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Santa Maria, RS, Brazil

Recursos hídricos e educação ambiental em debate

Segundo uma publicação da ONU, mais pessoas morrem por causa da água
poluída e contaminada do que por todas as formas de violência, inclusive
as guerras.

"Água é multidisciplinar, tem a ver com cultura, política e cidadania. É uma questão para pensarmos juntos e estudarmos juntos”, diz Jussara Cabral Cruz, professora de Engenharia Sanitária e Ambiental.

Na tarde desta terça-feira, 22 de março, foram discutidas questões ambientais em duas palestras alusivas ao Dia Mundial das Águas. Universitários, professores e a comunidade em geral puderam debater sobre as problemáticas relacionadas à Educação Ambiental e aos Recursos Hídricos.

dia_agua_secretario_jessica.jpgHá 18 anos, a data foi criada pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e tem como objetivo conscientizar a população mundial sobre o problema de abastecimento de água potável, a sua conservação e preservação dos recursos naturais. "Em Santa Maria existem cerca de 198 arroios, todos canalizados, mas com sérios problemas para serem resolvidos", lembrou o secretário de Proteção Ambiental, Luiz Alberto de Carvalho Junior, durante a abertura do evento.

dia_agua_jussara_jessica.jpgA presidente do conselho administrativo da Fundação Mo’ã, Jussara Cruz, falou sobre a importância da Água para a geração de energia do Planeta, para a irrigação, tratamento de efluentes, navegação, turismo e recreação e para a manutenção dos ecossistemas. A palestrante fez uma reflexão sobre o uso, os conflitos, os desafios e as ações que envolvem os recursos hídricos e a sua preservação. Segundo a professora, é preciso verificar os erros do passado e se pensar em soluções futuras. Citou exemplos de desastres ambientais, como a mortandade de peixes no Rio dos Sinos em 2007, os lixos que são arrastados diariamente pelas chuvas nas grandes cidades e a impermeabilização das áreas e terrenos urbanos devido à pavimentação inadequada.

A cada dois anos, a Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH), lança cartas sobre a temática Água e leva contribuições para as constituições federal e estadual. Segundo Jussara, nessas cartas, constam informações sobre as discussões de priordade nacional em recursos hídricos e meio ambiente.

 

dia_agua_figueiro_jessica.jpg"A água é o sangue de Gaia.  Enquanto não formos totalmente conscientes da necessidade de cuidarmos da nossa própria saúde, jamais seremos capazes de cuidar da saúde de Gaia”, lamenta o geógrafo Adriano Figueiró, sobre o Planeta Terra.

O termo Gaia, vem da mitologia grega e significa deusa da Terra.  Figueiró utilizou a palavra ao se referir ao Planeta em sua exposição sobre a Água e a escassez mundial.  Segundo  o pesquisador, nossas veias entopem tanto quanto as veias do Planeta e sentimos sede tanto quanto ele. Podemos perceber isso durante as enchentes que destroem regiões em São Paulo, por exemplo. Nas secas que ocorrem devido às drenagens de todas as reservas de água, como é o caso do Mar de Aral – lago de água salgada, situado na Ásia Central, em processo de desertificação.

A Falta de Água – De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a metade dos domicílios não possui água potável.

"Gostamos de falar e escrever sobre educação ambiental na academia, mas pouco se faz", enfatiza Figueiró. Segundo ele, a água está escapando por outro lado e não em só uma torneira pingando. As campanhas de conscientização são de extrema importância, mas é preciso ter mais ações e educação ambiental nas escolas.

O consumo da água aumentou oito vezes nos últimos anos. Mais de 80% da água utilizada nos países em desenvolvimento é destinada à agricultura, sem cumprir nenhum serviço ambiental de proteção. Segundo Figueiró, grande parte dos alimentos que são produzidos com a utilização da água em abundância (como em irrigação) no país, são exportados. Um exemplo é a soja. "Não temos a nossa poupança preservada. Mandamos a nossa água embora em forma de mercadorias – comoddities", explica ele.

dia_agua_publico_jessica.jpgO debate foi realizado na Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Proteção Ambiental, com o apoio do Conselho Municipal do Meio Ambiente (CONDEMA), Comitê Bacia Hidrográfica Vacaraí Mirim, Universidade Federal de Santa Maria, Faculdade Integrada de Santa Maria, Centro Universitário Franciscano, APUSM, Secretaria de Município de Educação, Projeto de Educação Ambiental do Município (Pronfea/Remea) e Fundação Mo’ã.

