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Santa Maria, RS, Brazil

O trabalho dignifica o homem

Nas celas do presídio regional de Santa Maria poucos sabem o que se passa, além dos próprios apenados. Poucos sabem que é possível tentar uma nova vida, mesmo trancado em uma prisão. Não há carceragem que impeça de querer crescer e tomar um novo rumo. A prova disso foi a formatura da 9° turma de capacitação do projeto Arte Livre: marcando o futuro. Nove prisioneiros se formaram em marcenaria nesta sexta-feira, 22 de outubro.

 

O projeto é uma oficina de marcenaria que visa capacitar os apenados, possibilitando um crescimento pessoal, uma qualificação profissional e geração de renda. A intenção é dar uma estrutura, uma formação para que os presos não venham a cometer reincidências e que a partir de sua liberdade tenham novas opções de vida.

O evento ocorreu no presídio e contou com familiares e diversas autoridades judiciais. Era evidente a emoção dos coordenadores do projeto, que saudaram os formandos e com palavras de motivação felicitavam aquele momento.

“Integrar para não reincidir”, foram as palavras da presidente do Conselho da Comunidade, Fermiana Figueiredo Bau. Para ela, participar do projeto é uma forma de se sensibilizar e sua felicidade é pelo trabalho e empenho de toda equipe que através deste trabalho vem alcançando novos espaços.

No evento, não houve distinção, todos puderam falar um pouco, parabenizar o momento e desejar votos de felicidade. A juíza da 3° Vara Criminal de Santa Maria, Uda Roberta Doederlein Schwartz, relatou que não estava muito inteirada ainda, pois veio para a cidade há duas semanas. No entanto, parabenizou os formandos e reforçou que o trabalho e os estudos são direitos dos presos. Para encerrar deixou uma frase de reflexão: “o trabalho dignifica o homem”.

Os resultados

Depois de oito turmas, 65 apenados foram formados e 1270 produtos foram confeccionados. Os resultados são mostrados em dados. Somente 22% dos presos que fizeram a oficina cometeram reincidência, os outros 78% persistiram e não cometeram mais erros.

Quem fala com alegria desses momentos é o professor de marcenaria, Jossenei Machado. Participar desse projeto, segundo Machado, é emocionante e encantador.  “Tentei me afastar do projeto, mas meu coração não deixou. Tenho trabalhos fora, mas é um prazer trabalhar aqui”, conta. O professor falava emocionado dos seus alunos, e acrescentou que não existem palavras para explicar essa sensação. “Você pode ajudar as pessoas, se envolve, não tem como não gostar deste projeto”.

Com o empenho e dedicação de toda a equipe, desde os coordenadores, colaboradores, professores, entre outros que participam, já se pode evidenciar casos de sucesso. Segundo a coordenadora do Projeto Arte Livre, Larianne de Andrade Saul, três ex-detentos conquistaram a liberdade e aproveitaram o curso para seguir trabalhando na área. “É uma emoção e satisfação. Aqui é possível possibilitar o aprendizado, a recuperar e posicionar eles. É este o objetivo”, fala Larinanne.

A coordenadora também conta que o curso recebeu 88 inscrições. Vinte foram selecionados e 17 começaram o curso. No entanto, apenas nove persistiram e se formaram.

Perspectivas de futuro

Os alunos formados podem posteriormente ser inseridos na equipe de produção. É o caso de Ivan Laotnschleger, que se formou na 7° turma do projeto. “Aqui tive conhecimento, aprendi o que é melhor para mim. É melhor ficar aqui do que trancado. Agora tenho uma profissão”, conta.

Quem se formou na 9° turma foi Lucas Felipe Arend, que representou a turma. Segundo ele, antes não existiam oportunidades, mas agora é possível pensar mais adiante, com uma nova visão de futuro. “A marcenaria abriu as portas para mim, pretendo sair daqui e seguir esse rumo”, diz Arend.

Para refletir o momento e mostrar que outras alternativas são possíveis, a coordenadora do projeto, Larianne, citou a seguinte frase. “Do crime à marcenaria, da arma ao martelo, do sangue à tinta, parabéns a todos”.

 

Nota da redação: Por recomendação da direção do Presídio, as fotos da formatura não estão sendo publicadas para manter a privacidade dos detentos.

