Santa Maria, RS (ver mais >>)

Santa Maria, RS, Brazil

Aonde foram parar os livros?

Alguns dias atrás chegou uma proposta de pauta aqui na
Agência que encheu todos de curiosidade.  O assunto chamava a atenção porque mexia com o imaginário,
dava a sensação de ter ouvido falar em um mapa do tesouro, em algo
escondido e
secreto.
 
 
 
 
 


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Tudo se tratava de um ex-vereador, ex-deputado e ex-
presidente do  DCE da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Na verdade
tudo começou aí, quando ele ainda era universitário.

Jovem, de posições fortes, mais corajoso que hoje – segundo
suas próprias palavras – vivenciou o período da ditadura e sua opressão. Quando era presidente da federação dos Estudantes Universitários de Santa Maria foi acusado de subversivo. Lembra-se
de pelo menos quatro inquéritos abertos contra ele por supostas ligações com o partido
comunista, o grupo dos onze e o
movimento estudantil.  Teve seus direitos
políticos cassados em 1969, quando era vereador em Santa Maria. 

 

Relembrados esses pontos não é preciso se estender mais, já que
sua trajetória política não é segredo para ninguém.

 

O que gerou essa matéria são livros, os livros dele, que
foram escondidos no sótão na casa de uma prima, Eunice Oliveira Dreom. Isso em
1964, naquela casa branca, antiga, bem na esquina da avenida Rio Branco com a rua
Silva Jardim.

“Não lembro como fiz, mas era normal esconder livros com
algum conteúdo político, naquela época. Os policiais do DOPS entravam nos domicílios
das pessoas consideradas subversivas e procuravam papéis, documentos, que serviriam
de provas nos inquéritos. O exército se preservava, não fazia esse trabalho
sujo”, relata Renan Kurtz.

Então surgiu essa expectativa de livros subversivos,
escondidos na época da ditadura em um sótão, e nunca retirados de lá.

“Minha prima dizia para eu ir lá, retirar meus livros, eu
sempre esquecia. Ela morreu faz uns dois anos e então esses dias eu me lembrei deles”,
diz Renan.

 

Conseguimos uma escada e, no último sábado, subimos com ele no sótão escuro, empoeirado,
que possuía algumas caixas de livros. O ex-subversivo repetia “quero saber o
que há de tão subversivo nesses livros”.

Por mais de meia hora os livros que
estavam lá foram remexidos e Renan não achou nenhum deles que fosse seu.
Perguntamos se havia se decepcionado, ele disse que um pouco, pois não
conseguia lembrar que livros eram e queria vê-los novamente.

“Aonde foram parar meus livros?”, instigava-se.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fotos: Rômulo D’Ávila e Yuri Weber (Laboratório de Fotografia e Memória)

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Alguns dias atrás chegou uma proposta de pauta aqui na
Agência que encheu todos de curiosidade.  O assunto chamava a atenção porque mexia com o imaginário,
dava a sensação de ter ouvido falar em um mapa do tesouro, em algo
escondido e
secreto.
 
 
 
 
 


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Tudo se tratava de um ex-vereador, ex-deputado e ex-
presidente do  DCE da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Na verdade
tudo começou aí, quando ele ainda era universitário.

Jovem, de posições fortes, mais corajoso que hoje – segundo
suas próprias palavras – vivenciou o período da ditadura e sua opressão. Quando era presidente da federação dos Estudantes Universitários de Santa Maria foi acusado de subversivo. Lembra-se
de pelo menos quatro inquéritos abertos contra ele por supostas ligações com o partido
comunista, o grupo dos onze e o
movimento estudantil.  Teve seus direitos
políticos cassados em 1969, quando era vereador em Santa Maria. 

 

Relembrados esses pontos não é preciso se estender mais, já que
sua trajetória política não é segredo para ninguém.

 

O que gerou essa matéria são livros, os livros dele, que
foram escondidos no sótão na casa de uma prima, Eunice Oliveira Dreom. Isso em
1964, naquela casa branca, antiga, bem na esquina da avenida Rio Branco com a rua
Silva Jardim.

“Não lembro como fiz, mas era normal esconder livros com
algum conteúdo político, naquela época. Os policiais do DOPS entravam nos domicílios
das pessoas consideradas subversivas e procuravam papéis, documentos, que serviriam
de provas nos inquéritos. O exército se preservava, não fazia esse trabalho
sujo”, relata Renan Kurtz.

Então surgiu essa expectativa de livros subversivos,
escondidos na época da ditadura em um sótão, e nunca retirados de lá.

“Minha prima dizia para eu ir lá, retirar meus livros, eu
sempre esquecia. Ela morreu faz uns dois anos e então esses dias eu me lembrei deles”,
diz Renan.

 

Conseguimos uma escada e, no último sábado, subimos com ele no sótão escuro, empoeirado,
que possuía algumas caixas de livros. O ex-subversivo repetia “quero saber o
que há de tão subversivo nesses livros”.

Por mais de meia hora os livros que
estavam lá foram remexidos e Renan não achou nenhum deles que fosse seu.
Perguntamos se havia se decepcionado, ele disse que um pouco, pois não
conseguia lembrar que livros eram e queria vê-los novamente.

“Aonde foram parar meus livros?”, instigava-se.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fotos: Rômulo D’Ávila e Yuri Weber (Laboratório de Fotografia e Memória)