Santa Maria, RS (ver mais >>)

Santa Maria, RS, Brazil

Desta vez, cortou-se o “bem” pela raiz

olavo_bilac_tocos_ciprestes2_carlos_coletto.jpgO Instituto Estadual Educação
Olavo Bilac (IEEOB), localizado em Santa Maria, completa em setembro 110 anos, com
aproximadamente 1.800 alunos, cerca de 150 professores, 35 funcionários e menos
15 ciprestes e tipuanas. 

 

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Quem passou pela rua Conde de
Porto Alegre, no centro da cidade, nas últimas semanas, reparou que uma
considerável área verde sumiu de uma hora polavo_bilac_area_ interna_carlos_coletto.jpgara outra, como num passe de
mágica. 

 

Não houve nenhum tipo de truque, mas a retirada das árvores deixou o “público” surpreso.

 

Rafaello*, 13 anos, 
disse que a primeira impressão que teve foi de que “tinham destruído o pátio da
escola”. Mas não foi bem isso.

 

 

 olavo_bilac_muros2_carlos_coletto.jpg

olavo_bilac_vice_diretora_carlos_coletto.jpgSegundo a vice-diretora, Maribel Machado Weber, a retirada partiu de uma necessidade. As paredes da escola começaram a
apresentar rachaduras, assim como os muros que rodeiam a área. O pátio interno
do colégio está em um nível elevado em relação à rua, por esse motivo, as
raízes das árvores plantadas muito próximas aos muros não encontram área para
expansão. 

 

 

 

Maribel disse que a comunidade
escolar não sofreu uma “grande comoção”, pois, quem acompanhava o dia a dia do Olavo
Bilac também não via outra solução. “A gente fica sentida por serem árvores
antigas, mas sabe que elas não poderiam permanecer nos olavo_bilac_muros_carlos_coletto.jpglocais onde estavam”,
ratifica a professora.

 

A aluna Maria Inês relatou que galhos e folhas secas que caíam das árvores, geralmente
deixavam o pátio “sujo”. Porém, para ela, isso não é nada perto dos dias
quentes que vêm por aí. Marinês disse que as árvores farão muita falta e
salientou: “com as árvores era melhor para fazer educação física, agora vamos ficar
torrando no sol”. A estudante se diz preocupada com a atual situação e deixou
um conselho: “deveriam plantar as árvores que foram retiradas em outro lugar”.olavo_bilac_cristiane_pereira_carlos_coletto.jpg

 

Ex-aluna, mãe de ex-alunas e
parte do Olavo Bilac. Cristiane Pereira, atendente de clínica, há oito anos mora no pátio da instituição. Cristiane é esposa do policial militar
residente do colégio e confirma não saber do corte das árvores: “levei um susto
grande”. Faz alguns anos que Cristiane deixou de ver o quadro verde das salas
de aula do IEEOB. Hoje, nem o verde fora das salas a ex-aluna vê mais. “Com
elas, o ar ficava mais leve, não ficava assim tão seco. Vou sentir falta da
sombra das árvores e de ouvir os pássaros nativos que ficavam nelas”, lamenta
Cristiane.  

O que
mudou e o que pode ser feito

A vice-diretora assegura que
foi feito um trabalho de comunicação com os alunos e a comunidade escolar,
explicando o por quê da retirada das árvores. “Nós conversamos com os alunos
trabalhando o assunto em sala de aula e mandamos bilhetinhos para casa avisando
que estamos em reforma na escola”, disse Maribel. A professora ainda acrescenta
que existem projetos de preservação da natureza, como o cultivo de outras
árvores em locais que não comprometam a estrutura.  “Fazemos isso para que a escola dure mais 110
anos”, conclui.

olavo_bilac_diretor_carlos_coletto.jpgJá o diretor da escola, Luiz
Fernando Coofy, quando questionado sobre projetos de replantio,
afirmou que inicialmente o colégio não tem nenhuma proposta avaliada, até
porque, segundo ele, não dispõe de espaço físico para isso. Coofy confirma que
a comunidade foi, sim, avisada sobre as reformas, mas somente à medida em que
procuraram explicações na instituição.

olavo_bilac_toco_jacaranda_carlos_coletto.jpgO diretor ainda salienta o caso
de um jacarandá removido pelos bombeiros há cerca de um mês. Ele acarretava em
problemas nas estruturas da parte de trás do prédio central além dos grandes
galhos prejudicarem a fiação e a estrutura das moradias vizinhas.  “A natureza é muito bonita, mas quando ela
começa a causar prejuízos sistemáticos, aí é uma questão racional”, tenta
argumentar Coofy.

