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Uma nova comunicação sindical

vito_gianotti_1_luizjr.jpg"A grande mídia atual está na mão de algumas poucas famílias brasileiras, que decidem quais informações serão compartilhadas para o restante da população". A declaração é de Vito Gianotti, escritor que está em Santa Maria nesta semana compartilhando suas ideias com universitários e sindicalistas.

 A SEDUFSM promoveu nesta quarta e quinta um curso sobre Jornalismo Sindical –  “Comunicação e Disputa de Hegemonia” –  ministrado pelo escritor Vito Giannotti. Italiano radicado no Brasil desde 1964, Gianotti foi metalúrgico e ajudou a fundar a Central Única de Trabalhadores (CUT). Nos anos 90, participou ativamente de movimentos sindicais e criou o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), entidade que realiza cursos sobre comunicação sindical e popular para dirigentes sindicais e jornalistas. 

A palestra de Gianotti foi dividida em dois dias. Na quarta (20) ele fez um contexto histórico em que afirmou que a imprensa é administrada pelas classes mais abastadas desde a Revolução Industrial, quando os jornais eram produzidos pelos burgueses donos das fábricas. Segundo o escritor, a grande mídia atual está na mão de algumas poucas famílias brasileiras, que decidem quais informações serão compartilhadas para o restante da população.

vito_gianotti_2_luizjr.jpgGianotti ainda afirma que este é o maior problema social que a América Latina enfrenta, em especial o Brasil: “ Informação é poder e vale muito dinheiro. Se fica na mão de poucos, outros ficam sem nada. Este modo de como e quais informações são disseminadas é o maior problema do Brasil,” afirma o escritor. 

Para começar a mudar esta situação que foi criado o Núcleo Piratininga de Comunicação, que é composto por jornalistas e professores universitários no campo da comunicação. O objetivo do núcleo é melhorar a comunicação, especificamente dos trabalhadores, seja de sindicatos, de movimentos sociais, movimentos populares, movimentos de jovens: “movimentos ligados à população que quer mudar esse país, quer um país diferente. Nesse sentido procuramos transmitir o que de melhor temos para que essas pessoas possam transmitir suas próprias idéias, seus programas, seus planos” declara Gianotti.

"A pauta tem que ir além do umbigo dos sindicatos". Foi com esta afirmação que o escritor definiu como deve ser a comunicação sindical, no segundo dia do curso. Para Giannotti, os informativos não podem se limitar a falar das ações e ideais sindicalistas. Este deve ser o ponto central dos jornais, panfletos ou qual seja a mídia escolhida. Essas produções devem trazer notícias e reportagens como os jornais da "mídia deles", como Vitto define a grande mídia. O objetivo é tornar o informativo interessante ao público, sindicalista ou não, levando à tona as ideologias, lutas e realizações das associações. 

A primeira solução, segundo Vitto Giannotti, seria o investimento dos sindicatos em profissionais de imprensa. Diagramação, fotos, textos objetivos que são conceitos básicos aos jornalistas, não são vistos na maior parte de jornais sindicais. Assim Giannoti deixou a dica aos sindicalistas, estudantes e professores presentes na palestra. Para conquistar os objetivos e reivindicações, os sindicatos devem criar jornais "atrativos e bonitos". CItou como exemplo o Folha Universal, produção da Igreja Universal, o qual traz notícias sobre religião, avanços científicos, saúde, economia, enfim as editorias encontradas em jornais da grande mídia.

 Fotos:  Luiz Vencato Junior (Laboratório de Fotografia e Memória)

 

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vito_gianotti_1_luizjr.jpg"A grande mídia atual está na mão de algumas poucas famílias brasileiras, que decidem quais informações serão compartilhadas para o restante da população". A declaração é de Vito Gianotti, escritor que está em Santa Maria nesta semana compartilhando suas ideias com universitários e sindicalistas.

 A SEDUFSM promoveu nesta quarta e quinta um curso sobre Jornalismo Sindical –  “Comunicação e Disputa de Hegemonia” –  ministrado pelo escritor Vito Giannotti. Italiano radicado no Brasil desde 1964, Gianotti foi metalúrgico e ajudou a fundar a Central Única de Trabalhadores (CUT). Nos anos 90, participou ativamente de movimentos sindicais e criou o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), entidade que realiza cursos sobre comunicação sindical e popular para dirigentes sindicais e jornalistas. 

A palestra de Gianotti foi dividida em dois dias. Na quarta (20) ele fez um contexto histórico em que afirmou que a imprensa é administrada pelas classes mais abastadas desde a Revolução Industrial, quando os jornais eram produzidos pelos burgueses donos das fábricas. Segundo o escritor, a grande mídia atual está na mão de algumas poucas famílias brasileiras, que decidem quais informações serão compartilhadas para o restante da população.

vito_gianotti_2_luizjr.jpgGianotti ainda afirma que este é o maior problema social que a América Latina enfrenta, em especial o Brasil: “ Informação é poder e vale muito dinheiro. Se fica na mão de poucos, outros ficam sem nada. Este modo de como e quais informações são disseminadas é o maior problema do Brasil,” afirma o escritor. 

Para começar a mudar esta situação que foi criado o Núcleo Piratininga de Comunicação, que é composto por jornalistas e professores universitários no campo da comunicação. O objetivo do núcleo é melhorar a comunicação, especificamente dos trabalhadores, seja de sindicatos, de movimentos sociais, movimentos populares, movimentos de jovens: “movimentos ligados à população que quer mudar esse país, quer um país diferente. Nesse sentido procuramos transmitir o que de melhor temos para que essas pessoas possam transmitir suas próprias idéias, seus programas, seus planos” declara Gianotti.

"A pauta tem que ir além do umbigo dos sindicatos". Foi com esta afirmação que o escritor definiu como deve ser a comunicação sindical, no segundo dia do curso. Para Giannotti, os informativos não podem se limitar a falar das ações e ideais sindicalistas. Este deve ser o ponto central dos jornais, panfletos ou qual seja a mídia escolhida. Essas produções devem trazer notícias e reportagens como os jornais da "mídia deles", como Vitto define a grande mídia. O objetivo é tornar o informativo interessante ao público, sindicalista ou não, levando à tona as ideologias, lutas e realizações das associações. 

A primeira solução, segundo Vitto Giannotti, seria o investimento dos sindicatos em profissionais de imprensa. Diagramação, fotos, textos objetivos que são conceitos básicos aos jornalistas, não são vistos na maior parte de jornais sindicais. Assim Giannoti deixou a dica aos sindicalistas, estudantes e professores presentes na palestra. Para conquistar os objetivos e reivindicações, os sindicatos devem criar jornais "atrativos e bonitos". CItou como exemplo o Folha Universal, produção da Igreja Universal, o qual traz notícias sobre religião, avanços científicos, saúde, economia, enfim as editorias encontradas em jornais da grande mídia.

 Fotos:  Luiz Vencato Junior (Laboratório de Fotografia e Memória)