 

Fotos: Jéssica Martini (Laboratório de Fotografia e Memória)

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Segundo uma publicação da ONU, mais pessoas morrem por causa da água
poluída e contaminada do que por todas as formas de violência, inclusive
as guerras.

"Água é multidisciplinar, tem a ver com cultura, política e cidadania. É uma questão para pensarmos juntos e estudarmos juntos”, diz Jussara Cabral Cruz, professora de Engenharia Sanitária e Ambiental.

Na tarde desta terça-feira, 22 de março, foram discutidas questões ambientais em duas palestras alusivas ao Dia Mundial das Águas. Universitários, professores e a comunidade em geral puderam debater sobre as problemáticas relacionadas à Educação Ambiental e aos Recursos Hídricos.

dia_agua_secretario_jessica.jpgHá 18 anos, a data foi criada pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e tem como objetivo conscientizar a população mundial sobre o problema de abastecimento de água potável, a sua conservação e preservação dos recursos naturais. "Em Santa Maria existem cerca de 198 arroios, todos canalizados, mas com sérios problemas para serem resolvidos", lembrou o secretário de Proteção Ambiental, Luiz Alberto de Carvalho Junior, durante a abertura do evento.

dia_agua_jussara_jessica.jpgA presidente do conselho administrativo da Fundação Mo’ã, Jussara Cruz, falou sobre a importância da Água para a geração de energia do Planeta, para a irrigação, tratamento de efluentes, navegação, turismo e recreação e para a manutenção dos ecossistemas. A palestrante fez uma reflexão sobre o uso, os conflitos, os desafios e as ações que envolvem os recursos hídricos e a sua preservação. Segundo a professora, é preciso verificar os erros do passado e se pensar em soluções futuras. Citou exemplos de desastres ambientais, como a mortandade de peixes no Rio dos Sinos em 2007, os lixos que são arrastados diariamente pelas chuvas nas grandes cidades e a impermeabilização das áreas e terrenos urbanos devido à pavimentação inadequada.

A cada dois anos, a Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH), lança cartas sobre a temática Água e leva contribuições para as constituições federal e estadual. Segundo Jussara, nessas cartas, constam informações sobre as discussões de priordade nacional em recursos hídricos e meio ambiente.

 

dia_agua_figueiro_jessica.jpg"A água é o sangue de Gaia.  Enquanto não formos totalmente conscientes da necessidade de cuidarmos da nossa própria saúde, jamais seremos capazes de cuidar da saúde de Gaia”, lamenta o geógrafo Adriano Figueiró, sobre o Planeta Terra.

O termo Gaia, vem da mitologia grega e significa deusa da Terra.  Figueiró utilizou a palavra ao se referir ao Planeta em sua exposição sobre a Água e a escassez mundial.  Segundo  o pesquisador, nossas veias entopem tanto quanto as veias do Planeta e sentimos sede tanto quanto ele. Podemos perceber isso durante as enchentes que destroem regiões em São Paulo, por exemplo. Nas secas que ocorrem devido às drenagens de todas as reservas de água, como é o caso do Mar de Aral – lago de água salgada, situado na Ásia Central, em processo de desertificação.

A Falta de Água – De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a metade dos domicílios não possui água potável.

"Gostamos de falar e escrever sobre educação ambiental na academia, mas pouco se faz", enfatiza Figueiró. Segundo ele, a água está escapando por outro lado e não em só uma torneira pingando. As campanhas de conscientização são de extrema importância, mas é preciso ter mais ações e educação ambiental nas escolas.

O consumo da água aumentou oito vezes nos últimos anos. Mais de 80% da água utilizada nos países em desenvolvimento é destinada à agricultura, sem cumprir nenhum serviço ambiental de proteção. Segundo Figueiró, grande parte dos alimentos que são produzidos com a utilização da água em abundância (como em irrigação) no país, são exportados. Um exemplo é a soja. "Não temos a nossa poupança preservada. Mandamos a nossa água embora em forma de mercadorias – comoddities", explica ele.

dia_agua_publico_jessica.jpgO debate foi realizado na Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Proteção Ambiental, com o apoio do Conselho Municipal do Meio Ambiente (CONDEMA), Comitê Bacia Hidrográfica Vacaraí Mirim, Universidade Federal de Santa Maria, Faculdade Integrada de Santa Maria, Centro Universitário Franciscano, APUSM, Secretaria de Município de Educação, Projeto de Educação Ambiental do Município (Pronfea/Remea) e Fundação Mo’ã.

 

Fotos: Jéssica Martini (Laboratório de Fotografia e Memória)