 

O engenheiro florestal Luiz
Geraldo Cervi, desde 2001 faz parte da equipe técnica da Secretaria de
Município de Proteção Ambiental. Coube a ele fazer a avaliação da situação em
que estava o pátio do colégio. A maioria das plantas eram ciprestes e tipuanas,
árvores que, segundo o engenheiro, eram inapropriadas para o local justamente
por serem de grande porte. Conforme a avaliação, grande parte do muro estava
caindo, podendo causar problemas tanto na parte externa quanto na parte interna
do colégio (fig.1) .

Cervi esclarece que não existia
outra alternativa, pois o sistema radicular das árvores estava muito próximo ao
muro. O muro também não poderia ser recolocado em outro lugar. Como as árvores
estavam em nível diferente do da rua, só poderiam continuar no mesmo lugar se
os muros fossem feitos no limite entre a calçada e o asfalto (fig.2) , o que
acabaria com o espaço para os pedestres. Já se o muro fosse reposto antes,
deixando as árvores na calçada, as raízes ficariam sem terreno, justamente pelo
problema do nivelamento (fig.3) .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É responsabilidade da
secretaria avaliar a situação e autorizar o corte. Quem dá destino aos
ciprestes retirados, que tinham cerca de 30 anos, é a própria empresa
licenciada para a obra. Luiz Geraldo
Cervi antecipa que as raízes não apresentam mais problemas, visto que agora
irão apodrecer, mas o ideal é que fosse feito o escavamento para a retirada das
mesmas.  O engenheiro disse que esse é um
problema histórico da instituição. “O ideal seria deixar dois metros para as
raízes expandirem e crescerem sem afetar as estruturas”, justifica Cervi.

O especialista diz que a secretaria também está à disposição para auxiliar as escolas a
fazer uma arborização ideal com avaliação do terreno, respeitando as distâncias
mínimas e as espécies a serem escolhidas para o plantio. Para que Rafaello,
Maria Inês e outros milhares de alunos que ainda passarão pelo Olavo Bilac possam
usufruir de mais áreas verdes, é preciso o primeiro passo.

olavo_bilac_tocos_ciprestes_carlos_coletto.jpgLuiz Geraldo Cervi frisa que a
direção da escola poderá aproveitar o espaço onde antes era ocupado por árvores
e hoje só se encontra terra. “Podem plantar arbustros ou até fazer floreiras”,
diz.

 

Sobre o grande espaço
concretado que a escola possui, o engenheiro afirma que espaços de até 1,5 m² podem ser abertos
entre intervalos “vazios” no concreto para fazer o replante de árvores, até
grande porte. 

 

Um guapuruvu, localizado mais
próximo da esquina com a rua Olavo Bilac, também está afetando a estrutura,
porém escapou do corte, pois os danos por ele causados ainda têm solução, como
um reforço na estrutura do colégio. A escola também possui um ipê-roxo
histórico, plantado em 1922, que também não apresenta riscos às instalações.

 

 

olavo_bilac_vista_aerea_imagem_google.jpgO Instituto Estadual Educação
Olavo Bilac foi tombado em novembro de 2006 como Patrimônio Histórico e
Cultural do Município. No dia 20 de setembro, data do aniversário da escola, a
comunidade santa-mariense só deseja uma coisa ao centenário IEEOB: mais 110
anos, mais áreas verdes ao Olavo Bilac.