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Nas celas do presídio regional de Santa Maria poucos sabem o que se passa, além dos próprios apenados. Poucos sabem que é possível tentar uma nova vida, mesmo trancado em uma prisão. Não há carceragem que impeça de querer crescer e tomar um novo rumo. A prova disso foi a formatura da 9° turma de capacitação do projeto Arte Livre: marcando o futuro. Nove prisioneiros se formaram em marcenaria nesta sexta-feira, 22 de outubro.

 

O projeto é uma oficina de marcenaria que visa capacitar os apenados, possibilitando um crescimento pessoal, uma qualificação profissional e geração de renda. A intenção é dar uma estrutura, uma formação para que os presos não venham a cometer reincidências e que a partir de sua liberdade tenham novas opções de vida.

O evento ocorreu no presídio e contou com familiares e diversas autoridades judiciais. Era evidente a emoção dos coordenadores do projeto, que saudaram os formandos e com palavras de motivação felicitavam aquele momento.

“Integrar para não reincidir”, foram as palavras da presidente do Conselho da Comunidade, Fermiana Figueiredo Bau. Para ela, participar do projeto é uma forma de se sensibilizar e sua felicidade é pelo trabalho e empenho de toda equipe que através deste trabalho vem alcançando novos espaços.

No evento, não houve distinção, todos puderam falar um pouco, parabenizar o momento e desejar votos de felicidade. A juíza da 3° Vara Criminal de Santa Maria, Uda Roberta Doederlein Schwartz, relatou que não estava muito inteirada ainda, pois veio para a cidade há duas semanas. No entanto, parabenizou os formandos e reforçou que o trabalho e os estudos são direitos dos presos. Para encerrar deixou uma frase de reflexão: “o trabalho dignifica o homem”.

Os resultados

Depois de oito turmas, 65 apenados foram formados e 1270 produtos foram confeccionados. Os resultados são mostrados em dados. Somente 22% dos presos que fizeram a oficina cometeram reincidência, os outros 78% persistiram e não cometeram mais erros.

Quem fala com alegria desses momentos é o professor de marcenaria, Jossenei Machado. Participar desse projeto, segundo Machado, é emocionante e encantador.  “Tentei me afastar do projeto, mas meu coração não deixou. Tenho trabalhos fora, mas é um prazer trabalhar aqui”, conta. O professor falava emocionado dos seus alunos, e acrescentou que não existem palavras para explicar essa sensação. “Você pode ajudar as pessoas, se envolve, não tem como não gostar deste projeto”.

Com o empenho e dedicação de toda a equipe, desde os coordenadores, colaboradores, professores, entre outros que participam, já se pode evidenciar casos de sucesso. Segundo a coordenadora do Projeto Arte Livre, Larianne de Andrade Saul, três ex-detentos conquistaram a liberdade e aproveitaram o curso para seguir trabalhando na área. “É uma emoção e satisfação. Aqui é possível possibilitar o aprendizado, a recuperar e posicionar eles. É este o objetivo”, fala Larinanne.

A coordenadora também conta que o curso recebeu 88 inscrições. Vinte foram selecionados e 17 começaram o curso. No entanto, apenas nove persistiram e se formaram.

Perspectivas de futuro

Os alunos formados podem posteriormente ser inseridos na equipe de produção. É o caso de Ivan Laotnschleger, que se formou na 7° turma do projeto. “Aqui tive conhecimento, aprendi o que é melhor para mim. É melhor ficar aqui do que trancado. Agora tenho uma profissão”, conta.

Quem se formou na 9° turma foi Lucas Felipe Arend, que representou a turma. Segundo ele, antes não existiam oportunidades, mas agora é possível pensar mais adiante, com uma nova visão de futuro. “A marcenaria abriu as portas para mim, pretendo sair daqui e seguir esse rumo”, diz Arend.

Para refletir o momento e mostrar que outras alternativas são possíveis, a coordenadora do projeto, Larianne, citou a seguinte frase. “Do crime à marcenaria, da arma ao martelo, do sangue à tinta, parabéns a todos”.

 

Nota da redação: Por recomendação da direção do Presídio, as fotos da formatura não estão sendo publicadas para manter a privacidade dos detentos.