?

O público do Pandorga são as crianças. O casal Ângela Gomes, que canta no musical, e Ricardo Freire contam que esse é definitivamente um público diferente, nem melhor ou pior que o adulto, mas diferente. “Se a criança não gosta, ela não espera  a música terminar,  vai embora, se ela acha que tu tá um chato ela te diz e pronto. A resposta da criança é imediata”, diz Ângela.

Eles se deram conta que esta espontaneidade da criança se dá principalmente porque ela é natural e sincera, e que se eles não fosse assim elas iriam sentir isso. O casal explica que mesmo com público diferente, eles ainda tocavam a mesma música, eles não mudaram, também eram sinceros.

"Nós continuamos mostrando a arte do Rio Grande do Sul, o nosso sotaque, o jeito de tocar a milonga, o  chamamé.  A criança é sensível, ela percebe a tua verdade. Nós mostramos a elas o que nós somos e elas gostaram de receber isso”, diz Ângela.

Mas aonde o fio se esconde?

Essa interação com o público infantil através do ritmo gaúcho, do teatro, gera uma comunicação lúdica, onde  o objetivo dessa ação é unir arte à educação. Mas educar em qual perspectiva?

Na opinião de Ricardo, vivemos em um mundo de informação, onde temos cada vez menos a noção do que é educação. Segundo ele, educar envolve, principalmente, valores, aquilo que não se pode pegar com as mãos.  Ricardo Freire salienta que  é a educação que filtra tanta informação que recebemos.

Além das apresentações que ensinam as crianças a perguntarem – Quem agarra, quem espicha a cola da lagartixa? – e desenvolver a imaginação, o Pandorga, também, dá uma oficina para professores. A oficina ensina aos professores a trabalharem o lado lúdico dos alunos.

“Se tu propõe um exercício para um aluno de  arte, tu não deve dizer se aquilo está certo ou errado, aquilo vai ser uma expressão. E se tu dá a liberdade para a pessoa se expressar, ela vai ter a chance de se descobrir e a  outra pessoa que está vendo vai ter a chance de conhecê-la”, explica Ricardo.

Hoje o Pandorga decolou, mas eles lembram que o inicio foi difícil, não sabiam se o projeto ia ter futuro, mas que agora “ficam com a pureza das crianças”. “Isso me transforma como pessoa e jamais deixarei de cantar para criança, no inicio foi um desafio e agora é o nosso rumo”, finaliza o pandorgueiro.

 

A próxima apresentação do musical Pandorga da Lua será dia 15 de dezembro na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

A agenda para as apresentações através do Itaú Cultural ainda não foi definida.

 

Também compõem o grupo:


Tuny Brum – (voz e violão) – Músico e compositor com mais de 400 músicas gravadas

Marcelo Schmidt – (bateria) – Músico e compositor 

Felipe Alvares (Contrabaixo) – músico instrumentista

Sergio Rosa (Acordeon) – músico e compositor

 

Foto: Carina Rosa (Laboratório de Fotografia e Memória)