 

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*os nomes dos alunos são fictícios,
para evitar a identificação dos menores

 

 

Fotos: Carlos Coletto (Laboratório de Fotografia e Memória)  Arte e
infográfico – Rômulo D’Avila

 

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olavo_bilac_tocos_ciprestes2_carlos_coletto.jpgO Instituto Estadual Educação
Olavo Bilac (IEEOB), localizado em Santa Maria, completa em setembro 110 anos, com
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15 ciprestes e tipuanas. 

 

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Porto Alegre, no centro da cidade, nas últimas semanas, reparou que uma
considerável área verde sumiu de uma hora polavo_bilac_area_ interna_carlos_coletto.jpgara outra, como num passe de
mágica. 

 

Não houve nenhum tipo de truque, mas a retirada das árvores deixou o “público” surpreso.

 

Rafaello*, 13 anos, 
disse que a primeira impressão que teve foi de que “tinham destruído o pátio da
escola”. Mas não foi bem isso.

 

 

 olavo_bilac_muros2_carlos_coletto.jpg

olavo_bilac_vice_diretora_carlos_coletto.jpgSegundo a vice-diretora, Maribel Machado Weber, a retirada partiu de uma necessidade. As paredes da escola começaram a
apresentar rachaduras, assim como os muros que rodeiam a área. O pátio interno
do colégio está em um nível elevado em relação à rua, por esse motivo, as
raízes das árvores plantadas muito próximas aos muros não encontram área para
expansão. 

 

 

 

Maribel disse que a comunidade
escolar não sofreu uma “grande comoção”, pois, quem acompanhava o dia a dia do Olavo
Bilac também não via outra solução. “A gente fica sentida por serem árvores
antigas, mas sabe que elas não poderiam permanecer nos olavo_bilac_muros_carlos_coletto.jpglocais onde estavam”,
ratifica a professora.

 

A aluna Maria Inês relatou que galhos e folhas secas que caíam das árvores, geralmente
deixavam o pátio “sujo”. Porém, para ela, isso não é nada perto dos dias
quentes que vêm por aí. Marinês disse que as árvores farão muita falta e
salientou: “com as árvores era melhor para fazer educação física, agora vamos ficar
torrando no sol”. A estudante se diz preocupada com a atual situação e deixou
um conselho: “deveriam plantar as árvores que foram retiradas em outro lugar”.olavo_bilac_cristiane_pereira_carlos_coletto.jpg

 

Ex-aluna, mãe de ex-alunas e
parte do Olavo Bilac. Cristiane Pereira, atendente de clínica, há oito anos mora no pátio da instituição. Cristiane é esposa do policial militar
residente do colégio e confirma não saber do corte das árvores: “levei um susto
grande”. Faz alguns anos que Cristiane deixou de ver o quadro verde das salas
de aula do IEEOB. Hoje, nem o verde fora das salas a ex-aluna vê mais. “Com
elas, o ar ficava mais leve, não ficava assim tão seco. Vou sentir falta da
sombra das árvores e de ouvir os pássaros nativos que ficavam nelas”, lamenta
Cristiane.  

O que
mudou e o que pode ser feito

A vice-diretora assegura que
foi feito um trabalho de comunicação com os alunos e a comunidade escolar,
explicando o por quê da retirada das árvores. “Nós conversamos com os alunos
trabalhando o assunto em sala de aula e mandamos bilhetinhos para casa avisando
que estamos em reforma na escola”, disse Maribel. A professora ainda acrescenta
que existem projetos de preservação da natureza, como o cultivo de outras
árvores em locais que não comprometam a estrutura.  “Fazemos isso para que a escola dure mais 110
anos”, conclui.

olavo_bilac_diretor_carlos_coletto.jpgJá o diretor da escola, Luiz
Fernando Coofy, quando questionado sobre projetos de replantio,
afirmou que inicialmente o colégio não tem nenhuma proposta avaliada, até
porque, segundo ele, não dispõe de espaço físico para isso. Coofy confirma que
a comunidade foi, sim, avisada sobre as reformas, mas somente à medida em que
procuraram explicações na instituição.

olavo_bilac_toco_jacaranda_carlos_coletto.jpgO diretor ainda salienta o caso
de um jacarandá removido pelos bombeiros há cerca de um mês. Ele acarretava em
problemas nas estruturas da parte de trás do prédio central além dos grandes
galhos prejudicarem a fiação e a estrutura das moradias vizinhas.  “A natureza é muito bonita, mas quando ela
começa a causar prejuízos sistemáticos, aí é uma questão racional”, tenta
argumentar Coofy.

