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Santa Maria, RS, Brazil

Rio: tragédia anunciada

"Pensei em escrever para a agência sobre o Rio, mas confesso que
nem sei por onde começar. Na realidade, as palavras trancam na garganta
a cada encosta que cede.Há pouco desceu o Morro do Bumbá em Niterói.
"

A agência publica, hoje, parte do depoimento sobre o ocorrido no Rio de Janeiro essa semana, e enviado por email pela professora Rosana Zucolo na última quarta-feira.

" Cerca de 40 casas foram soterradas. A população corre para socorrer do
jeito que dá. Falta equipamento adequado, falta pessoal
especializado.  Bombeiros, funcionários da prefeitura, defesa civil,
empresas privadas de engenharia estão trabalhando full time. As
encostas estão feito gelatina. Casas, ricas e pobres, deslizam morro
abaixo, beiram os abismos ou ficam suspensas no ar. A cidade permanece
em estado de alerta. Circular pela ruas só em caso de extrema
necessidade, e é possível se deparar com cenários da destruição. Ontem,
uma mansão em Sâo Conrado desabou pela encosta. Os carros que estavam
na garagem foram parar sobre o teto de um posto de gasolina que ficava
na rua abaixo do morro.  A toda hora ouve-se a notícia de novos
deslizamentos e de vias fechadas. Muita gente não conseguiu voltar para casa desde segunda-feira, pois a cidade ficou literalmente interditada.


A
população atendeu o apelo do prefeito Eduardo Paes para que não saíssem
de casa na terça-feira, facilitando o trânsito das frotas da
prefeitura, dos  bombeiros e das ambulâncias. Todos os veículos do poder público
foram mobilizados para a desobstrução das vias e atendimento da
população moradora das encostas.


A tragédia  levantou uma questão antiga
no RJ, que é a ocupação dos morros. Veio à  tona a polêmica  das velhas
questões políticas como a de governos que não só permitiram como
"urbanizaram" as favelas. Fala-se de um governo dos anos 80, ou seja,
o do Brizola quando o Darcy Ribeiro foi secretário e regulamentou a posse dos terrenos e imóveis
nas favelas, entregando o direito às mulheres mães de família. Por outro lado,
a sociedade de arquitetura e urbanismo volta à carga na defesa de uma
fiscalização rigorosa  da construção em encostas, batendo pesado na
classe A que constrói condomínios e mansões de luxo em lugares ambientalmente inadequados.


Ontem, o
prefeito, que visivelmente não deve estar dormindo nos últimos dias,
deu uma entrevista coletiva e ressaltou não ser hora para retórica.
Acho que nossos colegas jornalistas ou estavam tão perplexos quanto eu, ou estamos
formando péssimos profissionais. Não sabiam perguntar; repetiam o que
ele havia acabado de dizer…tanto foi, que ele, muitas vezes, perdeu a
paciência.


Os vôos foram cancelados, transferidos conforme os aeroportos estão
abertos ou não, e ainda dependemos das vias de acesso permitirem  deslocamentos. Se der,
saio amanhã, quinta, de volta (…)"

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"Pensei em escrever para a agência sobre o Rio, mas confesso que
nem sei por onde começar. Na realidade, as palavras trancam na garganta
a cada encosta que cede.Há pouco desceu o Morro do Bumbá em Niterói.
"

A agência publica, hoje, parte do depoimento sobre o ocorrido no Rio de Janeiro essa semana, e enviado por email pela professora Rosana Zucolo na última quarta-feira.

" Cerca de 40 casas foram soterradas. A população corre para socorrer do
jeito que dá. Falta equipamento adequado, falta pessoal
especializado.  Bombeiros, funcionários da prefeitura, defesa civil,
empresas privadas de engenharia estão trabalhando full time. As
encostas estão feito gelatina. Casas, ricas e pobres, deslizam morro
abaixo, beiram os abismos ou ficam suspensas no ar. A cidade permanece
em estado de alerta. Circular pela ruas só em caso de extrema
necessidade, e é possível se deparar com cenários da destruição. Ontem,
uma mansão em Sâo Conrado desabou pela encosta. Os carros que estavam
na garagem foram parar sobre o teto de um posto de gasolina que ficava
na rua abaixo do morro.  A toda hora ouve-se a notícia de novos
deslizamentos e de vias fechadas. Muita gente não conseguiu voltar para casa desde segunda-feira, pois a cidade ficou literalmente interditada.


A
população atendeu o apelo do prefeito Eduardo Paes para que não saíssem
de casa na terça-feira, facilitando o trânsito das frotas da
prefeitura, dos  bombeiros e das ambulâncias. Todos os veículos do poder público
foram mobilizados para a desobstrução das vias e atendimento da
população moradora das encostas.


A tragédia  levantou uma questão antiga
no RJ, que é a ocupação dos morros. Veio à  tona a polêmica  das velhas
questões políticas como a de governos que não só permitiram como
"urbanizaram" as favelas. Fala-se de um governo dos anos 80, ou seja,
o do Brizola quando o Darcy Ribeiro foi secretário e regulamentou a posse dos terrenos e imóveis
nas favelas, entregando o direito às mulheres mães de família. Por outro lado,
a sociedade de arquitetura e urbanismo volta à carga na defesa de uma
fiscalização rigorosa  da construção em encostas, batendo pesado na
classe A que constrói condomínios e mansões de luxo em lugares ambientalmente inadequados.


Ontem, o
prefeito, que visivelmente não deve estar dormindo nos últimos dias,
deu uma entrevista coletiva e ressaltou não ser hora para retórica.
Acho que nossos colegas jornalistas ou estavam tão perplexos quanto eu, ou estamos
formando péssimos profissionais. Não sabiam perguntar; repetiam o que
ele havia acabado de dizer…tanto foi, que ele, muitas vezes, perdeu a
paciência.


Os vôos foram cancelados, transferidos conforme os aeroportos estão
abertos ou não, e ainda dependemos das vias de acesso permitirem  deslocamentos. Se der,
saio amanhã, quinta, de volta (…)"