 

O engenheiro florestal Luiz
Geraldo Cervi, desde 2001 faz parte da equipe técnica da Secretaria de
Município de Proteção Ambiental. Coube a ele fazer a avaliação da situação em
que estava o pátio do colégio. A maioria das plantas eram ciprestes e tipuanas,
árvores que, segundo o engenheiro, eram inapropriadas para o local justamente
por serem de grande porte. Conforme a avaliação, grande parte do muro estava
caindo, podendo causar problemas tanto na parte externa quanto na parte interna
do colégio (fig.1) .

Cervi esclarece que não existia
outra alternativa, pois o sistema radicular das árvores estava muito próximo ao
muro. O muro também não poderia ser recolocado em outro lugar. Como as árvores
estavam em nível diferente do da rua, só poderiam continuar no mesmo lugar se
os muros fossem feitos no limite entre a calçada e o asfalto (fig.2) , o que
acabaria com o espaço para os pedestres. Já se o muro fosse reposto antes,
deixando as árvores na calçada, as raízes ficariam sem terreno, justamente pelo
problema do nivelamento (fig.3) .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É responsabilidade da
secretaria avaliar a situação e autorizar o corte. Quem dá destino aos
ciprestes retirados, que tinham cerca de 30 anos, é a própria empresa
licenciada para a obra. Luiz Geraldo
Cervi antecipa que as raízes não apresentam mais problemas, visto que agora
irão apodrecer, mas o ideal é que fosse feito o escavamento para a retirada das
mesmas.  O engenheiro disse que esse é um
problema histórico da instituição. “O ideal seria deixar dois metros para as
raízes expandirem e crescerem sem afetar as estruturas”, justifica Cervi.

O especialista diz que a secretaria também está à disposição para auxiliar as escolas a
fazer uma arborização ideal com avaliação do terreno, respeitando as distâncias
mínimas e as espécies a serem escolhidas para o plantio. Para que Rafaello,
Maria Inês e outros milhares de alunos que ainda passarão pelo Olavo Bilac possam
usufruir de mais áreas verdes, é preciso o primeiro passo.

olavo_bilac_tocos_ciprestes_carlos_coletto.jpgLuiz Geraldo Cervi frisa que a
direção da escola poderá aproveitar o espaço onde antes era ocupado por árvores
e hoje só se encontra terra. “Podem plantar arbustros ou até fazer floreiras”,
diz.

 

Sobre o grande espaço
concretado que a escola possui, o engenheiro afirma que espaços de até 1,5 m² podem ser abertos
entre intervalos “vazios” no concreto para fazer o replante de árvores, até
grande porte. 

 

Um guapuruvu, localizado mais
próximo da esquina com a rua Olavo Bilac, também está afetando a estrutura,
porém escapou do corte, pois os danos por ele causados ainda têm solução, como
um reforço na estrutura do colégio. A escola também possui um ipê-roxo
histórico, plantado em 1922, que também não apresenta riscos às instalações.

 

 

olavo_bilac_vista_aerea_imagem_google.jpgO Instituto Estadual Educação
Olavo Bilac foi tombado em novembro de 2006 como Patrimônio Histórico e
Cultural do Município. No dia 20 de setembro, data do aniversário da escola, a
comunidade santa-mariense só deseja uma coisa ao centenário IEEOB: mais 110
anos, mais áreas verdes ao Olavo Bilac.

 

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Fotos: Carlos Coletto (Laboratório de Fotografia e Memória)  Arte e
infográfico – Rômulo D’Avila